Vitaliis - Introdução
8 Capítulo VIII
Capítulo VIII
Ruiv- Como é que é soldado? Você tem certeza do que disso?
Claud- Nunca vimos nada parecido e tão evoluído quanto o ser humano.
Ruiv- Descreva-os.
Karm- Cerca de um metro e oitenta centímetros, esverdeados, esqueleto interno, portando lanças com pontas de madeira afiadas, quatro dedos mais o polegar opositor, os pés são idênticos ao ser humano.
Claud- Resumindo as diferenças. Eles são verdes e primitivos.
Ruiv- Como é que é? Verdes?
Claud- Senhor, eles estão nos encarando. Podemos revidar?
Ruiv- Revidar? Você falou que eles só estão...
Claud- Eles estão vindo com as lanças. Todo mundo em posição.
Ruiv- Mas o que está acontecendo? (Barulho de tiros sendo disparadas ao fundo).
Alter- Retirada?
Ruiv- Ainda não. Organize a retirada, vai para o VAPE avisa o Thor e avisa a Linter, enquanto eu vou atrás dos rapazes.
Alter- Linter para o VAPE. Agora vem comigo.
Linter- Por quê?
Alter- Te explico no caminho.
Ruiv- Estou indo de encontro aos rapazes. Vejo-te no VAPE.
Ruivan saiu correndo em disparada na direção contraria do Alter e da Linter. Depois de cruzar uma parte da floresta totalmente misteriosa o barulho dos tiros já estava claro e alto. Mais alguns metros e já poderia ver tudo o que se passava.
Enquanto Ruivan vinha ver como estava nossa situação na nova terra. Eu vou dizer o que se passou depois da nossa transmissão cortada.
Desliguei o rádio e levantei minha arma e dei dois disparos na altura do peito, como percebi que eles eram seres primitivos e o encéfalo do ser humano, assim como eles deveriam ser, não é usado completamente da sua capacidade. Por isso eu preferi atirar no coração, pois assim não teria a distribuição do sangue (ou o que quer que eles tenham).
Após os disparos o que vinha em nossa direção tombou no mesmo momento no chão, sem aparentar vida. Os outros pareceram surpresos com a tecnologia que nossa espécie tinha, pois todos nos observaram que carregávamos o objeto que fez um deles morrer instantaneamente.
Claud- Se eles fossem parecidos conosco, eles teriam corrido ao avistar uma arma superior e inimaginável.
Box- É mesmo. Por que eles não estão correndo?
Volu- Eles estão nos encarando. E parecem que estão fazendo careta.
Claud- Acho que eles vão vir.
Karm- Preparar armas.
Começamos a atirar neles e eles não tinham muita resistência às balas, que por incrível que parecesse as balas eram todas tranquilizantes. Após os cientistas estudarem detalhadamente os corpos desses seres, quando levamos os espécimes foi constatado que a pele era finíssima, portanto as balas eram passadas através dos órgãos e rasgava tudo internamente.
Esse novo espécime era diferente, porque enquanto mais matávamos, mais apareciam. E todos queriam nos matar, eles vinham com uma expressão raivosa e decidida. Eles mal conseguiam se aproximar, porque as armas davam conta de todos, nós tínhamos a tecnologia a nosso favor e eles tinham o lugar e o tamanho numérico. Após muitos estarem no chão, eles nos cercaram, mas não vieram ao nosso encontro, só ficaram nos encarando esperando nossa reação.
Volu- Será que desistiram?
Karm- Dificilmente. Estão esperando nossa próxima reação.
Nós tentávamos compreender o que se passava na cabeça deles e eles na nossa. Foi quando um deles largou sua lança e rugiu, após essa reação todos largaram seguindo o suposto líder.
Karm- Eles já não estão tendo chance com as lanças, por que então resolveram largar?
Claud- Eles quer que larguemos a nossa e o encaremos com os punhos.
Box- eu estou dentro. – Box largou a arma e pegou suas luvas do bolso e as vestiu – Qual é gente? Nós treinamos combate corpo-a-corpo pra que? E sem falar que isso não está tendo graça nenhuma.
Karm- Não sei. Isso não está me cheirando bem.
Volu- É mesmo. Eles nem aguentam tranquilizantes e usam lanças, duvido que eles saibam combate corpo-a-corpo. – Volu e os gêmeos largaram as armas e se preparam para a luta.
Karm- Se eles não sabem combate corpo-a-corpo, como elegeram um líder?
Claud- É mesmo.
Volu- Às vezes ele não é um líder, só deu a ideia após observar o massacre e viu as possibilidades.
Claud- Ou o líder é o que tem o encéfalo mais desenvolvido. Ou aparenta ser o mais forte. – Eu resolvi encarar os humanoides com as mãos e guardei minha arma na cintura e peguei uma espécie de luva de couro que eu comprara fazia pouco tempo e que estava ansioso para estreiar.
Karm- Ainda não tenho certeza sobre essa ideia. Mas se é pra morrer vamos morrer lutando.
Karmedis guardou sua arma e cerrou os punhos. As brincadeiras, diálogos, as duvidas, pensamentos, e tudo o que podia tirar nossa concentração foi encerrado. Agora só pensávamos em nossos próximos movimentos e em todas as possibilidades. De repente o líder deles urrou e todos nós acenamos afirmativamente com a cabeça e eles vieram pra cima.
Eu esperei os esperei até ter um alcance perfeito. O primeiro veio sem preparo algum para contra atacar. Veio correndo para me agarrar, eu só desviei o tronco na diagonal e o acertei um soco nas costelas, que o fez cair desfalecido. No segundo já não tive tempo para pensar, ele veio com um soco no lado direito da minha face e eu só fui para trás chutando o seu abdômen, ele se curvou e eu o acertei com a parte de trás do meu punho, fechado, no crânio. Depois que o segundo caiu fiquei cercado deles, então mal pensei e comecei a acertar socos em quem via primeiro. Um soco direto no rosto do terceiro, que vinha da minha esquerda. Quebrei o joelho do quarto com um chute. Desviei de um soco e contra ataquei o atacante com uma cotovelada no tórax, que afundou com o impacto, e acertei um soco de esquerda no rosto do meu adversário.
Mas eu não percebi que um tinha passado pelas minhas costas. Ele me agarrou na cintura e tentou me levantar, mas ele não tinha força o suficiente, então resolveu me segurar para os outros se aproveitar da situação. Por instinto agarrei as mãos do humanoide e tentei tirá-las da minha cintura, mas ao perceber que não iria ter sucesso resolvi usar outro método. Dei uma cotovelada em sua face, que o fez afrouxar os braços, mas não o bastante para eu ter força para separá-los de minha cintura. Quando me preparava para o próximo golpe no rosto do meu adversário, chegou outro humanoide me acertando um soco fraco, porém desconcertante em meu rosto, fiquei confuso por algum tempo. E lembrei que já fazia algum tempo que não levava um soco, o ultimo tinha sido na luta contra Box. E perdi a paciência, porque estava intrigado. “Como poderia ter levado um soco de uma espécie tão fraca em combate?”. Seguido do soco no rosto levei outro soco, mas dessa vez na altura do estomago. Sem pensar minha mão se fechou e acertei um cruzado de esquerda no queixo do agressor que tinha me acertado dois golpes. Dei mais uma cotovelada no humanoide que me segurava pela cintura, que dessa vez não aguentou e me largou. Quando vi que tinha recuado dei um “coice” no humanoide que tinha me segurado pela cintura. E parti para cima do agressor, não quis mais nem saber dos outros ao redor. Preparei a guarda em forma de boxeador e comecei um ritmo aleatório e acelerado em minha cabeça, para puxar uma inspiração e um ritmo adequado de luta.
O humanoide que me acertou duas vezes parecia uma espécie de guarda, pois levantou rapidamente e já estava com uma posição de luta igual a minha. Ele parecia que observava meus movimentos e tentava copiá-los para aperfeiçoar os seus.
Fiquei impressionado com sua postura idêntica a minha, e isso só me deixou com mais vontade de aniquilá-lo. Após me preparar para o combate com o indivíduo copiador ouvi tiros. Olhei para o lado e vi o comandante Ruivan segurando sua arma e apontando para os humanoides.
Ruiv- O que vocês estão fazendo desarmados? Quando percebi que tinha cessado o barulho de tiros pensei que vocês tinham falecido.
Karm- Comandante. Eles nos desafiaram para um combate corpo-a-corpo e nós aceitamos. Eles largaram as lanças e nós as armas.
Ruiv- Eles falam nossa língua?
Volu- Não, mas se expressam muito bem. Primitivos não, sem tempo para conhecimento.
Ruiv- Em quanto eles estão?
Box- Aproximadamente uns cem.
Ruiv- E vocês acham que irão dar conta de todos num combate corpo-a-corpo?
Box- Quantos cada um já abateu.
Karm- Seis.
Volu- Quatro.
Claud- Cinco.
Box- E eu peguei nove.
Karm- Cadê o Ungia e o Terbatu?
Claud- Qualquer coisa estranha que acontecesse o Terbatu seria encarregado de levar o Ungia até o VAPE.
Ruiv- Então vocês acabaram com quinze a acham que duraram até o final dos cem?
Karm- Eu só falei quantos eu derrotei com as mãos. Com as armas creio que acabamos com uns trinta.
Claud- Quarenta e cinco. Só faltam cinquenta e cinco. Tá fácil. Com o senhor fica mais ainda.
Ruiv- Querem que eu entre nessa? Nunca! Nós temos que recuar com o aparecimento de qualquer espécie desenvolvida que nos ofereça riscos.
Claud- Desculpa comandante, mas eu não acho que não conseguiremos captura-los. Então teremos que mata-los.
Volu- Senhor abaixe a arma. Com os punhos não os machucamos tanto quanto as armas.
Ruiv- Retirada!
Claud- Logo agora que estava ficando bom. Eles estavam realmente sendo inimigos respeitosos.
Quando todos nós fomos em direção ao Comandante e nos equipamos novamente com as armas e começamos a caminhar lentamente em direção à nave o líder deles levantou a postura e urrou novamente. E todos o seguiram em meio ao urro.
Karm- Acho que eles querem mais.
Claud- Ou que ainda não acabou.
Ruiv- Ou só querem demonstrar de quem é o território.
Volu- Faz sentido.
Box- Não é isso não. Eles não pegaram arma alguma e estão vindo em nossa direção. Eles querem mais.
Ruiv- Todos correm quando eu disparar.
Karm- Não. Nós somos soldados. Não podemos deixar o senhor aqui. Ou vamos todos juntos ou não vai ninguém.
Ruiv- Soldado isso é uma ordem.
Claud- E isso não é uma história heroica.
Volu- Comandante, um soldado faz pouca diferença, mas um comandante faz muita diferença. Se alguém se voluntariar para ficar enquanto os outros correm em direção a VAPE tudo bem.
Box- A maior patente é a maior prioridade em uma missão de retirada.
Ruiv- Minha ordem...
Karm- Não vale mais que o código militar. Agora quem fica?
Claud- Eu! Adorei a luta. Quero mais.
Box- Se for assim, também fico.
Volu- Eu adorei a diversão.
Karm- Então façamos o seguinte. Eu escolto o Comandante até a VAPE enquanto vocês os seguram. Quando eu mandar uma mensagem por rádio vocês voltam. Compreenderam?
Volu- Vai ter pouco tempo.
Box- Pra mim é o suficiente.
Claud- Pra mim tudo bem.
Karm- Não quero que ninguém quebre o rádio de propósito, ouviu Clauder?
Claud- Claramente, capitão.
Após o dialogo, Ruivan e Karmedis correram em direção a VAPE e nos deixaram com os humanoides, que repitimos o procedimento de guardar as armas e começar o procedimento para a luta.
Claud- Eu quero aquele ali. – E apontei para o que tinha desferido dois socos em mim.
Box- O líder é meu. Não acabamos nossa luta. – Ele também apontou para o seu adversário preferido.
Volu- E quero o resto. – E apontou para todos.
Nós não sabíamos, mas acabamos de desafiar em particular eles. O meu desafiante e o líder deram um passo à frente, em direção aos seus respectivos adversários. Um terceiro saiu do meio da multidão e foi para frente de Volu. Eles ficaram a nos encarar.
Claud- Acho que o combate é pessoal agora. Um contra um. Até alguém perecer.
Volu- Gostei dessa.
Box- Então eu serei o novo líder deles.
Claud- Ótimo! Não queria que interrompessem minha luta mesmo, mas o problema é que ficará muito fácil. Só contra um não tem graça.
Box- Fale por você mesmo. Eu estou contra o chefe deles.
Volu- E eu vou contra um cara que nunca vi.
Todos os humanoides ao fundo começaram uma sincronia de urros agudos em forma de uma canção que significava algum ritual. Os três à frente tomaram posição de ataque, com exceção do meu que ficava em guarda de luta. Não prestei atenção em meus parceiros, pois não me interessava, o que me interessava mesmo era a minha luta, meu inimigo, minha vida.
Meu inimigo veio em minha direção num ritmo acelerado parecendo que ele teria ouvido uma de minhas músicas. Quando chegou perto o bastante me atacou com um soco na altura do queixo, desviei para trás facilmente e levantei meu pé para acertar seu abdômen. Mas ele foi para trás facilmente se esquivando de meu golpe. Parecia até que ele tinha previsto isso. Eu o tinha subestimado, mas fiquei cego de raiva e resolvi acabar com a vida dele naquele instante. Após chegar perto o suficiente para um chute, assim fiz, um chute certeiro no rosto, o que o fez cambalear para tras e ficar com um joelho apoiado no chão. Eu virei seu ombro e acertei um soco no rosto. Ele caiu no chão, eu montei em cima dele e quando fui desferir meu primeiro golpe a caminho de uma série de golpes no rosto, recebi um soco no abdômen, na boca do estômago e outro soco seguido na cara, que me fez cair no chão e ser montado pelo agressor. Não quis realizar o mesmo golpe que meu agressor, então parei para pensar em algo, quando pensei em tomar impulso com as pernas e jogá-lo por cima de mim recebi um soco no rosto e vários seguidos. Não consegui contar quantos recebia e só pensava em como sairia daquela série de socos, alguma coisa me fez lembrar do treinamento e do meu Capitão dizendo “Vós nunca podeis perder a calma numa luta.”, parei por um minuto e desferi um golpe no ombro esquerdo do agressor, que o fez perder uma potência no soco, então tive mais força e segurança para acertar um soco de esquerda no abdômen, ele parou com os golpes frenéticos e eu pude realizar minha façanha. Com o impulso de minhas pernas ele caiu por cima de mim com a face no chão, eu rolei para o lado me coloquei de pé e agarrei a cintura do adversário e o joguei para o alto, ele caiu e pelos seus movimentos não parecia que estava completamente lúcido. Então eu quis fazer um golpe que tinha uma vez assistido num concurso de luta, que ninguém tinha acreditado em como o lutador tinha acertado o golpe. Agarrei em sua cintura, mas dessa vez invertido, ficando assim a cabeça do humanoide para baixo, e após o levantar com meus braços desferi sua cabeça contra o chão. O choque foi tanto que perdi minha estabilidade e cai no chão. A luta estava ganha. Olhei para meus parceiros e Volu já tinha seu inimigo desacordado, mas Box estava numa luta de socos contra o líder. Pela aparência do líder ele não duraria muito mais tempo naquela luta, pois sua face já estava muito deformada e os hematomas estavam nítidos, não sei nem se eles tinham técnicas para machucados desse nível.
Dito e feito, Box só deu mais um soco e instantaneamente o líder caiu e nem tentou mais se levantar. E passado algum tempo sem a multidão expressar alguma reação, ou de raiva, ou espanto, felicidade ou qualquer uma outra, ouvimos a voz de Karmedis pelo rádio.
Karm- Retornem, agora.
Claud- Tudo bem. Já acabamos o que tínhamos aqui.
Karm- Vocês mataram todos?
Claud- Não, mas ganhamos de “todos” de certa forma. Você olha por si só nas câmeras de segurança. Já estamos indo.
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