Vizinhos...
5 Eu ainda lembro do que fizeram verão passado...
Notas iniciais
No quintal da minha casa, tem uma parte do muro que é mais baixa e tem cerca elétrica. Todo o verão, minha família monta a piscina (sim, nós montamos mesmo uma piscina) e a deixamos mais para esse lado onde o muro é mais baixo. Até aí, tudo bem, o problema da história são os vizinhos.
Sempre os vizinhos.
Num belo dia de verão, chamei minha melhor amiga e a irmã dela (que coincidentemente também era melhor amiga da minha irmã) para irmos na piscina. Era um dia perfeito, com bastante sol. Entramos e começamos a brincar. Deveríamos estar fazendo barulho o suficiente para os vizinhos, no caso um bando de adolescentes e um garota que não deveria ter mais de nove anos, se coçarem de inveja. Não lembro exatamente a ordem cronológica das coisas, mas eles começaram a tocar funk no celular alto o suficiente para nos incomodar. Começaram a jogar água da mangueira deles em nós (até que não foi tão ruim, estava geladinha), mas depois isso não nos incomodou por muito tempo.
A parte mais irritante foi quando começaram a jogar coisas aqui. Exatamente isso o que você leu, sem tirar nem pôr.
Foram dois objetos: uma colherinha de plástico do Shrek e uma panelinha cor de rosa de brinquedo. Deveria ter havido um terceiro objeto, mas eu não tenho certeza.
Na primeira vez que eles jogaram, devolvemos a colher de volta, gritando “Não é nossa!”. Aí jogaram de novo e inocentemente, devolvemos dizendo, ou melhor, gritando que não era nossa mais uma vez.
Depois a panelinha. Nós ficamos um tempinho com ela, mas aí o irmão mais velho do garotinho mandou que ele fingisse chorar para devolver a maldita panela. Ele começou a gritar alto numa voz chorosa algo tipo “AHHHHH devolve a minha panelinha UAHHHHHH eu quero a minha panelinha!”. Aquilo nos irritou tanto que nós jogamos aquela droga de volta. Para finalizar, eles jogaram a colher de novo, mas nós não sabíamos aonde tinha ido. Tenho certeza que todo o mundo riu internamente, imaginando a mãe do moleque brigando com ele por ter tacado a colher do irmão bebê mais novo no vizinho.
A irmã da minha amiga até disse “gente, eles vão falar por pai dele vir aqui reclamar que a gente perdeu a colherinha”. Claro que quem deveria ir reclamar era a minha mãe. Falando nisso, ela que deu fim em tudo. Nós a chamamos no quintal e dissemos o que estava acontecendo e ela falou, alto e em bom tom: “Não precisa se preocupar mais não, meninas, a mamãe tá aqui e esses meninos não vão mais incomodar vocês”. Dito e feito. Eles ficaram quietinhos.
Para comemorar e nos vingar do funk maldito, colocamos os discos de rock do meu pai para tocar em bom volume.
Eles nunca mais nos incomodaram.
Quer dizer, não naquele dia.
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