Capítulo II


Numa manhã de domingo acordei como de costume as 5 horas da manhã e me troquei e fui fazer minha caminhada de rotina. Como era de costume os pais faziam os filhos a procurar sua própria casa depois dos quinze anos. Eu estudava de manhã (das oito as treze) e trabalhava no escritório a tarde de “criador”, é um cara que mexe nas plantas para ficarem com o formato que foi encomendado.

Sei que parece viadisse da minha parte trabalhar com plantas, mas eu sempre gostei, principalmente quando eu as alterava geneticamente, parecia até coisa de filmes. Mudar coloração, velocidade da fotossíntese, hora que ocorre a fotossíntese, entre outras inúmeras coisas que eu realizava nelas.

Voltando na hora da caminha que eu fazia que durava exatamente trinta minutos, nos meus dezoito meu chefe me liga avisando que não era pra eu ir trabalhar porque passei no exame militar e que teria que comparecer hoje as 10 horas no CMN (Centro Militar Nórdico, centro militar que ficava nos países nórdicos), porém antes de ir para o CMN eu tinha que passar no emprego e pegar a transferência para fazer os testes e o estágio.

Voltei pra casa correndo o máximo que pude, porque eu sabia que me atrasaria. Liguei para a companhia de mudanças e falei pra entregar tudo que eles encontrassem no meu apartamento no endereço da casa dos meus pais seguido disso liguei para meus pais e avisei do ocorrido. Separei o que levaria para o CMN. Não foi muita coisa, além de algumas roupas levei comigo, meu Oculivro (é um computador que carrega e acessa os arquivos como um computador convencional, porém ele é acionado pela retina, é bem parecido com um óculos de uma única lente), alguns livros de grande valor pra mim e várias revistas que todo adolescente de 16 anos têm.

Seguido disso peguei minhas chaves da VAP (Veículo Automotor planador, parecido com uma moto que voa) e segui com ela para o trabalho. Chegando lá meu chefe falou que eu tinha sido despedido eu queria saber se quando eu voltasse ele me devolveria o cargo. Ele respondeu negativamente e explicou que se a nota de um estudante fosse acima de 170 (prática+teórica > 170, meu caso foi 85+91=176) o empregador poderia despedir o empregado, por ele ter muitas chances de passar no teste. Eu peguei a papelada e sai com a minha VAP em direção CMN, não passava das 7 horas da manhã. O problema é que eu tinha pelo menos 2 horas e meia, aproximadamente, de viagem pela frente.

Não peguei transito algum pela frente e consegui chegar até que antes da hora marcada. Eram nove e quatorze quando eu cheguei ao CMN. Já tinha uma fila enorme com vários adolescentes. Eu não acreditei no tanto que tinha de mulheres para a convocação militar. Eu cheguei perto de um soldado e perguntei onde eu guardava a VAP, ele só olhou para o pátio e vi inúmeras VAPs, de todos os tipos e de todos os tamanhos. Eu guardei-a no meio de todas as outras. Sentei em um canto peguei o Oculivro e comecei a ver meus arquivos e percebi que não tinha nenhum amigo na cidade que eu tinha partido e percebi que morava em uma instalação para jovens que tinham saído da casa dos pais. Ninguém de importante eu tinha deixado para trás no prédio em que vivia.

Fiquei muito abatido, e via muitos e muitos garotos dando em cima de várias garotas. Eu esperei cerca de sete minutos até que veio um garoto e sentou ao meu lado olhou pra mim e falou.


Karm- Meu nome é Carlos. Mas me chame pelo sobrenome, que é Karmedis.

Claud- Meu nome é Julio, mas prefiro Clauder. Que tipo de sobrenome é Karmedis?

Karm- Me explica que tipo de sobrenome é Clauder que lhe dou a mesma resposta.

Claud- Touché.

Karm- Posso te falar algo.

Claud- Claro. Desde que não seja ofensivo.

Karm- Relaxa. Sinceramente, você tem cara de militar. Tipo Capitão ou Coronel. Essa é a profissão que você realmente queria, não é?

Calud- Não. Eu queria ser botânico na América Sul. Fazer descobertas e invenções. Eu cara de Capitão? Tá de brincadeira? Você sempre quis ser militar?

Karm- Sim, sempre. Adorava desde mulequinho assistir filmes de guerras. Depois de qualquer filme eu pegava minhas armas, roupas, e o resto, corria pro quintal de casa e ficava fingindo que era um soldado no meio da guerra. Quando vim para a cidade não tive mais tempo. Eu mal mexia com o que eu queria. O máximo que fazia era jogar no Oculivro.

Claud- Eu mexia com o que eu gostava até pouco tempo atrás. Eu era criador. E você trabalhava com o quê?

Karm- Enviador. Vivia entregando caixas de livros para as bibliotecas, escolas, etc. Sabe como é?

Claud- Sei sim. Como vai ser os testes?

Karm- Não tenho ideia. Eles mudam todo ano. E percebeu? Esse ano esta com muito mais garotas.

Claud- Ainda bem. Você namora?

Karm- Não, mas pretendo arranjar uma esse mês. E você ta com alguém?

Claud- Não e nem pretendo. Não quero ter família.

Karm- Meu pai falava isso. Sabe quantos irmãos eu tenho? Nove.

Claud- Nove? Cacete! Seus pais não têm acesso a nada?

Karm- Não querem ter. Eu sou o segundo mais velho. Presta atenção! Olha tem um soldado indo pro palco.

Ficamos quietos e levantamos. O soldado ficou de frente pra o público e esperou todos calarem-se e ficarem atentos ao que ele iria dizer. Após todos ficarem quietos, de frente e atentos ele começou a falar.

Major- Eu me chamo Junterasi, mas todos vocês me chamaram de Major Oriental. Vocês passaram no teste e foram convidados a comparecer na CMN por alguns meses. Eu irei escolher entre vós os melhores para fazer farte de uma organização que estamos criando. Então façam o melhor de vós. As normas são rígidas. Vós vos hospedareis no bloco quinze da CMN. Lá vocês treinaram e aprenderam muitas coisas. Sob hipótese alguma vós poderá sair da base da CMN. Agora vós todos entrará no VATB (Veículo Automotor Terrestre Bruto, para transportar cargas, ele é similar a um trem elétrico, várias salas para a mercadoria carregada) e aguardarão até chegarem ao bloco quinze. Alguma dúvida?

Ninguém teve coragem de perguntar algo. Fomos encaminhados para os VATB e lá aguardamos. Eu de Karmedis continuamos a nos conhecer até que ele virou e contou em voz alta quantas pessoas estavam no compartimento com nós, eram quinze.


Karm- Sete. Sendo que três são mulheres. Eu pretendo ser militar então sei muito bem que as pessoas que são colocadas na mesma sala se tornaram uma equipe. Então quero saber quem faz parte da equipe. Sobrenomes por gentileza e comentem se querem ser mesmo militares, em que área não me interessa. Só me interessa se querem ser ou não. Da esquerda para a direita.

Lund- Meu sobrenome é Lundi. E sim, quero ser.

Atrav- Atravaski. E quero ser.

Din- Dintero, e obviamente que quero.

Lun- Me chamem de Lun. Quero sim senhor. Mas quem vai dar ordens futuramente serei eu.

Nah- E eu de Nah. Somos gêmeas. E sempre quis ser militar.

Karm- Eu serei o Karmedis.

Claud- Eu sou Clauder. Não, não era meu sonho. Eu sempre quis ser botânico, mas fui melhor na área militar que na Saúde.

Atrav- É isso o que dar usar o Oculivro pra jogar e não para estudar.

Claud- Eu fiquei com total de 176 só em militar. Acha que fiquei jogando todo o tempo?

Atrav- 176? Eu tirei 198 no militar, 186 na saúde e 156 no civil. Acho que sim. Você deve ter jogado o tempo todo.

Claud- Vou te mostrar como joguei.

Neste momento eu levantei e fui pra cima, Atravaski levantou junto, mas Karmedis me segurou e Dintero segurou Atravaski. No meio da confusão chegou um soldado e olhou para a situação, Dintero e Karmedis sabiam o que iria acontecer, eles nos soltaram e foram para o fundo da sala, onde ficaram perto das garotas. O soldado viu que eu e Atravaski estávamos em uma troca de socos então ele retirou o cassetete da cintura e bateu diretamente no meu baço e seguidamente na cara de Atravaski. Caímos seguidamente da pancada e tentamos nos afastar do soldado, mas ele puxou meu pé com a mão esquerda e acertou certeiramente no meu pescoço, não desmaiei, mas nem conseguia me mexer. Só olhava pra frente enquanto caído e vi só o Atravaski cair na minha frente. Depois de ouvir a porta bater senti alguém me levantando e vi Karmedis rindo e sussurando em meu ouvido “Se fudeu.” E do outro lado da sala estava Atravaski sendo levantado por Lundi.

Depois de algum tempo levantei meio tonto ainda e fui ver Atravaski.


Claud- Ta tudo bem?

Atrav- Bem na ta, mas pior não fica.

Claud- Foi mal. Tô de cabeça quente porque eu tava querendo ir para a área da saúde. Foi mal mesmo.

Atrav- Relaxa. Eu tava querendo impressionar as garotas com as minhas notas e coragem.

Claud- Amigos então?

Atrav- Não. Não existe amizade no campo de batalha. Parceiros?

Claud- Parceiros então.

Apertamos as mãos e começamos a conversar sobre outros assuntos até que percebemos que Karmedis chegou ao nosso lado e se juntou a conversa. Passados alguns minutos conversando o VATB parou e tivemos que sair. O soldado que nos bateu fez um sinal para nos o seguirmos. Ele não abriu a boca e nem nós. Andamos até um prédio enorme e a cada sala que saia um soldado estava levando-os ao prédio. E ele nos encaminhou até o prédio, subimos vários andares e entramos em por uma porta automática de aço. Olhamos pra ele e esperamos ele dizer algo. Ele retrucava o olhar e falou.

Cap- Capitão Neltro. Sobrenome de cada um da esquerda para a direita.

Lund- O meu é Lundi.

Atrav- Atravaski.

Din- Dintero.

Lun- Me chame de Luna.

Nah- E eu de Luna. Somos gêmeas. .

Karm- Eu serei o Karmedis.

Claud- Eu sou Clauder.

Cap- Tenho duas perguntas. Primeira- Terei problemas com vocês dois? – se referindo a mim e Atravaski, que logo que ele perguntou a nós dois, balançamos a cabeça negativamente- Ótimo. E vocês duas? Tem algum jeito de trocar o sobrenome por nomes? Ou vocês se identificam por algo que diferencie ambas?

Lun- Eu prefiro Lun.

Nah- E eu Nah.

Cap- Aceitável, inapropriado, mas aceitável. Nessa instalação temos três quartos. Um para as garotas, um para os garotos e outro para mim. Eles estão diferenciados explicitamente em suas portas. Suas malas logos serão entregues.

Claud- Capitão. E a minha Vap? Eu a verei de novo?

Cap- Sim, mas depois de finalizarem o estágio. Dispensados.

Após a conversa com o capitão fomos para os nossos quartos, arrumamos nossas coisas durante todo o dia. Quando chegou as 21 horas o capitão apareceu e anunciou que dormiríamos as 21 horas todos os dias. Ninguém teve a coragem de enfrentá-lo, mas ninguém concordou com a ideia. Todos foram pra cama as 21 horas, porém ninguém conseguiu dormir, ficamos conversando até sei lá que horas. Mas isso teve uma conseqüência muito ruim, o Capitão nos acordou 4 horas da manhã para os exercícios. Depois dos exercícios era hora de trabalhar na fábrica onde se construía armas, era extremamente cansativo, mas era nossa obrigação. O estágio durava seis meses e não tinha ideia de como iria agüentar seis meses daquele jeito, agora mais do que nunca queria ser botânico, mas os três últimos dias da semana era teoria e isso me atraiu muito, porque cada dia era teoria para uma das áreas (no 1º dia de teoria era voltado à estratégia, no 2º era voltado à saúde e no 3º era voltado à tecnologia) essas aulas teóricas foram se misturando com a prática e foi ficando muito interessante. Após dois meses de estágio o Capitão chegou com uma nova notícia.

Cap- Nossa rotina ira mudar. Agora que vós já tendes um conceito básico iniciaram algo novo. Serão simples as novas atividades que vós tereis que fazer, já tendes as partes conceituais, agora iniciaram a prática delas. Pra iniciar vós construíram uma arma para si e ao passar do tempo terão conhecimento para fazer ajustes.

Karm- Faremos algum tipo de missão?

Cap- Sim, mas todas as realizadas serão fáceis.

Atrav- Tipo...

Cap- Montar guarda em um posto. Levar uma carga até determinado ponto. Vigiar certo detento, etc. Nahda que precise de sacrifício.

Claud- Mas sacrifício que é legal.

Cap- Continua na área do exército e vai para a África. Aí tu terás noção do que é sacrifício.

Aquela frase dele me intrigou e me deixou muito interessado em seguir noção pro exército. E as missões foram realizadas facilmente, nada que fosse realmente difícil, todas foram simples. O estágio foi passando rápido, quando menos percebi faltava cinco dias para finalizá-lo, eu já estava muito apegados aos meus companheiros. E não estava disposto a largar tudo pela botânica. Então resolvi ficar no exército. Só tivemos uma missão na última semana, proteger um compartimento até uma cidade vizinha, essa missão eu faço questão de contar.