Vivendo no Inferno
1 One-Shot
Meu nome é Maddison di Rossi. Tenho 16 anos e sou um cara transgênero. Meu cabelo é castanho escuro meio bagunçado até em baixo da orelha, meus olhos são azuis-gelo e eu uso um piercing prata na sobrancelha. Meus pais não aceitam o fato de eu ser transgênero, eles sempre dizem coisas como: "Eu criei uma menina, não um menino" ou "Você não deveria ter nascido, se fosse mudar de sexo". Infelizmente tenho que acostumar com isso até completar 18 anos, quando eu poderei comprar uma casa e morar sozinho.
Estava atrasado para escola, desci correndo com minha mochila e peguei o ônibus na hora certa. Ao chegar lá, os valentões me prenderam num canto da escola. Me disseram insultos e me bateram até com madeira. Tudo isso em uma hora, já todo machucado, fui correndo para aula. Havia chegado atrasado, minha professora estava irritada exigindo explicação, e ela não acreditou em mim. Todos os alunos riam do meu estado atual.
Depois de um dia cansativo de aula, os valentões estavam andando atrás de mim. Eu corri e peguei um ônibus até minha casa. Ao chegar, minha mãe começa a me dizer o quanto sou inútil e depois de tudo, ela disse o que mais doeu em mim...
—Te odeio, garota inútil...— foram suas palavras
Meu pai gargalhou, com lágrimas escorrendo dos meus olhos eu corri até o porão e aqui estou, escrevendo essa nota suicida.
Exatamente, suicida. Eu não vou mais conseguir viver nesse mundo, com todos me julgando. Eu nunca quis ser uma garota, eles não aceitam o fato de eu me sentir perfeitamente bem como garoto. Ainda estou soluçando, meu pai já me trancou aqui no porão e talvez só vai me deixar sair amanhã de manhã. Já tenho uma corda aqui, e não irei deixar minha chance passar.
Eu espero ir para um lugar melhor, como o céu. Onde eu me sentirei bem e ninguém irá me machucar mais. Onde eu poderei ser quem eu sou sem me julgarem.
Rezei, peguei a corda e amarrei em meu pescoço. Aqui esta nota termina.
Eu ainda amo vocês,
mãe e pai.
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