Vive Le France

4 Merry Kissmyass


#Sophie

Passado todo o meu ano letivo, finalmente temos uma casa decente pra chamar de nossa. Depois de certo tempo de trabalho e com uma gordíssima ajuda do vovô, papai comprou uma casa num condomínio em algum lugar do Rio, que eu ainda não sei o nome. Só sei que é na zona sul. Como o condomínio permite casas diferenciadas, meu pai preferiu que a casa lembrasse a nossa, na França. Dito e feito. Não ficou igual, mas lembrou bastante. Pela primeira vez, minha mãe me deu liberdade pra organizar meu quarto do jeito que eu quisesse. Queria fazer o mesmo que o papai e organizar algo que me lembrasse o antigo quarto, mas como o atual era maior, eu tive que dar meus pulos. Nada parecido, devo dizer. Saiu bem chamativo, mas depois eu troquei alguns móveis coloridos por pretos ou brancos. Depois de terminar de decorar a bendita sala que tomou metade do domingo da minha mãe, ela veio no meu quarto me gritar:

– Sophie pelo amor de Deus, sai desse quarto, vai fazer os biscoitos de gengibre pro seu irmão parar de encher meu saco. Eu hein, parece uma criança de 6 anos. E VÊ SE ARRUMA ESSA MERDA DESSA CAMA! — reclamou, batendo a porta.

Eu não movi um músculo. Só resolvi tomar vergonha na cara e um banho às sete na noite, quando a família já estava lá em casa. Fiz os benditos biscoitos(60 biscoitos não é pra qualquer um não) e subi pra me arrumar. Coloquei minha roupa e fui ver minha família, que tinha gente de todo canto. Alemanha, França, Itália e até mesmo Índia(meu tio que mora lá, sabe diabos porque) estavam presentes naquela sala monstra. Conversa vai, conversa vem, "é pra ver ou pra comer" vai, "e os namorados?" vem, "como você cresceu" vai... Os famintos atacaram a mesa da ceia, e quando eu fui ver só tinham dois biscoitos que eu tinha feito. Sim, em 10 minutos meus biscoitinhos acabaram. Depois de toda comilança, começou a troca de presentes. Quando terminei de receber os meus, percebi uma caixinha no canto da árvore.

– Mãe, de quem é isso aqui?

– Ah, é seu, esqueci de avisar. Um menino deixou pra você de manhã — disse ela, dando um sorrisinho cínico.

Fiquei tentando imaginar quem teria deixado isso, e pra quebrar um pouco a curiosidade, abri a caixinha. "Merry Kissmyass", dizia o cartãozinho. No fim da caixinha, embaixo de um monte de fios de papel celofane, tinha um anel de ouro, nenhuma pedra em cima. Só a circunferência dourada. Amarrado a ele, um cordãozinho com um pedaço de papel, escrito "Be mine, to infinite and beyond". E eu achando que ao abrir a caixinha, minha curiosidade, PUF, iria sumir. Merda nenhuma. Não tinha um cartãozinho que especificasse alguma coisa, nem com algum nome, nem endereço... Na minha cabeça só rodava o nome Noah Smith, por que será, né? Pensando que me livraria desse dilema, a minha mãe apareceu no meu quarto com um buquê maravilhoso de flores.

– Tá podendo.

Deixou as flores em cima da minha cama e saiu, dando risada. Esperançosa, peguei o cartão que acompanhava as flores. "Just be mine, you don't need to know who I am. Now you can say, I'm yours. Louder, come on. I'm yours. I love you Sophie." Cara, definitivamente eu estava curiosa. Liguei pro Noah.

– Noah?

– Oi, que foi? Aconteceu alguma coisa?

– Bom, é que... eu recebi uma caixinha e um buquê de flores hoje, a minha mãe disse que um garoto que deixou.. Foi você?

– Não, eu realmente comprei um presente pra você, mas não foi nada disso. Por falar nisso, tenho que desligar, a troca de presentes aqui em casa começa tarde, beijo. Feliz Natal.

Desliguei, surpresa com tudo aquilo. Beijei poucos garotos durante o ano, mas muitos se apaixonaram por mim... Poderia ser qualquer um deles. Enquanto tentava descobrir quem era, me senti uma Sherlock Holmes e fui seguindo "pistas". Os cartões possuíam algumas rasuras, significa que não é nenhum primo meu querendo fazer gracinha com minha cara. Então, o autor era brasileiro. E meio burrinho. Antes de dormir, coloquei o anel no dedo, e pensei:

"Caralho, eu tenho um admirador secreto."

Notas finais
E aí, gente? Gostaram? Esse é um dos 3 mistérios envolvidos na história, e ao longo dela vocês vão seguir as pistas e tirar suas próprias conclusões. Beijos, Giulia B.