Você é uma vergonha, Rose Weasley !
35 Capítulo 34 - Você não vai me tornar uma pessoa rancorosa
Notas iniciais
Fico encarando o envelope com o nome de Scorpius como se ele fosse uma bomba ( e de fato era) considerando seriamente a hipótese de nem lê-lo. Alvo e Lily tinham saído e eu estava sozinha na casa
— Não Rose, você não pode ignorar uma carta..é falta de educação – Eu disse pra mim mesma pausadamente. Céus, eu preciso parar de fazer isso , estou parecendo uma louca. Solto um longo suspiro e deixo a carta de lado, me concentrando em ler a carta de James.
Sorrio abertamente para cada linha da carta em que meus olhos passam e sinto meu coração se aquecer imediatamente. Eu nunca pensei que fosse sentir a falta de James da forma em que eu estava sentindo, principalmente nesses últimos dias. Já faziam quase 6 meses que estávamos juntos e, surpreendentemente, ele não se esqueceu disso, o que na verdade era um recorde, até porque ele nunca se esqueceu de me felicitar por isso, mesmo que as cartas chegassem atrasadas.
Me levanto da cama de Alvo e vou em direção a minha mala, que está embaixo da escrivaninha escura, pego alguns pergaminhos, meu tinteiro , uma pena e um envelope e começo a escrever uma resposta para a carta de James. Segundo ele, as coisas estavam bem por lá e ele gostou muito dos poucos lugares que conseguiu visitar no Brasil, já que eles ficavam na floresta boa parte do tempo.
Disse também que me levaria para conhecer alguns lugares assim que desse, o que me deixou realmente empolgada, já que eu nunca tinha saído da Inglaterra na minha vida. Terminei de escrever a carta e a coloquei no envelope, fechando-o em seguida. Me levantei novamente e entreguei a carta para minha coruja, que saiu em disparada pela janela para ir até James.
Soltei um longo suspiro e encarei novamente a carta de Scorpius, que estava em cima da escrivaninha. Eu queria mais do que nunca que aquela carta jamais tivesse chegado e que esse aparente surto do Malfoy em me mandar uma carta nunca tivesse acontecido..mas claro, não foi isso o que aconteceu. Encaro a carta novamente e decido que é melhor não ler e nem responder agora, então simplesmente me viro e acabo adormecendo na cama de Alvo.
Abri os olhos e me deparei com tudo escuro. Eu não estava mais na cama de Alvo, e sim na minha cama improvisada no quarto de Lily, que era feita toda vez em que eu dormia quando eu ia na casa dos Potter. Olhei para o lado e vi que Lily dormia pesadamente na cama ao lado, então deitei novamente e não demorei para apagar mais uma vez.
Os três dias seguintes se passaram da mesma forma , o momento de voltar para Hogwarts havia chegado e eu ainda não tinha lido a carta do Malfoy. Resolvi aproveitar os minutos antes de sair de casa para ir para a estação de King’s Cross e peguei a carta, abrindo-a nervosamente
Weasley
Antes de mais nada, queria te dizer que aquela carta sem remetente que você recebeu a alguns dias foi eu quem mandou. Tudo o que eu queria te dizer eu disse lá, e espero de verdade que algum dia você possa me perdoar.
Atenciosamente
Scorpius Malfoy
Fiquei encarando o papel por alguns instantes, até que ouvi uma batida na porta do meu quarto.
— Pode entrar – Eu disse, guardando a carta de qualquer jeito na bolsa, juntamente com a minha varinha.
— Está na hora Rose – Minha mãe abriu a porta e sorriu levemente para mim. Retribui o sorriso e sai do quarto, descendo as escadas ao seu lado. Quando cheguei no andar debaixo, meu pai já tinha colocado minhas malas no porta malas do carro e estava apenas nos esperando para irmos em direção a estação. Eu, Alvo e Lily nos sentamos na mesma cabine e dormimos praticamente a viajem.
Quando chegamos em Hogwarts, muitas pessoas me parabenizaram pela entrevista que dei durante o período das festas, dizendo que eu era muito corajosa e que foi algo positivo da minha parte fazê-la, já que um número maior de pessoas veriam o quão prejudicial e horrível eram essas coisas. Algumas pessoas apenas me encaravam, algumas com vergonha, outras com admiração e ainda tinha as que eu não conseguia definir apenas pelo olhar.
Os meses seguintes passaram como um piscar de olhos. James estava prestes a completar um ano do Brasil e, segundo sua última carta, ele conseguira alguns dias de folga em breve. As coisas estavam indo muito bem, minhas notas estavam muito boas e eu estava conseguindo manter o meu peso sem uma única grama a mais ou a menos. A única coisa que estava um verdadeiro fracasso em minha vida é que eu estava fugindo o máximo possível de uma conversa com Malfoy.
Por mais que eu perdoe, o que hoje já não é mais tão difícil e doloroso quanto antes, eu sei que jamais conseguiria ter qualquer relação de amizade com ele, pois tenho quase certeza que esse pedido de desculpas não é tão sincero..eu me lembro da expressão do Sr Malfoy quando apareceu na casa da vovó Molly, em plena noite de Natal: era puro desgosto e raiva , sem falar que Scorpius estava com uma expressão de puro enterro e vergonha, como se o pai o tivesse intimado a fazer algo.
Mas é claro que isso não ia durar pra sempre. Já estávamos em Maio e um belo dia eu me atrasei mais do que o recomendável , e o único lugar vago que havia sobrado ela ao lado do..MALFOY ! Tive vontade de assassinar mentalmente o menino que havia se sentado ao lado de Alvo e me sentei, relutantemente, ao lado do Malfoy. Fiz minha poção inteira em silêncio, tomando o máximo de cuidado para não encostar nele e também de deixar bem claro que eu não estava dando abertura alguma para diálogos com ele.
— Vai me ignorar até quando, Weasley ? – Ele disse direto e sem me olhar, enquanto mexia cuidadosamente a sua poção. Engoli em seco ao ouvir a voz dele, mas tentei soar o menos nervosa possível.
— Se for sobre a carta, não se preocupe, está tudo bem – Eu disse incomodada, sem tirar os olhos da minha poção. Scorpius ficou em silêncio por alguns instantes.
— Não soou muito convincente – Ele disse
— Não precisa soar Malfoy, essa é a realidade — Eu disse, virando-me para encarar o loiro a minha frente. Ele tinha parado de fazer sua poção, e seu olhar sobre mim estava sério – Você já me fez muito mal, eu lutei muito para tirar isso de mim..sim, eu tenho muitos motivos para não te perdoar mas a verdade é que eu não quero que esse eu sentimento de aversão a você me torne uma pessoa amarga e rancorosa ..sem falar que eu não me prejudicaria em nada de perdoando, então está tudo bem e vamos deixar isso pra lá – Eu encerrei o assunto e voltei a mexer minha poção. Scorpius não disse mais nada o restante da aula e saiu da sala sem dizer uma única palavra.
Soltei um longo suspiro, como se eu tivesse lavado a minha alma. Tudo ficaria bem
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