Caminhamos entre a devastação causada pela invasão, não pensei que ocorrera tamanha destruição pois durou poucos minutos, algo em torno meia hora. As casas na parte baixa do desfiladeiro estavam no seu estado normal, vários draconianos estavam reunidos perto do rio. Podia ter certeza que pelo número ali reunidos, apesar do grande número de inimigos, os draconianos resistiram bravamente. Ao perceberem nossa presença fomos abordados:

–- Rendão-se ou morrerão! — Exclamou um grande draconiano que manejava um lança.

–- Acalme-se, eles estavam atacando o inimigo em sua retaguarda — disse outro draconiano que empunhava uma longa espada.

–- Saudações draconianos, nós estamos a caminho de Vanólia, como sabem é um caminho muito distante a se percorrer, quero saber se possuem montarias a venda. — Indaguei-os. Montarias fornecidas pelos draconianos são de ótima qualidade, seres bem cuidados e de grande velocidade, existem alguns tipos que percorreriam daqui até Vanólia em apenas 2 horas.

–- Sinto muito, sou chefe desta vila, mas sofremos ataques com frequência, o nosso único sustento, digo, a venda de montarias, ela está arruinada devido aos nossos inimigos. Eu prevejo que iremos morrer de fome! — Lamentou um draconiano de idade avançada acobertado por uma túnica lilás que segurava um cajado simples de madeira em suas patas.

–- Meus amigos, acho que deveremos ajudá-los... — Disse sugerindo aos meus amigos. Observei um aceno de cabeça entre nós quatro. Eu sabia que ajudando os draconianos sempre teremos uma terra pra nos acolher e poderíamos chegar a Vanólia mais facilmente devido as montarias. Vi em seus olhares que tínhamos que ajudá-los, eles estarão entrando em uma era de possível extinção.

–- Vocês seriam capazes!? Ó céus, que benção! — Disse surpreso o chefe draconiano, a emoção em sua fala era de comover.

–- Somos. — Zurich respondeu de forma sorridente.

–- Vamos arquitetar um plano e colocá-lo em prática amanhã no nascer do sol. Pode ser? — Indaguei-o.

–- Sim, sim! Venham comigo meus amigos. — Respondeu prontamente o senhor.

–- Temos muito tempo? — Perguntou Arcádia.

–- Temos tempo o bastante, menina. — Respondi confiante.

Seguimos o draconiano para um lugar distante além do rio sossegado, ao atravessarmos uma ponte, entramos novamente no bosque e lá estava uma bela morada. Uma casa simples mas de estrutura sólida, construída em madeira de lei, um belo acabamento de tão boa qualidade como as armas forjadas pelos anões contratados pelo governo humano em Sophitia. Os edifícios draconianos em vilas usa madeira como matéria-prima por ser de fácil transporte, baixo custo e de construção rápida.

O senhor empurrou a porta que rangeu levemente. Entremos numa sala pouco mobiliada, o jeito draconiano simples de ser, grandes janelas postas nas laterais da casa davam uma forte iluminação ao ambiente. Um grande forno a lenha chamava atenção no lugar, construído de barro, possuía um tronco de árvore usado como exaustor. Ele pediu que nos sentássemos nas cadeiras de uma mesa redonda, dissera que quando jovem trabalhou como guarda à serviço de um rei chamado Arthur, uma grande mesa redonda era usada nas reuniões e que significava igualdade entre todos os indivíduos presentes.

–- Meus caros, trouxe-os aqui para vocês me ajudarem a desenvolver um plano de contra-ataque aos nossos inimigos. — Sua face tomou um ar de seriedade — Nós estamos sendo atacados por orcs e sáurios, mas eles são numerosos e os ataques são constantes, perante a essas circunstâncias, não temos como nos defender e sempre seremos uma presa fácil...

–- Apesar de eles serem numerosos, seus inimigos são nossos também, fomos assaltados pelos infelizes a uma semana atrás... Só que eles não possuem nossa inteligência! — Tentei encorajar o pobre draconiano. — Iremos ficar aqui nessa morada enquanto for preciso para montarmos um plano de ataque e colocá-lo em prática o mais rápido possível. Qual é a frequência dos ataques?

Draconiano soluçava de felicidade, andou até um tambor e mergulhou o crânio em água. Continuava a soluçar, só que em maiores intervalos...

–- Eles nos atacam a cada 15 dias! — Disse o senhor feliz e entusiasmado.

–- E eles vem marchando de longe? — Perguntei. Um modo diferente de contra-atacar seria bem eficaz contra um exército cansado.

–- Meu querido ladino, eu não sei bem. Há um soldado aqui, ele está vivo ainda, talvez ele possa ti ajudar pois em outrora foi raptado por algumas semanas.

–- Ótimo, traga esse soldado para cá... Verifique as baixas no seu exército, reúna-o amanhã cedo, iremos fazer um reconhecimento de campo.

–- Obrigado ladino, irei recompensá-lo além das montarias, somos muito gratos pela sua assistência. — O soluço já passara e ele disse de modo firme.

"Irei recompensá-lo além das montarias...". Ouvir isso me deixou muito feliz. Além das montarias agora teríamos umas moedas extras, isso seria uma dádiva dos deuses?