Visita
1 Oneshot
Notas iniciais
“Apenas entretenha-o, mostre o que nosso país tem de belo e agradável... não será difícil para um país como a Holanda”
Essas foram as palavras de seu chefe. Mas Abel não sabia que era tão difícil travar uma conversa com o tímido canadense. Visitaram diversos lugares: bares, parques, casas-navios, moinhos... Matthew apenas assentia sorrindo e com os olhos brilhando, achava tudo belo, mas não prolongava seus elogios.
Abel estava sem graça, a reunião demoraria mais algumas horas e teria que improvisar. Olhou de relance para o canadense que estava sentado no banco do carona do pequeno carro de passeio, o holandês sorriu ao ver a expressão infantil do menor que estava apoiado com as duas mãos no vidro da janela do veículo, observando a maravilhosa arquitetura de seu país.
-Suas casas são bonitas... queria que no meu país fosse assim também. – murmurou, quase inaudível.
-Espero visitar sua casa um dia, já ouvi coisas maravilhosas sobre lá.
-Ah, não é tão bonito como aqui... – arriscou a encarar o maior, olhando-o através do vidro de seu óculos, mas logo abaixou os olhos, corando.
Sempre que Matthew tentava encarar Abel, desviava o olhar e corava. Já tinha ouvido falar que ele era tímido, mas tanto assim? Sabia de um lugar onde tiraria toda aquela timidez.
-Ei, Canadá, você quer visitar um lugar... “especial”. – perguntou sorrindo maliciosamente.
-Onde é?
-É daqui a duas quadras.
-Então sim. – sorriu mais uma vez, escondendo suas mãos nas mangas do casaco de moletom vermelho.
Nem dez minutos se passaram e Abel virou o carro numa ruela sombria, mas ao mesmo tempo atraente.
-Ho-Holanda? O que...?! – o menor corava.
Havia pôsteres eróticos na porta de alguns estabelecimentos, mas nada mais envergonhava Matthew do que as mulheres seminuas expostas nas vitrines. Podia jurar que eram bonecas, mas elas se mexiam, acenavam, mandavam beijos para o carro esporte que seguia lentamente pela rua estreita. Abel correspondia às mulheres com sorrisos e acenos.
-Não quer experimentar? – perguntou.
-N-não, isso...
-Ah, Canadá... é melhor a prostituição ser legalizada e o governo ter conhecimento do que ser escondida e...
Perdeu sua fala. O menor havia escondido o rosto com as mãos.
“Mas o que diabos...?”
Já tinha levado alguns países até lá, alguns não quiseram “experimentar”, mas fizeram gracejos ou piadas... pela primeira vez viu algum país envergonhado. Achou melhor sair dali.
-Ei, pode parar de se esconder... já saímos de lá.
-Porque me levou até lá? – perguntou ainda vermelho, arrumando o óculos.
-Pensei que fosse se divertir, desculpe, você é tímido... talvez seja por isso que te achem invisí...
-EU NÃO SOU INVISÍVEL! SOU O CANADÁ. – esbravejou cruzando os braços e fazendo bico, desviando o rosto abruptamente para o outro lado.
Abel segurou para não rir. Ele era tão fofo...
-Vou te mostrar outro lugar...
-Não vai ter moças promíscuas, ou vai? Senão não quero ir!
-Juro que não vai ter “moças promíscuas”. – riu.
Levou o menor até um campo de tulipas. O mar de flores coloridas perdia-se de vista, pareciam terminar no belíssimo por de sol que se formava. Uma brisa fresca difundia o agradável odor campestre e trazendo boas sensações.
O menor saltou do carro primeiro. Agora levava as mãos até os bolsos do casaco e se encolhia. Sentiu um tecido grosso sendo enroscado no seu pescoço. Abel acabara de colocar seu cachecol cinza nele.
-O-obrigado... – corou, segurando o grosso tecido no pescoço com as duas mãos.
-Você não se parece nem um pouco com o América.
-Eu não sou idiota como ele.
-Você é mais simpático e agradável.
-Você acha?O papa França diz que eu devia ser mais extrovertido como ele...
-Não, prefiro você assim.
Abel sorriu e se aproximou do menor. Observou-o de cima à baixo, ele era um pouco mais novo que Alfred, seus olhos transbordavam inocência e sua pele era branca como a neve, os cabelos eram loiros claríssimos e lisos.
-Você só se assemelha ao seu irmão por causa dos olhos e dessa mecha aqui... – segurou a mecha loira, brincando com ela.
-A-ah... não...
Abel não soube direito o que aconteceu. O menor agarrou seu casaco jeans, suas mãos tremiam, e ele mordia o lábio inferior, com a cabeça baixa, segurando alguma coisa na garganta.
“Será que...?”
Continuou enrolando a mecha no dedo indicador suavemente. Observando atentamente a reação do menor.
-A-ah... pare...por favor... – gemeu ainda de cabeça baixa.
Soltou a mecha, confuso e um pouco perturbado. Já escutara alguma coisa sobre a mecha dos irmãos Vargas, mas... Matthew também?
-O-o que você sentiu? – perguntou, levantando o rosto do menor pelo queixo, com a palma da mão.
-Eu não gosto de falar...
-Juro que não irei contar para ninguém... – levou a mão aos cabelos loiros do canadense, fazendo menção de repetir o gesto com a mecha.
-Eu... eu sinto uma coisa boa... é estranho. Não tive coragem de perguntar se meu irmão sente a mesma coisa com a dele mas...
-Como é?
-Hã?
-A coisa boa
-Ah... deve ser a mesma coisa que você sente quando vê aquelas moças promíscuas. – disse rápido, voltando a corar logo em seguida.
-Então... você sente que precisa de fazer algo a mais? – Abel coçou o queixo.
-Não sei do que...
-É como se você sentisse uma “coisa boa” e quisesse prolongá-la e sentir de modo mais intenso, mas não sabe como?
-Hã? – Matthew realmente não estava compreendendo as palavras de Abel.
-Você quer sentir mais do que isso?
-Não sei, é estranho... e se depois ficar ruim?
-Confie em mim, não vai ficar... – sorriu, imaginando por onde começaria...
Voltou a fazer os movimentos com a mecha do menor que novamente gemeu. Agarrou os cabelos loiros levando-os para trás, forçando Matthew a encará-lo. Com a outra mão tirou o óculos de grau do canadense e os jogou dentro do carro, pela janela. Os olhos dele... eram azuis como o céu em um dia ensolarado.
-Holanda...vai ser bom? – ofegava...
-Apenas relaxe...
Mordiscou os lábios do canadense e depois passeou com sua língua contornando a boca. Beijou-o suavemente e passou para o lóbulo da orelha. Em momento algum deixou de brincar com aquele fio loiro.
-Ah... – gemeu, abrindo os olhos.-...é isso que acontece quando brincam com minha mecha...
Levou umas das mãos de Abel até o volume que se formou em sua calça jeans. O maior não resistiu e acariciou o volume, fazendo o canadense gemer mais alto.
-Sorry... – levou a mão à boca.-... ninguém deve ouvir isso, certo?
-Não se preocupe, não há ninguém aqui, pode gemer a vontade...
Abel beijou Matthew, explorando o interior da boca do menor, brincava com a língua inexperiente. Enquanto com a mão esquerda enlaçava a cintura do outro, com a direita acariciava o volume.
Não haveria ninguém naquele campo. Abel sorriu e levou o corpo de Matthew até o capô do carro, ficando por cima.
-O-o que você vai fazer?
-Brincar com você... – disse entre os dentes, no ouvido do canadense que se contraiu.
Ouviu um som irritante e reconheceu o barulho do maldito celular. Provavelmente a reunião acabou. Revoltado, atendeu ao aparelho e bufou quando o desligou.
-Nossos chefes nos querem de volta em meia hora. – disse irritado.
-Mas... você disse que ia me fazer sentir mais...
Abel encarou o menor, não havia um pingo de maldade naquelas palavras. Sentiu-se culpado. Matthew era diferente mesmo de Alfred, era inocente, quase uma criança.
-Terá que ser rápido então, desculpe... hum... fique de pé.
O menor assentiu e se assustou quando sentiu as mãos do maior abrindo o zíper de sua calça. Agarrou nos seus braços e escondeu seu rosto no tórax do outro quando sentiu o toque de sua mão, fazendo movimentos suaves e lentos.
Tudo aquilo que estava acontecendo era novo para o holandês também, que nunca tivera uma experiência sexual com o outro homem. Era a primeira e estava sendo muito boa. Sorria mansamente ao perceber que o menor estava gostando e, de modo silencioso, estava pedindo mais.
-Faz... mais rápido... por favor... – os olhos azuis clamavam por aquilo, era um pecado não atender ao pedido do canadense.
Aumentou o ritmo e logo sentiu que o menor havia chegado ao seu ápice. Ele ofegava ainda apoiado no cão do carro, mas abraçado ao corpo de Abel.
-Isso...foi maravilhoso... – disse abaixando os olhos em um sorriso tímido.
-Desculpe ter sido assim com tanta pressa, não quero me atrasar, mas também não queria te deixar só na vontade...- beijou a testa de Matthew. -... vamos embora.
Abel se virou, teria que dar um jeito na “sujeira” antes de retornar. Foi quando sentiu uma mão quente subindo pela sua nuca e afagando seus cabelos castanhos claro meticulosamente espetados.
-Mas eu quero que você sinta isso também... – encarava o maior com seus doces olhos azuis.-... como se faz?
Sorriu.Achou fofo o fato dele querer que ele tivesse essa sensação também.
-Canadá, não sei se é certo. Você deve fazer isso com alguém que realmente goste e embora eu provavelmente esteja doido de recusar a ser tocado por alguém tão agradá...
O menor havia selado seus lábios no dele. Tentava por em prática o que tinha aprendido ali, enroscando a língua na de Abel e mordiscando seus lábios. Levou a mão direita, que estava trêmula, ao zíper da calça do holandês, abrindo-o com dificuldade e tocando-o por cima do tecido.
O maior deixou o outro explorar seu corpo, não fazendo a nada a não ser lhe dando beijos e afagando os cabelos loiros. Ajudou-o a fazer o resto, mostrando-lhe como controlar o ritmo, mas Matthew tinha outra ideia em sua mente.
-O que você...
-Se...se você não gostar eu paro... – disse agachando-se, sem interromper os movimentos.
Abel pensou que seria fácil resistir devido à inexperiência de Matthew. Engano seu, pois justamente aquela inexperiência e movimentos imprecisoso faziam ficar cada vez mais louco pela boca do menor lhe tocando ali. Em alguns minutos já estava exausto e ofegava mais que o outro.
-Você gostou? – perguntou o canadense, avermelhado, limpando a boca com as costas das mãos.
A resposta veio com um beijo intenso e demorado do holandês. Este agora o abraçava e o apertava.
-Canadá, você é só meu... não fará nada disso com nenhum outro país. – ordenou, sussurrando no ouvido de Matthew. – Entendeu?
-Você fará isso com outro país? – perguntou.
-Não, também serei só seu.
-Espero que você venha me visitar, Holanda... – sorriu, acariciando o rosto do outro.
“Com certeza, Canadá, com certeza...”
A despedida foi sofrida. Como invejava Alfred agora, o estadunidense idiota estava tão próximo dele e eram... irmãos! Se fosse ele... ah, com certeza teriam diversos acordos isso se não tivessem se casado.
O canadense suspirou ao observar pela janela a terra se afastando e as nuvens se aproximando. Trazia o buquê ao colo, sempre aproximando seu nariz das flores, para sentir o mesmo odor agradável que sentiu no campo.
“I Love you, Netherlands...”
Não queria deixá-lo embarcar naquele jatinho, queria ter mais tempo com ele. Não para fazer sexo, apenas para desfrutar mais a companhia do tímido canadense. Entregou um buquê de tulipas vermelhas, brancas e azuis, igual às cores da bandeira holandesa.
“Ik hou van je, Canada…”
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