Visita
1 Capítulo Único - Inesperado
Notas iniciais
~le puxação de saco~ -q
Começa com um pouquinho de drama, mas logo fica engraçado. Ou não.
Ele não sabia o que fazer.
Estava disperso em pensamentos e as perguntas não paravam de aparecer em sua mente. Não queria ficar preocupado, mas era inevitável.
Quando foi se desculpar com Orihime, havia dor em seus olhos, e isso não passou despercebido pela mesma. Ela pediu para que ele não se desculpasse com tal dor nos olhos. Tal agonia.
"Porque não?" Ele refletia. "Sado também havia ficado ferido. Tatsuki quase morreu. E tudo porque sou muito fraco. Se não é permitido me desculpar... Não sei mais o que posso fazer."
E em meio a tudo isso, como a maioria dos outros alunos, Kurosaki Ichigo esperava pelo professor entrar na classe e dar a aula, da qual ele não saberia se iria conseguir prestar muita atenção. Enquanto não acontecia, ele apenas encarava um lugar qualquer de sua sala para tentar entender, ou até mesmo pensar melhor.
Foi quando ocorreu. O garoto não saberia dizer quantos segundos ou minutos haviam se passado desde que começara a refletir, mas sabia que em algum momento um passo em particular no corredor havia chamado sua atenção.
Com esse passo vieram outros, com esses outros vieram vozes, e com essas vozes veio a certeza de que não era apenas uma pessoa.
– Ei, que sala é mesmo?
– Como que diabos eu deveria saber?!
– O quê? Não tinha um documento com você antes de sair?
Seus olhos castanhos ficaram mais atentos.
– Ah... Eu perdi...
– Perdeu?! O que há de errado com você?!
– Parem de discutir! Nós podemos procurar por seu reiatsu.
Sua audição, antes descontraída, ficou mais apurada.
– Primeira vez que faço algo desse tipo! Realmente não consigo controlar minha pressão espiritual desse jeito...
– Desculpe-me, ele é estúpido.
– Eu não sou estúpido!! De qualquer forma, porque você está tão calmo com isso?!
Aquelas vozes, aquela presença... A reiatsu. Não. As reiatsus.
– Tenho que admitir, essa roupa é um tanto quanto apertada...
– Você pode cortá-la um pouco, como nós fizemos.
– Claro, com certeza!! E como serei capaz de carregar meu bokutou desse jeito?! Vocês me disseram que não poderia trazer uma arma real, então tive que fazer esta estúpida de madeira!!
Mesmo não os conhecendo muito bem – afinal havia os visto apenas algumas vezes, se não uma, e a situação em que se encontraram não era lá das melhores – ele sabia, mas não conseguia acreditar.
– Não é nossa culpa, é a lei!
– Quem iria querer um foragido carregando espadas por aqui?!
– Vocês querem calar a boca?!! Precisamos ficar quietos e agir normalmente para não chamarmos atenção!
– Ehh!
Até mesmo os outros alunos dentro da sala já haviam percebido essas vozes, e como o assunto não era de seus conhecimentos, julgaram a conversa que estavam escutando muito estranha e sem sentido.
– Não... Não pode ser... – disse baixo, movendo seu pescoço lentamente em direção à porta.
– Tudo bem, chegamos. Este deve ser o lugar. Vamos lá, abra!
Olhou e na porta aberta viu o completamente inesperado.
Bem, ele poderia disfarçar e fingir que não os conhecia... Era só não mencionarem o seu...
– Yo! Como está indo, Ichigo?
...nome.
– Re... – ele começou, com uma expressão assustada finalmente chegando ao seu rosto. Levantou e se aproximou deles para ter certeza de quem eram, em uma vã tentativa de estar em um terrível mal entendido. – Renji?! Iikaku?! Yumichika!! Rangiku-san!! – e depois de uma pequena pausa – Toushirou?!
– Para você é "Capitão Hitsugaya"! – o jovem grisalho disse, com certo aborrecimento por ter sido chamado pelo primeiro nome.
Era difícil acreditar, mas já que sabia que era real, respirou fundo e manteve a calma.
– Mas, porque vocês... – perguntou.
– Ordens superiores. – o tenente de cabelos vermelhos respondeu com um pouco de desdém e com os braços cruzados em frente ao corpo, tentando mostrar que não queria estar ali. – Com a preparação para a guerra contra os Arrancars... Recebemos ordens de nos unirmos à todos os shinigamis em atividade.
Nem mesmo suas mechas alaranjadas seriam capazes de desviar a atenção da expressão de dúvida que havia em seu rosto.
– Aran... O que?
– Ãnh?! – Abarai respondeu indignado. – Você lutou contra eles e ainda não faz idéia do que sejam! Idiota! – abaixou um pouco o tom de voz para não ter toda a atenção dos alunos voltada à conversa. Como se já não tivesse. – Aqueles caras que quase te mataram ontem.
Sem ter muito tempo para pensar, o Kurosaki havia percebido outro ato estranho. Virou seu rosto em direção a janela, mas dessa vez não ficou assustado com o que viu. Apenas ficou encarando e esperando pelo o que iria vir.
A mão que se apoiou ali logo deu lugar a ela, que se equilibrou com tamanha habilidade. Cruzou seus braços e permaneceu ali em pé, com aquela expressão alegre que era só dela.
– ...Rukia!!
– Quanto tempo, Ichigo! – disse normalmente. Tão normalmente que ninguém poderia imaginar o que viria a seguir.
Enquanto alguns colegas de classe comentavam coisas como "Aquela garota subiu pela janela?", "Que diabos é ela?!" e "O que é esse cabeça vermelha, e o careca?", o garoto nem teve tempo para desviar ou nem mesmo piscar. Quando percebeu, já estava caindo devido ao chute na cara que a shinigami havia lhe proporcionado.
– O que você pensa que está... Ãnh? – inclinou um pouco sua cabeça para trás e viu que Renji, olhando um pouco para o lado, o segurava. Achou aquilo estranho, mas novamente, não teve tempo para reagir. Estava ganhando repetidos tapas no rosto, vindos da garota. – Sua filha da... – pôde pronunciar quando ela finalmente parou.
– Porque você está olhando com cara de idiota? – a Kuchiki respondeu quase gritando, o deixando confuso. – Vem comigo!
E quando ele olhou para trás, lá estava seu corpo humano ainda segurado por Renji que tinha uma expressão de extremo tédio. Estava com suas vestes pretas de shinigami e sendo arrastado por Rukia, que usava aquela familiar luva em sua mão direita.
Enquanto tentava descobrir para onde estava sendo levado, Ichigo deixava para trás os capitães e tenentes da Soul Society em sua sala, que por mais uma vez começavam um diálogo ocasional.
– Tudo está caminhando como o esperado. – disse Matsumoto com uma expressão normal, como se estivesse passando apenas por mais uma situação do dia-a-dia.
– Yeah! Eles são muito problemáticos... – Abarai continuava com sua cara de tédio.
– Você não acha justificável, já que depois de vê-la, ele ficou parado olhando com cara de idiota? – proferiu Adarame, com cara de zangado. Provavelmente ainda por causa de não poder estar com sua zanpakutou.
– Você acha...? Pode ter sido estranho, mas também foi um pouco atraente...
– Não! Isto não é verdade!!
– Você não me fará mudar de idéia, não importa o que diga, Yamishika.
– Então de que lado você está? Do Iikaku?
– Você é idiota?
– Hey, você! – Hitsugaya, que até agora não havia se pronunciado, exclamou, parecendo estar ranzinza por causa do assunto, que ele julgava estúpido. – Fica quieto, por um segundo!!
Só então os shinigamis perceberam os cochichos que corriam pela sala de aula. Coisas como "O que aconteceu ao Kurosaki? Depois que aquela mulher bateu nele, ele simplesmente desmaiou...", "Será que ele está bem?" e "Aquelas pessoas parecem perigosas... E aquele de cabelo pintado!".
– Não se preocupe com isso Renji... – começou Iikaku – São apenas humanos.
Mas mesmo tentando ignorar, os comentários continuavam. "Ele tem uma tatuagem!", "Este cara tem uma espada de madeira...", "Loiro...", "Prata...", "Careca...", "Cabelo de pintinho...", "Peitos grandes...", "Careca...".
– Tudo certo... – Iikaku começou novamente, dessa vez, olhando para os alunos com um sorriso maligno e sacando a espada emadeirada que estava presa ao seu cinto. – Quem me chamou duas vezes de careca, venha aqui agora...
– Não liga pra isso... – Renji disse com desdém. – Eles não sabem o que estão dizendo.
– Calem a boca!! Eu cortarei todos ao meio!
– Com uma espada de madeira?
– Terei que ajudá-lo, Iikaku!
E então, com a impaciência bastante aparente em seu rosto e os olhos cor turquesa olhando fixamente para um ponto qualquer, Hitsugaya, que tentava ignorar a situação, pensou alto:
– ...Eu queria muito que este fosse o trabalho de outra pessoa agora.
Notas finais
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