Vivendo um Sonho - Criados como Armas
3 Algumas verdades
Notas iniciais
2 dias depois
Estava me arrumando para o enterro, coloquei meu vestido preto e prendi meus cabelos castanhos avermelhados em uma linda trança embutida, passei uma maquiagem bem fraca, meus olhos estavam mais escuros do que de costume e graças a maquiagem não dava para perceber o inchaço dos mesmos. Desci as escadas de casa e encontrei meu irmão e minha tia sentados no sofá da sala quietos. Quando cheguei eles levantaram e me analisaram.
– Está pronta? – Marcos disse tocando delicadamente meu rosto.
– Na verdade... — suspirei — Sim, estou. – Toquei na mão dele, respirei fundo e fomos ao enterro.
Tia Paula resolveu morar comigo e com o meu irmão, assim ela se tornou responsável por nós. Ela sempre conviveu conosco, então nos conhecia da cabeça aos pés e eu a amo como se fosse minha segunda mãe.
Quando chegamos ao cemitério estavam todos os nossos parentes e amigos, todos de preto e chorando. Não existe dor maior do que perder alguém que ama. Depois que o corpo foi enterrado todos se abraçavam e choravam. Senti-me muito mais leve, sabia que agora minha mãe estava em um lugar melhor e sem sofrimento.
Fiquei andando pelo cemitério pensando em tudo que ela havia me contado e me sentei perto de uma grande árvore e fiquei “brisando” sozinha. Percebi que tinha algo fora do normal. Olhei ao meu redor e vi um garoto debaixo de outra arvore que está na minha frente. O garoto era bem pálido, seus cabelos são negros lisos e de longe vi que seus olhos são dourados. O garoto ficou me encarando com um sorriso medonho e logo sua imagem foi escurecendo e só consegui ver seu sorriso, não conseguia mais ver seu rosto. Quando olhei para o lado vi algumas pessoas saindo do cemitério e indo para casa. Olhei de volta para o garoto e ele não estava mais lá, uma ventania forte começou, tampei o rosto com as duas mãos e quando o vento parou vi que o garoto estava do meu lado. Ele não tinha rosto, ele era apenas uma sombra preta com um sorriso maligno e sedutor.
– Olá Nina Pride, como você está? – Aquela voz rouca me arrepiava. Espera, ele é o garoto que estava no meu sonho e que causou o acidente.
– Quem é você e porque está me seguindo desde o acidente? – Eu disse irritada.
Fiquei encarando-o. Por que eu não tinha medo dele? Qualquer garota sentiria medo de um garoto sombra.
– Não direi meu nome verdadeiro. Mas, pode me chamar de Summers – ele pegou minha mão direita e a beijou como no sonho. Summers era frio e parecia que estava morto.
– Ok, então porque você esta me seguindo? E porque causou aquele acidente? – Eu perguntei nervosa, por mais que ele fosse uma sombra admito que ele seja sedutor.
– Bom... – Ele colocou a mão esquerda na cabeça – Porque você é uma novata e eu posso ajuda-la a conhecer seus poderes, é o meu trabalho.
– Espera, você treina novatos? – Perguntei chegando mais perto dele. Ele é mais alto que eu e mesmo sendo uma sombra da para perceber que é musculoso.
– Sim e eu fui encaminhado para ajuda-la a conhecer esse... Novo mundo – Summers disse sorrindo torto. Ele encostou-se na arvore e ficou brincando com as casquinhas do tronco. — Primeira pergunta: você sentiu uma forte tontura e uma queimação terrível que parecia que ia sair lava do seu corpo? – O garoto sombra disse apontando para mim sorrindo. – Se você teve isso então bem vinda ao mundo dos mutantes, minha querida Nina.
Fiquei de boca aberta quando ele disse isso, foi por isso que desmaiei no hospital e percebi que minha aparência também mudou. Meus olhos mudaram de castanhos claros para preto tipo noite.
– Sim, tive todos esses problemas. Isso significa que eu virei mutante? – Perguntei curiosa. Ele riu da minha pergunta
– Virou? Você sempre foi uma mutante. Esses sintomas que teve foi apenas um sinal de que eles estão começando a aparecer. Agora veremos que poderes você tem. Pronta para começar seu treinamento? – Summers falou. Ele se afastou da arvore e ficou de frente para mim com a mão esticada.
– Aceito. – Eu disse apertando a mão dele. Uma ventania começou e novamente coloquei minhas mãos no rosto, quando olhei Summers havia sumido.
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