Notas iniciais
Desculpe a demoooooooooooooooooora pra posta, mas é que minha criatividade não é uma máquina e meu tempo é curto. :)

— Vamos descer pra praia esse fim de semana? — perguntei baixinho no ouvido da minha ruiva de cachos, em plena lanchonete.

Ela deixou de lado a bandeja que segurava e me abraçou forte com um sorriso radiante.

Horas mais tarde, na minha casa, nos divertimos arrumando minha mochila. Era cueca pra um lado, meias pro outro, preservativos, gibis de super-heróis, remédio pra dores de cabeça e de barriga, além de uma série de CDs pra curtir no carro, incluindo a minha última compra: o modesto presente de Natal que dediquei a mim.

— Cabeça de rádio? É isso que quer dizer? — perguntou ela entusiasmada. Balancei a cabeça positivamente. Ela continuou, segura do que dizia:

— Viu como estou indo às aulas do cursinho?

Concordei com um sorriso amarelo, lembrando que a mensalidade de dezembro do curso de espanhol — que eu dava um jeito de pagar — havia vencido há dias. Mas fiquei em silêncio.

A mãe estava próxima, percebi com o barulho vindo da cozinha. Resolvi apressar as coisas, arrumei rapidamente a bagunça que fizemos e me despedi de minha mãe com um beijo seco em sua testa, desejando-lhe um feliz ano novo.

— Fala com a Carol, mãe. Eu ligo pra vocês duas no dia trinta e um — falei.

Carol e minha mãe não iam com a cara de Liliana, acho que era preconceito por causa do trabalho dela, apesar de nunca admitirem isso. Toda mãe quer que o filho case com uma mulher de destaque, formada, com um bom emprego, e de preferência que goste da sogra, já que, provavelmente, irá ajudar a cuidar dela um dia.

Mas Liliana não era assim. Ela não tinha grandes ambições futuras, a não ser de casar e ter filhos com cachinhos iguais aos dela.