Vitória...
1 Just One Shot.... Again...
Notas iniciais
Vivia em uma casa. A casa era branca de tábuas.
A menina tinha uma lâmina. Da lâmina, sangue saia.
E disso ninguém sabia.
Um rosto emoldurado por um cabelo preto, olhos verdes, um sorriso falso estampado no rosto de porcelana.
Seus pulsos eram negros e cheios de cortes...
Mas ninguém se preocupava em perguntar.
Sua barriga era riscada. Sua perna esquerda, marcada.
E quando caçoavam dela, por usar moletons grandes e calças compridas, ela usava a lâmina.
Eu tinha dó dela.
Uma menina, tão bonita, tão querida, tão sofrida.
Mas o que eu podia fazer pra ajuda-la?
Eu sentia dor de olhar pra ela.
Ela me fazia doer.
Caminhava com o olhar no chão.
Pouco focada.
Sem tabu, sem nada.
Um dia eu vi ela, de camiseta curta. Puxaram a blusa dela no corredor. Ela saiu em disparada.
E eu sentindo pena. Ninguém viu a visão que eu vi. Ninguém viu o pulso dela. E na mão, uma lâmina de apontador.
Naquele dia, eu resolvi ir falar com ela.
Eu realmente achava ela bonita.
Por dentro, devastada.
Andei até o corredor.
Eu ouvia o choro dela no banheiro.
Eu sentia sua lâmina contra a pele.
Eu não queria isso.
Entrei no banheiro feminino.
Fui chutando todas as portas.
Até que eu achei ela. O braço sangrando.
-Não –Sibilei, tarde demais, a lâmina talhou profundo no braço dela.
Ela queria morrer. Mas será que morreria se soubesse que alguém amava ela?
Abracei-a e ninei-a. Ela estava em prantos. Seu sangue manchou minhas roupas.
Ela morreu nos meus braços.
Eu chorando por ela.
E ela morrendo por eles.
Eu não cheguei a falar com ela.
Mas eu sabia seu nome: Vitória. Irônico, pra uma garota que perdeu na vida.
Naqueles minutos seguintes, eu não me importei com mais nada.
O banheiro estava vazio. A porta escancarada.
Eu beijei sua testa. Abaixei seus olhos e ninei-a para eternidade.
Horas se passaram, até que alguém me achou.
Eu deitado no chão do banheiro feminino, sangue seco por todo lado, se tornando pegajoso.
Eu estava em choque. A menina que nos viu gritou.
Minutos depois eu estava agachado no corredor, segurando uma lâmina.
A mesma que tirou a vida dela.
Eu me tranquei no banheiro masculino. Lavei minhas roupas, meu corpo e meu cabelo.
A lâmina eu lavei também. Mas o sangue insistiu em ficar.
Eu pensei se não foi assim que começou com ela... Vendo o cadáver de alguém, sangue quente nas roupas dela...
Fiz meu primeiro corte. O primeiro de muitos. Eu sou igual a ela. Meu nome é Vitor.
Notas finais
Original Annita, Annie ou Anna Luiza.
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