Acordei no meio da noite todo suado. Seria comum, se não fosse o detalhe do pesadelo repetido.

Não me recordo se foi a terceira ou quarta vez que sonhava com aquele cenário: cidade grande, com extensos clarões de civilização cercados de ruas escuras e habitadas por sem-tetos e ratos, e eu caminhando sozinho, à procura de algo, até encontrar um balcão sujo pra comer sushi ou, como da outra vez, entrar numa boate com dançarinas magérrimas.

Mas naquela noite foi diferente: tinha um robô andróide numa das esquinas por onde andei. Ao seu lado, mendigos com latrinas na mão e um tambor de lixo como lareira pra aquecer a noite.

O robô tinha uma aparência velha, enferrujada, como se estivesse inutilizado para o motivo pelo qual fora construído. Em sua face metálica, faltava a mandíbula inferior, talvez arrancada por outro robô ou por algum negociante de peças.

O mais assustador, no entanto, foi que ele rogou esmola pra mim, chamando-me pelo nome como se fôssemos velhos conhecidos.