Era véspera de Natal. Época bonita, época de trocar presentes e de paz no coração.

Na manhã de véspera de Natal, Teresa Cristina acordando cantando “Bate o sino pequenino, sino de Belém, já nasceu o Deus menino para o nosso bem...”.

A casa estava decorada como todos os anos. Depois do café da manhã, Luna e Pedro Lucas sobem para seus quartos, Teresa vai trabalhar em seu escritório e Alberto vai resolver coisas sobre seu trabalho fora de casa.

Júlia fica na sala de estar assistindo televisão, até que a campainha toca. Júlia vai atender, é a sua amiga Alice.

– Júlia, você não vai acreditar no quê eu descobri!

– O quê? Fala logo!- ela disse, se sentando no sofá.

– A loja “Cê de Você” está fazendo uma promoção de Natal, vendendo tablets por duzentos e vinte e cinco reais! A metade do preço!

– Ah! Que tudo! Temos o dinheiro?

– Só que tem um “porém”... São só os dez primeiros tablets vendidos que vão custar duzentos e vinte e cinco.

– Ok. Mas, temos o dinheiro?

– Eu tenho cento e dez reais. — disse Alice.

– E eu tenho cento e quinze. — disse Júlia.

– Certinho! Duzentos e vinte e cinco! Mas, só dá para comprar um.

– É... Como vamos arranjar mais dinheiro?- pergunta Júlia.

– Não sei.

– A loja abre que horas?

– Não sei também... Acho que é meia-noite.

– Meia-noite?

–É... Vamos ter que sair de casa cedo. Umas oito, nove horas.

– E o resto do dinheiro?

– Deixa... Depois, eu peço de presente para o meu pai. Faltam seis meses para o meu aniversário.

– E faltam três meses para o meu!- exclama Júlia.

– Então, eu já vou indo. Tchau!

– Tchau!

A tarde passou e a noite veio. Às oito horas, Júlia ligou para Alice dizendo que já estava saindo de casa. A desculpa dela foi: “Mãe, eu vou para a casa da Alice rapidinho, ajudar a mãe dela na ceia. Coitada! A mãe dela está sozinha... Os pais dela se divorciaram há pouco tempo então... Tá? Vai ser rápido!”

A desculpa de Alice foi: “Mãe, vou dar uma caminhada básica pelo bairro, tá? Volto logo!”.

Logo, Júlia e Alice estavam juntas. Elas pegam o ônibus e chegam ao Norte Shopping do Rio de Janeiro.

Correm até a loja que já tem uma fila. Júlia é a décima na fila e Alice a décima-primeira. Depois de alguns minutos, Júlia pergunta ao homem que estava na sua frente:

– Com licença... Que horas a loja vai abrir?

– Meia-noite. — ele responde.

– Alice, vai abrir meia-noite mesmo.

– Ainda são nove e meia!

Elas ficam de nove e meia da noite até meia-noite na fila.

As mães preocupadas ligando para os celulares das filhas, mas estavam desligados.

Júlia consegue comprar o tablet!

– Obrigada, Alice, por você ter me dado seu dinheiro e... Feliz Natal!

– Feliz Natal, sua boba!- elas se abraçaram.

Quando chegou a sua casa, Júlia contou a verdade para a mãe. Ela ficou duas semanas de castigo.

E o tablet? Bem, ela só começou a usá-lo um mês depois, mas valeu a pena.