Vive Le France
8 Intrigas da madrugada + programa de índio
#Sophie
Uma semana depois do primeiro "eu te amo", meus pais viajaram e deixaram a casa comigo e com meu irmão, uma maravilha. Logo no dia que eles partiram, uma segunda-feira, meu irmão chamou dois amigos dele, do colégio, que eu já conhecia porque já vieram pentelhar aqui, bagunçaram a casa toda. Eu estava no meu quarto, com o ar condicionado no mais frio possível e assistindo Friends, quando ouvi 2 vozes masculinas gritando "pedrãooooo, ô pedrão"(pedrão é o apelido do meu irmão no colégio). Levantei revoltada em direção ao quarto do Pierre:
– Porra, você é surdo? Os meninos estão aí na frente te gritando, que inferno. Parece até que não sabem que podem entrar. Vai logo buscar eles.
Thiago e Matheus eram dois meninos bonitinhos da classe do meu irmão, que assim como eu eram loucos por música eletrônica, por isso eram os únicos pirralhos que eu me dava muito bem. Entraram na sala e pularam em cima de mim:
– Cocaaaaaaaaaaaaaaaa delicia — gritaram eles, me agarrando. Sim, coca era meu apelido no colégio. Advinha o porque...
– Oieeeeeeee, tá, chega de agarração, dessa coisa toda. Obrigada. Vão pra piscina, sei lá, fiquem lá fora enquanto eu arrumo meu quarto, ok? Tchau, chispem.
A arrumação do meu quarto era, nada mais nada menos do que uma troca de quarto. Eu gostava do meu, só que era muito grande e chamativo, sei lá, não me sentia muito bem lá. Então como eu sabia que esse dia ia chegar, pedi pro papai pra comprar outros móveis e coisinhas de decoração reserva. Peguei um quarto menor, limpei ele todinho e comecei a transformação. Era bem menor do que o anterior, mas não deixava de ser grande e confortável. Além do mais, era o quarto da varandona que dava pro telhado, ou seja, perfeito. Quando acabei, fiquei admirando o resultado e fui "acordada" por um telefonema da Bia.
– E aí, tá fazendo o que?
– Tô admirando meu quarto novo, daqui a pouco vou fazer as besteiras que meu irmão pediu pra fazer, porque tem dois amigos dele aqui em casa, então né. Já viu. E você?
– Meninaaaaaaaa, a rave é hoje! Tá louca?
– Que rave, criança?
– A do Gabriel, sua doente! Free Spirit!
– Ah, foda-se. Não vou, quero ficar aqui com meu irmão e os meninos.
– Como é que você não vai pra comemoração do seu namorado, Sophie? Que horror!
– Ô Ana Beatriz Machado, eu fui pra bendita comemoração EM FAMÍLIA — gritei — EM FAMÍLIAAAA, REPITO, EM FAMÍLIA, fui pedida em namoro na frente da família toda e você acha um horror eu não querer ir pra uma ravezinha que eu tenho certeza que não vai ser essas coisas todas? Me poupe, pro mais importante eu já fui, me deixa cara. Eu não sou obrigada a fazer tudo que envolva ele.
– É, verdade. Mas você só errou em uma coisa: não vai ser uma ravezinha, a Free Spirit vai ter DJ internacional. Todos nós sabemos que as festas do Gabriel são fo-da. Enfim, não quer ir, não vai. Eu sei que eu tenho que desligar, vou me arrumar na casa da Nathalia.
– Mas ainda são 14:46 da tarde, rave não começa a essa hora. Começa? E a Nathalia não tava doente?
– Era mentira minha pra ver se você saía de casa, e nós vamos no shopping antes. Tô indo, beijo. Se cuida.
Desligou sem mais palavras, e me deixou de boca aberta. "Que merda, será que eu devo ir? Não.. deixa lá." Foi meu último pensamento antes de entrar no banheiro(que tinha um certo contraste com o meu quarto) e me afundar na banheira, pra tomar um banho de meia hora antes de virar babá(desnecessariamente) de garotos 2 anos mais novos que eu. Saindo do banho, coloquei minha blusa clichê escrito "What Happens In Vegas Stays In Vegas"(só pra dizer que é de Vegas, na verdade quem trouxe pra mim foi meu avô), um short qualquer e desci rapidamente pra ver a miséria que os meninos estavam fazendo lá embaixo. Na verdade, nada demais. Estavam os três plantados na porta de casa, tremendo de frio e molhados da cabeça aos pés.
– Mas que merda vocês estão fazendo aí fora? Ai meu Deus, vou pegar toalha, calma.
Peguei 3 toalhas e joguei la fora. Se secaram e depois entraram em casa pra tomar banho.
– Coca, posso usar seu banheiro? É que o Pedrão falou que o melhor banheiro da casa, no caso o dos pais de vocês, ele vai usar, e o dele o Matheus vai usar. Posso? — perguntou Thiago, se tremendo todo.
– Bom, tem uns 4 banheiros na casa fora as suítes, mas tudo bem, pode sim!
Ele agradeceu com um beijo na minha bochecha que quase escorregou pro canto da minha boca e subiu correndo pela escada, tropeçando a cada 2 degraus.
– Não vá cair, pelo amor de Deus, não quero nenhum morto aqui em casa. — gritei pra ele.
Me enfiei na cozinha e fiz as besteiras que meu irmão pediu. Pipoca com cheddar, cachorro quente, brigadeiro(um doce daqui do Brasil que até hoje eu não entendi por que não tem na Europa), macarrão com queijo(sim, macarrão) e coca, muita coca. Subi pro quarto-cinema com tudo e coloquei no chão, perto das 5463264936 almofadas dispostas ao chão. Os meninos chegaram e colocaram uns filmes de terror sangrentos que eu nem assisti direito. A única coisa q eu realmente vi foi o Thiago se agarrando em mim toda hora. De madrugada, eu estava distraída, olhando pra TV e me assustei com uma mensagem de um número que eu não tinha nos contatos:
"Se voce nao quiser ter fama de corna, termine com o Gabriel. Aqui é a Bia, amiga. Ele pegou várias aqui na rave, tá passando o rodo. Sinto muito, mas eu tive que te avisar."
Isso me rendeu uma lágrima pesada, que avermelhou meu nariz e chamou outras lágrimas, encharcando meu rosto. Por que eu estava daquele jeito? Eu nem gostava muito dele... e poderia ser uma notícia falsa de alguém querendo acabar com meu namoro de tão pouco tempo, se passando pela Bia. Poderiam ser várias coisas, mas na dúvida, eu apenas deitei minha cabeça no ombro do Thiago e chorei.
– O que foi? O que foi, fala! — sussurrou ele.
– Intriga, Thiago. Traição... ou falsidade.
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