Vivendo de Novo o Amor

1 Capítulo 1 - O início de uma amizade


Para que amar? Eu havia acabado de chegar do hospital e se deparar com a morte do meu pai... Mas o que seria daqui pra frente? Nada havia mais sentido. Eu nunca mais sentiria o mesmo carinho que eu sentia pelo meu pai novamente... Mas o que era o amor? Eu amava o meu pai incondicionalmente e aquilo era a minha vida.

Enquanto abraçava a minha mãe a consolando estavatentando recapitular tudo o que havia acontecido até aquele inesperado dia, como tudo havia chegado a aquele ponto, como o seu carro havia batido e quando as ambulâncias haviam chegado para socorrê-lo... Como foi a minha infância ao seu lado, quando ele me pegava no colo e me abraçava feliz pelas peças de escola que eu me saía bem... Era tudo realmente um sonho quando criança. Ter o pai que eu sempre sonhara ao meu lado e a minha mãe fazendo vídeos sobre tudo o que acontecia sempre sorrindo.

Mas eu teria que acordar para a realidade que eu vivia. O passado havia ficado para trás e eu teria que tomar as responsabilidades da casa agora em diante... A minha mãe estava impossibilitada de tudo. Não havia mais forças assim como eu.

Chegamos em casa e tudo estava distante do meu pai. Não havia mais a sua presença ali. É como se a sua vida fosse junto com as recordações e lembranças que tínhamos em casa.

Naquela hora em que peguei o álbum de retrato que havia fotos da minha infância junto aos meus pais, era como se tudo aquilo estivesse a milhões de anos atrás que houvesse ocorrido. Meus olhos se enchiam de lágrimas e eu fechei o álbum com força pela raiva que havia em mim. Raiva pela vida, pelo o que ela havia feito a mim. Eu não merecia isso...Ou talvez sim. Mas porque acabar com a vida dele e não com a minha. Eu que talvez merecesse aquilo tudo. Ele sempre esteve ao meu lado e não importava o que ele fez no passado, eu o amava incondicionalmente. Lembrava-me cada vez mais das vezes que eu assistia filmes com ele na sala e fazíamos guerras de pipocas e riamos bastante... Dos boliches que praticávamos todas as sextas e de como a sua presença me fazia feliz.

Mas parei por um instante e me liguei que eu não podia ficar assim, afinal a minha mãe precisava da minha ajuda naquela hora mais do que nunca.

Enquanto eu a abraçava ela se encolhia e relembrava de como o conheceu logo depois caia às lágrimas.

Havia sido em uma lanchonete. Meu pai há vinte anos tomava um copo de chocolate quente em uma lanchonete perto de minha casa. Minha mãe estava trabalhando como garçonete temporariamente para conseguir dinheiro para os estudos... Jornalismo era a sua única paixão naquela época, e conseguir dinheiro para a faculdade seria o que ela mais sonhava.

Ela iria servir o chocolate quente ao meu pai quando de repente entornara sem querer desastradamente em sua roupa, meu pai foi ajudar e diz ela que foi amor a primeira vista... Não acredito muito nisso. Como amor a primeira vista? Nem se conheciam e de repente era amor? Mas fui acompanhando tudo o que Samanta desabafava em meus braços. Eu naquela hora fazia papel de mãe e ela nos meus colos como papel de filha... Sempre desde pequena eu sabia que esse papel se inverteria. Mas eu estaria agora ao seu lado para o que desse e viesse.

Eu caminhava para a escola. Andava tão distraída pensando na vida, quando de repente esbarrei um garoto que eu nunca havia visto, estava com uma expressão cansada como de um nerd e muito nervoso para uma prova. Pensei comigo mesma... Que idiota.

- Me desculpe. – Ele foi perdoando – A minha pressa acaba incomodando um pouco as pessoas por onde eu passo. – Continuou desengonçado com os olhos vidrados em mim.

- Bom... Parece que você estuda na mesma escola que eu. Então como um pedido de desculpas eu não me importaria se você me acompanhasse até lá – sugeri eu me aproveitando da situação. – Sou nova aqui e não sei o caminho. — Como eu poderia ser tão aproveitadora daquele menino que só se esbarrou em mim que por sinal era um gatinho... Mas eu não estava nem aí. Eu tinha era que esquecer daquilo tudo, do acidente e das lembranças que vinham a minha cabeça. Tinha que me socializar naquela pequena cidade nem que fosse com um nerd gato.

- Então combinado. Estamos atrasados por sinal. – disse ele entusiasmado – acho melhor corrermos antes que nos não possamos entrar na escola.

Ele me puxou com uma força e estava tão entusiasmado que eu realmente tive um choque de adrenalina! Fui correndo o acompanhando enquanto ele puxava meu pulso. Nem me lembrei da tristeza que eu estava. Estava feliz por conversar com alguém sem ser a minha mãe que só se encontrava triste em todo o tempo e me deixava de baixo astral. Eu finalmente conheci alguém animado naquele dia.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.