Você é minha droga
53 Penúltimo capítulo
Notas iniciais
Pov Joe:
Clary dormiu como um anjo. Parei num posto de gasolina para abastecer, e a cobri com um velho cobertor que carregava no porta-malas do Torino.
Eu mesmo coloquei a gasolina no tanque enquanto o olhar desconfiado do dono do lugar não saía de cima de mim. Ainda peguei dois pacotes grandes de Cheetos e uma Coca Cola de dois litros, sem tirar meus olhos do carro e principalmente de Clary.
–Estão fazendo uma viagem? — perguntou o velho desconfiado.
–Sim. Recém-casados. — menti mostrando a aliança em meu dedo.
–Aproveite os primeiros meses porque depois... Será um inferno. — disse desfazendo-se de sua desconfiança. Paguei-lhe e saí com a comida nas mãos, joguei tudo no banco traseiro e ainda parei para deixar um beijo na testa de Clary.
Segui viagem pelas estradas a madrugada inteira, estava morto de sono e cansaço. Eu só descansaria quando estivesse a salvo com ela.
Ao amanhecer Clary despertou, e fez questão que eu parasse o carro e trocássemos as posições. Não foi tão ruim, primeiro passei todas as informações de corta caminhos e por qual cidades ela deveria passar e quais evitar, depois desfrutei de uma dose de sono. Quando acordei as placas indicavam que estávamos chegando à cidade de Tucson.
–Clary... — sussurrei ainda despertando. Ela olhou gentilmente para mim, parecia feliz. — Por quanto tempo dormi?
–Acho que umas três horas. — disse dando de ombros. — Relaxa, se não pararmos para nada conseguimos chegar a Green Valley depois do meio-dia.
–Eu quero que pare no próximo acostamento e me devolva à direção de meu carro. — falei naquele tom que ela sempre obedecia. E foi o que fez, encostou o carro e desceu furiosa.
Fiz o mesmo. Esticar as pernas era a melhor coisa que eu poderia fazer.
–Eu odeio quando manda em mim. — disse acedendo um cigarro. Devia ter encontrado meu maço em alguma parte do carro. Encostou-se na lataria, o sol da manhã afetou minhas pupilas.
–Você prometeu que faria tudo o que eu dissesse. — respondi sorrindo. Ela me fuzilou enquanto tragava.
–Estou com fome. — resmungou. — Sede...
–Tem salgadinho e Coca no banco de trás.
–Eu já comi tudo. — fiquei boquiaberto. Tudo isso enquanto eu dormia? Por isso que ainda estávamos ali naquela cidade. — Espero que tenha um plano.
–Eu tenho chegarmos à fronteira o mais rápido possível e depois... Tentar encontrar seu pai.
Ela assentiu e me passou o cigarro, traguei o mesmo sem deixar de fitá-la desconfiado.
–Porque não me disse que iria se encontrar com Black?
–Do que isso importa? — retrucou furiosa. Deu a volta no carro e entrou batendo a porta com fúria.
–Importa... — falei me debruçando na janela do motorista e encarando-a. — Mentiu pra mim.
–E você nunca mentiu para mim? — cuspiu ainda furiosa. Eu não via motivo para chateação, estávamos apenas colocando as coisas em pratos limpos. — Dormiu com Yara.
–Eu não transei com aquela vadia. — cuspi dando um murro no teto do Torino. Seus olhos se desviaram dos meus.
–Mas foi procurá-la.
–Está bem Clary. Eu te enganei e daí? Você fez o mesmo ontem.
–Ah... — começou a rir. — Sou sempre eu a errada nesse relacionamento. Você sempre foi o enganado... O mocinho da relação. “Coitado do Kurt, ele só sofre”
–Está sendo sarcástica? — perguntei franzindo a testa. Esmaguei o cigarro com os pés e entrei no Torino, ela prendeu o cinto e fez questão de se afastar de mim.
–Não fale comigo. — respondeu cruzando os braços e com um bico nos lábios, sorri de lado.
–Fica sexy com esse bico, me dá vontade de beijá-la. — comentei. Lentamente levantou sua mão e me mostrou seu dedo do meio. A aliança no outro dedo brilhou. — Sei que você me ama.
–Você que me ama. — respondeu. Liguei o motor e voltamos para a estrada.
Clary decidiu me ignorar durante toda a travessia pela cidade de Tucson. Até o fim do dia estaríamos na fronteira, e com esse pensamento apenas acelerei ignorando seus pedidos de comida, bebida e até de ir ao banheiro. Era gostoso vê-la furiosa.
Quando finalmente parei o carro num posto de gasolina para abastecer — com o dinheiro que ainda restava no envelope que dei a Clary e depois da briga me devolveu — ela saiu correndo para o banheiro. Acabei rindo enquanto enchia o tanque de novo.
–Posso ajudar rapaz? — pergunto um dos funcionários do posto.
–Estou enchendo o tanque. — respondi descontraído. Clary apareceu e pegou o envelope de dinheiro de meu bolso. Olhei-a furioso. — O que vai comprar?
–Comida. Se pensa que me deixar com fome fará que eu lhe perdoe está enganado. — respondeu antes de sair rebolando para dentro da loja de conveniências.
–Mulheres são difíceis de lidar. Mas nós não conseguimos ficar sem elas. — disse o funcionário coçando a barriga. Era óbvio que aguardava seu pagamento encostado na bomba de gasolina.
Pov Clary:
Entrei na loja de conveniências e todos os olhares masculinos foram para mim. Alguns desconfiados, outros para minhas pernas. Andei pelas prateleiras atrás de algo para comer, já que Kurt estava mais interessado em chegar à fronteira do que se alimentar.
Detectei uma TV e fixei meu olhar no noticiário ao mesmo tempo em que enchia minhas mãos de biscoitos recheados.
–Esta manhã o FBI divulgou as fotos do casal desaparecido, segundo suas fontes, Owen Drewnick e Marilyn Krueger foram vistos pela última vez ontem num hotel de luxo em Las Vegas. Se algum telespectador tiver alguma informação sobre os foragidos, deve ligar imediatamente para a polícia americana.
Droga, se meus pais desapareceram ontem seria impossível já estarem no México. Corri ao caixa e depois de passar todas as besteiras que comprei, encontrei Kurt conversando com um funcionário.
–Kurt. — chamei. Ele virou-se sorrindo. — Vamos embora.
–Calma. Sabia que este cara já foi técnico de futebol americano? — disse ele referindo-se ao outro.
–Por favor, temos que conversar às sós. — ele bufou e finalmente pagou o homem. Entrei no carro e joguei as guloseimas no banco de trás, Kurt prendia seu cinto na maior calma. Ligou o motor e quando tive a certeza que estávamos longe o suficiente do posto, confessei — Owen não foi para o México.
–Como assim?
–Eu não sei... — sussurrei confusa. — A foto de meus pais está em todos os jornais, como foragidos! E também disseram que a última vez que foram vistos foi ontem no hotel que informei a polícia.
–Não entendo... Eles fugiram?
–Eu não sei. — encolhi os ombros. — E agora?
–Temos que seguir viagem. Se a polícia não se importou com nosso sumiço, temos que aproveitar a chance e continuar.
–Eu não vou para México algum se meus pais não estiverem juntos. — gritei fazendo-o se irritar. Ele parou o carro bruscamente.
–Não grita comigo! — repreendeu. — Se quer ficar aqui e esperar eles para serem presos juntos, problema seu. Eu já fui preso e não quero voltar para uma jaula tão cedo principalmente agora que limparam meus antecedentes.
–E eles? — questionei.
–Não sei... Você sabe o celular de sua mãe de cor? – perguntou se acalmando.
–Sei.
–Ligamos para ela na próxima parada. Fale rápido, o máximo quarenta segundos se passarem disso conseguem nos localizar. — explicou. Respirei profundamente.
–Okay.
[...]
–Mãe? — perguntei agarrada ao telefone público. Ouvi um chiado do outro lado da linha. Kurt apontou para o relógio em seu pulso.
–Clary... — sussurrou. — Onde está?
–Em... Green Valley. Eu e Joe estamos a caminho da fronteira.
–Que bom, eu e seu pai estamos indo também.
–Mãe eu tenho que ser breve.
–Vinte segundos. — avisou Kurt.
–Nós vamos esperar vocês nos túneis ilegais da fronteira. Owen deve saber onde é.
Kurt desligou o telefone em seguida. Olhei-o incrédula, como ele podia ser tão mal educado.
–Vamos embora. — disse agarrando meu pulso e me puxando.
–Calma.
–Como vou ter calma quando sei que está todo mundo em perigo? Temos que chegar o mais rápido aos túneis. — disse ele soltando-me e entrando no carro.
–Relaxa. — falei, minha vontade era bater nele. Não sabia o quanto estava irritando aquele seu jeito “Tenho que salvar todo mundo!” — Vai dar tempo.
–A partir de agora não vamos parar nem para ir ao banheiro. — avisou enquanto dava a volta e saía do posto de gasolina.
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