Vloger
1 Vlogando em Floripa, YAY!
Lá estava eu, acordando pra um novo dia. O importante dia. Já tinha pegado a carta que escreví pros meus pais, santo Deus, escreví quase a bíblia pra eles.
Não importa, agora eu estava indo. Fugir, isso soa como algo rebelde e muito legal. Não, é uma bosta. Eu não sabia, mas só levamos esporro. Já tinha o dinheiro, acumulado há tempos. Minha família já havia se partido no meio, não tinha mais expectativas. Não sabia o que queria pra mim, nem o que deveria fazer. Só sei que tinha amigos no Brasil inteiro e iria visitar cada um, nesse momento prefiro ativar o foda-se.
Eram quatro horas da manhã, e eu já tinha meu destino. Florianópolis.
Certo, eu arrumei tudo e já estava indo. Ouvi um barulho na cosinha, e indo ver, percebi que era minha mãe. Ela leu a carta inteira. Começou a chorar. Eu não percebi, mas meus olhos já estavam vermelhos também. Depois de ela ter lido tudo, se aproximou e me abraçou.
- Você é uma retardada, sabia? Uma burra. Uma burra que eu amo muito. — Ela ficou me olhando por um bom tempo. Acariciou meu cabelo, se afastando. Pegou algum dinheiro escondido no armário de baixo e colocou na minha mão. — Você vai precisar. Se essa é sua escolha, eu quero que seja feliz.
Eu chorava muito, e gemi um obrigado. Após nos abraçar-mos, eu respirei fundo. Tão fundo que quase me engasguei. Era meu destino, era minha vida. Eu me sentia vazia, como uma página em branco, pronta para uma vida formada por minhas palavras. Eu saí pela porta sem olhar para trás, queria guardar apenas momentos alegres de minha mãe, a única pessoa que parecia me amar naquela família.
Uma hora depois eu já estava no ônibus, que ia-se embora. Observei minha cidade se afastar, e casas desconhecidas virarem a paisagem. Essa seria minha paisagem dalí adiante. Casas desconhecidas. Coloquei o foni, dei play numa música do Bon Jovi, e não olhei pros lados. Claro que eu estava com medo como uma garotinha burra e inexperiente, afinal, eu era uma garotinha burra e inexperiente. Mas eu tinha que tentar, eu tinha que seguir em frente.
Após a viagem, logo cheguei no ponto combinado com meu amigo de Floripa. Nicolas, um cara de uns vinte e poucos anos, me esperava, sorrindo. Ao seu lado um outro homem que eu não conhecia, mas que era bem bonitinho.
" E aí, Mari " Disse ele, me abraçando, depois me apresentou seu amigo sr.Bonitinho. Na verdade era seu namorado. Minha reação foi normal, por que eu já sabia de certas coisas do Nicolas. Ele era o genérico de vida legal e perfeita que um casal ( qualquer casal, seja hetero ou não ) queria ter. Um apartamento com uma vista legal, empregos que dão bastante salário, um carro bom... É, eu até que gostaria de ter uma vida assim.
Logo depois já estávamos no apartamento dele, e tipo, OH MY FUCKING GOD ( Certo, isso eu aprendi com ele. Gaysisses a parte, o apartamento era perfeito. ).
" Nossa, seus ricos. " Eu disse, enquanto entrava e retirava a câmera de dentro da minha mochila. " Vou gravar, muahahaha. "
Já fazia algumas semanas, eu tinha criado um vlog. É, daqueles tipo Kefera ou Gabbie Fadel. Não, eu não sou fake de Kefera, sou muito mais idiota e talvez menos bonita que ela. Liguei a câmera e dei início ao vlog.
VLOG#1
E aí seus desocupados, aqui é a Mari, e eu estou em Floripa, YAY! Após horas de viagem, choro, e canseira pra caralho eu finalmente cheguei no apartamento desses dois gatos aqui atrás e vou ficar aqui por algum tempo, um tempinho só. A gente vai se divertir bastante. ( Nesse momento fiz uma cara pouco maliciosa, magina! Nicolas começou a rir, e eu dei uma risada escrota que fez a câmera tremer lindamente. ) Bom, isso é só um update, então, vai ter pouco tempo. Nicolas, o que a gente vai fazer aqui na sua cidade, fala aí.
( Ele parou pra pensar e tive que cortar uns três minutos de vídeo na edição. ) " Ah, eu acho que ele ( Nicolas batendo no ombro do namoradinho dele, hm, tá. ) pode te ensinar a desenhar... A gente pode ir nuns lugares aqui e vlogar na rua, vai ser divertido." ( E foi aí que cortei ele. )
Vamos sim vlogar na rua e se vamos fazer uma participação especial com os vlogueiros aqui de florianópolis, tipo a Phaty do galo frito. ( Uma onda de risadas escrotas minhas. ) Só que não.
Bom, é isso, só pra avisar que eu não morri, e até o próximo update, ou vlog, ou qualquer merda que eu fazer com essa câmera. Vamos acabar um video como no Alice produções : Um beijo na bunda de vocês, fui.
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Diário de viagem:
Tá, espero que amanhã o Nicolas não me leve numa boate gay nem nada do tipo ( acho que ele não é de ir em boate, mas nunca se sabe. ). NÃO, não que eu tenha preconceito, mas acho que não vai ser legal eu ser a única mulher de verdade lá. Vou vlogar muito, Yay!
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