Vitimas Da Própria Genética
1 Prólogo
Notas iniciais
Enquanto Samuel anda por um longo corredor queimado, empunhando em sua mão uma Magnum, carregada com mais valor sentimental do que munição, ele se pergunta o porque de ainda estar na equipe tática. É pela emoção? Não, ele está muito velho para isto, esquecer a água do café no fogo já é emoção o suficiente para deixá-lo feliz. E tambem não poderia ser pelo costume, 5 anos fazendo algo, não substitui uma vida inteira de calmaria. O unico motivo plausivel, é o que ele quer mais ignorar: morte. Ele sempre esta preparado para morrer quando vai fazer tais serviços, mas o pensamento de que ele faz isto querendo morrer o deixa enojado. Desejar a morte é para os fracos, e isto ele não é. Não após tudo o que conseguiu, ou tudo que fez, coisas que ninguem mais conseguiria, apenas ele, apenas "O" Samuel.
Ele fica muito preso aos seus pensamentos internos de repulsa e ódio, para perceber que já tinha chegado ao seu objetivo, mas o som ensurcedor de um choro de bebê logo o faz voltar a realidade. Ele tapa seus ouvindos com as suas mãos, ajoelhando-se em posição fetal, deixando então cair sua preciosa magnum, aquele passou uma sensação de melancolia que só aumentou seu ódio. Ao olhar em volta, vê os membros de sua equipe fazendo o mesmo e um estranho relogio de coluna a sua frente. Ele se levanta ainda com as mãos no ouvindo, procurando um bebê, mas não encontra-o e muito menos o som. Ao tentar tirar as mãos do ouvido, o choro estridente retorna, mas antes que pudesse tapar os ouvidos, o som cessa. Ele ordena que sua equipe saia com um movimento curto de mão, ele já havia percebido o padrão, o movimento do pendulo do maldito relogio.
Eles saem à céu aberto seguindo Samuel, que não espera em colocar um cigarro após um pouco de ar puro.
— Celem o lugar.- Diz Samuel com sua voz aspera. — Eu quero uma caixa de vidro com isolamento sonoro para aquele relogio. Mandem ele pro Leonardo, quero que ele descubra o porque do choro de bebê e como isto acontece. E se ele não tiver nem um pingo de ideia em duas semanas. Queimem o relogio.
Não é procedimento padrão destruir "casos", mas o choro e a melancolia realmente irritaram Samuel. Ignorando o questionamento sobre sua ordem de eliminação, ele entra seu carro, um puma preto da decada de 80 que qualquer um estranharia um homem como Samuel tê-lo, e pega o celular no porta-luvas. "Nenhuma chamada perdida". Infelizmente é o que indica a aparencia inatelrada do celular. Após dar uma longa tragada em seu cigarro, joga-lo pela janela, ele vai em destino ao laboratório onde trabalha. Uma organização mundial que lida com casos "sobrenaturais". "Magia é apenas uma ciencia avançada demais para entendermos", este era seu pensamento quando fundou esta organização com outras 12 pessoas, um pensamento que se evaienesse cada vez mais de sua mente.
Não importa por quanto anos ele tenha estado lá, ele sempre estranha como um local tão grande pode ser tão claustrofóbico. Passando pela sala de testes nº11, comprimenta Dr.Leonardo com um simples aceno de cabeça, e continua seu caminho até o "Quarto" 72, onde ela esta, onde ela sempre esta.
Jessica é uma mulher com uma certa condição, quase tudo o que ela faz é ao inverso, ela inspira dioxido de carbono e solta oxigenio, ela anda, fala e come ao inverso. A "mulher ao contrário" foi achada em um laboratório clandestino em chamas, e sem nenhum motivo aparente, com perda parcial de memória. O nome "mulher ao contrário" é mais um placebo usado pelos funcionários pela falta de um nome do que um codinome dado. Ela é a razão dos quartos serem chamados de quartos agora, e talvez tambem seja a razão de Samuel ainda não ter colocado uma bala no meio de sua própria cabeça.
Ao entrar no quarto ele se depara com a mesma imagem de sempre: ela sentada na cama de hospital olhando melancolicamente para o quadro na parede da porta. E apesar de sempre saber, que ao entrar no quarto ele se depararia com esta imagem que o tira as vontades, seguido sempre de conversas desanimadoras, ele não pode evitar de estar lá todos os dias, como um relógio. E de alguma forma, ser sempre recepcionado com o mais sinceros dos sorrisos, torna toda esta experiencia ainda pior.
— Leumas rotuod etion aob.
— Algum eu irei me cansar de dizer que não há necessidade de me chamar de doutor.
— Ocigárt aid mu res iav etse.
Samuel sorri puxando uma cadeira para se sentar, oferece um cigarro sabendo que iria recusá-lo e diz:
— Hoje tive uma aventura emocionante. Teria até que ver se sua pressão está estavel antes de conta-la. Hoje eu capturei um relógio que imita choros de bebes.
Ambos riem. O único momento que se sente vuneravel é com ela, ele deixou de se incomodar com isto a um tempo, passou a gostar da sensação, mas ele tem que estar sempre atento, para não ruborizar perto dela, para que seus olhos não percorram seu corpo, ele não saberia como reagir se ela o pegasse fazendo. É estranho, um dia ele esta no controle, em um dia, ele ruboriza as mulheres e em outro, quer apenas se deixar levar por uma delas. Jessica ia comentar algo, mas é interrompida por um homem na porta chamando Samuel.
— Senhor, o Dr.Leonardo esta te chamando na sala de testes 11.
— Fale que eu estou a caminho, qual a situação com o relógio?
— Ele esta sendo transportado agora senhor.
Samuel levanta e caminha em direção a sala de testes, dando um curto aceno de mão para Jessica. Ele não pode esperar para o que o doutor tem a dizer, tamanha sua ansiosidade que não conseguiu ouvir a pergunta que Jessica fez. Leonardo e Samuel são bons amigos, Samuel fez questão de ser assim, ainda mais após Leonardo liderar as pesquisas sobre Jessica. Exceto com ela, todos os seus relacionamentos são planejados e calculados, isso o incomoda muito, pois acontece de maneira tão natural que quando percebe, não pode mais ser ele mesmo com ninguém. Apesar de sua amizade com o doutor, Samuel nunca foi requisitado pelo mesmo por assuntos mundanos. Sempre algo importante, e coisas importantes são ótimas noticias para quem não trabalha em campo.
— Samuel! — Diz Leonardo estendendo-o a mão. — Estava com o caso 72?
— Jessica. Sim. — Responde fazendo questão de mostrar que estava ofendido. — E como anda a situação com ela?
— Bem rápido devo dizer. Creio que dentro de alguns anos, teremos uma reversão total de sua condição.
— Isto é ótimo doutor, espero que ela volte ao normal enquanto esta... jovem. Mas porque me chamou aqui?
— O progresso para achar a cura para a doença da minha filha avançou de maneira espantosa. De fato começarei testes em ratos semana que vem.
— Fico feliz em ouvir isto.
— E assim que eu curá-la, eu irei sair daqui.
— O que?!
— Eu não aguento isto Samuel, não posso aguentar mais e sinceramente não sei como suportei por todos estes anos. Todos estes experimentos, estas criaturas, é de mais para mim. Hoje eu vi duas pessoas se matarem por olharem para um gato por mais de 5 segundos. Eu agredeço a oportunidade que você me deu aqui, mas eu não posso ficar mais.
Tem um motivo para apenas certas pessoas terem conhecimento sobre mais de um "caso". Não é um trabalho para qualquer, a alta onde de suicidos no começo da fundação desta organização, levou a esta decisão. Samuel é um dos poucos fundadores vivos e com sanidade intacta, mas com esta decisão tomada, a organização foi dividida em vários locais, e quem trabalha em um, não sabe sobre a situação de outro. Samuel vai até seu escritório para tomar um copo de whyskey, pensando sobre quando recrutou o doutor Leonardo. Leonardo tem uma filha doente, uma doença estranha. Ela esta constantemente tossindo um liquido azul luminoso e ficando cada vez mais fraca. Leonardo entrou nesta organização com uma condição, de que em seu tempo livre, ele poderia usar os recursos da organização para descobrir o que há de errado com a filha.
Quando Samuel o recrutou, ele não sabia se Leonardo era uma boa adição, se ele iria conseguir, não sabia quando este dia ia chegar. E enquanto degusta de sua bebida, sentado na cadeira de seu empoeirado escritório, pensa tambem que certamente não sabia que iria fazer algo para impedir que isto acontecesse.
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