Notas iniciais
Fiz na correria e ão revisei se tiver erros perdão.

Quis evitar teus olhos
Mas não pude reagir
Fico à vontade então
Acho que é bobagem
A mania de fingir
Negando a intenção

(..)

E quando um certo alguém
Desperta o sentimento
É melhor não resistir
E se entregar

Me dê a mão
Vem ser a minha estrela
Complicação
Tão fácil de entender
Vamos dançar
Luzir a madrugada
Inspiração
Pra tudo que eu viver
Que eu viver, uoh, uoh

(Lulu Santos – Um certo alguém)

_O que disse? – ela abriu os olhos o encarando confusa pensando ter ouvido errado.

Ainda sobre ela, ele então abriu seus olhos e encarou-a.

_Eu disse que acho... Não, acho não, eu estou gostando de você Sara! — corrigiu sua frase antes soando duvida pra fazê-la soar agora como uma certeza.

Aquilo não estava acontecendo estava?

_Você, gostando de mim? Isso é brincadeira sua não é Grissom? – perguntou sem acreditar no que ele disse.

_Não, Sara.

Ele abandou seus questionamentos, medos, a lembrança de sua esposa e as duvidas que eram muitas e reafirmou o que sentia. Na tentativa de tirar aquela duvida dela.

_Como assim não?

Sara sentiu seu coração vir ate a goela e depois descer com tudo quando engoliu a seco. Tentou raciocinar direito após o que ele disse, mas isso estava difícil.

_Olha, eu não sei como isso foi acontecer. Sinceramente não esperava que fosse voltar a gostar de outra que não fosse a minha esposa e ainda mais que essa outra fosse você já que temos uma relação um tanto difícil, mas aconteceu e... Não posso negar que estou um pouco assustado com isso porque eu não consigo parar de pensar em você. Te olho nos olhos como agora e sinto como se me perdesse e me encontrasse ao mesmo tempo Sara. Nunca havia sentido isso.

Uma coragem desvairada se apossou dele e o fez dizer o que ate então estava ali dentro de si e ele não via. De uma hora pra outra as palavras foram saindo naturalmente sem que ao menos ele as tivesse escolhido ou planejado que saíssem. Simplesmente elas saíram!

Em silencio Sara o olhava e não conseguia falar nada ao contrario dele as palavras pra ela haviam evaporado como fumaça. Estava muda e completamente desconcertada com suas declarações. Em hipótese alguma pensou que fosse ouvir algo parecido sair da boca de seu supervisor ate porque viviam as turras com uma relação montanha-russa onde hora se entendiam hora brigavam. E agora de repente ele sai com uma dessas, dentro dela uma confusão doida fazia festa.

Um celular tocou, era o dele. Grissom ouviu seu aparelho, mas não fez menção alguma de se levantar de cima de Sara pra atender a ligação.

_Não vai atender? – ela perguntou após o segundo toque do celular.

_Não!

_Pode ser do laboratório.

_Depois retorno.

_Atende Grissom!

Ela queria naquele momento que ele saísse de cima dela pra que pudesse sair dali. Precisava ter um tempo sozinha pra assimilar melhor todas aquelas coisas que ele lhe disse. Fora pega de surpresa com aquele tsunami de palavras e por aquele beijo que lhe fez viajar pra além da estratosfera literalmente. O que ocorreu ali entre eles havia mexido com ela de tal forma que não sabia o que dizer e nem o que fazer.

Grissom não queria, mas acatou o pedido de Sara. Levantou-se da cama saindo dos braços dela e foi atender o celular que tocava insistentemente em cima da cômoda.

_Grissom! – falou ao atender

Do outro lado da linha era Ecklei querendo saber sobre o caso que o supervisor foi investigar. Os dois ficaram falando por poucos minutos que para Grissom pareceram ate horas. Assim que desligou e virou-se Sara não estava mais ali deitada, se perguntou onde ela estava e teve sua resposta ao ouvir o barulho do chuveiro sendo ligado. Caminhou ate a cama sentando-se nela e se pondo a pensar no beijo e no que disse. O que faria agora? Não podia deixar as coisas assim. Esperaria ela sair pra conversarem.

Sob a agua abundante do chuveiro Sara tentava agora organizar sua mente ainda atordoada pelos fatos ocorridos há poucos instantes. Relembrou cada palavra que ele lhe disse e honestamente seu coração ficou balançado demais com aquelas declarações e principalmente com o beijo trocado. Céus e que beijo! Fez seu coração bater forte, seu corpo estremecer e sentiu como se borboletas voassem dentro de sua barriga no momento em que estava ali presa em seus lábios. Pelo que se lembre nunca havia sentido isso com ninguém antes, nem com seu ex-marido que foi ate agora o único homem que amou de verdade. Tocou seus lábios com a ponta dos dedos, ainda podia sentir os lábios dele ali sobre os seus. Uma pergunta lhe veio à mente, tudo o que sentiu ao beija-lo queria dizer que ela também gostava dele? Já que foi só com ele que sentiu isso talvez sim, mas e agora com ia ser as coisas entre eles depois daquilo? Só havia um meio de saber conversando e era isso que faria.

Acabou seu banho e saiu já arrumada do banheiro. O encontrou sentado na cama de frente pra porta como que a esperando.

_Precisamos conversar sobre... O que aconteceu. – ele adiantou-se em dizer não queria esperar, tinha que ser ali e agora.

Ela balançou positivamente a cabeça. Mesmo disposta a conversar uma insegurança surgiu do nada lhe deixando receosa quanto essa conversa.

Sara sentou-se na cama com certa distancia de Grissom. Então ele começou.

_Sara... – deu um suspiro nervoso. _Quero que saiba que... O que disse agora pouco é tudo verdade. Sei que pode soar estranho eu ter te dito todas aquelas coisas por conta do nosso relacionamento instável, mas acredite em mim. Eu não diria o que disse se não fosse à verdade.

_Eu, acredito em você! – balbuciou a frase.

_Mesmo?

_Sim!

Ele a encarou por segundos ate desviar os olhos dela. Uma questão lhe ocorreu à mente. Ao longo desse tempo após a morte de sua esposa sempre ouviu seus amigos e principalmente Catherine, disserem que ele deveria tentar encontrar outra pessoa pra refazer sua vida. Só que ele não queria não se imaginava com outra e nem gostando de outra que não fosse Susan, mas lá estava ele gostando da mulher mais complicada que já conheceu e que jamais esperava que fosse gostar. Então se gostava dela, porque não tentar? Quem sabe ela não o fizesse se sentir completo de novo? E assim meio se embolando nas palavras Grissom foi falando.

_Você, acha que nós dois... Poderíamos sei lá, dar certo se tentássemos ter algo?

Se era pra tentar algo com alguém despois da morte de sua esposa que fosse com Sara já que nenhuma outra havia despertado nele o que ela havia despertado agora ele sabia e tinha certeza disso.

_Que?? Nós dois juntos? Como um casal? – arregalou os olhos castanhos.

Por essa ela não esperava! Melhor dizendo, nada ali era esperado por ela.

_Isso, como um casal. O que acha?

Que coisa!

Quando iria se imaginar naquela situação com ele, nunca essa era a verdade!

Parecia ate que estava em um sonho bem louco quis se beliscar pra ter certeza se estava acordada, mas o que ele iria achar? Provavelmente que ela estivesse amalucada. Em pensar que ate pouco tempo atrás, antes dele ficar doente ela mal lhe dirigia a palavra, e agora não só já havia feito isso como também havia trocado um beijo ardente e incrivelmente bom com ele, e mais ainda ouvia dele declarações que nem imaginava ouvir. Era quase surreal o que acontecia pra ela.

Em silencio Sara o olhava e Grissom se agoniava com aquilo, já fazia segundos que ela estava assim calada o olhando. Cansado daquilo ele resolveu falar de novo.

_Sara, fala alguma coisa. Mesmo que seja pra me xingar de louco ou qualquer outra coisa do tipo por ter dito o que disse, mas diz algo. Não fica aí calada e me olhando desse jeito.

Ela tirou os olhos dele se pondo a fitar suas mãos. Seus dedos batiam rápido em suas coxas como se elas fossem um tambor. Um suspiro ele ouviu dela e sem olha-lo Sara começou a falar pausadamente.

_Você é louco, maluco, sequelado e com um parafuso a menos limão azedo.

Ao final de sua frase ela o olhou e um sorriso tímido escapou de sus lábios fazendo com que dos de Grissom escapasse um tão tímido quanto o dela.

_Sou tudo isso?

_É e mais outras coisas.

_Puxa, pelo jeito você morre de amores por mim não é? – brincou

Ela riu, mas depois seu semblante ficou serio.

_Grissom... – começou devagar. _Tudo isso que disse me pegou de surpresa. Não esperava ouvir essas coisas de você. Estou confusa com essa situação... É tudo tão surpreendentemente louco que minha ficha tá demorando pra cair totalmente.

_Eu te entendo. Nós vivemos discutindo aí do nada te beijo e te digo essas coisas era de se admirar que não estivesse confusa. E eu também estou assim, mas mesmo assim não resistir, o beijo que trocamos me deu um empurrão pra falar sobre o que sinto e que ate então não imaginava que estava dentro de mim.

_Quando começou a sentir isso por mim? Se eu nunca fiz nada pra despertar isso em você, pelo contrario só fiz coisas pra te irritar.

_Isso é verdade, você fez tanta coisa pra me irritar, mas se eu disser que não faço ideia de quando isso começou acreditaria?

_Hum... Não!

_Mas é verdade. Pode parecer loucura, mas isso aconteceu sem que ao menos percebesse. – suspirou. _Você é a primeira mulher despois da morte da Susan que despertou o meu interesse e que gosto mesmo com nossos constantes desentendimentos.

Senhor! Cada vez amis ela ouvia o inesperado.

_Se algum tempo atrás me perguntassem se eu achava possível você e eu juntos, na mesma hora diria que não, que não haveria possibilidade nenhuma disso acontecer. Mas agora não descarto mais isso e gostaria de tentar pra ver se nós daríamos certo. Só que pra isso preciso saber de você se sente algo por mim ou se estou nessa sozinho?

A pergunta veio à queima roupa. E agora? Tinha que dizer algo, mas o que? A verdade? Qual era a verdade então? Dentro dela um furação varria tudo.

_Sara? – chamou vendo que ela não falava.

_É, bom... – apertou os lábios um no outro e respirou fundo antes de continuar. _Sinceramente eu não sei o que sinto de verdade por você, mas admito que você vem mexendo comigo e agora, depois de todas essas declarações que fez mexe ainda mais. Só que, nós dois juntos não vai dar certo.

_Por que não?

_Porque vivemos brigando e discutindo quase o tempo todo um com o outro.

_Correção, você vive brigando e discutindo comigo por qualquer coisa moça.

_Claro que não Grissom!

_Claro que sim Sara!

_Não!

_Sim!

_Já disse que não!

_E eu digo que sim. E só pra constar você já está discutindo comigo.

Os dois riram do que ele disse. Era verdade ela já estava começando uma discussãozinha com ele.

_Culpa sua que me provoca.

_Não vou discutir com você. Vamos voltar ao nosso assunto de antes?

Ela fez o que ele pediu e com certo cuidado falou.

_Olha Grissom eu acho que tentar algo seria complicado.

_Vamos fazer assim então. Antes de tentar algo vamos nos conhecer.

_Mas nós já nos conhecemos Grissom.

_Não de verdade. E é isso que quero te conhecer de verdade sem ironias, sarcasmo e sem que tenha quatro pedras na mão quando se dirigir a mim, assim como quero que me conheça de verdade também. E se não der certo, não deu, mas pelo menos ao final de tudo vamos ter mudado nossas opiniões um sobre o outro e nos daremos bem melhor do que agora pode ter certeza. Então o que me diz aceita?

Ela ponderou o que ele disse e achou que talvez fosse um bom jeito de tentar.

_Eu não sei se dará certo, mas vou aceitar. – sorriu sem jeito e ele retribui o sorriso com outro. Depois devagar se aproximou dela e lhe deu um beijo no rosto quase perto da sua boca. Ela estremeceu assim como ele.

Aquele era o começo! Com certeza!

....

Na estrada de volta pra Vegas eles iam conversando. Quando saíram da pousada pararam em um lugar pra tomar café e ali trocaram confidencias ele lhe contou coisas dele que ela não sabia. Disse que tinha um cachorro, que gostava de andar de montanha-russa, que adorava Shakespeare e com surpresa ouviu dela que também gostava dos poemas dele. Contou que adorava cozinhar, que não era muito fã de fazer exercícios físicos e muitas outras coisas. Ela também fez o mesmo lhe confidenciou coisas, disse que ao contrario dele não gostava muito de cozinhar, que adora correr à tarde no parque perto de sua casa. Contou também que gosta muito de ir ao cinema, de ler, que tinha um pouco de dificuldade de acordar e mais outras coisas. Estavam se conhecendo de verdade sem brigas e sem provocações, e estavam gostando de descobrirem como eram de verdade.

....

_Sua casa! – desligou o carro ao estacionar em frente à casa dela.

Ela tirou o cinto que a prendia e depois o encarou.

_Nos vemos a noite? – ele perguntou enquanto ela o olhava

_Não!

_Por que não? – não entendeu aquela resposta dela

_Porque é minha folga hoje. Esqueceu?

_Esqueci. Então só nos veremos amanha?

_Exatamente!

_Posso te ligar mais tarde?

_Pra que?

_Pra falar com você, pra que mais seria? Então posso?

Ela fez fechou um olho fazendo uma careta engraçada. Como que pensando na resposta.

_Hum... Tudo bem pode!

_Então eu te ligo.

_Ok. Agora deixa eu ir pra que possa ir também . Tchau Grissom! – lhe deu um beijo no rosto como ele havia feito quando aceito seu pedido.

_Tchau Sara!

Ela desceu do carro e antes de ir se apoiou na janela do passageiro e lhe disse.

_Se cuida... Limão azedo! – riu e se foi e ele ficou a observando ate que ela entrou em casa.

_Sua maluca! – riu e deu a partida no carro.

Notas finais
Espero que tenham gostado.
Bjs e ate o proximo!!