Viver...

1 Capítulo 1 - O medo e a Vida


Notas iniciais
me deixei levar por pensamentos e acabei escrevendo esse pequeno texto... boa leitura...

A vida é cheia de mistérios, obscuridades, e às vezes com completa falta de sentido e direção... Na verdade, é geralmente assim que as coisas parecem, sem sentido, parecem estranhas e muitas vezes nem sabemos o que pode ser e muito menos como resolver...

Viver é ter a incerteza de qualquer coisa, de qualquer caminho e como somos seres puramente guiados por instintos e vontades, nos vemos sempre em uma encruzilhada e num eterno medo do que virá.

Ah, o medo...

O medo é o pior conselheiro, assim como o pior dos sentimentos, porque o medo não nos deixa viver, não nos deixa escolher e simplesmente consegue fazer com que a vida pare.

Há inúmeras coisas que dão medo, mais acho que o pior de todos é o medo de viver. Viver plenamente e intensamente, viver no sentido completo da palavra.

Sim, porque viver é aceitar os desafios, é encarar barreiras, estar pronto pra fazer escolhas, aceitar as privações, assim como as dificuldades e encarar de frente os medos.

Cada segundo de medo, de insegurança é um segundo a menos de vida.

Exagero? Eu penso que não.

Pelo medo deixamos a vida passar, as oportunidades se esvaírem e a insegurança nos dominar, de uma tal forma que leva um pouco de nós, um pouco de quem somos e nos escondemos de aceitar que nada é perfeito.

A perfeição não existe, somos seres que não querem a perfeição, porque quando a alcançamos, deixamos de dar o devido valor, e então já não é perfeito.

A vida é a eterna procura da perfeição barrada pelo medo. Será sempre o modo complicado e desafiante com que se encaram cada segundo.

Não há tempo pra erros na vida, tudo é muito rápido, muito curto, muito... Insano.

É completamente louco pensar que os anos são construídos com cada segundo que você não dá valor, e depois se arrepende por não os ter aproveitado.

Portanto, o medo é sim o pior dos desafios e o pior dos enfrentamentos mundanos que a vida nos proporciona, e dizem que o contrario do medo é a coragem... Mentira!

Coragem não é a ausência de medo, não é algo nobre, não é constante e muitas vezes também não existe, porque a coragem não nos deixa ver as possibilidades, ela não anula o medo, ela não consegue fazer com que o seu “tal oposto” deixe de ter sua parcela de existência, porque coragem é relativa, é inconstante e, muitas vezes, é demonstrada sem realmente existir, se tornando assim uma mascara, um emblema que se carrega como um troféu que não possui.

Há várias formas de medo, há varias maneiras de o sentir e há mais formas ainda de camuflá-lo e deixar que ele simplesmente adormeça, mais o medo de viver, implica em matar vários outros sentimentos, sentimentos bem mais nobres e bem mais indispensáveis, assim como o carinho, a paixão, a compaixão, a fé, a alegria, e o amor...

Quantas vezes não nos desfazemos ou suprimimos tais sentimentos por medo?

Deixar de se entregar a um amor por medo é o mesmo que deixar de viver, mais nem sempre é tão simplesmente, nem sempre apenas o amor basta e nem sempre sabemos lidar com esse sentimento tão complicado que é amar, porque ele nunca vem sozinho, e lá entra o medo em cena novamente...

Assim não há forma de se desfazer do medo? Bem, há sim uma forma de acabar com o medo, e por incrível que pareça, neste quesito ele é bem próximo do que dizem ser seu oposto. Assim como a coragem, o medo termina quando se descobre o que o anima, quando se alcança a sua fixação, ou seja, o medo termina quando você o enfrenta e não busca coragem, mais busca o conhecer, busca saber o que lhe causa medo e porque o sente, pelo o que o sente, assim você pode voltar a viver e escolher dois caminhos, ou você pode encarar ou pode fugir, a escolha só cabe a cada um, e por mais difícil que ela seja, ai está a força de vontade e maneira de se sentir vivo.

Viver é tomar posse e controle de sua vida.

Não há nada mais empolgante e vitalício que sentir a vida lhe percorrer todo o corpo através do próprio sangue, através do próprio peito em disparada quando consegue deixar algum medo de lado, e não há nada mais empolgante que ver a vida acontecer, se movimentar, se estender fazendo acontecer.

Claro, o medo é impossível de não existir, mais também não pode fazer com que a gente pare, não pode fazer com que sejamos apáticos, porque com ele trazemos sentimentos ruins, que não devem fazer parte de ninguém, pelo simples e inegável fato de nos deixar paralisados e infelizes.

O medo também dá conselhos, também ajuda a escolher o caminho certo, mais nem por isso não se deve ariscar, não se deve deixar com que as coisas aconteçam e muito menos se fechar pra vida, pros sentimentos e pros pensamentos... Pensar também faz viver, nem sempre segue também uma linha lógica ou que você queira, mais ajuda a elucidar o que se busca, o que se espera e como acabar com as barreiras.

Então o que importa é viver, é se deixar levar por essa chance que temos, é aproveitar cada momento como se fosse o bem mais precioso, porque é mesmo o bem mais precioso, e deve ter o devido valor.

Pra onde vamos, de onde viemos e como tudo fica depois da morte é algo que rende muita filosofia e especulação, não cabe aqui relatar tudo o que isso envolver, e nem se deve levar esse assunto muito longe, é algo obscuro e discutível, mas por tudo isso mesmo é que devemos dar valor ao que vivemos e acreditar que a vida pode e deve ser boa, porque viver é simplesmente viver...

Viva intensamente, ou simplesmente viva, mais dê uma razão ao seu existir, faça com que valha a pena, não se arrependendo do que não fez, não deixando o medo te dominar, não se enchendo de coragem, equilibre na dosagem ambas as coisas... Não se deixe levar por sentimentos ruins, não se feche para os sentimentos nobres, não derrame lágrimas por não querer viver, não se sinta inútil e imperceptível, não finja que ninguém gosta de você, não se martirize pensando que ninguém te ama, não fuja dos desafios, não encare as desavenças, não tente fugir, tente erguer a cabeça e ver o mundo além de uma simples janela, o horizonte é simplesmente do tamanho do mundo... Suprima o ódio, multiplique a compaixão, aceite e acredite na fé, some os resultados, mesmo que não sejam positivos, eles te trouxeram algo a mais, te acrescentaram ao menos em conhecimentos, não mude o que você é, a não ser que seja pra melhorar pra si mesmo, não tente agradar pessoas que não te merecem, não tente ser melhor, tente ser o suficiente pra si...

Pra viver intensamente o presente, não é preciso se esquecer do passado, e nem se preocupar com o que vai ser do futuro... O passado te tornou aquilo que você é agora, te fez aprender com ele e te fez ser a essência que viveu a felicidade que ele te proporcionou... O futuro é incerto, às vezes nem chega-se a ele, e por mais que você queira o deixar “garantido” ele vai chegar e vai mudar tudo, então o máximo que pode fazer é se preparar pra ele e garantir que dará o melhor de si.

O presente é que não existe...

Errado, o presente é o hoje, é o que você se torna todos os dias, é o que você pode fazer por si e por tudo a cada momento e o presente é o mais importante, porque a cada ar que entra em seus pulmões, percorre seu corpo e voltar para a imensidão do mundo, você tem a oportunidade de sentir a vida que lhe foi dada e poder fazer com que ela seja especial.

Não existe vida eterna, pelo menos não em mundo terreno, mais que ao menos que ela seja eterna em quanto dure, e que dure para sempre, enquanto tenhamos a oportunidade de dar valor a esse milagre que é viver.

Notas finais
espero comentarios... =)até a proxima...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!