Notas iniciais
Bem, primeira fic de fantasia...Espero que gostem. A falta de descrições é opcional, geralmente sou muito detalhista. Mas resolvi dar um ar mais fluido a historia, sem que ela ficasse muito cheia...

-Estava totalmente escuro exceto pelos finos e frágeis feixes de luz da lua.Uma silhueta de homem, metade preta e metade branca, luminosa, me estendia suas duas mãos. Ele chamava pelo meu nome, em silencio, como se pudesse entrar na minha mente. Andei em sua direção, e estendi minha mão. Mas por mais que eu tente não consigo me lembrar de que mão eu ia segurar, e isso esta ficando frustrante.

-De novo isso?- perguntou Sam, irritado.

-É, eu sei- suspirei. Era a terceira vez essa semana que eu tinha sonhado com isso, e sempre do mesmo jeito, com esse final suspenso, indeterminado.

-Não isso. Ela- ele apontou para o seu celular- é a terceira vez esse mês que ela fica puxando briga sem sentido pra mim. Acho que vou terminar com ela.

-Sam, essa é a sua terceira namorada nesse mês- falei, rindo.

-E essa deve ser a trigésima vez que você sonha com isso -ele começou- Acho que isso dai e um desejo subconsciente de fazer um ménage à trois interracial.

-Idiota- respondi, socando o seu braço- isso é serio. Nunca tive sonhos repetidos. E isso já esta acontecendo por meses. Raramente sonho com outra coisa.

-Pronto-ele falou.

-Pronto o que?-perguntei.

-Terminei com ela.

-Sam!-soquei seu braço novamente, um pouco mais forte- pode me ouvir por favor?

-Poder e querer são duas coisas diferentes, Ana. Mas sim, sim, é estranho. Deve ser o destino...Algo que você não pode fugir, certo?

-Eu não acredito nessas coisas, você sabe disso Sam.

-Sei sei — ele começou- mas vamos dizer que seja. Você não pode evitar, não é mesmo?

-É.

-Então já que você não pode evitar — ele suspirou exageradamente- eu me voluntario para participar do seu ménage.

-SAM!-empurrei-o para o lado, fazendo-o perder o seu equilíbrio e quase cair para trás.

-O que?- ele começou, rindo- melhor eu do que um cara desconhecido! Vamos- ele olhou para a tela do celular- temos que ir pra escola agora. O Miguel mata a gente se a gente chegar atrasado na aula dele no primeiro dia de aulas.

***

O sinal tocou assim que pusemos nossos pés na sala de aula. Sentei na minha carteira rapidamente, seguida pelo olhar cortante de Miguel. Olhei para Sam do outro lado da sala. Ri. Ménage a trois, que idiota... Mas era estranho. Aquele sonho. Não era um sonho qualquer, nele, ela sentia que estava tomando uma decisão muito seria. Uma decisão que mudaria tudo e todos. Do mundo. Como se fosse a coisa mais importante do universo.

-Alunos- a voz cortante de Miguel quebrou a linha dos meus pensamentos rispidamente- Hoje, nos encontramos novamente depois de tanto tempo.Cheguei até a pensar em sentir saudades, mas ai revi as provas que tinha que corrigir de vocês. E sabem o que aconteceu? A saudades foi substituída por uma decepção sem precedentes- ele parou de falar por alguns segundos e olhou para o chão, dramaticamente- Duas. Duas pessoas. Somente duas pessoas nessa sala tiraram acima de cinco. Isso me fez pensar sobre a minha carreira...Mas não! Não vou me deixar levar por pestes preguiçosas como vocês.

A sala toda estava em silencio, se perguntando quem seriam os dois únicos alunos que poderiam ter se dado remotamente bem na prova. Como esperado. As provas do Miguel eram impossíveis. Suspirei, sabendo que não era uma das duas pessoas que não iriam para a recuperação de matemática esse ano. Como todos os anos. Olhei de relance para Sam, que estava olhando para mim, com um grande sorriso estampado no seu rosto. Ele sabia que ele era um dos dois alunos que tinham tirado acima de cinco; provavelmente, todos da turma sabiam. Tentei olha-lo da maneira mais desafiadora que eu pude, mas isso so o fez abrir seu sorriso.

-Por isso, com exceção dos dois únicos alunos que tem respeito o suficiente pela minha pessoa para abrir seus cadernos e estudarem antes de uma prova, que alias foi notificada semanas antes, vocês todos vão fazer uma prova surpresa, com toda a matéria do começo do ano- ele andou de carteira em carteira, entregando o papel da prova virado para baixo- Boa sorte!

***

-Droga. A prova estava impossível. Eu não sei porque o Miguel insiste em torturar a gente. O pior e que eu me matei de estudar praquela prova. E você não deve nem ter olhado para o seu caderno.

-O que posso dizer? É um dom- Sam falou, rindo.

-Um dom extremamente irritante- repliquei, com raiva.

-Inveja mata, querida.

-Se matasse eu já teria caído nesse chão, durinha.

-Verdade. Touché, Ana- ele respondeu, com falso ar de seriedade.

-A pior parte — comecei, suspirando- foi saber que enquanto eu estava tentando decifrar aqueles números e formulas, você provavelmente estava jogando flappy bird no seu celular.

-É lindo como você me conhece- ele falou, me abraçando de lado. Eu o empurrei.

-Eu acho triste.

-Eu sei que você me ama, Aninha.

-Infelizmente- respondi- e serio, Aninha não, por favor.

-Ok ok, Anona.

-Anona, sério?

-É, não saiu tão legal quanto eu pensei- ele riu, e eu ri junto. Afinal, Sam era o meu melhor amigo desde que eu me conhecia por gente.

Continuamos vagando pelos corredores até chegarmos em frente a sala de arte. Levantei a mão para abrir a maçaneta quando, de repente, alguém agarrou os meus ombros e me puxou para trás. Nunca tinha visto essa pessoa, esse garoto, antes. Ele era lindo, alto, magro mas com braços largos e fortes, sorriso fino e dentes brancos e perfeitos. Fiquei parada, sem saber o que fazer. Ele me olhou nos olhos. Seus olhos se tornaram dourados e brilhantes. Abri a minha boca, surpresa.

-Como...- comecei. Ele sorriu e pôs a mão sobre a minha testa. E tudo ficou preto.

Notas finais
Só tenho uma coisa a dizer pela Ana...Fudeu.
Obrigada por ter lido até o final...Comentarios criticos são mais que bem vindos!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.