Capítulo V

Eu senti algo me levantando, mas estava com tanta dor que eu sabia que iria doer abrir as pálpebras. Então eu ouvi alguém falando “Levanta garoto. Acorda! Já percebi que o exército vai ser divertido para você e pro seu amigo.” Resolvi abrir os olhos para ver quem era a boa alma que tentava me acordar. Quando abri os olhos vi um homem que aparentava ter os seus quarenta anos e estar no auge da forma física. Ele começou a conversar comigo para ver se eu estava consciente.


Ruiv- Eu sou conhecido por Ruivan, esse é meu sobrenome. Todo o sangue no local era seu e do seu amigo? – Eu respondi com um acenei negativamente com a cabeça – Então você também deve ter dado alguns socos neles. Seu amigo está no quarto ao lado. Fique sabendo que nenhum de vocês se machucaram seriamente. Quantos foram pra cima de vocês dois? – Eu fiz o sinal de três com a mão – Eles saíram muito feridos? – Eu respondi positivamente – O cara que estava esticado no chão era seu amigo também?


Claud- Sim.


Ruiv- Então você fala. Aonde esta mais dolorido?


Claud- Aonde tem carne.


Ruiv- Eu percebi que minha equipe faltava dois integrantes. Sabia que eles se encontrariam no hospital. O exército tem dessas coisas. Agora levante-se tenho que reunir minha equipe e falta você e o seu amigo.


Eu levantei com muita dificuldade, mas para demonstrar disposição e presença de espírito, levantei rápido o que piorou o ferimento no abdômen. Fui para o quarto ao lado ver meu parceiro e vi o líder da equipe falando com o Karmedis do mesmo jeito que ele falou comigo. Ele se levantou rápido e seguimos nosso chefe sem falar nada.

Chegando ao nosso alojamento encontramos mais quatro pessoas lá dentro. Tinha um cara vestido de cientista maluco (depois descobri que ele era cientista maluco), uma pesquisadora e dois soldados. Nosso chefe foi para o meio do salão para se apresentar.


Ruiv- Meu nome é Tratsvenco Ruivan. Eu sou o comandante de vocês. Me chamarão ou de Comandante ou de Ruivan. Não admito que dois dos meus soldados apanhem de três soldados. Não importo quanto sejam meus soldados tem que ganhar lutas. Cada soldado meu tem que valer por três soldados. Por meus soldados ter perdido a luta á pouco tempo todos os meus soldados irão dar trinta voltas no campo de treinamento. Após acabarem as voltas terão que limpar todo o alojamento.


Claud- Ele parecia amigável no hospital- Sussurrei para Karmedis.


Ruiv- Eu não aceitarei esse comportamento de novo. Então todos os pagaram isso, não serão só os soldados que ficaram a cargo dessa responsabilidades. O Thor (cientista maluco tinha o sobrenome de Thorliptus, como era difícil de pronunciar todos os chamavam de Thor) terá que fazer três projetos de armas até o domingo.


Thor- Mas hoje é sexta. Não tem como fazer três projetos de armas até domingo. Mesmo que fossem armas primitivas.


Ruiv- Quer fazer quatro? E nossa pesquisadora Linter terá que entregar os relatórios sobre as pesquisas em andamento até quarta.


Linter- O quê? Eu estou pesquisando isso há pelo menos uns dois meses. E você acha que eu posso acabar isso em cinco dias?


Ruiv- Você já teve tempo de sobra pra acabar a pesquisa. Se reclamações chegarem a meus ouvidos você terá que finalizá-lo até segunda e caso segunda já tenha passado terá que ser entregue imediatamente. Agora todos trabalhando.


Já digo de começo que Thor conseguiu fazer os projetos das armas, mas ficaram todos muito primitivos e defeituosos. Coisas que foram concertadas com mais algumas semanas testando e ajustando, no final das contas as armas ficaram ótimas, logicamente que a ideia inicial foi totalmente descartada, o projeto final ficou com poucos detalhes do projeto base. Não foi porque Thor terminou os projetos que o Comandante ficou satisfeito, na verdade, ele ficou muito irritado em ver coisas tão simples “que até crianças tem a imaginação e elementos para desenvolver algo melhor.”, foi com essas palavras que ele finalizou o discurso depois de ter observado os projetos.

Agora já nossa pesquisadora não conseguiu terminar o relatório mesmo não tendo terminado o relatório ela apresentou parte da pesquisa (que fomos descobrir em sua apresentação o que seria). Vou explicar o que seria a pesquisa, ou pelo menos o que nós sabíamos até aquele momento.

Alguns anos atrás uma sonda enviada a Júpiter encontrou um problema no caminho de ida, tinha passado por um campo altamente contaminado de uma composição de gases que era desconhecido. A sonda pegou uma amostra e carregou consigo até em Júpiter fez as pesquisas, relatou, pegou amostras e todos os procedimentos comuns. Na volta encontrou o campo contaminado novamente e parecia ser mais denso do que na viagem de ida, então a sonda pegou mais uma amostra. Ao chegar à estação da Terra foi separada uma equipe extra para fazer testes das amostras do campo de contaminação. A equipe descobriu que o gás não era tóxico e muito menos inflamável, pouco mais denso que a água, não se misturava facilmente com outros elementos, entre outros aspectos. Porém tinha algo muito intrigante naquele gás, em algumas espécies de animais não surtia efeito, em outras determinadas espécies os animais se alteravam ficando mais agressivos, mas na minoria das espécies o gás era absorvido pelo pulmão (ou qualquer órgão respiratório que a espécie utilizava) e travava a rede que mandava para o sangue, traduzindo as espécies ficavam sufocadas e entravam em desespero, o ser humano era uma dessas espécies, mas não chegava a ser tão grave, em poucos segundos ao oxigênio nem tinha indícios de algo estranho no corpo humano. O CAC (campo Altamente Contaminado) não estava mais naquele local. Descobriram também que o gás foi criado através de um meteoro foi contaminado com algum gás semelhante e que ele teria se chocado com outro meteoro que teria passado por outro gás contaminador e ambos os meteoros foram chocados, os gases foram misturados junto com ao material composto no meteoro. As partes sólidas dos meteoros foram dissolvidas pelos gases e alteradas até se encontrarem no gás principal que hoje vem sendo estudado. Um detalhe importante, mesmo os dois gases, que foram colhidos pela sonda, tendo uma composição diferente eles chegaram ao mesmo estado, idênticos, desse gás idêntico foram desenvolvidas as pesquisas. O gás foi nomeado de Vitaliis, porque algum outro ser poderia necessitar dele para sobreviver.

Após Linter explicar tudo isso detalhadamente e com alguns detalhes mais precisos e de forma que levou três horas e meia ela olhou para o Comandante e sabia que levaria uma bronca por não terminar a pesquisa e pra piorar ela explicar sobre assuntos adversos. Porém ele pareceu perplexo, por alguns minutos ele não abriu a boca sem ser para respirar, depois de recobrar a consciência ele correu para a sala onde nós todos nos reuníamos para os momentos de lazer e ligou seu ML (é muito parecido com um notebook, mas com muito mais espaço, muito mais portátil entre outras aperfeiçoações) e começou a fazer uma pesquisa que o desligou da realidade. Quando nós falávamos com ele ou então chamávamos sua atenção ele simplesmente retrucava “Espera, espera, espera. Algo mudou, mudou” num tom suave e sem concentração.

Depois de incessantes noventa minutos ele levantou e gritou que todos nos reuníssemos e que Linter voltasse com sua apresentação para ele fazer algumas perguntas, ele já parecia com nosso Comandante habitual, sua postura, tom de voz, olhares fixos e serenos estavam todos no nosso Comandante astuto, ele estava de volta. Linter voltou em suas pesquisas e retomou de alguns pontos que ele pedia para ela parar e explicar novamente. No final de suas perguntas ele resolveu falar tudo o que ela fez de errado, falou muitos pontos que ela falhou (muitos mesmo) o Comandante parecia que estava sendo mais rigoroso com ela do que com Thor, ele estava descontrolado e furioso. Depois de ele ter falado absurdos e um enorme contexto à ela ele parou por um momento, respirou fundo e disse “Apesar de tudo isso você fez uma incrível descoberta, sua pesquisa entrou em ponto tão delicado que um ano seria pouco para finalizá-la. E você fez mais em dois meses do que vários cientistas em anos. Parabéns.” Depois de dito todos ficaram perplexos, chocados, abalados e confusos. Nem Linter sabia do que tinha feito e nem imaginava o que mudaria a história com essa descoberta. O Comandante começou a explicar que antes de mandar-la pesquisar sobre o Vitaliis ele resolveu fazer a própria pesquisa sobre o gás e em sua pesquisa, que tinha sido realizada a mais de dois meses não encontrava nada de “O gás foi nomeado de Vitaliis, porque algum outro ser poderia necessitar dele para sobreviver.” e sobre “O CAC (campo Altamente Contaminado) não estava mais naquele local.” Então quando ouviu essas duas frases ficou com uma tremenda dúvida por isso tinha ido pesquisar e não encontrou relato algum sobre a o CAC ter sumido. Após explicar que pegou um dos satélites militares e resolver dar uma olhada no local e que o campo não estava mais no local perguntou à Linter como ela tinha descoberto isso, ela simplesmente virou e falou.


Linter- Estou pesquisando algo extraterrestre e queria ter certeza de que era o mesmo material. Mas não o achei na localização em que especificam os relatos. Então resolvi calcular onde ele estava e percebi que ele tinha desaparecido.


Ruiv- Ou ter mudado de lugar.


Linter- É impossível. Eu olhei por toda a rota que Júliter faz. Toda a rotação através do Sol e nada, nada desse gás. Com o próprio telescópio que os militares disponibilizam para os estudantes e não encontrei nem sombra dele.


Thor- Você procurou em Júpiter?


Linter- Não, mas é impossível porque ele estava numa região próxima. Eu analisei esta possibilidade, mas a descartei por não bater com os cálculos de chegar perto o suficiente de Júpiter.


Ruiv- Uma coisa que eu aprendi na minha vida de militar é que: não importa os cálculos na natureza, porque em fenômenos não se calcula nada é tudo a arte do improviso. Então prestem atenção nós teremos uma missão.


Começamos a nos preparar para uma missão que tardaria a chegar. O Comandante Ruivan preparou eu (Clauder), Karmedis, Terbatu e Gin, já que fomos designados soldados, para qualquer inimigo ou perigo que pudesse ocorrer conosco. Nós cinco realizamos muitas simulações em selvas, savanas, desertos, montanhas, guerras, e todas as outras coisas que um soldado deve saber. O Comandante ordenou a Thor que fizesse uma nave que chegasse até Júpiter e voltasse (com a nossa tecnologia e conhecimento não era impossível, mas muito difícil, era como mandar você, meu caro leitor, fazer um carro). E Linter terá que continuar a pesquisa e fazer novas descobertas, Ruivan falou com seus superiores e pediu um satélite para ajudar-lhe em uma pesquisa que poderia ter um grande sucesso. Quando os comandantes falavam com seus superiores para pedir algo em que possibilitaria em um sucesso era certeza de que ele sempre receberia, principalmente porque de todas as vezes que um comandante pediu a ajuda 89% das pesquisas tiveram sucesso. Nós, os soldados, ajudávamos tanto na pesquisa quanto na construção da máquina.

A primeira versão máquina terminou de ser construída depois de oito meses, surgiram três defeitos específicos depois que a testamos. Primeiro ela não tinha muito compartimento para balas, segundo a nave não tinha tanto compartimento para ir e para voltar (mesmo sendo a energia solar ela teria que parar no caminho para recarregar, já que não recarregava em movimento) e o terceiro motivo é que não caberia a equipe e nem teria como armazenar comida por dois meses (nós pensamos que duraria no máximo um mês, mas o Comandante explicou que ficaríamos por lá vários meses se ocorresse algum imprevisto). Nesse momento a pesquisa estava avançada até para os pesquisadores que fizeram essa descoberta. Já tínhamos noção de onde estava a CAC, estava na região Norte de Júpiter e no extremo oeste, de todos os lados no planeta o CAC estava na única região (Nordeste, Noroeste, Sudeste e Sudoeste) que não tinha base ainda, no Noroeste, a base mais próxima era a do Norte e não tinha por obrigação pesquisar a área de Noroeste o que deixava sem ninguém saber o que acontecia lá.

Já na segunda versão da máquina que veio até com nome, VAPE (Veículo Aéreo Para Expedições, já havia várias sondas e naves que tinham essa função, mas esse era feito de uma turma de soldados calouros) ela não apresentava defeitos até que Linter fez um comentário “Eu andei pensando. Será que nós seis caberemos, teremos onde comer, dormir, fazer as necessidades, treinar e todas as outras coisas? Porque vocês sabem que um imprevisto pode nos prender por uns cinco meses.” quando ela falou isso, ou perguntou, ficamos nos olhando e pensando “Fudeu! Teremos que fazer uma nave maior”. O Comandante não tinha tocado no assunto porque queria analisar se alguém teria percebido como não seria tão fácil assim terminar a VAPE.

Mais alguns meses refazendo o VAPE, nós nuca começávamos outro, sempre utilizávamos as peças antigas no novo projeto. Quando terminamos por completo o VAPE já tinham se passado um ano e sete meses. Fizemos vários testes com a VAPE, em todos os locais aonde treinamos, mas agora com nossa nave, o único problema era que não tínhamos uma máquina própria para capturar dejetos ou qualquer outro objeto estranho. Então enquanto Linter finalizava a pesquisa, já que ninguém mais entendia o que ela pesquisava, nós ajudávamos Thor com uma máquina de absorção que não foi muito difícil de fazer. Então quando acabamos tudo já tinham se passado dois anos e dois meses, resolvemos dar um passeio. O Comandante Ruivan avisou os superiores e disse-lhes que construímos tudo do zero, conscientizou-lhes de nossas pretensões e que queríamos fazer uma simulação na Lua e se fosse tudo bem em seguida faríamos em Marte. O único empecilho que eles colocaram em nosso caminho foi que teriam que averiguar o equipamento feito por nós e que se fossem úteis eles fariam cópias, mas isso não duraria nem três semanas.

Nossas invenções foram boas, mas não superou nada que o exército já tinha em seus armazéns.

Começamos a nos preparar para a viagem à Lua. Não tínhamos ideia do que aconteceria, mas todos nós saberíamos que a vagem não teria problema algum, já que não havia vida na Lua. Quer dizer tinha militares e centro de pesquisas nossos, dos seres humanos, lá na Lua, mas não tínhamos encontrado nada de sobrenatural ou alienígena. Nós achamos que eles retiraram suas coisas antes de começarmos a nos instalar. Pegamos pouca munição, já que tínhamos a plena consciência de que não enfrentaríamos nada, mas caso acontecesse um imprevisto teríamos com o que revidar. O nosso sistema foi alterado, agora conseguíamos carregar a nave enquanto estava em movimento e era mais rápido o carregamento, já que tínhamos incrementado na nave novas placas.

No dia em que nos pegávamos e arrumávamos as nossas coisas pessoais e Karmedis e eu não falamos nada durante um longo tempo. Isso era muito estranho, porque mesmo nós convivendo vinte e quatro horas por dia, sempre tínhamos assuntos pendentes ou falávamos de coisas impossíveis. Mas naquele dia não falamos nada por várias horas, nós nos olhávamos e sem assunto. Linter veio ver como estávamos e percebeu que nós não falávamos, mas não parávamos de nos olhar. Então ela tentou quebrar o gelo e começar a nos descontrair, porque pelo menos eu estava super tenso.


Linter- O que vocês estão pegando?


Karm- Qual quer coisa que vale a pena levar.


Claud- Ou que tenha algum valor sentimental


Linter- Vocês têm sentimentos?


Claud- Principalmente o ódio.


Karm- Nossa que garota mais nervosa.


Claud- Vai se ferrar.


Linter- O que vocês iram levar que tem valor sentimental?


Karm- Não tenho sentimentos em uma missão.


Claud- Muito bom Capitão Neltro. Eu estou levando a minha primeira arma construída por mim mesmo e também levando a foto da árvore que criava enquanto morava sozinho. Lembrando dos velhos tempos.


Linter- Quem é o Capitão Neltro?


Karm- Nosso Capitão do estágio. Ele não falava, ele filosofava. E tinha uma ordem perfeita em seu falar.


Claud- Perfeito? Perfeito era inaceitável para ele.


Linter- Ele era tão perfeccionista assim?


Karm- Um pouco mais que isso, mas se não fosse ele...


Claud- Eu não estaria aqui hoje.


Linter- Ele salvou sua vida no passado?


Claud- Não, mas mudou o futuro dela?


Linter- Por quê?


Claud- Porque eu queria ser botânico, mas passei no exame militar, conheci essa coisa aqui e fiz meu primeiro amigo. E ele despertou minha paixão por matar pessoas.


Karm- Acho que seria o ódio então.


Claud- Eu acho que seria feliz na minha outra profissão, mas nessa eu me realizei.


Karm- Nossa! Queria ser botânica, agora esta falando em se realizar. Quando vai virar dona de casa?


Claud- Quando arranjar um marido que preste.


Karm- Linda.


Claud- Não tenta que você não faz meu tipo. Somos amigos de mais para isso.


Linter- Vocês dois também não prestam. Era melhor ficarem quietos como antes.



Gin- Vamos garotas.


Karm- Ele tem chance?


Linter- Cala a boca vocês e vamos logo.