Vivendo O Presente
8 Bônus: Querido Irmão
Notas iniciais
Sasuke
Toda vez que Itachi aparecia eu voltava a ser aquele garoto de oito anos que admirava e inveja o irmão mais velho. Que sonhava em crescer e se tornar igual e até melhor que ele. Era impossível não me sentir assim. Itachi e eu, naquela época éramos tão próximos, tão unidos. Eu nunca pensei que poderia mudar. Eu não queria que nada mudasse...
~ 10 anos atrás ~
Hoje era o grande dia. Estava ansioso para receber logo o boletim. Tinha me esforçado tanto para tirar notas boas, estudado demais. Me privei de passar longas horas brincando com o onii-chan apenas para isso, eu com certeza tinha tirado notas ótimas! Papai ficaria orgulhoso. O professor começou a entregar os boletins, muito das caras sorridentes dos meus colegas ficaram tristes ao olharem suas notas. Shikamaru e Chouji falavm de como suas mães lhes matariam quando elas olhassem para suas notas em Educação Física. Não era para menos, ambos não faziam muita coisa além de comer (Chouji) e dormir (Shikamaru).
Como sempre Naruto fez um show quando viu seu boletim. O que só fez aumentar o tempo para eu ser chamado. A ansiedade crescia e eu sentia minhas mãos suando, as limpei no meu short e voltei a prestar atenção à chamada. Por um erro do professor ele me chamou no lugar de Sakura, o boletim dela estava em cima do meu, então quando ele me chamou me entregou o dela. Nada mal. Sakura e Shikamaru sempre ficavam entre os melhores da turma junto comigo. Sem muita paciência entreguei o dela e peguei o meu voltando a me sentar para conferir. Fiquei tão feliz que quando o professor liberou todo mundo, corri para casa.
Estava sentado olhando para minhas mãos enquanto meu pai, Fugaku Uchiha conferia o boletim. Sua expressão não mudou nenhuma vez enquanto olhava as notas atentamente. E uma aflição foi crescendo dentro de mim. Queria que ele sentisse orgulho de mim, como sentia de Itachi.
– Continue assim. – disse por fim devolvendo-me o boletim e se retirando para o escritório onde ficava a maior parte do tempo quando estava em casa.
Mais tarde conversando com Itachi, sobre como fiquei triste por ele nem ao menos dizer “Esse é o meu garoto!” como fazia com ele. Itachi afirmou algo que me chocou, tanto por ser verdade quanto por ele ter percebido.
– Você me odeia, não é? – o olhei surpreso e gaguejei algo para depois içar em silêncio. De certa forma era verdade, eu o odiava porque papai sempre estava mais orgulhoso dele e nunca me via ou dava-me atenção. Mas eu não queria sentir aquilo do meu irmão. – Não importa. Eu sou seu irmão, sempre estarei lá para você. Mesmo eu sendo apenas uma barreira para você ultrapassar, estarei sempre lá.
Me senti ao mesmo tempo feliz e triste. Feliz por saber que Itachi sempre estaria comigo e triste por ter sentido, mesmo que um momento apenas ódio dele. Fui me deitar com esse pensamento. Meu irmão estaria sempre comigo. No dia anterior chegou a noticia que seu melhor amigo Shisui havia morrido. Isso foi um choque para o meu irmão, eles eram muito ligados. E eu gostava de Shisui. Itachi começou a se reservar mais, brincava pouco comigo e ficava a maior parte do tempo no quarto, nem mais jantava conosco. Minha mãe claramente estava preocupada com ele e meu pai incomodado.
Um mês depois algo ainda pior aconteceu. A morte de meus pais. Assassinados. E no mesmo dia o irmão que disse que sempre estaria ao meu lado foi embora para outro país.
~ Atualmente ~
Odiei-o desde aquele dia. Se antes eu só o odiava pelo papai nunca ter me dado atenção, agora o odiava por ter me abandonado sem nunca ter explicado do porque disso. Eu nunca soube o que minha mãe quis dizer quando me contou sobre meu pai só falar de mim quando os dois estavam a sós. E nunca saberia. Itachi era minha família, mas no momento que mais precisei dele, ele não estava lá. Ele sempre desmarcava nossas brincadeiras, sempre me dando aquele maldito peteleco na testa e dizendo:
– Desculpe Sasuke. Talvez numa próxima.
Nunca entendi isso também. Eu me sentia frustrado e zangado. Queria bater em alguma e ao mesmo tempo chorar. Queria meu irmão, mas ao mesmo tempo queria vê-lo morto. Apenas queria... Queria... Eu não sabia ao certo. Queria muitas coisas. Tantas. Mas eu não sabia por onde começar. Peguei o celular o apertando fortemente entre os dedos e liguei para a única pessoa que me veio à mente.
Passado uns vinte e cinco minutos (sim, eu estava contando) ela chegou. Bateu levemente na porta e a abriu, chamando meu nome receosa. Não era para menos, a semana inteira eu havia brigado com ela e com Naruto. Sakura fechou a porta e colocou sua bolsa em cima da mesa do computador e veio se sentar comigo na janela. Em nenhum momento olhei para a porta ou para ela, ainda sentia vontade de chorar e nunca chorei na frente de ninguém.
– Sasuke-kun... – ela me fitava intensamente, apenas suspirei.
O silencio caiu entre nós e Sakura apenas ficou ali ao meu lado, em silencio. O cheiro de cereja que emanava de seu cabelo era relaxante. Itachi e eu costumávamos correr pelo o corredor de cerejeiras que havia ali perto. Comecei a tremer, as lembranças de nós dois nos divertindo e rindo. Dele me protegendo e me ensinado... As lágrimas vieram sem aviso. Escondi meu rosto e senti a surpresa de Sakura, que em menos de um segundo estava me abraçando. Reconfortando-me. Ela ficou ali sem dizer nada apenas me abraçando, cada vez que um soluço me sacudia ela me abraçava ainda mais forte. Aquilo era bom. Fazia um tempo que eu e Sakura não tínhamos um momento, como posso dizer... romântico.
Quando me acalmei o suficiente para poder erguer a cabeça e limpar as lágrimas, furioso. Sakura as enxugou para mim, depois me deu um longo beijo, seguido de outro. Nisso seguiu um momento de troca de caricias, agradeci internamente por isso. Depois de um tempo apenas a beijando, ela se deitou em meu peito como costumava a fazer e ficou assim.
A tarde avançava e meus pensamentos começavam a clarear. Itachi estava morrendo. Será que desde aquele dia ele sabia de sua condição? Desde a morte de nossos pais? Foi por isso que ele foi embora? Por isso voltou agora, para me pedir perdão pelo o que fez? Eu o perdoaria?
Eram perguntas que eu precisava desesperadamente de uma resposta, precisava saber o porquê de ele ter ido embora. Precisava saber o porquê do silencio desses anos todos. Eu queria saber de tudo!
– Eu preciso saber! – disse em voz alta. Sakura concordou com um movimento de cabeça e me abraçou. – Apenas com isso poderei saber se o perdoo ou não.
Sakura levantou o olhar e me fitou nos olhos. Seus olhos verdes cintilavam e era difícil encara-la por muito tempo, eram hipnotizantes.Parte de mim os adorava enquanto outra parte os detestava.
– Itachi fez escolhas que achou certas no momento, não seja tão duro com ele. – sua voz saiu baixa e preocupada. Ela gostava de Itachi. Não pude evitar sentir um pouco de ciúmes. – Sei que você ainda sofre... Eu e o Naruto sabemos disso. Só dê-lhe uma chance de explicar de concertar tudo, antes...
Ela deixou a frase morrer. Odiava quando ela tinha razão.
– Você e o Naruto n...
– Não entendemos. Mas nós dois, de modo diferente temos nossas dores. Uma dor é igual à outra. Todos sofrem.
– Sakura...
– Sasuke você merece saber e Itachi merece morrer em paz consigo mesmo.
O modo como ela falou, talvez Iatchi tenha falado algo para ela. Mas naquele momento eu não queria saber. Ela se levantou da cama, onde estávamos deitados e pegou a bolsa. Era estranho como ela e Naruto me conheciam bem. Naquele momento eu precisava ficar sozinho, mesmo que não quisesse. Assim que se despediu de mim e saiu pela a porta senti a ausência dela trazer de novo minhas angustias. Eu precisava fala com Itachi.
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