Você É Meu Verdadeiro Amor!
103 Um plano posto em ação
Os quatro dias que se seguiram foram normais para Grissom e Sara. O supervisor resolveu ''deletar'' de sua mente aquela ligação e seguir como se aquilo nem tivesse acontecido. Durante esses dias que passaram ele e Sara juntamente com Any começaram a ver algumas coisas para o aniversário de Liv que estava bem próximo. A menina estava empolgada com aquilo e Grissom também, pois aquele seria o primeiro ''evento'' em família dele e ele queria ser bem participativo no aniversário de sua princesa.
Enquanto na casa de Sara ia tudo bem e feliz, pra Dylan a felicidade viria amanha quando ele e Teri poriam em ação o plano deles. Nesses dias os dois tinham arquitetado tudo muito bem pra que não houvesse erro algum na 'execução' do plano deles.
Dylan estava ansioso e não cabia em si de vontade que o amanhã chegasse pra que assim pudesse tirar Grissom de seu caminho e ver Sara novamente livre ... livre pra voltar a ser dele!
_Amanhã ... amanhã aquele cara não vai mais ficar com você, meu bem! — ele dizia olhando uma foto dele com Sara e Liv a qual ele mantinha guardada em sua carteira.
O amor que sentia pela ex havia lhe cegado a tal ponto que ele não conseguia ver que o que estava prestes a fazer era errado e poderia lhe afastar de vez da ex caso ela descobrisse sua participação em tudo aquilo!
...
_O que você tem? — Sara passou uma das mãos sobre os cabelos encaracolados do marido enquanto o mesmo dirigia para o laboratório.
Ela havia notado que desde que acordaram, ele estava estranho, calado, quieto e com um olhar distante.
O que acontecia era que ele estava com um pressentimento estranho de que algo ruim estava pra acontecer. E realmente estava pra acontecer isso, seria algo que ia acabar com sua felicidade, com sua paz e seu coração!
_Sabe aquela sensação de que algo de ruim vai acontecer?
_Sim!
_Pois é, acordei assim! Isso está me incomodando e preocupando. Sinto que é algo com você, Sara! — ele olhou de relance pra ela.
Não queria preocupá-la, mas tinha que lhe dizer.
_Comigo?
_Sim! ... Me prometa pela Liv, Sara ... que você vai tomar cuidado durante o trabalho e que vai usar o colete fechado! Eu estou tão agoniado com essa sensação. Não sei o que seria de mim se acontecesse algo com você. Prometa que vai tomar cuidado hoje, muito mais do que costuma tomar!
Ela ficou preocupada com ele, pois parecia visivelmente agoniado com aquilo. Nunca o tinha visto assim preocupado, angustiado e extremamente aflito. Tentou acalmá-lo, pois aquela aflição dele de certa forma, lhe deu certa aflição também!
_Ei, não precisa ficar assim. — ela acariciou seu rosto._Olha, eu vou tomar cuidado, juro pra você!
Ele ficou aliviado por sua promessa, porém não menos preocupado com aquela sensação.
Assim que eles chegaram no laboratório cada um seguiu para um lado, porém antes de seguir seu rumo Grissom ficou observando Sara seguir o dela pra sala de descanso, quando ela dobrou o corredor ele então seguiu para sua sala. No meio do caminho, esbarrou com Catherine e lhe fez um pedido que a loira ficou sem entender.
_Catherine, se for você quem for fazer dupla com Sara, por favor, não desgrude dela um instante sequer!
_Por que? — a loira o olhou confusa.
Ele pediu a amiga que o seguisse a sua sala e e lá ele lhe contou sobre aquilo que sentia e lhe incomodava demais. Ela não deixou de ficar preocupada com aquela situação e principalmente, com o estado do amigo que parecia bastante agoniado com aquilo. Vendo-o daquele jeito, ela não teve outra alternativa senão atender seu pedido que mais parecia uma suplica. E ele ainda lhe pediu que não comentasse nada com Sara sobre isso que lhe pedira, o que prontamente a amiga atendeu.
...
Naquela noite o turno pra ele parecia que nunca chegava ao fim. Sua preocupação em nada diminuiu, pelo contrário, ela se intensificava a cada segundo que o ponteiro do relógio andava.
De uma em uma hora ele ligava pra Sara pra saber o que ela estava fazendo e se estava bem. Em determinado momento, ela chegou a se irritar com isso e acabou brigando com o marido pelo telefone e desligando na cara dele, mas depois acabou se sentindo mal por aquilo. Retornou a ligação e lhe pediu desculpas, ao que ele desculpou.
_Eu só estou preocupado com você por causa desse pressentimento ruim que estou tendo. — ele se justificou.
_Eu sei, amor. Me desculpe, mas eu estou bem. Não tem necessidade de ficar me ligando a todo instante.
_Tudo bem, eu estou te incomodando, não é? Não vou mais te ligar, pode ficar despreocupada. — ele se despediu dela e encerrou a ligação sem dar tempo a esposa de dizer algo.
_Grissom?? ... Alô! ... Ai que ódio, ele desligou na minha cara ainda por cima!
_Algum problema, Sara?
_Não, Catherine. — ela virou-se pra loira que entrara ali na sala onde ela se encontrava. _Vamos cuidar de terminar esse caso. Não vejo a hora desse turno terminar, sabia?
_Nem eu!
As duas começaram a analisar o restante das evidências do caso delas, que Catherine havia trazido.
...
_Posso entrar?
Ele levantou a cabeça dos papeis que lia e olhou pra ela. Sem dizer nada apenas assentiu em resposta e voltou sua atenção aos relatórios em sua mão.
_Está muito ocupado?
_Um pouco ... estou revisando uns papeis. — ele respondeu sem olhar pra ela.
_Está chateado comigo pelo ocorrido de ainda a pouco, não é? — ele ficou calado e não respondeu nada. _Seu silêncio foi uma resposta e tanto.
_Já encerrou seu caso com a Catherine?
_Ainda não.
_Hum ...
_Eu pedi a ela pra me dá só uns minutos e vim aqui falar com você. Precisava te pedir desculpas pessoalmente. Não aguentei esperar até o fim do turno pra fazer isso.
Ele que até então continuava sem olhar pra ela, depois disso que ela falou, levantou a cabeça e a encarou.
_Eu sinto muito, não devia ter falado com você daquele jeito. Eu fui insensível e incompreensível. Você todo preocupado comigo por causa desse pressentimento ruim e eu brigando com você ... perdão, Gil!
_Tudo bem ... está perdoada!
_Estou mesmo? — ela o encarou e tocou sua mão que repousava sobre a mesa.
Os lábios dele se esticaram em um pequeno sorriso. Depois ele confirmou que estava mesmo perdoada. Na verdade, ele estava mais preocupado com aquilo que lhe incomodava do que com a ''pequena'' grosseria que a esposa tinha lhe feito ao ficar lhe ligando o tempo todo.
Diante da confirmação dele e do sorriso que ele lhe dirigiu, ela percebeu que realmente estava perdoada e ficou aliviada por ter resolvido aquela situação. Mais tranquila e aliviada, ela despediu-se dele e retornou para seu serviço.
...
Fim do turno e Sara se encontrava diante de seu armário guardando seus pertences. Seus amigos tinham saído há poucos instantes dali e seu marido estava na sala dele terminando de ajeitar umas coisa e depois eles poderiam ir pra casa.
De repente ela sentiu seu celular vibrar no bolso da calça. Pegou-o e viu o nome do ex piscando na tela do aparelho.
''Ai, eu mereço isso logo cedo!''
Respirou fundo e após contar mentalmente até três, ela então atendeu a ligação.
_Oi, Dylan! ... Não acha que é muito cedo pra ficar me ligando, não? — ela disparou a pergunta sem esconder a insatisfação.
_Oi, Sara! E não, não acho que seja cedo.
_O que foi? O que quer?
_Quero falar com você agora, é importante.
_Pode falar.
_Tem que ser pessoalmente.
_Vai a minha casa então.
_Não dá. Eu acordei meio indisposto, acho que é um resfriado, não sei. Poderia vir aqui no hotel onde estou hospedado.
Ir ao hotel encontra-lo? Era obvio que não!
_Pode esquecer que eu não vou! Quando passar essa sua indisposição e você poder ir a minha, a gente conversa.
_Por que não quer vir? Por acaso tem medo do seu marido?
_Não!
_Então vem.
_O que quer falar comigo?
_Quando você vier vai saber. Vou te esperar no restaurante do hotel e não demore e nem deixe de vir porque o que quero dizer tem relação com a Liv. — ele resolveu envolver o nome da menina, pois sabia que se tratando da filha, Sara viria.
Ele encerrou a ligação.
E agora como ela ia falar com o ex sem que Grissom soubesse? Porque logicamente ele nem podia sonhar com uma coisa daquelas senão tinha certeza que daria briga entre eles já que ele se incomodava por demais que ela falasse com seu ex.
_Sara??
_Grissom que susto!! — ela se virou assustada pra ele que estava atrás dela.
_Desculpa! Com quem fala?
Ela ainda mantinha o celular na orelha como que se estivesse falando com alguém.
_Com ninguém! — ela guardou o celular no bolso.
_E estava com o celular no ouvido por que? — ele sorriu tombando a cabeça de lado.
_Eu estava falando com a diretora da escola da Liv. — inventou.
_Algum problema com a Liv? — ele se preocupou.
_Não ... a diretora queria que eu fosse lá porque quer falar comigo, não sei por qual motivo.
_Hum ... Bem, você vai ter que ir de táxi, pois Judy acabou de me avisar que Ecklei quer se reunir comigo e com os outros supervisores. Se lembra que eu disse que ele ia viajar e eu ia assumir por uns dias a chefia do laboratório?
_Sim!
_Então, com certeza a reunião deve ser pra isso.
_Deve ser.
Ela estava se sentindo tão mal por enganá-lo, mas achava por bem não dizer a verdade a ele, o que seria seu erro em tudo aquilo.
_Se é assim não se preocupe que vou de táxi sem problema.
_Ok. Não sei até que horas essa reunião vai durar, parece que Ecklei saiu um instante e espero que não demore muito pra voltar e começar logo essa reunião.
_Tudo bem!
Grissom deu uma rápida olhada pra ver se não vinha ninguém e vendo que só estava ele e a esposa ali, ele então lhe deu um rápido beijo de despedida. Quando ia se afastar dela, Sara lhe agarrou e lhe beijou profundamente.
Eles não sabiam, mas aquele seria o último beijo que trocariam! Pois tão logo as coisas desmoronariam pra eles e aquele amor de conto de fadas seria duramente estraçalhado por um plano maléfico!
_Sara ... querida ... estamos no laboratório! — ele dizia entre o beijo.
Ela o largou e sorriu sem jeito.
_Desculpa!
_O que deu em você? — ele tinha um sorriso.
_Só queria um beijo de verdade!
_Sei! ... Bem deixa eu voltar pra minha sala. Nos vemos em casa.
_Tá!
Ele já ia sair dali quando ela o chamou.
_Gil??
_Oi!! — virou-se pra ela.
_Eu te amo! — ela não sabia porque, mas sentiu uma vontade tão grande de dizer essas três palavras.
_Eu também te amo ... maluca irritante! — ele piscou e sorriu pra ela.
_Limão azedo! — ela lhe disse, ele apenas sorriu e saiu dali logo em seguida.
...
_Você já sabe o que fazer, não?
_Sim!
_Aqui está o remédio. — Dylan entregou disfarçadamente o vidrinho de remédio a Joel. Aquele remédio que na verdade se tratava de uma droga, não aparecia no organismo caso a pessoa fizesse um exame. E tinha sido exatamente por isso que Teri o encomendara pra usar naquele plano, pois eles não correriam o risco de Sara alegar a Grissom que havia sido drogada.
_Ok!
_Pode ir. Quando ela chegar eu te chamo pra ela fazer o pedido dela.
O garçom assentiu e seguiu para cuidar de atender outros clientes enquanto a mulher que seria o alvo daquela coisa toda não chegava.
Dylan se recostou em sua cadeira e contou as horas pra ver Sara cruzar aquela porta do restaurante. Agora faltava muito pouco pra ele tirá-la daquele homem com quem ela estava.
Seu celular tocou, era Teri. Ele atendeu imediatamente.
_Sim!
_Já ligou pra ela?
_Já!
_E aí?
_Tenho certeza que ela já está a caminho.
_Ótimo! Quando ela chegar dei um jeito de me mandar um sms pra eu poder mandar as fotos.
_Pode deixar.
Ele desligou o celular e se pôs a esperar por Sara. Não tardou muito e ela chegava ali.
_Só espero que seja importante o queira me dizer. — ela acomodou-se em uma cadeira a frente do ex.
_E é. Mas antes de começarmos a falar vamos pedir algo. Eu estava só esperando você chegar pra pedir um café. — ele fez sinal pra Joel.
_Eu não quero nada, Dylan. — ela retrucou sem paciência.
_Veja um café pra mim e você, Sara. O que quer? — ele perguntou ignorando o que ela havia dito segundos atrás.
Ela bufou de raiva.
_Traz pra mim um suco de maracujá, porque acho que vou precisar. — ela pediu séria.
O garçom anotou os pedidos e enquanto ele fazia isso Dylan aproveitou e por baixo da mesa mandou o sms pra Teri.
A loira ao receber a mensagem de Dylan, tratou logo de ''despachar'' as fotos para certo supervisor que ela sabia que ainda se encontrava no laboratório.
Tudo até agora seguia como combinado!
_Então o que queria falar comigo de tão importante? — Sara perguntou logo depois que o garçom os deixou sozinhos.
_Falei com meu pai a respeito do aniversário da Liv e ele me disse que vem para a festinha, mas me pediu que lhe dissesse que não era pra avisar a Liv sobre isso.
_Ok!
O garçom retornou com o café de Dylan e o suco de Sara. Antes de sair ele assentiu pra Dylan sem que Sara visse é claro, confirmando que tinha feito sua parte no combinado.
_Era só isso que queria me falar? — ela perguntou após tomar uma boa quantidade de seu suco pra enorme satisfação de Dylan.
_Não, ainda tem mais.
Ele começou a inventar coisas pra distraí-la. Enquanto isso o sujeito mandado por Teri chegava a recepção do laboratório de criminalística.
_Encomenda urgente para o senhor Gilbert Grissom. — o homem de capacete entregou a Judy um envelope pardo. _Pode assinar aqui pra mim? — ele lhe estendeu um fajuto recibo e depois que a recepcionista assinou ele saiu dali.
Já fora do laboratório ele ligou pra Teri.
_Loira?? Encomenda entregue!
_Excelente, Ruy. Agora espera cerca de dez a quinze minutos e ligue para o número que te dei e faça o resto do combinado.
_Certo!
_Ruy, sem erros ... é número RESTRITO.
_Eu sei loira. Deixa comigo que eu sei como se faz.
_É o que espero mesmo. Depois que completar a ''missão'' toda, me liga.
_Sim, senhora! Você não pede, você manda, Teri!
Grissom estava em sua sala esperando Ecklei que ainda não havia voltado, quando ouviu uma batida na porta de sua sala.
_Entre!
_Com licença, doutor Grissom, mas chegou isso para o senhor. — ela foi até ele e lhe estendeu o envelope. _Como o entregador disse que era urgente isso, então resolvi trazer logo.
_Obrigado, Judy.
_De nada e com licença.
_Toda!
Ela saiu da sala e Grissom olhou o envelope que estranhamente não trazia um remetente. Sem imaginar qual era o conteúdo daquilo, ele começou a abri-lo.
Quando o supervisor puxou de dentro daquele envelope um pequeno bolo de fotos e viu a primeira que trazia logo de cara Sara e Dylan se beijando, sentiu o mundo ser arrancado de seus pés.
_O que é isso? — ele murmurou encarando aquela foto e depois começou a ver as outras.
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