Eu já devia esperar que o meu dia não fosse acabar sem uma ultima surpresa. Lucem estava sentado na cadeira da minha escrivaninha.

- Então você gostou do meu presente?

- Seu presente?

- A briga entre Mabi e seu namorado.

- Espera um pouco. Você causou a briga? Como?

- Digamos que o tal Farofa não é um namorado muito compreensivo. Ele não gostou nada da Mabi escolher fazer um certo trabalho da escola com você – Ao dizer isso um sorriso passou pelo seu rosto – Quanto a como eu fiz isso, foi ate fácil. Gustavo tem ciúmes de você, logo foi só fazer isso aflorar dentro dele.

O Farofa tinha ciúmes de mim? Será que ele tinha motivo para ter?

- E então? Gostou ou não do presente?

- Muito! Mas ela esta chorando e disso eu não gostei – mesmo que tenha sido por uma briga com o namorado eu não gostava de ver a Mabi triste.

- Me desculpe por isso então. Não se preocupe com isso. Talvez amanhã ela precise de um ombro amigo na hora do trabalho. E você vai estar lá na hora.

Confesso que eu ate gostei da briga e pelo visto Lucem não era perigoso.

- Como eu posso te agradecer?

- Não precisa. Já falei que quero te ajudar. Na verdade eu nunca vi um casal tão perfeito. É um desperdício vê-la com outro. Você não acha?

- Lucem, eu quero te perguntar uma coisa. Alias varias coisas

- Eu imagino que você esteja confuso com tudo que aconteceu. Vamos lá. Pergunte

Eram tantas perguntas que eu nem sabia por onde começar. Resolvi perguntar o que mais me incomodava

- Lucem, meu pai estar realmente morto?

- Bom Thiago, sim ele está morto. Morreu há 10 anos Dois dias antes do seu primeiro pesadelo.

- Então ele tenta conversar comigo através dos meus sonhos? – acho que alegria não definiria bem o que eu comecei a sentir, mas chega perto.

- Sim e não. Acontece que seu pai se sente culpado por não ter acompanhado o seu crescimento. Ele morreu com esse peso no coração, por isso tenta conversar com você.

- Eu tenho outra pergunta. Ele está no inferno?

- Infelizmente é pra lá que vão os pais que abandonam seus filhos – Lucem me olhou com um olhar de piedade. Por um momento tive a impressão de que ele viria me abraçar.

Eu ia perguntar se ele sabia explicar o que tinha acontecido hoje de manhã, mas acabou saindo outra pergunta.

- Quem é você?

Lucem hesitou por um momento. Parecia que tentava buscar uma maneira de me explicar.

Você é um anjo? – perguntei me sentindo uma criança idiota que conversa com o anjo da guarda.

- Não eu não sou um anjo. Sou um espírito da terra nascido da vontade do homem em realizar seus sonhos.

- Como você conheceu o meu pai?

- Não é obvio? Ele também estava apaixonado e na época posso dizer que fui o cupido de seus pais.

Eu já havia imaginado. Lucem ajudou meu pai a conquistar a minha mãe. Se ele conseguiu com os dois talvez ele me junte com a Mabi.

- Tem mais uma pergunta que eu gostaria de fazer. Era você que andava em meus sonhos quando eu ainda era uma criança?

- Sim era. Eu agi por muito tempo como os eu guardião. Esta noite mesmo eu afastei aquele mensageiro do inferno de perto de você. Tenho que te dizer uma coisa Thiago. Sua alma é pura e o Diabo deseja mais do que tudo almas como a sua. Acho que seu pai quer trocar a sua alma pela dele no inferno. Sei que é duro ouvir isso, mas eu não quero que você vá para aquele lugar.

Meu pai queria minha alma no inferno no lugar da dele?

- Não se preocupe com isso meu jovem. Vá dormir, Você teve um dia cheio e amanha tem que esta em boa aparência para impressionar uma certa garota – dizendo isso foi em direção a porta do meu quarto. Antes de sair Lucem me falou que o Farofa não estaria mais no meu caminho em pouco tempo. Sem entender muito bem me deitei na cama assim que ele saiu. Finalmente aquele dia estranho tinha acabado. Mas eu não sabia em que acreditar. Enquanto refletia sobre os acontecimentos acabei dormindo sem perceber e sem tomar o meu remédio. Seria uma longa noite.