Você É Meu Verdadeiro Amor!

119 ''...Pare de chorar, querida!''


Notas iniciais
Bem, bem, bem... Suspeito que vocês vão gostar do capítulo mais precisamente do final. E ... Também suspeito que vão querer minha cabeça ao fim dele também.

Sentado ao lado de Liv na cama, Grissom se divertia ouvindo a tagarelice da menina enquanto a mesma ia comendo o pequeno lanche que até momentos atrás, antes do supervisor aparecer ali, ela se recusava a comer. Aquilo tinha sido um acordo entre eles. Liv comeria todo seu lanche e Grissom só iria embora depois que ela dormisse coisa que pelo visto, ainda demoraria pra acontecer já que Lívia estava bastante falante.

A menina lhe contou uma porção de coisas que aconteceram durante esses dias em que não se viram. Um tempo depois de ela ter terminado de contar tudo o que lembrava Grissom e ela se puseram a ver, ou melhor, rever pagina por pagina daquele livro como se fosse a primeira vez que tivessem fazendo aquilo junto.

Encostados a cabeceira, eles se perdiam naquelas belas ilustrações do livro. Liv que tinha a cabeça apoiada no braço do supervisor e estava agarrada a boneca que o mesmo lhe dera, vez ou outra fazia algumas perguntas ao supervisor sobre determinadas espécies de borboletas. Ele por sua vez ia lhe explicando todo atencioso e com termos simples pra que ficasse fácil dela entender.

Em determinado momento quando estavam na metade do livro, a figura de uma linda borboleta transparente apareceu ilustrando quase a página inteira. Imediatamente Liv se recordou de que Grissom havia lhe dito logo que se conheceram, que aquela era a borboleta preferida dele.

_Olha, é a sua borboleta preferida. – Ela apontou a figura e olhou para o supervisor que esboçou um sorriso.

_É...!

_E também a da mamãe. – De maneira um pouco contida a menina disse isso.

Os dois ficaram num breve silencio que foi quebrado alguns segundos depois com uma pergunta de Liv que Grissom não esperava ouvir dela naquele momento.

_Você e a mamãe não vão mais voltar a ficar juntos Gil?

Ele fechou os olhos diante daquela pergunta. Aquilo era um assunto que ele não queria falar com a menina. Sabia que ela ficaria decepcionada com a resposta. Era improvável uma volta entre ele e Sara depois de tudo o que houve, mas como dizer e explicar isso a Lívia?

Abrindo os olhos e virando-se pra olhar pra Liv sentada ao seu lado e que o encarava esperando por uma resposta dele, o supervisor reunindo forças e se armando de coragem, respondeu com pesar:

_Não, princesa! ... Sua mãe e eu... Não vamos mais voltar a ficar juntos de novo.

Cortou-lhe o coração ver a carinha de tristeza que a menina fez após suas palavras, mas ele não podia mentir pra ela e lhe dizer o contrario disso. Sara havia lhe enganado e ele não conseguia perdoa-la por isso, muito menos, acreditar que ela fosse inocente e que tudo aquilo não passava de uma armação como ela tinha lhe dito quando tiveram aquela conversa horrível na casa dele.

_Você não gosta mais dela? – murmurou Liv.

Pelo contrario, ele ainda gostava, mais que isso, amava-a e demais! Entretanto havia se decidido por deixar de amar e tentar arrancá-la de seu coração. Ela não merecia seu amor, não depois de ter lhe feito o que fez.

_Liv é uma situação complicada, princesa. Coisa de adulto que você não entenderia direito.

_Os adultos às vezes são chatos e complicam as coisas! – A menina disparou tais palavras após alguns segundos em que ficou calada.

Foi impossível para Grissom não rir desse comentário dela, ainda mais, porque ao dizer isso a carinha da menina que anteriormente era triste, tinha dado lugar a uma emburrada com direito a um biquinho que o supervisor já havia se acostumado a ver.

_Tenho que concordar com o que disse! – Ele disse com um pequeno sorriso nos lábios e tocando com o dedo indicador a ponta do nariz de Liv, conseguindo com esse gesto, arrancar um sorrisinho pra enfeitar novamente aquele rostinho outrora emburrado e tristonho.

_Que tal voltarmos a ver o livro? Ainda faltam varias paginas pra terminarmos de ver.

Ele queria distrai-la daquela conversa que estavam tendo. Continuar falando sobre Sara e ele, mexia com sentimentos que ele estava lutando pra tentar deixar de existir dentro dele.

_...E depois que terminarmos você vai dormir, porque está ficando tarde e precisar descansar.

_Você só vai depois que eu dormir, não é? – O tom manhoso ao perguntar isso, rendeu ao supervisor um pequeno sorriso.

_Sim! Esse não foi o nosso acordo?

Liv assentiu positivamente e instante depois, ela e Grissom já estavam entretidos vendo o livro de novo.

Um longo, longo tempo mais tarde, Liv dormia profundamente e Grissom a observava desde que adormecera o que fazia certo tempo. Não tinha custado muito pra menina cair no sono após terem terminado de ver o livro e desde então, o supervisor se permitiu ficar ali, olhando-a enquanto dorme feito um anjinho.

Ela era mesmo uma coisinha especial. Tinha um poder de lhe tirar a tristeza. Na primeira vez em que tiveram a oportunidade de passarem um tempo juntos, o que aconteceu tempos atrás, quando Any deixou-a sobre seus cuidados enquanto ia ver uma tia adoentada, aquele pinguinho de gente havia lhe tirado suas dores e tristezas nas poucas horas em que ficaram juntos. Hoje não havia sido diferente. Ela conseguiu novamente tirar suas dores e tristeza. E ainda lhe perdoou pelo que tinha lhe feito.

Não conseguia e pra falar a verdade, nem queria, entender como aquela forte ligação entre eles era possível. Gostava demais dela e ainda não se perdoava por tê-la magoado a tal ponto de ter lhe feito adoecer. Ainda bem que ela era uma criança de coração bom e puro, que foi capaz de perdoá-lo, do contrario, ele ia sofrer com isso e seria bem feito pelo que fez!

Suspirou e tocou com cuidado seu rostinho de anjo. Se pudesse ter tido a chance de ter sido pai, gostaria de ter sido de uma garotinha como ela. Alegre, esperta, sorridente e falante. Talvez não tão falante assim!

Sorriu disso. Aquilo era sua ‘’marca registrada’’ e aprendera a gostar de sua tagarelice, bem como seu gênio idêntico a mãe.

Seu relógio soou um pequeno alarme indicando as horas: meia-noite. Céus! O tempo voou enquanto estava ali com ela. Tinha que ir agora. Ainda precisava concluir seu trabalho. Com cuidado se despediu de Liv dando um beijo em sua testa.

_Tchau minha princesa. Amanhã eu venho ver você como combinamos. – Ele murmurou pra ela. _Toma conta dela, Sam. – Tocou a cabecinha do cão que pousava sobre a barrigada da menina.

Recolhendo a bandeja com o copo de leite vazio e o pratinho de biscoito, Grissom saiu do quarto com todo cuidado. Descendo as escadas, ele não avistou nem Sara e nem Any na sala. Deduziu que talvez estivessem na cozinha e seguiu pra lá a fim de deixar a bandeja e também pra avisar a uma delas que estava indo e que Liv havia dormido.

Ao chegar à entrada da cozinha ele encontrou somente Sara ali. Ela estava chorando enquanto falava ao telefone com Nick. Como se encontrava de costas pra entrada da cozinha, a morena então nem percebeu que o supervisor estava parado ali, ouvindo a ex falar ao telefone.

_Sim, Nick... Hãham... Grissom está com ela há um bom tempo... Não, não sei quanto tempo mais ele ainda vai ficar aqui... – Ela enxugou o rosto com uma das mãos. _... Não se preocupe que assim que ele for eu vou tentar descansar... Sim, pode deixar. Avisa, por favor, aos outros que a Liv já está melhor. Obrigada. Outro pra você. Tchau!

Ela suspirou após encerrar a ligação. As últimas horas tinham sido um pesadelo horrível. Ver Liv tendo aquela horrível convulsão foi desesperador. Por um segundo chegou a achar que o pior tivesse acontecido com sua filha, quando ela ficou desacordada em seus braços após a convulsão. A pulsação dela ficou tão franca, tão franca que Sara se desesperou e temeu que fosse perder seu bem mais precioso.

As lembranças dessas horas de agonia lhe fizeram derramar novas lagrimas, mas logo as tratou de enxuga-las. O pior já tinha passado e agora tudo estava bem com sua garotinha, graças a Deus! Porem ainda assim, seu medo ainda estava dentro dela lhe angustiando.

Ela virou-se pra depositar o telefone sobre a mesa de jantar e deu de cara com Grissom parado mais adiante, na porta da cozinha.

Os dois ficaram se olhando em silencio por um breve momento até que o supervisor resolveu falar enquanto ia adentrando a cozinha e parando a pouca distancia de Sara pra depositar a bandeja sobre a mesa.

_Ela dormiu... Consegui fazê-la tomar todo o leito e comer os biscoitos. – Seu tom de voz era baixo enquanto falava.

_Isso é bom! ... Ela precisava comer algo mesmo.

Ele assentiu enfiando ambas as mãos nos bolsos da calça assim que deixou a bandeja sobre a mesa.

Novamente eles ficaram em silencio se olhando. Aquela estava sendo a primeira vez desde a discussão no apartamento dele que eles dois tinham a oportunidade de ficar assim... Sozinhos novamente em um lugar, ainda mais, naquele lugar. A casa dela que até pouco tempo atrás também foi dele por um curto período.

_Eu soube que ela teve chegou a ter uma convulsão por causa da febre alta.

A morena confirmou com um leve balançar de cabeça.

_Isso não causou algum dano nela, causou?

Desviando os olhos de Grissom e encarando suas próprias mãos, Sara respondeu com um novo balançar de cabeça, agora negativo. Se continuasse a olhar para o ex ia sucumbir à vontade de chorar novamente. Então pra evitar isso, ela desviou o olhar dele.

O que aconteceu com Liv lhe deixou apavorada e desgastada emocionalmente que queria chorar até conseguir expulsar todo o medo e pânico que sentiu e ainda sentia dentro de si. Entretanto, não queria fazer isso na frente do ex, queria poder fazer isso sozinha.

_Ela então vai ficar bem, não vai? – Grissom perguntou pra acalmar e tranquilizar completamente seu coração.

Ainda mantendo o olhar em suas mãos, Sara confirmou com outro assentir de cabeça.

O supervisor que olhava fixamente pra ex, começou a achar que talvez ela não quisesse falar com ele e por isso, se limitava a responder suas perguntas com a cabeça e sem ao menos dirigir-lhe um olhar que fosse. Então pra acabar com aquilo e livra-la do incomodo de ter que ficar lhe respondendo, ele resolveu por bem não perguntar mais nada e ir embora. O importante já sabia... Liv ia ficar bem. Mas antes de ir ele achou por bom senso, avisar a ex que viria amanha ver a enteada e que traria Hank pra ficar com a menina por dois dias. Liv havia lhe pedido isso e ele não teve coragem de negar-lhe isso, prometeu que viria e traria o cão pra menina. Esperava que Sara não fosse contra isso.

_Sara...

_Senti tanto medo de perder minha filha hoje! – ela confessou interrompendo Grissom.

O supervisor sentiu um nó na garganta e um aperto no peito ao ouvir Sara falar, pois seu tom de voz era tão angustiado e choroso.

Ela nunca havia sentido tanto medo antes como naquelas horas atrás.

_Quando ela teve a convulsão e depois... Ficou desacordada nos meus braços, com uma pulsação tão franca, eu... – Abraçando a si própria, ela deixou um soluço de choro escapar antes de concluir amedrontada: _... Eu achei que ia perdê-la ali mesmo, Gil!

Seus olhos castanhos inundados pelas lagrimas, se encontraram com os olhos de Grissom assim que disse isso e foi sua derrocada. O choro que tanto tentava conter veio e ela não teve mais forças pra segurá-lo. Começou a chorar compulsivamente diante do ex-marido. Expulsando de dentro de si aquele medo que lhe corroía a alma.

Foi humanamente impossível para o supervisor manter-se alheio e impassível diante disso. A mulher a sua frente estava desabando diante dele. Ela parecia tão frágil, vulnerável e chorava como uma criança assustada, amedrontada como ele jamais presenciara. Precisava fazer alguma coisa, não podia só ficar vendo-a assim e não tomar uma atitude.

Foi então que seu coração deu a ‘’sugestão’’ do que fazer e ele resolveu atende-lo. Vencendo a pequena distância que os separava, ele então a abraçou com carinho e de forma protetora.

_Está tudo bem agora, Sara. Já passou! – Ele dizia passando as mãos nas costas dela, tentando acalmá-la e tranquiliza-la, enquanto ela chorava copiosamente.

_Eu... Não... Sei... O... Que... Faria... Se...

Ela não conseguiu completar sua fala e se pôs a chorar mais ainda. Seu corpo sacolejava contra o de Grissom e seus soluços tornaram-se intensos.

Aquilo tudo foi estraçalhando com o coração do supervisor. Segundos foram passando e ela ali presa a ele, chorando e chorando. Ele já não aguentava vê-la naquele estado e nem ouvi-la chorar daquele jeito. Seus soluços rasgavam o peito dele como uma faca bem afiada. A dor que sentia diante daquela situação era horrível. Era demais pra ele, pra suas forças!

_Por favor, Sara... Parte-me o coração vê você chorando assim... Isso está acabando comigo! Eu te peço, por favor, pare... Pare de chorar, querida!

Foi um pedido desesperado e angustiado de quem estava sofrendo com tudo aquilo e quase indo as lagrimas também.

Levou uma fração de segundos pra ela processar o pedido do supervisor. E assim que isso aconteceu, Sara desencostar o rosto do peito dele e ainda chorando levantou a cabeça pra olhar para o homem abraçado a ela. Ele que estava de olhos fechados, os abriu e encontrou um rosto banhado de lagrimas e um par de olhos castanhos lhe fitando.

Ah, aqueles olhos!

Ainda exerciam tanto poder sobre ele. Olhar no fundo deles sempre lhe causava a sensação de: se perder e se encontrar ao mesmo tempo.

Sentia tanta falta de olhar pra eles como estava fazendo agora, bem de perto. E sentia principalmente, falta de estar assim tão perto da dona daqueles lindos e desafiadores olhos castanhos.

Seu olhar se desviou do dela pra fitar sua boca. Por Deus, como sentia também falta dela, bem como do gosto que ela tinha e que era algo que ele não conseguia esquecer nem em um milhão de anos.

Seus dedos polegares passearam sobre eles e ele acabou lembrando-se de ontem, quando imaginou que beijava aqueles lábios quando na verdade, eram outros que ele beijava.

Sentiu a súbita necessidade de fazer real aquele beijo que dera em sua imaginação. Precisava sentir o gosto deles novamente. Precisava como em sua imaginação, ter por uns segundos sua vida de volta. Que fosse para o inferno o fato de que ela tinha lhe enganado, naquele momento ele só queria beijá-la pra sentir-se vivo de novo. E sabia que isso só seria possível se fizesse aquilo e então ele fez!

Acabou com a distância que separava seus lábios dos dela e uniu suas bocas em um beijo.

Notas finais
Ohh!! Até o próximo!!