Capítulo XX

Acordei com Karmedis me chamando e tocando em meu ombro. Abri os olhos e senti uma enorme dor de cabeça, enquanto minha visão estava turva e tentava identificar em que lugar estava com Karmedis. Ele me balançava de um lado para o outro e me dava leves tapas na cara para ver se eu reagia, mas nada de meu sistema nervoso responder aos tapas e balanções. Karmedis estava tentando falar comigo, mas eu só ouvia uma voz grossa e distorcida, que eu não conseguia identificar de quem era (mesmo sabendo que era Karmedis) e o que ele falava.

Quando eu recuperei meus sentidos percebi que estava pelado e que Karmedis também estava pelado. Dei um pulo para trás e achei estranho vê-lo daquele jeito, olhei com uma cara de descrença e comecei a falar.

Claud- Que merda é essa?

Karm- Calma. Eu acordei aqui pelado como você. E tentei te acordar para ver se você sabia de algo, mas pelo jeito você deve saber menos que eu.

Claud- Onde estamos?

Karm- Em alguma sala com duas portas. Nenhum guarda apareceu desde que acordei.

Claud- Alguém me acertou pelas costas. Eu já tinha domínio completo da situação, mas alguém me acertou em quanto mirava para o verde. Eu já tinha estourado os tímpanos do laranja e um tiro na cara do branco. Aí recebi uma coronhada que me fez desmaiar.

Karm- Mas você...

Karmedis foi interrompido por uma mensagem em um holograma que tinha o verde falando sobre as mesmas coisas que ele já tinha falado pra mim, e muito provavelmente teria falado para Karmedis. No final ele disse: "A porta será aberta (e a porta se abriu) e vocês tomaram um banho (ouvi chuveiros ligando) e após o banho vocês terão que vestir as roupas que estão penduradas nos cabines dentro do banheiro, terminando tudo isso quero que vocês saiam pela porta que agora está trancada e serão acompanhados pelos guardas que estão lá fora. E não tentem revidar, já que nós não estamos no navio e sim no porta-aviões aéreo dos GTs e estamos com toda a tripulação do navio, pelo menos todas as que encontramos, as que não encontramos foram explodidas junto com o navio. Até mais ver”.

A mensagem foi desligada e nos encaminhamos para o banheiro, após tomar o banho nos vestimos com as roupas dos soldados que estavam no cabide e quando saímos do banheiro vimos dois guardas que portavam metralhadoras de longo alcance. Ao sairmos viramos a direita e encontramos mais quatro guardas para escoltamento, que nos levaram através de um leve labirinto de até uma sala enorme que tinha aproximadamente uns duzentos soldados filiados aos GTs. Todos observando um homem fazendo uma palestra sobre os princípios dos GTs. Eles eram realmente nobres, mas tinha algo que não me fazia acreditar no palestrante e muito menos no verde, que estava ao lado do palestrante. Quando percebi que verde estava ao lado do palestrante, também percebi que os outros "coloridos" estavam de guarda montada atrás do palestrante. Ao total eram dez, mas como azul, branco, vermelho e amarelo foram mortos, só tinham seis atrás do palestrante (cinza, preto, marrom, verde, laranja e roxo).

Mas o palestrante não tinha roupa de soldado e nem dos "coloridos", tinha uma roupa verde, bem ao estilo militar, com boina e tudo. Quando ouvi ele dizer que nomearia os novos "serviçais" (coloridos) para os postos de quem foram mortos. Mas antes de ouvir os nomeados um guarda bateu em nossas costas e nos levou para uma sala que ficava escondida a esquerda de todos que ouviam o palestrante. Entrando a sala percebi que a sala estava completamente escura e tinha mais de dez soldados dentro da sala, além de ter um senhor idêntico ao palestrante, só que esse era mais robusto e tinha cicatrizes no rosto. Ele nos olhou com repúdio e antes de começar a falar, consegui ler no crachá que ele tinha no peito e que lá estava escrito “Major”, o que me fez sentir um arrepio e lembrar como eu atuava em missões: com muito deboche.

Major- Quero saber se vocês estão do nosso lado ou contra nós.

Claud- Contra? Por que estaríamos contra vocês? Nós só queremos fazer da vida real um jogo de vídeo-game. Matando todo mundo que a mídia falar que é mal.

Major- Engraçadinho. Eu gosto de outro tipo de piada. Você (apontou para um guarda aleatório, que me bateu com o cano da metralhadora no abdômen). Isso é o que acho engraçado. Agora vocês vão responder minha duvida?

Claud- Sim, eu peguei sua mãe (o que me fez levar outra pancada no abdômen).

Major- Você vai me responder? Porque o engraçadinho vai apanhar mais se você não tirar minha duvida.

Karm- Se eu não responder ele apanha? Então pode bater, não gosto dele mesmo. Se não fosse por ele, não estaria aqui.

Major- Está bem (mais um ataque em mim).

Karm- Hahahahaha. Faz de novo (e outra pancada em mim).

Major- Tive uma ideia melhor que está. Estamos fazendo algo simples de mais. Vejo que um de nossos candidatos está gostando, mas eu quero algo mais radical.

Karm- Tipo o que? Eu vou gostar?

Major- Claro que vai gostar, mas dessa vez é seu amigo que da risada.

Fui levado até a parede do fundo na qual fiquei algemado e Karmedis foi colocado em uma maca e lá começaram as torturas, primeiro foi a simulação de afogamento. A minha primeira tortura foi mais radical, foi a tortura física, arrancaram o máximo de sangue que conseguiram da minha sobrancelha, o que me deixou com um super inchaço, nem conseguia enxergar com o olho direito. As coisas foram piorando, como: fazer cortes nos pulsos e jogar sal e pimenta, prender nossa respiração em um saco até cuspirmos sangue, dar choque nas partes intimas, colocar uma mascara de oxigênio (mas no lugar de oxigênio foi colocado gás carbônico), entre outras torturas que não me lembro, pois as torturas foram seguidas e depois dessas, eu comecei a desmaiar nas torturas. A única coisa de que me lembro era do Major falando "Cadê suas piadas agora?".

Minha memória mais próxima desde a tortura foi de água com sal sendo jogada nos meus ferimentos. Procurei Karmedis na sala em que estava, mas nada dele por perto. Quem estava falando comigo era um guarda, a voz dele estava limpa aos meus ouvidos, mas eu não conseguiria raciocinar o que ele dizia. Os segundos foram passando e fui recobrando a consciência e fui entendendo de que o soldado falava e era algo como mudar para o lado deles e a cada vez que eu negava me juntar a eles eu tomava um murro com soco-inglês em um lugar aleatório do corpo. As coisas continuaram assim até que o soldado me perguntou de novo se eu mudaria para o lado deles e eu falei que ele estava perguntando para o cara errado, pois do jeito que ele batia ele nem estava tentando me machucar direito. Ele ficou furioso e pegou um alicate, mas na hora que iria cortar os dedos do meu pé direito, o Major abriu a porta e falou que Karmedis já teria falado, não pude acreditar. O soldado que me batia pegou a arma e bateu no meu rosto, o que me fez desmaiar de novo.

Acordei em uma sala com várias pessoas, deveriam ser todas tripulantes do navio. Rolei no chão, atordoado, e tentei me levantar, até que um homem viu meu esforço e me ajudou, mas não disse nada e nem fez alguma expressão facial, só me ajudou. Levantei e olhei que todos olhavam para um holograma de um palestrante, o mesmo palestrante do exercito e que falava as mesmas coisas. Procurei identificar quantos guardas tinham no recinto e e aonde eram as saídas, achei apenas dois guardas e estavam guardando a única porta que tinha no galpão. Fui me aproximando dos guardas, mas de um jeito sorrateiro, até que um braço segurou meu braço firmemente e quando eu olhei para o rosto encontrei uma garota muito bonita, era a Lun. Balencei a cabeça negativamente com o rosto muito sério e fiz sinal para que ela ficasse quieta. Ela compreendeu e deixou-me ir.

Quando cheguei perto dos guardas eles pereberam que eu vinha na direção deles, então tive que mudar de estratégia, me aproximei e pedi para usar o banheiro. Um dos guardas olhou feio e falou que ninguém poderia sair até a palestra terminar, eu retruquei falando que tinha problema na bexiga e o outro deu risada e falou que eu viraria chacota na frente de todos, então falei que soltaria minha urina no pé dos guardas, eles riram e duvidaram. Foi nesse momento que remexi no elásticos de minhas calças, quando os guardas arregalaram os olhos olhando para minhas mãos (provavelmente não acreditando em minha atitude) levantei minha mão direita rápido o suficiente para um soco em um dos guardas e com a esquerda acertei o outro, afundei o joelho nas costelas do guarda da direita, senti as costelas se partindo e meu joelho entrando baço a dentro, e no guarrda da esquerda dei uma cotovelada seguindo um soco, quando ele caiu no chão só torci o pescoço. Troquei de roupa com o guarda e abri a porta com um cartão que tinha no bolso de um deles.

Ao abrir a porta um guarda me perguntou se tinha alguma coisa de errado, mas antes de ele falar mais qualquer coisa atirei na barriga dele. Como estava na última sala de um corredor, segui o corredor até chegar na parte onde tinha mais três caminhos para eu seguir e eu resolvi seguir em frente. Vi uma porta diferente de todas por onde passei e resolvi abri-lá e vi o Major quieto remexendo em algumas papeladas.

Major- O que você quer soldado?

Claud- Senhor encontrei três soldados mortos.

Major- Aonde?

Claud- Senhor, o certo é falar "onde"? "Aonde" se usa quando algo está se encaminhando a algum lugar e "onde" se usa quando...

Major- Basta! Você está tirando com a minha cara, soldado? Está me fazendo de idiota, soldado?

Claud- Desculpa, senhor. Mas acho...

Major- Cale a boca soldado. Você não tem que achar nada! Agora me responda. Onde você encontrou os três guardas mortos?

Claud- Dois dentro de onde os tripulantes estão e o outro do lado de fora.

Major- Só pode ser o militar que torturamos. Como era mesmo o nome dele?

Claud- Clauder.

Major- Clauder, isso mesmo. Mas como você sabe?

Foi nesse momento que levantei a arma e apontei para a cara do Major e apertei o gatilho mirando na cabeça.