– Pai, preciso falar com você. – Luna, diz assim que o pai chega em casa do trabalho.

– Ah, meu Deus! Lá vem bomba! O que será que uma menininha de oito anos quer comigo? – Seu Alberto fala, se sentando no sofá.

– A mamãe não quer me deixar ir até a casa da Maria Luísa.

– Quem é Maria Luísa?

– Minha melhor amiga! Olha só, os pais dela vão estar lá e a Milena, a Ana Luísa, a Maria Clara, a Fernanda e a Manuela também.

– Quem são todas essas meninas?

– Ah, pai, para de fazer pergunta! Elas são minhas colegas da escola! Eu preciso muito ir a casa da Maria Luísa porque hoje, vamos fazer uma festa do pijama e mamãe não deixou eu ir. Então, você precisa me deixar ir!

– Mas, essas coisas quem decide é a sua mãe!

– Ah, que saco! Minha mãe não me deixa fazer nada! Nem assistir televisão, eu consigo! Tudo nessa casa, sou eu! – grita Luna.

– Para de gritar, Luna! Marcos está dormindo. – diz Júlia, entrando na sala.

– "Luna, pega esse sapato para mim!", "Luna, quero um copo d’agua!", "Luna, quero isso, quero aquilo!"! Arg, eu não aguento mais! É a mamãe, Pedro Lucas, Júlia... Ninguém tem pena de mim, não?

– Ih, menina, para de reclamar! Você ainda está no terceiro ano do Ensino Fundamental, está aprendendo fração! Quero ver quando você aprender a fazer equação com Bhaskara!

– Pai, você sempre deixa Júlia sair de casa! Porque eu não posso?

– Ela tem 15 anos! Olha a diferença de quinze para oito: sete anos!

– Mas, pai, por favor! Fala com a mamãe! Eu volto amanhã de manhã! O pai da Maria Luísa me traz de volta, assim que eu acordar! Por favor! Por favor! Por favor! Por favor!

– Luna, desculpa, mas eu não posso decidir isso sozinho! Cadê sua mãe?

– Hoje é sexta, pai. Ela está no salão. – responde Júlia.

– Espera ela chegar.

– Ah, pai, por favor! O quê que custa você dizer "sim"?

– E o quê que custa você esperar um pouco?

– Ela demora mil horas naquele salão! Ela só vai voltar em 2084! – reclama Luna, se sentando em uma poltrona, com a cara emburrada.

Teresa Cristina chega em casa, quinze minutos depois.

– Mãe! Deixa eu ir dormir na casa da Maria Luísa esta noite?- Luna grita.

– Claro que não! Imagina só você lá! Sozinha, com fome, frio...

– Mãe! A casa dela é aqui do lado! E não vamos estar sozinhas! Por favor!

– Luna, eu já disse...

– Eu fiquei sabendo que você deixou a Júlia sair para dormir na casa da amiga dela quando ela tinha 10 anos! Porque você não quer me deixar ir?

– Dez anos é uma coisa, oito é outra!

– Mãe, por favor! Eu prometo não fazer bagunça, ser educada na hora de comer, agradecer tudo o quê eu ganhar e dar "boa noite" na hora de dormir.

– Arg! Tá bom! Eu deixo! E se você não se comportar, eu nunca mais vou deixar!

– Ah, mãe, muito obrigada! Muito obrigada, mesmo! Eu te amo muito! Já vou pegar a minha mala que o pai da Maria Luísa vai vir aqui, ás sete!

– Já são seis e quarenta e cinco. – avisa Júlia.

– Ah, meu Deus! Já? Dá licença, mãe! Deixa-me sentar aí no sofá! – exclama Luna, se sentando e esperando a campainha tocar.

Quinze minutos depois, o pai da Maria Luísa vem e leva Luna até a sua casa. E não é que ela se comportou bem durante a noite. Já está até com outra festa marcada para semana que vem.