Notas iniciais
Um ano depois e as coisas não mudaram muito. A relação dos gêmeos está cada vez pior e Sócrates não se sente bem emocionalmente

Irmãos gêmeos são inseparáveis desde o nascimento. Dividem as roupas, os brinquedos, comida. Se forem idênticos gostam de pregar peças nas pessoas quando pequenos e quase nunca brigam

Essa foi a melhor definição para mim e Michelangelo por muitos anos, mas agora não passamos de estranhos iguais dividindo o mesmo quarto.

Ele até tentou recuperar a minha confiança. Tentou falar comigo, tentou muito mesmo. Mas isso foi só durante um mês e meio. Depois ele arranjou outros amigos e parou de tentar

Mas se envolveu com as pessoas erradas. Apesar de terem pessoas populares e simpáticas naquele colégio, grande parte se acha superior. Acha que é melhor que todo mundo, que a vida vale mais do que a dos outros. Sempre tive nojo de pessoas assim e o meu próprio irmão aos poucos foi se transformando nisso.

Quando fui perceber, ele já olhava os outros com o nariz em pé e falava mal das pessoas. Seu sorriso radiante já não aparecia mais. Virou um babaca superficial

E quando o sorriso de Michelangelo morreu, eu fui junto com ele.

É a famosa depressão que assombra a humanidade desde os tempos da idade média. Não adianta mais fugir do óbvio. Isso está me corroendo por dentro, mas eu realmente não quero ir ao psicólogo

Para meu irmão a minha existência não tem a menor importância. Meus pais estão muito ocupados tentando controlar as rebeldias de Michelangelo. Cadu está muito ocupado com os dois namorados, mas é o único que realmente se importa.

Meu irmão é fraco, influenciável. Quando éramos pequenos e os garotos provocavam, ele chorava como uma garotinha. E eu batia em todos eles. Mas apesar de tudo é, ou era, uma pessoa muito alegre. Sempre me fazia rir quando eu ficava desanimado

Ele precisava de alguém para defende-lo e eu de alguém para me fazer rir. Foi por isso que nós sempre nos damos tão bem, mas agora esse laço foi rompido

Tenho pensado muito em coisas desnecessárias. Com dezesseis anos, já penso muito na morte. Penso no que vai acontecer quando morrer e se vai demorar muito para acontecer

Ás vezes desejo, ás vezes estremeço só de pensar na possibilidade de morrer e quero viver mais noventa anos. Me sinto sozinho, penso muito, choro muito

E quando finalmente me senti feliz, descobri que essa felicidade não me pertencia. É errado, feio, mal falado. Mas quem disse que eu estava me importando com o que os outros vão dizer?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.