Visões

30 XXX. O Fim


Notas iniciais
Heey Leitores! ^-^ Aqui está o último capítulo da história. Espero que gostem... Ah! E, como previsto, o capítulo saiu um pouco maior que os demais

Lion a abraçou forte ao vê-la pronunciar aquelas palavras tão cruéis para ambos. Fitou a adaga que ela segurava e se perguntou como ela conseguiu trazer aquilo para o mundo real. Era algo praticamente impossível, mas não era algo ruim.

Ele a soltou enxugando suas lágrimas com os polegares. A menina a fitava aterrorizada, mas sentia que não era dele que ela temia. Desceu sua mão até a cicatriz que ele deixara há pouco tempo.

– Eu pude ver, também. – Lion murmurou.

– O que? – Ela perguntou.

– Quando bebi seu sangue. – Disse sentindo as palavras pesarem. – Pude ver o ritual. Você estava no chão e Demian pronunciava umas palavras que não pude compreender. Tentei impedi-lo, mas não consegui. – Sentiu os olhos enxerem-se de água. – Mas, acho que sei como impedi-lo agora. – Terminou levando seus olhos para a adaga que Lexie conseguira trazer de sua visão.

Lexie acompanhou seu olhar, avistando a adaga que conseguira trazer.

– Você acha que isso significa alguma coisa? – Perguntou voltando o olhar para ele.

– Não temos nada a perder. – Murmurou.

~

Faltava pouco tempo para a Lua de Sangue subir ao céu. Luk estava em seu quarto, pensando nos preparativos. Olhou para fora da janela. Estaria ele pronto para o ritual? Bateram na porta.

– Entre. – Disse em tom frio.

– O demônio lhe chama. – Disse um undead.

Luk assentiu, vendo o guarda dar-lhe as costas. Correu silenciosamente e enfiou uma adaga em suas costas, atingindo o coração do rapaz. Não pôde nem agonizar antes de sua morte. Luk o arrastou para dentro de seu quarto, vendo o rapaz ficar cada vez mais velho.

– Obrigado por avisar. – Murmurou com um sorriso de canto.

O jovem saiu de seu quarto, trancando a porta. Dirigiu-se até a sala onde Demian sempre o chamava e abriu a porta.

Demian o encarou.

– Aonde está o guarda que mandei lhe buscar? – Perguntou.

– O dispensei. – Disse com desdém. – Sei vir até aqui sozinho.

Demian assentiu lentamente e prosseguiu:

– Quero que esteja pronto para o ritual. – Falou.

– Já estou pronto. – Respondeu. – Diria que até um pouco ansioso.

– Isso é bom. – Falou sem dar importância.

– Era apenas para isso, que o demônio me chamou? – Perguntou Luk.

– Na verdade, sim. – Murmurou. – Só quero que tudo dê certo.

– Todos queremos, pai. – Falou.

Demian o encarou e abriu um sorriso quase invisível.

– Pode se retirar. – Respondeu-o.

Luk assentiu e saiu da sala, fechando a porta logo após. Ao invés de voltar para seu quarto, fez um caminho diferente. Andava até o calabouço da mansão.

– O que o filho do demônio faz por aqui? – Perguntou um dos guardas do calabouço.

– Venho sob ordens de Demian. – Falou firmemente.

– O demônio deu-nos ordens bem claras, que não permite a sua entrada no calabouço. – Falou o outro.

Luk encarou ambos. Fingiu virar para ir embora, observando se tinha alguma testemunha ali presente, provavelmente todos estariam se preparando para o ritual. Num ato rápido, Luk virou-se novamente para os guardas e, com a adaga que tinha em mãos, acertou o coração de um. Antes que o outro pudesse, ao menos, gritar por socorro, Luk abafara sua boca com o braço, sentindo o rapaz morder com força.

– Red Ferrum. – Murmurou as palavras, que significavam: adaga vermelha, com os cinco dedos pressionando o tórax do rapaz.

De repente, uma adaga vermelha saiu da palma da mão do jovem, atravessando o tórax do guarda e atingindo seu coração. Ao afastar a mão dele, a adaga sumira e o corpo do guarda caia frouxo no chão.

Luk retirou sua adaga que fincara no peito do outro vampiro e a guardou. Arrastou o corpo dos dois para dentro do calabouço e fechou a porta do mesmo. Pegou o punhado de chaves que abriam as celas de um dos guardas e dirigiu-se a uma cela específica.

Ali estava seu corpo verdadeiro, intacto. O corpo de Jason estava deitado na cela cujo chão era frio. Luk destrancou a cela e colocou a chave da cela no bolso de Jason, caso quando voltasse para aquele corpo a cela estivesse trancada. Saiu dali e encostou o portão. Olhou para os guardas caídos mortos no chão e cuspiu no chão, debochando. Retirou-se do calabouço e fechou a porta.

– Quase tudo pronto, pai. – Murmurou para si mesmo.

~

Três homens se encontravam presentes na sala de Demian.

– Mande chamar todos. – Demian ordenou a um de seus seguidores. – Quero todos reunidos no salão em cinco minutos.

O jovem assentiu e retirou-se da sala de Demian.

– Você... – Apontou para um dos vampiros. – Vá buscar Luk. E você... – Apontou para o outro. – Traga o oráculo e Lion. Não esqueça de entregar-lhes os trajes. – Terminou entregando duas capas com capuz.

Ambos saíram de sua sala.

Voltou a olhar para a janela. A Lua de Sangue já subia no céu, a hora estava chegando.

~

– Acalme-se.... Dará tudo certo. – Murmurou à Alexia.

– E se não der, Lion? – Perguntou.

Quando Lion ia responde-la, um guarda adentrou o quarto abruptamente.

– Espero que estejam prontos. – Murmurou ele.

Alexia encarou Lion, com medo.

– Vistam isso. – Falou novamente o vampiro, jogando as vestimentas no chão do quarto.

O rapaz fechou a porta. Lion pegou-as do chão. Era uma capa marrom escura e outra branca. Na branca tinha um bilhete escrito “oráculo”.

– Este é seu. – Falou entregando a capa para Alexia.

A jovem pegou a capa e a esticou. Lion vestiu-se depressa, enquanto Alexia colocava sua capa branca e cobria a cabeça com o capuz.

Lion aproximou-se dela e a abraçou. Olhou em seus olhos e entregou-lhe a adaga que Lexie havia trazido de sua visão. A jovem segurou a adaga firmemente e a guardou no bolso de sua calça.

– Adeus... – Sussurrou.

– Não gosto de despedidas. – Sussurrou de volta.

– Eu também não... – Falou abrindo um sorriso falso, para acalma-lo.

Lion beijou os lábios da menina de forma calma e triste. Aquilo poderia ser um beijo de despedida, pelo menos servia como um. Ela afastou-se rapidamente, enxugando as lágrimas que ameaçaram a cair. Respirou fundo e andou até a cômoda do quarto. Dali tirou a adaga negra de Lion e o entregou.

– Proteja-se. – Ela murmurou, vendo Lion guardar a adaga.

– Vocês já estão prontos? – O guarda adentrou o quarto, fazendo-os afastarem-se rapidamente.

Ambos assentiram.

Lion colocou seu capuz e atribuiu a cara fria que sempre teve. Saiu do quarto sem olhar para trás. Alexia fez o mesmo e foi empurrada pelo corredor enquanto Lion a observava por trás.

Ao saírem do corredor, viram o pátio completamente cheio. No andar de cima estava Demian, seguindo o oráculo com os olhos. O guarda empurra o oráculo até as escadas que levavam a Demian. Lion fora parado antes das escadas e ficara sob olhar de outro guarda.

Alexia subia as escadas com a cabeça baixa, nem se quer olhava para as pessoas que acompanhavam-na com o olhar.

– Espero que esteja pronta, oráculo. – Debochou o guarda que a guiava.

Demian dispensou o guarda quando finalmente a menina estava sob sua guarda. O demônio a mostrou de frente para todos e baixou seu capuz.

– Aqui está o oráculo. – Disse em alto e bom tom. – É este ser que nos dará o privilégio de viver por mais tempo e com mais força.

“– Socorro! – Uma mulher gritava. – Me ajudem! ”

Viu a menina da visão novamente. Seu coração apertou e pôde ouvir murmúrios vindos do salão. Não importava. Morreria com a honra de seus antepassados.

“Alexia sentiu como se olhasse para um espelho, pois uma garota um tanto quanto mais jovem que ela, era bem parecida com seus traços. Olhos azuis tão claros como a cor das estrelas e cabelo tão escuro quanto a escuridão. A menina estava com os pulsos amarrados com cordas grossas e era arrastada por cavaleiros que andavam a cavalo. ”

A visão voltara. Sacudiu a cabeça discretamente e voltou a encarar o chão.

– Chegou a hora. – Murmurou Demian no ouvido dela.

Antes de prosseguirem o caminho. Demian mandou vários vampiros na frente, para verificar o local.

~

– Vamos. – Disse o líder do pequeno grupo que Demian enviou antes de prosseguir.

Todos andavam olhando ao redor, prontos para a morte súbita ou para prosseguirem seus caminhos. O líder observou um movimento estranho e mandou dois homens para o local. Ali estava um darkangel. Ouviu um grunhido e logo seus homens voltaram.

– Não deve ter apenas um deles. Vasculhem todo o local, principalmente próximo de onde será o ritual. – Deu as ordens. – Não quero que o demônio seja interrompido durante o sacrifício do oráculo.

No total, eram cinquenta homens. Dividiram-se em cinco grupos e foram procurar por mais darkanegls, limpando a área.

~

– Darc, eles já mataram, pelo menos, sete de nossos homens. – Murmurou um darkangel num galho de uma árvore. – Temos que recuar.

– Não sairemos daqui sem o oráculo vivo em mãos. – Murmurou com os olhos fixos no movimento em baixo, onde passavam dez undeads. Eles não poderiam mata-los tantos de uma única vez.

Ambos viram o grupo de undeads distanciarem-se.

– Não vou arriscar mais minha vida nisso, ou de qualquer outra pessoa. – Falou encarando Darc. O velho, finalmente, fixou o olhar no vampiro. – Não importa o que será de minha vida quando tudo isso acabar, mas não serei um suicida pelo seu egoísmo.

– Egoísmo meu? – Perguntou Darc sarcasticamente.

– Sim. Egoísmo seu. – Afirmou. – Está arriscando a vida de muitos, por um simples oráculo? Você sabe que se ela morrer hoje, nascerá outro em seu lugar. Você pensa apenas em si! Você quer morrer, Darc! Eu e os outros não! – Cuspiu as palavras.

– Você não sabe o que é viver por tanto tempo como eu. Pode ser um vampiro, mas tem a opção da morte. Eu sou um ancião: um ser amaldiçoado com a própria vida. Não é qualquer um que pode me matar, só o oráculo pode! – Disse num tom mais alto.

O vampiro desviou o olhar e prosseguiu:

– Você ficou obcecado com essa história de querer morrer. Está louco, fora de si! – Murmurou, num tom triste. – Estou quebrando meu juramento com você. Vou embora, talvez voltar para o acampamento e, se estiver vivo e voltar para a caverna, dou minha palavra, que morrerei como um traidor. Deixarei você me matar.

– Vá! – Disse em tom baixo. – Vá e leve todos que queiram viver com você. Diga a Cate que está tudo bem e não a deixe vir para cá, diga a ela que eu voltarei, mesmo que isso não aconteça.

O vampiro o encarou uma última vez e deu-lhe as costas, procurando pelos outros. Quando encontrou um, fez sinal com as mãos, cujo era um código para todos encontrarem-se. Em poucos segundos, a maioria dos homens aparecem.

– Onde estão os outros? – Perguntou aquele que conversava com Darc.

– Ou estão mortos, ou se mataram. – Respondeu outro.

– Aconteceu algo grave? Darc está bem? – Perguntou o rapaz ao seu lado.

– Darc está completamente fora de si. – Disse. – Tomei a liberdade de reuni-los aqui, para dar a opção de sobreviverem. Venham comigo.

– Mas e Darc?

– Ele tomou sua decisão. Pediu para que eu levasse todos que quisessem viver comigo. – Murmurou de cabisbaixa. – Se ele voltar para o nosso acampamento, entregarei minha vida à ele, como um traidor.

Todos entreolharam-se. Um rapaz levantou a mão.

– Quero viver. – Disse.

Em seguida outro também levantou. Mais outro. Logo, um de cada vez levantava a mão, sabendo do fardo que carregariam.

– Tudo bem... Vamos para casa. – Falou.

Todos começaram a correr para o norte, onde localizava-se a caverna onde estava abrigado o resto dos darkangels.

~

– Cate? – Alguém a chamou.

– Sim?

– Tem homens vindo em nossa direção. – A mulher disse.

– Chegou a hora de lutar. – Murmurou para si mesma. Levantou-se e encarou todos. – Temos homens vindo atrás de nós! – Gritou Cate, passando a informação. – Provavelmente são undeads, então preparem-se para o que virá!

A jovem líder voltou o olhar para frente, escutando passos vindos de árvores. Observou o topo das árvores, a procura de algum movimento. A escuridão da noite era iluminada pela luz vermelha e intensa da Lua de Sangue. Semicerrou os olhos, notando um movimento no alto.

– Eles estão aqui! – Gritou um homem lá de cima.

– Preparem-se. – Cate murmurou segurando sua adaga firmemente. – Desça para termos uma luta justa! – Gritou ela.

Um dos homens desceu. Seus olhos eram dourados como os dela.

– Recuar! – Cate gritou a ordem.

– Luta? – Ele perguntou com um sorriso no rosto.

Logo depois, o restante dos homens que acompanhavam Darc desceram das árvores. Uns foram diretamente para seus parceiros e amigos.

– O que vocês fazem aqui? Onde está Darc? – Ela perguntou ao rapaz.

– Darc nos mandou voltar, para ajudá-la a proteger o acampamento... – Mentiu. – O que vocês vieram fazer aqui?

– Iriamos dar uma segunda força para Darc, um ataque surpresa. – Disse com desdém. – Mas vejo que Darc deu novas ordens. Vamos voltar?

O rapaz assentiu.

~

Ainda na mansão, Demian esperava as notícias de seus guardas. O oráculo sentava num banco ao seu lado. Podia vê-la temer e isso o deixava mais ansioso para o ritual. Lentamente, um undead aproxima-se e diz:

– Os guardas efetuaram o serviço com sucesso. Está tudo limpo.

Demian o dispensou e lançou um olhar para o oráculo, que entrelaçava os dedos de todas as formas possíveis.

– Chegou a sua hora. – Disse Demian num ar vitorioso.

Demian desceu as escadas, segurando o braço do oráculo de um modo que ela não pudesse fugir. O demônio ia na frente, saindo da mansão. Atrás dele, Luk, Lion e um guarda, os seguiam, com uma longa fila única trás.

Alexia observava todo o caminho e sentia seu coração acelerar. Era uma trilha muito parecida com o caminho de pedra de sua visão que a levara para o ritual de outro oráculo. Podia ouvir apenas a sua respiração e tudo ao redor era lento. Para onde olhava seus olhos embaçavam levemente. Ouviu também seus batimentos cardíacos, estavam num ritmo estranho, às vezes muito rápido e às vezes muito lento. Por dentro da capa que lhe cobria o corpo, alisou a adaga lentamente, de modo que quase não fizesse um movimento.

Algo a sua frente chamou-lhe a atenção. Havia um perfeito pentágono desenhado no chão com pedras. Demian a empurrou para dentro do pentágono e, antes que pudesse pensar em fugir, um grande círculo se formava em volta deles. Demian estava logo a sua frente, Luk posicionou-se em uma ponta do pentágono e o demônio em outra. Procurou com olhos rápidos por Lion. O encontrou na primeira fileira, como se estivesse assistindo àquilo tudo num camarote.

– Deite-se. – Demian disse com a voz mais grossa e sombria que o normal.

Alexia não ousou encara-lo e fez o que Demian ordenou. Deitou-se lentamente sob as pedras que lhe macucavam as costas. Olhou para cima, sentia a Lua Vermelha observa-la com sede de morte. Talvez fosse sua imaginação, mas isso não importava. Sentiu lágrimas escorrerem de seus olhos sem que pudesse nota-las. Seu coração batia mais forte, podia escuta-lo.

Demian começara a dizer algumas palavras. Pareciam ser orações aos seus ancestrais. A menina estremeceu com a pronuncia dos nomes dos demônios que antecederam, até ouvir o nome Jason.

Luk parecia estar mexendo em algo dentro de sua capa, mas não interessava. Demian prosseguia com as palavras e com uma adaga enfeitada com pedras vermelhas vibrantes, cortou a palma da mão, num formato triangular. Era o símbolo do Diabo.

“Adeus Diann”, disse a menina a seu anjo, fechando os olhos.

Demian levantou a adaga com a mão ensanguentada. A adaga lhe acertaria em cheio. Jogou a adaga, mas algo a impediu de acertar-lhe o coração do oráculo. Um barulho de metal.

Abra os olhos!

A jovem fez o que o anjo pediu e ao seu lado, encontrava-se a adaga de Demian. Tinha feito um corte não muito fundo em sua maça do rosto. Mais ao lado uma adagada prata estava caída.

Levante-se! Rápido!

Alexia levantou-se e de repente um homem apareceu a sua frente. Arregalou os olhos. Era Darc.

– Fuja Alexia! – Ele gritou.

Demian encarou o velho. E, num golpe rápido, o nocauteou, fazendo-o cair no chão. Sua hora, finalmente, havia chegado. Demian pegou a adaga prata e fincou fundo no peitoral de Darc. O demônio fuzilou o oráculo com os olhos. Alexia olhou ao seu redor, havia uma abertura naquele círculo perfeito. Demian tentou puxá-la, mas Lion o segurou por trás.

Alexia viu a oportunidade e começou a correr para fora do círculo. Empurrou com força alguns undeads que tentavam cerca-la e conseguiu fugir.

Demian deu uma cotovelada no estomago de Lion, fazendo-o cair, contorcendo-se.

– Deixem o oráculo comigo! – Gritou Demian.

O demônio começou a correr, uma fúria inimaginável fluía de si. Então lembrou-se da primeira vez que perseguiu o oráculo, logo após ter matado seus pais. Era isso que ela queria?

~

Alexia corria o mais rápido que pudesse. Lágrimas saiam de seu rosto descontroladamente, mal podia enxergar o que tinha em sua frente. Darc havia morrido, mas ele não poderia. Ele é o ancião. Lembrou-se quando ouvirá alguém falar perto da cabana onde estava “aprisionada” pelos darkangels que só um oráculo poderia matar o ancião. Foi o que ela fizera?

Entre pensamentos, a menina acabou pisando na capa que usava e caiu. Livrou-se da mesma rapidamente e voltou a correr.

“O que está acontecendo? ”

Não importa, apenas continue correndo, Demian está atrás de você.

“Não sei por quanto tempo aguentarei. ”

– Alexia! – Ouviu a voz grave de Demian. – Posso sentir o cheiro do seu medo.

Fuja!

Lexie continuou correndo. Tirou a adaga idêntica à de Demian de seu bolso, segurando-a firme.

– Você não conseguirá fugir de mim Alexia, assim como seus pais e Jason não conseguiram! – Gritou ferozmente.

Seu coração parou por alguns segundos, mas logo voltou. Bateu-lhe saudades, cuja teve de esmaga-la naquele exato momento. Ele só estava tentando enfraquece-la e sabia disso.

~

No meio da confusão no local onde seria realizado o ritual, Luk dirigiu-se a Lion.

– Venha. – Murmurou o filho do demônio.

– O que? – Lion perguntou confuso.

– Droga! Levante-se Lion! – Luk disse colocando um dos braços do homem em volta de seu pescoço.

Luk começou a correr de volta para a mansão o mais rápido que podia. Ao chegarem, Luk soltou Lion e fechou as portas.

– O que está fazendo? – Perguntou Lion, conseguindo ficar de pé novamente. – Por que está me ajudando?

– Por que Darc teve que fazer isso? Ele estragou tudo! – Murmurava o jovem rapaz.

Lion o encarou e aproximou-se dele rapidamente, apontando sua adaga negra para o menino.

– Por que está contra os undeads? – Perguntou furioso.

Luk o empurrou para longe.

– Temos que ir logo! Lexie está em perigo! – Luk afirmou como resposta.

Como o filho do demônio sabia o nome do oráculo? O próprio Demian mal a chamava assim para não manter laços entre si. A não ser ele e Darc, apenas Jason chamava o oráculo de Lexie.

Viu Luk correr para o calabouço e o seguiu. Ele parou de frente para a cela de Alexia, encarando o corpo de alguém que Lion não conseguia identificar por causa da luz.

– Libertum! – Falou.

Abruptamente o corpo de Luk cai frouxo no chão, como se estivesse morto.

– Mas que...

Olhou para a cela e viu o corpo cujo não sabia de quem era levantar-se e destrancar a cela. O rapaz pisou com força no peitoral de Luk e aproximou-se de Lion.

– Ja... Jason?! – Lion chamou-o pelo nome.

– Vamos, não temos tempo! – Respondeu ele.

Jason saiu correndo do calabouço e Lion o seguiu. Ele estava indo diretamente para o pentágono. Ali murmurou algumas palavras em outra língua, fazendo com que todos os undeads presentes ali caíssem no chão. Depois prosseguiu seu caminho atrás de Demian.

~

“Eu não consigo mais... Não posso continuar. ”

É a sua vida que está em jogo, Alexia! O destino lhe deu uma oportunidade de fugir, você se entregará assim?

– Eu não consigo... – Murmurou encostada numa árvore.

– Te achei, Alexia. – Disse Demian há poucos metros de distância.

– Não posso continuar. – Murmurou.

Alexia apontou a adaga de sua visão para o peito.

Alexia, não!

– Eu vou acabar com isso logo... – Disse chorando. – Isso vai passar, vou encontrar com Jannie... Max... – Falou entre soluços. – Quem sabe não encontre Jason?

Por favor...

Demian aproximou-se da menina. Encarando a adaga que ela segurava. Pensou em como havia conseguido aquela adaga, mas logo desviou seus pensamentos par aum único foco. O oráculo.

– Não tem mais por onde fugir, oráculo. – Disse encarando-a de frente, mas ainda dando um espaço entre a jovem e ele.

Lion aparece na frente de Demian abruptamente.

– Não se eu impedi-lo. – Disse num tom firme e confiante.

– Lion... – Ela murmurou, sentindo um fio de esperança voltar ao seu coração.

Demian deu uma risada macabra e disse:

– Você está enganado, Lion.... – Suspirou e prosseguiu: — Apenas um demônio...

– Consegue matar outro. – Alguém terminou a frase e lançou uma adaga em suas costas.

O demônio grunhiu de dor e voltou seu olhar para o rapaz que o acertara. Era Jason. Mas ele tinha o matado! Como poderia ser? Demian abriu um sorriso irônico e disse:

– Então você é o demônio que fugiu com o oráculo. – Demian falou tirando a adaga de suas costas e a jogando no chão. – Então, o Diabo o deixou viver como punição? Ele sabia que deixa-lo vivo só aumentaria o fardo que carrega. O oráculo que amava morreu por sua culpa, estou errado?

Lion encarava a cena com curiosidade e receio, enquanto Alexia escutava o que acontecia, ainda atrás de dele.

– Só tenho uma dúvida... Como conseguiu sobreviver ao meu ataque? – Perguntou Demian. – Pelo que eu saiba, apenas um demônio consegue matar outro.

– Demônios não têm coração. – Jason pronunciou as palavras com sarcasmo.

Alexia conseguiu ver Demian planejando algo. Ele mexia uma adaga atrás de suas costas com frequências e com sua outra mão, também atrás de si fazia uns movimentos estranhos. Poderia estar encantando a adaga? A menina empurrou Lion para o lado e gritou:

– Demian!

O demônio virou-se para ela, vendo seu ataque. A menina fincara a adaga com pedras vermelhas encravadas em si no peito de Demian e, sem deixar despercebido, Demian a atacou com a adaga encantada, que a atingiu próximo do coração.

Demian sentiu a dor consumir seu corpo por completo. Mas como o oráculo poderia mata-lo? A adaga. Era igual à sua, sem alguma mínima diferença. Ele caiu e sentiu sua alma lhe deixando. Demian já não estava mais vivo.

– Alexia! – Lion e Jason chamaram-na em uníssono.

A menina caiu nos braços de Lion, ainda respirava com dificuldade. Ela tirou a adaga de seu peito lentamente, gritando com a dor. Soltou a adaga no chão, vendo Jason aproximar-se.

– Eu... Eu pensei que estivesse morto... – Disse num tom quase inaudível.

– Por que fez isso? – Jason perguntou.

– Ele... Te mataria.... – Disse entre soluços e falta de ar.

– Fique calma... – Lion murmurou. – Você ficará bem.

– Não... Não me dê esperanças... – Sussurrou cada vez mais fraca. – Eu... Eu te amo... Lion...

Alexia...

“Adeus Diann... ”

~

Jason e Lion olhavam a menina cujo olhos azuis intensos, ficaram opacos. Lion, beijou seus lábios e então veio-lhe a cabeça, quando bebeu seu sangue. E se.... Ele pudesse sugar o encantamento de seu corpo? Era arriscado, ele sabia, o mesmo poderia morrer com o mesmo encantamento, mas se cuspisse o sangue...

Lion a deitou rapidamente no chão e fincou seus caninos pontiagudos no pescoço da menina. Jason o olhou confuso. O vampiro sugou o sangue da menina, esforçou-se para não o engolir e cuspiu no chão.

– Lion pare! – Jason alertou-o. – Você poderá matá-la por falta de sangue!

– Você tem uma sugestão melhor?

Lion prosseguiu, sugando o sangue da menina e o cuspindo no chão. Fez isso várias vezes. Suas esperanças estavam acabando, sentiu lágrimas em seus olhos, decidiu que não a deixaria ir assim.

– Lion... Pare. – Jason murmurou, sentindo uma pontada de dor. – Acabou...

– Não... – Murmurou para si mesmo.

~

Anos após tal acontecimento, o corpo do oráculo fora trancado num quarto da antiga mansão dos undeads. Estava ali como um símbolo de coragem e todos os dias, os darkangels passavam por ali, fazendo preces para a alma do oráculo.

Darc fora enterrado logo após convocarem todo o acampamento que estava abrigado na caverna para a mansão. Os homens que deixaram Darc naquela noite, iam todos os dias pedir perdão e dar os parabéns ao corpo morto do velho. Ele finalmente estaria feliz como nunca esteve antes. Conseguira seu objetivo. Morrer.

Não havia nenhuma ameaça dos undeads, os que Jason adormecera na noite da Lua de Sangue, foram convertidos para darkangels, aprendendo a controlarem sua sede. Eles não tiveram muita opção, pois se quebrassem alguma regra a respeito de sua nova vida, seriam mortos. Muitos preferiram fugir, mas Lion e Jason os caçaram, matando-os. Não tinha ninguém, especificamente, no comando do clã. Havia apenas os que as pessoas mais confiavam que eram Lion e Jason.

Cate ajudava com todos na mansão. Fazia um pouco de tudo: buscava suprimentos, ficava de guarda – para o caso de algum vampiro novato virar undead –, ajudava Jason e Lion a procurar novos anciões, demônios e oráculos.

Curiosamente, não ouviram falar de nenhum índice da reencarnação de um novo oráculo. Já havia encontrado um ancião e matado um demônio. Ambos muito jovens e inimigos desde cedo. Mas não havia um sinal do oráculo.

– Lion! – Cate chamou gritando, adentrando o refeitório. – Jason!

Todos os darkangels estavam ali e, consequentemente, todos olharam para a menina que abrira a porta de modo estranho. Alguma coisa estava acontecendo.

Jason e Lion levantaram-se de seus lugares, encarando a jovem.

– Há algo de errado? – Perguntou Jason.

– Venham comigo, rápido! – A menina falou com os olhos arregalados.

Cate saiu do refeitório correndo, fazendo com que Jason e Lion corresse também, para alcança-la. Ambos estavam confusos. Ela estava os levando para um corredor que ambos evitavam. No fim do corredor, onde estava o corpo de Alexia, podia se ouvir batidas.

– Lion? Jason? – Cate os chamou, fazendo-os apreçarem os passos.

– Mas como isso é possível? – Perguntou Jason.

– Isso justifica não termos encontrado nenhum oráculo nesses últimos anos. – Murmurou Lion.

– Lion? Jason? – A menina os chamava dali de dentro e tentava abrir a porta. – Por que me trancaram aqui?

Os três se entreolharam. Jason apontou a fechadura com a cabeça para Lion, pois ele tinha ficado com a chave. Lion tirou um colar negro com uma chave pendurada de dentro da camiseta. Tirou o colar e colocou a chave na fechadura, destrancando a porta. Ao abri-la, Alexia estava completamente intacta. Não havia um único indício de ferimento em seu peito.

Os três encararam a jovem, olhando-os.

– Eu tive uma visão. – Lexie afirmou.

Notas finais
O que acharam da história em si? Gostaram do final? Não? O que você esperariam que acontecesse? Contem-me, please! :3 E mais uma vez, estou aqui para divulgar minha nova fanfic: -----> http://fanfiction.com.br/historia/505194/4Ever/