Vitae

2 Capítulo Final


Notas iniciais
Obrigada, desde já!!

POV BUTCH

VISHOUS!!! – Berro em desespero total.

Perdi o chão, meu mundo se quebrou, se fragmentou em milhares de pedaços, a Terra ficou sem oxigênio suficiente, meu coração batia mais pesado e mais rápido, o tempo parou e naqueles instantes e nos seguintes só havia eu e Vishous ali, mais ninguém, somente eu e meu melhor amigo, que acabara de ser alvejado no peito.

— NÃÃÃO, NÃO, NÃO, NÃO...

Corro em disparada na direção dele, parece que ele está à quilômetros de mim, que eu nunca vou chegar até ele.

Caio de joelhos para segurá-lo na mesma posição que a minha, o seguro pelos ombros, sua cabeça está pendida para frente, só consigo olhar para aqueles cabelos escuros feito a noite, sem ter visão de seu rosto.

Graças a Deus, consigo ouvir sua respiração, ela está fraca, superficial, quase inaudível, mas ele está respirando, Meu Irmão, Melhor Amigo e Amante está vivo e isso é tudo o que importa.

— V-Vishous? – Chamo-o com a voz trêmula e ele não emite sinal algum.

Olho para baixo, para averiguar o seu corpo, seus braços estão caídos ao lado de seu corpo — Céus!!— o osso de seu antebraço direito está exposto, toda a área está roxa e avermelhada, inchada e sangrando, o braço todo está tremendo levemente.

— Hey, Vishous... – Chamo-o novamente e ele mantém o silêncio.

Quero olhar naqueles lindos olhos e ver o que sempre vejo quando ele se fere. Todas as vezes que ele é atacado em campo, ele pode estar sentindo a dor que for, ele abre aqueles olhos em algum momento, procura pelos meus e eles me passam força, me passam a força que eu perdi ao vê-lo ferido, seja quando for, como for. Sempre olho no fundo de seus diamantes e Vishous praticamente me diz por meio deles: “Relaxe, tira. Vai ficar tudo bem, vou sair dessa, sempre saio, não é?! Vai dar tudo certo, confie em mim, lembra?! Agora, se acalme, pode voltar a respirar, Trayhner” e toda vez depois disso, seguro sua mão e fico com ela em minhas mãos por um bom tempo.

Eu preciso olhar em seus olhos, preciso da força que eles me passam. Porém se eu soltar de seu ombro para levantar o seu rosto acho que ele vai cair, creio que sou a única coisa que o está sustentando nessa posição, então solto de seu ombro direito e o seguro por debaixo da axila, com a minha mão direita seguro seu queixo e levanto.

Vishous... – sussurro, não conseguindo conter um leve sorriso por ele estar consciente, porém respirando com muita dificuldade, seus olhos estão semicerrados, ele não está me olhando. Há sangue escorrendo pelo seu nariz. – Vishous, Meu Irmão, olha pra mim. – Nada. Minha visão fica turva e percebo que meus olhos estão lacrimejando.

Por favor, V. – Imploro e agora desejo nunca ter lhe pedido tal coisa. Ele abriu um pouco mais as pálpebras, tremendo-as bastante e fixou seu olhar nos meus olhos. Mas tenho certeza que ele não me olha, não é ele me olhando, os seus olhos estão vazios, não há dor, medo, raiva, preocupação, desespero, nem mesmo a desolação de antes e muito menos a força que eu tanto procurava. Isso é um olhar vazio, não frio, como o de costume. Vishous não é vazio, bem pelo contrário, ele tem tantos, mas tantos sentimentos e emoções que até não sabe lidar com todos eles, e era por causa de todos essas emoções que ele fazia aquelas coisas sadomasoquistas e também por conta delas, que muitas vezes, ele ia pra rua apanhar dos redutores. V. geralmente fica à beira de explodir e ele faz o que tem de fazer para extravasar.

— Vai ficar tudo bem V., eu estou aqui com você, – Me aproximo dele e o abraço, apoiando a sua cabeça no meu ombro, aproveito a posição e ponho uma mão em suas costas, no local onde a bala entrou, tapando a ferida o máximo que eu consigo com a minha mão e fazendo pressão em seu peito com o meu próprio para tentar estancar o sangramento – e não vou sair do teu lado, Trayhner!

Não conseguindo e não querendo me conter, coloco minha mão direita na parte de trás de sua cabeça com a intenção de acariciá-lo por dentre aquelas mechas negras, elas estão molhadas, faço carinho ali e ele geme, mas é um gemido de dor, franzindo a testa percebo que além de molhados, os fios de seu cabelo também estão “quentes” e então afasto a mão para olhá-la.

— Não, não, oh não, Deus, por favor, não, não pode ser! – Mudo ele de posição, fazendo com que ele fique deitado de costas, viro sua cabeça bem para o lado – Santa Maria Mãe de Deus – tem um buraco do tamanho de uma azeitona em seu crânio!

— Butch! Como ele está? – Phury pergunta quando se ajoelha ao lado de V., colocando ambas as mãos em seu peito para tentar diminuir a hemorragia – Merda, acho que pode ter atravessado um pulmão!

— Phury, – digo tremendo – a cabeça dele...

— PORRA – ele me olha e olho para ele com os olhos embargados e arregalados e de repente V. começa a gemer e a tossir sangue, me aproximo dele virando sua cabeça ao máximo para o lado, para que ele não se engasgue no próprio vomito. – Ele está com febre.

Abaixo minha cabeça até quase encostar em seu rosto, estou gentilmente tirando o cabelo suado de sua testa, puxando-os para trás.

— V... – estou segurando seu rosto com ambas as mãos.

Ele rola os olhos para trás e Phury coloca os dedos no pescoço dele.

— A pulsação dele está caindo, Butch!!

— NÃO!

— Nós estamos perdendo ele, merda – Phury fica sobre V., fazendo várias coisas com suas mãos, não sou capaz de assimilar o que ele está fazendo.

Aproximo meu rosto ao de V, polegadas de distância.

— Vishous, não desista! Fique, você precisa ficar, você não pode me abandonar, não, não pode, eu preciso de você, por favor...

Olho para ele desesperado, ainda estou fazendo carinho em sua cabeça, passando meus dedos pelos seus fios negros.

— Estou aqui Trayhner, sempre com você. – Ele está me olhando, seus olhos quase não aguentam ficar abertos, as pálpebras tremendo e se fechando, pesadas.

— Por favor não me abandone, eu imploro...

Escuto Phury gritando por sobre o ombro:

— Z. precisamos do Escalade, precisamos levar V. para o Havers AGORA!

Vishous tosse mais um pouco de sangue.

­— Eu preciso de você em minha vida, nallum. – Ele está pálido como um maldito fantasma.

A essa altura estamos sobre uma poça de sangue, vermelho escuro e espesso, a fonte de vida, que mantém tanto a Vishous como a mim vivos, escorrendo por dentre meus dedos, sem poder fazer nada enquanto observo meu universo morrer em meus braços.

— Ele não consegue respirar Butch!! – Phury está quase tão desesperado quanto eu.

As lágrimas já estão rolando pelo meu rosto há algum tempo.

Deposito um beijo casto em seus lábios.

— Vishous, LUTE!! Por mim, por nós!! – Por fim, os lindos olhos cristalinos de V., se fecham.

— ELE ESTÁ SEM PULSO!!! – Phury diz exasperado, com sua voz rouca.

Seu rosto escorrega de minhas mãos, quando seu corpo fica, enfim, mole, sem vida, assim como tudo dentro de mim.

Finis Coronat Opus

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