Visita Inesperada (Wolfstar)
1 Capítulo único.
Notas iniciais
O celular tocou.
Mensagem de Sirius.
SIRIUS
O que você tá fazendo? Tá em casa?
REMUS
Sim, tô vendo TV. E você?
A resposta veio quase imediatamente.
SIRIUS
Então desce. Tô aqui embaixo, na portaria do seu prédio!
Remus riu ao ler aquilo. Sirius só podia estar zoando, então nem se deu ao trabalho de responder.
Menos de um minuto depois, o celular tocou novamente.
SIRIUS
Anda, Moony!
Remus franziu a testa.
REMUS
Tá falando sério?
SIRIUS
Remus John Lupin, te dou cinco minutos pra estar aqui na minha frente!
Ele levantou num pulo.
Passou rapidamente pelo espelho, ajeitou o cabelo com as mãos, pegou um casaco e saiu.
Quando chegou à portaria do prédio, não é que Sirius estava mesmo lá?
Jaqueta de couro preta, jeans meio rasgado e um sorriso enorme no rosto.
Lindo como sempre.
— Mas... o que você...?
Remus ainda tentava entender o que Sirius estava fazendo ali. Era quase meia-noite, e ele nem morava tão perto.
— Vim te ver!
Sirius piscou para ele e bagunçou seus cabelos.
— Mas, Pads... tá tarde. É perigoso! — Remus mexeu as mãos, um pouco sem graça, antes de abaixar os olhos. — E se eu já estivesse dormindo?
— Você tava dormindo?
Sirius segurou seu queixo e ergueu delicadamente seu rosto, fazendo Remus encará-lo.
Remus negou com a cabeça.
Um sorriso de lado apareceu nos lábios de Sirius.
— Então, Moony, para de fingir que não tá feliz por me ter aqui. Sinta-se honrado!
— Você se acha muito mesmo, né?
Remus não conseguiu conter a risada.
E, infelizmente, Sirius estava certo. Ele estava feliz.
Com tanta gente sempre querendo a atenção de Sirius, havia algo perigosamente reconfortante em perceber que, quando realmente importava, era até ele que Sirius vinha.
— O trailer ainda tá aberto. Vamos comer?
Sirius passou um braço pelos ombros dele e o puxou para perto. Perto demais.
Quando se inclinou, seus lábios quase tocaram a orelha de Remus.
— Eu tô faminto, Moony...
Um arrepio percorreu o corpo de Remus.
A voz rouca tão próxima ao seu ouvido fez seu rosto esquentar imediatamente. Ele respirou fundo, torcendo para Sirius não perceber o estrago que uma frase tão simples tinha acabado de causar.
— E quando você não tá com fome, Pads? — respondeu, tentando disfarçar com uma brincadeira.
Os dois riram e seguiram em direção ao trailer de comida que ficava na esquina.
Não chegaram muito longe.
Sirius parou de repente e se colocou diante de Remus, obrigando-o a parar também.
— A verdade é que eu vim te ver porque você disse que tava triste. — Por um instante, o sorriso brincalhão desapareceu. — Então agora você já pode ficar feliz, né?
— Pads...
Remus se aproximou e levou a mão até a bochecha dele, fazendo um carinho leve com o polegar.
— Só de ter você na minha vida, eu já sou feliz pra caramba. Você não precisava vir até aqui tarde da noite por causa de uma bobagem.
Sirius franziu a testa.
— Sua felicidade não é bobagem, Remus.
Saiu quase como um resmungo.
Ele segurou a mão que ainda repousava em seu rosto, mantendo-a ali.
Queria que Remus nunca a tirasse.
Mal sabia ele que aquele simples gesto tinha em Remus um efeito tão intenso quanto o toque do outro causava nele.
Remus sorriu.
— Tá bom.
Voltou a andar.
Deu apenas alguns passos antes de Sirius segurá-lo pela mão e puxá-lo de volta.
Remus virou-se, confuso.
Sirius ficou parado diante dele, ainda segurando seus dedos, mas sem dizer nada.
— O que foi? Você não tava com fome, Pads?
— Tô. É só que...
A voz de Sirius saiu mais baixa.
Seu rosto começou a ficar vermelho, e ele soltou uma risada nervosa enquanto olhava para baixo, distraindo-se com os dedos de Remus entre os seus.
Sirius Black nunca tinha sido de sentir vergonha.
Mas, quando o assunto era Moony, tudo parecia mais intenso. Mais difícil. Mais assustador.
Remus o observou por alguns segundos.
E então percebeu.
Ou talvez já soubesse havia muito tempo.
— É só que... você quer me beijar e não tá mais aguentando. É isso?
Sirius levantou a cabeça tão rápido que Remus quase riu.
Encarou-o completamente perdido.
Como...? Quando...? O que tava acontecendo?
Remus não conseguiu segurar a risada diante da confusão estampada no rosto dele e se aproximou um pouco mais.
Os dois permaneceram em silêncio por alguns segundos.
Até Sirius rir também.
— Como você sabia?
— Talvez a gente seja mais parecido do que você pensa...
Remus sorriu.
A verdade era que nem ele sabia de onde tinha tirado coragem para dizer aquilo. Só percebeu o que estava fazendo depois que as palavras já tinham saído.
Mas agora não dava mais para voltar atrás.
E, para ser sincero, ele também não queria.
Deu mais um passo, diminuindo de vez a distância entre os dois, e aproximou os lábios dos de Sirius.
— E, as vezes, Pads... — sussurrou. — Penso que você que é lerdo demais.
Foi o suficiente.
Sirius agarrou sua cintura com uma das mãos e levou a outra até sua nuca, puxando-o para o beijo.
Remus correspondeu no mesmo instante.
Meses, talvez anos, de sentimentos escondidos pareciam finalmente encontrar um lugar naquele beijo.
Chocolate. Menta.
O gosto de Sirius misturado ao dele e uma sensação estranhamente familiar, como se os dois já devessem ter feito aquilo muito antes.
O beijo durou até o ar começar a faltar.
Afastaram os lábios apenas o necessário para respirar, sem realmente se soltarem.
Seus olhos se encontraram.
Nenhum dos dois disse nada.
Não precisava.
Eles simplesmente sabiam.
Fale com o autor