Visões
14 XIV. Novos planos
Notas iniciais
– O que? – Indagou Jason enquanto tentava armazenar a informação que Darc falara. – Você só pode estar louco!
– Não acho uma má ideia treiná-la para quando o pior vier. – Murmurou calmamente.
– Lion vai matá-la! – Disse aumentando seu tom de voz.
– Veremos. – Disse como fim da conversa.
– Darc...
– Já tomei minha decisão, Jason. Por favor, retire-se. – Murmurou encarando o rapaz.
– Eu não acho isso certo. – Murmurou antes de sair da cabana.
Ao sair deu de cara com Lion, provavelmente estava a caminho da cabana dele. Jason o fuzilou com o olhar, apenas não sentia que esta estratégia de Darc daria realmente certo. Lion não demonstrou preocupação com ele, o ignorou e desviou o caminho.
Jason voltou para sua cabana e viu a garota o encarando desesperadamente. Ela parecia preocupada.
– O que aconteceu? – Perguntou.
– Demian... – Ela sussurrou como se aquele nome fosse uma praga.
– Você teve outra visão? – Perguntou adentrando a cabana e fechando a entrada da mesma. – O que ele planeja?
– Ele está juntando aliados. – Disse com a voz tensa.
– Aliados? – Jason perguntou para si mesmo. – Mas ele já tem uma grande quantidade de aliados, porque desejaria mais?
A menina ficou muda por uns segundos. Seus olhos encheram-se de medo. Ele aproximou-se dela e lentamente Lexie respondeu:
– Será um... Ataque em... – Ela engoliu em seco. – Massa. – Sua voz falhou na última palavra.
– Droga. – Jason murmurou.
Alexia o encarava como se ele soubesse o que fazer, mas ele parecia mais perdido que ela. Um ataque em massa acabaria com todos eles. Não sobraria um Darkangel e o oráculo seria dos Undeads.
– Venha. – Ele murmurou.
Pegou a mão da garota e a levou para a cabana de Darc, antes de adentrar a cabana, fez um sinal para que Cate e Lion viessem também.
Darc olhou surpreso, vendo a figura da garota incrivelmente pálida junto ao Jason. Seus olhos a examinaram por alguns segundos e logo em seguida Cate e Lion adentraram a cabana. Cate parecia confusa, afinal, eles não tinham uma reunião de urgência há um bom tempo.
– Diga a eles. – Jason soltou a mão dela e deu um pequeno impulso para que ela fosse mais para frente de Darc.
Alexia sentia-se desconfortável falando na frente de todos, mas não queria ir com o demônio. Engoliu em seco, baixou a cabeça e falou as palavras o mais detalhadamente que pôde:
– Eu tive... Uma visão. – Respirou fundo deixando a frase suspensa no ar e sentindo a atenção de todos sobre ela. – Demian está procurando mais aliados... Ele pretende atacar os Darkangels em massa... – Engoliu um nó na garganta e soltou a última frase: — Não poderemos sobreviver com esse ataque.
Darc estava totalmente pasmo e o clima ficou tenso dentro da cabana. Lion estreitou os olhos, tentando lembrar os contatos de Demian. Jason continuava com a mesma expressão perdida. Cate arregalava os olhos, nunca sentiu-se tão ameaçada do que naquele momento.
– Temos que fugir. – Disse Cate.
– Não conseguiremos. – Lion acrescentou. – Demian com certeza já colocou seu plano em ação, provavelmente, este acampamento deve estar rodeado com alguns de seus novos aliados, justamente para não fugirmos.
– Temos que reagir com a mesma força. – Murmurou Darc ainda tenso. – Jason e Lion, vocês vão levar Alexia para um lugar seguro, aproveite para formar mais aliados. – Ele estreitou os olhos.
– Darc, não podemos simplesmente formar aliados. – Indagou Jason.
– Peguem as pessoas mais fracas, as que estão morando em ruas, seremos mais discretos se fizermos desta forma. – Murmurou. – Cate você e mais dez dos nossos vão para o sul pedir ajuda. Demian tem os contatos deles, mas eu também tenho os meus. – Darc disse passando rapidamente endereços e nomes para Cate e para Jason.
– Enquanto a você? – Perguntou Alexia.
– Eu ficarei bem minha jovem. – Murmurou abrindo um sorriso de lado. – Não importa o que você ver, não tente fugir.
Alexia assentiu como se aquilo fosse uma ordem. Os outros guardiões do acampamento fizeram o mesmo e saíram da cabana junto com ela.
– Vamos precisar de suplementos. – Murmurou Lion.
~
Já era noite quando Lion, Jason e Alexia saíam da floresta pelo norte. Ela bem conhecia aqueles caminhos. Já havia os feito várias vezes para tentar chegar em casa e já tentara fugir da morte também.
Ainda no trajeto, Lion e Jason permaneciam calados e armados com adagas afiadas. Ela não tinha nada em mãos, temia se tentassem leva-la de um modo silencioso e não doloroso, mas sentia que podia confiar neles.
Não tema minha querida. Ouvira novamente a voz da mulher que dizia ser seu anjo.
De repente, ouviu passos. Levou seu olhar para trás temendo o que estaria por vir. Lion e Jason fizeram o mesmo, estavam preparados para o que viesse.
Dois homens surgiram de trás de alguns arbustos altos. Um incrivelmente alto e magro, sua pele pálida mais parecia mármore, o outro era alto, mas não tanto quanto seu parceiro. Ambos tinham cabelos escuros e olhos avermelhados. Eles também estavam armados.
– Acho que tivemos sorte Dan. – Murmurou o mais alto.
– Olha que coincidência...? Lion! – Dan falou com certo humor.
Lion os cumprimentou com um olhar gélido. Um deles riu da situação, eles tiraram as armas lentamente, sem preocupar-se com o inimigo e colocaram-se em posição.
– Bom, Demian deu instruções de pegar o oráculo e, se encontrássemos você, simplesmente o matamos. – O mais alto murmurou sombrio.
– Não garanto que vocês terão essa sorte. – Murmurou Lion de volta, o olhar estava mais avermelhado do que antes, parecia instinto de matar.
O mais alto, deu um passo à frente e tentou um ataque pelo lado esquerdo, provocando um corte raso em seu casaco. Lion acertou o rosto do rapaz com a mão direita encarando-o friamente enquanto ele cuspia as palavras:
– Você nos traiu Lion. – Cuspiu no chão.
– Demian foi quem me traiu. – Murmurou tirando a adaga do cinto de sua calça.
Enquanto isso, Dan rapidamente apareceu por trás da garota. Sua velocidade era incrivelmente grande, ela mal podia acompanhar seus passos com os olhos. Jason pegou uma de suas adagas e atirou no rapaz que segurava Alexia, a adaga raspou no rosto dela, que tentava se soltar, e fincou no ombro dele. Ele a soltou e Lexie caiu no chão com os olhos arregalados. Jason avançou para cima dele, socando seu nariz e retirando a adaga rapidamente do ombro do rapaz. Segurou-a com firmeza e a fincou novamente em seu coração.
O rapaz voltou a seu normal, parecia mais bronzeado agora e sua aparência mudava, ele ficava cada vez mais velho.
Lion, do outro lado acabara de cortar a cabeça do amigo, vendo a aparência do inimigo mudar constantemente.
Ambos se entreolharam. Alexia não ousou olhá-los de forma alguma, não sabia se aquilo faria com que ela confiasse neles ou se teria medo até conseguir ficar só novamente. Mas ela achava a ideia de ter que escolher entre assassinos e a morte súbita era um tanto quanto perigoso.
Seus olhos estavam virados para o chão, ela não queria ver a cena deixada por seus guardiões.
– Você está bem? – Jason perguntou aproximando-se dela.
Ela assentiu lentamente e ainda assim não sabia se fugir era a melhor escolha. Ousou fitar o homem caído mais a sua frente. Analisou o corpo rapidamente e notou que não havia uma gota de sangue derramada por nenhum canto.
Jason a ajudou a ficar de pé e ficou de frente para ela. Alexia continuava com a cabeça baixa, não conseguiria olhá-los nos olhos nunca mais. Jason levantou o rosto da garota com uma das mãos e viu o leve corte em sua bochecha.
– Desculpe-me. – Murmurou.
Ele levou seu olhar para Lion, que continuava com cara de assassino. Lion, por sua vez, notou que Jason estava insinuando que ele seria fraco demais para segurar-se e, em vez de se distanciar, aproximou-se dos dois.
– Não foi algo grave. – Disse analisando o ferimento. – Podemos continuar.
Uma fina linha vermelha mostrava-se presente no rosto dela. Alexia colocou a mão em cima do corte, pressionando-o e sentiu uma pontada de dor, mas limitou-se a demonstrar qualquer vestígio da dor. Esfregou a mão em sua jaqueta e voltou a baixar a cabeça.
Não tema...
Jason voltou a andar, dessa vez deixando Alexia sempre a sua visão. Lion também não saia de perto dela, para melhor ataque, caso precisasse.
Lexie não aguentava de tanta pergunta. Por que aqueles homens não tinham sangue? Por que ao morrerem, ficaram velhos? Essas eram as principais delas. Novamente aquele súbito silêncio, mas ela não ousara abrir a boca uma só vez.
Mais à frente, uma casa. Parecia estar abandonada. Ela estreitou os olhos para tentar enxerga-la melhor. Não era uma casa qualquer... Era a casa de Max. Engoliu em seco ao ver faixas pretas e amarelas em volta da casa inteira. Sentiu lágrimas escorrendo por seu rosto novamente, lembrando daquela noite sombria que levara a vida das pessoas mais importantes da vida dela.
Tentou conter as lágrimas quando Lion aproximara dela, mas não conseguiu. Ele olhou para onde a garota olhava e sua boca transformou-se numa linha fina. Ele a encarou e disse:
– Se você quiser, podemos passar longe daqui.
Jason aproximou e encarou a casa, logo seu olhar foi para a garota, esperando a resposta.
– Não. – Sussurrou. – Eu preciso me despedir...
(Continua...)
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