Visões
12 XII. Assassinatos
Notas iniciais
– Alexia... – Uma voz grossa e temerosa vinha de fora de seu quarto.
Lexie levantou-se abruptamente ao ouvir batidas fortes na porta.
– Quem está aí? – Perguntou temendo a resposta.
Silêncio. A menina olhou fixamente para a porta e desceu seus olhos para o minúsculo vão que encontrava-se com o chão. Dali de baixo, uma sombra estranha adentrava o quarto. Alexia encolheu-se na cama vendo a mesma sombra aproximar-se dela.
“Ele está onde as sombras estão, ele é mais obscuro do que pensa.”, lembrou do que Jason falara na tarde anterior. Demian!
~
Toc, toc, toc...
– Alexia, levante-se temos que ir. – Jannie falava do outro lado da porta.
“Só um pesadelo, era só um pesadelo.” pensou com ela mesma, acalmando-se.
– Já estou saindo mãe. – Murmurou cansada.
Alexia levantou-se da cama, passou as mãos no rosto, dispersando o sono, colocou seu tênis e abriu a porta. Jannie ainda estava ali, parada em frente a porta. Parecia pálida, mas ignorou esse fato, talvez tivesse tido uma péssima noite dormindo no sofá da sala.
– Eu lhe falei que já estava indo, não precisava esperar aqui. – Falou, Alexia emburrada.
Jannie não fez nada, continuou parada a fitando. Alexia estranhou-a e aproximou-se dela, percebendo que ela estava muito pálida, parecia morta. Olhou para a janela de seu quarto, percebendo que ainda era madrugada e que chovia. O que Jannie estaria fazendo no seu quarto a tal hora da manhã?
– Por que me acordou cedo? – Perguntou voltando seu olhar para sua mãe.
– Disse que sairíamos pela manhã, não? – Falou abrindo um sorriso.
Alexia revirou os olhos e desceu as escadas, Jannie a seguiu.
– Onde está Max? – Perguntou. – Quero me despedir.
– Anh...
Alexia adentrou a cozinha e ele não estava lá. Notou que a gaveta de talheres estava aberta e faltava uma das facas de cortar carne. O coração de Lexie disparou. Saiu da cozinha e encarou Jannie. Ela parecia não saber de nada, o que a deixou calma, mas ainda desconfiada.
– Eu... Eu esqueci minhas malas lá no quarto. – Falou.
– Eu já as peguei, estão todas no carro. – Disse Jannie com um sorriso maligno no rosto.
– Hm. Acho que deixei uma coisa no banheiro, me espere aqui. – Falou novamente.
Jannie assentiu com a cabeça. Alexia subiu as escadas rapidamente e adentrou o quarto do pai. No chão, manchas de sangue e na cama o próprio Max deitado, com várias facadas e a arma do crime ao lado. Lágrimas caíram descontroladamente do rosto da garota.
– Pai! – Gritou aproximando-se do pai morto.
Logo troveja forte. A luz do raio mostrou a cena com mais detalhes, havia pegadas meio desfocadas e quando olhou para a porta Jannie aparecera ali, com um sorriso assassino.
– Meu Deus! O que você fez?! – Gritou.
Alexia, corre. É Demian!
Alexia ignorou completamente o comentário, estava perplexa vendo o que sua mãe fizera com Max. Lexie correu até a porta e a trancou.
– Alexia, temos que ir filha. – Falou calmamente tentando abrir a porta.
Alexia encolheu-se na cama, junto ao corpo do pai. Mais um trovão mostrando uma sombra estranha adentrando o quarto de Max. Alexia pegou a faca que Jannie usara para matar seu pai.
Alexia, fuja! É Demian!
“Ele está onde as sombras estão, ele é mais obscuro do que pensa”. Demian! Meu Deus! Meu pesadelo está tornando-se real.
Aos poucos, a figura de Demian apareceu a frente da porta. Ele estava longe. Trovejou mais uma vez, mostrando o rosto de Demian. Cabelos escuros e pele branca.
– Demian?! – Gritou perplexa.
Ele gargalhou sinistramente e disse:
– Agora, o oráculo não me escapa.
Ele começou a aproximar-se cada vez mais de Lexie, com passos curtos e lentos. Notou que ele movia-se com dificuldade e lembrou do corte que Jason fizera em sua cintura.
Fuja, Alexia! Pela janela! Você ficará bem!
Alexia olhou para a faca em sua mão e depois para Demian. Não pensou duas vezes e jogou a faca no inimigo, pegando seu ombro de mal jeito. Demian murmurou com a dor e tirou a faca dali, jogando-a no chão. Continuou aproximando-se dela. Alexia, por sua vez, saiu da cama do pai e foi até a janela, tentou destranca-la com dificuldade. Estava emperrada. Olhou por cima do ombro, Demian estava perto agora.
– Posso sentir o cheiro do seu medo. – Murmurou.
– Abre! Droga! – Gritou de pavor a garota.
Quando conseguiu jogou-se dali de cima sem pensar duas vezes. Ela caiu em cima de uns arbustos, mas acabou torcendo o tornozelo. Mesmo assim tentou correr o máximo possível para fugir da morte.
Demian a observava da janela do quarto de Max com desprezo. Ainda tentaria apanha-la. Pulou da janela e caiu em pé. Começou a andar com passos compridos até ela.
Alexia já dentro da floresta, não aguentava mais correr. Resolveu esconder-se em algum lugar ali. Ficou atrás de uma árvore.
– Ainda sinto o cheiro de seu medo. – Murmurou Demian próximo aonde estava ela.
O que ela faria agora? Correr? Parecia impossível, seu tornozelo doía muito. Se ficasse ali para ver, morreria. A chuva batia contra sua pele enquanto pensava em algo. Lembrou de quando vira Jason fazendo flechas. Ela abaixou-se e pegou dois galhos. Começou raspar um na ponta do outro. Não estava dando em nada, tinha que ser uma faca. Jogou os dois galhos no chão e começou a correr para outro tronco. Ali tinha uma garrafa de cerveja quebrada. Pegou um dos cacos, o mais pontudo e acabou cortando a mão com ele.
– Ah... – Murmurou de dor.
– Te achei. – Falou Demian sombrio.
Demain foi mais para perto do tronco onde se localizava Alexia.
Ele está encostado no mesmo tronco que ela. Abruptamente apareceu ao lado dela, assustando-a. Ele segurou o pulso esquerdo da garota, onde havia seu corte, enquanto a garota fincava o caco de vidro na mão dele, fazendo-o solta-la no mesmo instante. Demian murmurou com a dor, novamente.
Corre Alexia, não falta muito...
Foi o que ela fez, começou a correr o mais rápido que podia, tentando ignorar o tornozelo torcido. As gotas da chuva batia contra seu rosto. Ela chorava enquanto corria, ela queria ter uma última chance de conversar com seus pais. Agora estavam mortos.
– Volte Alexia! – Chamou Demian, fazendo-a lembrar o que Max dissera quando ela saiu da casa depois da briga dele e de Jannie.
A garota apertou os olhos com força e ignorou o chamado de Demian. Mais afrente viu uma lamparina acesa. Os Darkangels! Deu uma olhadela para trás, vendo que Demian já não estava mais a seguindo.
– Um invasor! – Pronunciou alguém de cima de uma árvore.
O mesmo desceu e deu de cara com a garota amedrontada. Alexia observou o rosto de Lion e o abraçou ainda tremula. Ele, sentindo-se estranho, retribuiu o abraço, aconchegando-a em seus braços, enquanto ela chorava.
(Continua...)
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