Vitrines

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Espero que gostem!

Todo dia seu Joaquim abria sua oficina bem em frente a casa de bolos de dona Mercedes e colocava-se a consertar o relógio dos transeuntes, parando de vez em quando para dar uma espiada na bela senhora de pele de alabastro que vivia a arrumar a vitrine do outro lado da rua.

Todo dia dona Mercedes passava horas reorganizando os bolos da vitrine, apenas para observar o relojoeiro carrancudo, porém vistoso, que trabalhava sem parar na loja paralela a sua.

Todo dia Joaquim se irritava com a enxurrada de olhares vis que o jovem atendente da loja lançava a sua bela senhora.

Todo dia a boleira se enchia de sonhos de um dia poder conquistar o coração do relojoeiro.

Todo dia, antes de ir, o artesão tentava tomar coragem para falar com a doceira.

Todo dia, Mercedes aguardava esperançosa até seu Joaquim sair da loja.

Todo dia ambos seguiam tristes, cada um em sua sêmita, desejando desesperadamente que elas se encontrassem.

Um dia, dona Mercedes tomou coragem e bem cedinho deixou um bolo na porta do relojoeiro, mas ele não apareceu, e o bolo? Alguém levou.

Um dia, o relojoeiro passou duas horas na floricultura tentando escolher uma flor tão bonita quanto sua amada, que naquele dia, não estava na vitrine.

Nesse dia quem esperou foi Joaquim, esperou até sua amada sair, triste e cabisbaixa, e antes que a coragem tomasse um rumo diferente de suas pernas, montou em sua bicicleta, pegou as flores já meio murchas e foi ao encontro de dona Mercedes.

Nesse dia dois corpos se encontraram pela primeira vez, mas duas almas se reconheceram como velhas amantes

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