Vivendo Do Passado
3 Cap 03 - Levando-a Para Casa
E assim, a medida que os dias passavam, a aproximação das duas fora se tornando mais e mais evidente.
Lília começou a ser participação frequente no almoço de Mickey com seu irmão, Jonas, quando ele aparecia — era daqueles irmãos irresponsáveis, que passavam a noite na farra, e depois não conseguia acordar a tempo de cumprir suas obrigações. Chegava para trabalhar algumas vezes às 2h da tarde, depois do horário de almoço.
Instantaneamente a tanta atenção e simpatia, a jovem assistente começou a se interessar pela sua chefe, passando a se comportar, querendo ou não, de modo diferente.
Um dia chegara um pouco mais tarde do horário que chegava, a ponto da chefe avistá-la passando enquanto estacionava o carro. Mickey vira a jovem saindo do ponto de ônibus, e atravessando a rua em direção ao escritório. Imaginara o que teria acontecido para ela vir de ônibus ao trabalho, e pensara ser uma boa idéia lhe dar uma carona, já que mulher saindo tarde do trabalho, sozinha, era um grande perigo. Por sua vez, por todo o dia, Lília ficou se perguntando se Mickey a teria visto, e imaginando se a chefe lhe ofereceria alguma carona. Adoraria passar mais tempo com ela, mas não teria coragem de pedir.
Enfim, apenas no final do expediente, a morena abriu a porta de seu escritório, e encarou a assistente, tirando suas possíveis dúvidas:
- Desculpe a indiscrição, Lília, mas eu te vi saindo de um ônibus hoje. Aconteceu alguma coisa com seu carro?
- Sim, o meu carro quebrou. — disse, dando um pequeno sorriso.
- Você está indo pra casa ? Posso te dar uma carona.
- Bom, acho que vou aceitar. — leventou-se rapidamente
Elas foram todo o caminho conversando no carro.
- E então você disse isso a ele? Bem alí? Em um posto de gasolina deserto? E ele acreditou?
- Disse. Você não tem idéia, Mickey. Ele me olhou assim com aquela expressão de "Ai, meu deus, que encrenca eu fui arranjar". E então saiu correndo, desistiu de me assaltar.
Mickey riu, imaginando a situação.
- Pensou que você era policial mesmo.
- Sim. Que estava numa investigação do FBI. E que ele tinha acabado de me atrapalhar. E que a minha tropa estava vindo da vã acertá-lo. Pode imaginar isso?
- E tudo por causa da vã quebrada na esquina?
- É, algum dia preciso agradecer a ela. — divagou, divertida.
As duas sorriam, imaginando o quão ridículo e, ao mesmo tempo, brilhante a idéia de Lília tinha sido, a ponto de ter levado o rapaz a acreditar na história.
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