Quando minha mãe bateu na porta do meu quarto para me acordar eu já estava ate de uniforme. Acordei no meio da noite e não consegui dormir mais. Também como poderia? Fiquei pensando em tudo que meu pai havia falado. Será verdade? Minha alma esta prometida a Lúcifer e ele é Lucem?

Pelo fato da minha escola ser patrocinada pela Santa Se o latim era uma matéria obrigatória. Pelo menos meu pai falou a verdade em relação ao nome de Lucem, mas não seria apenas uma coincidência? Afinal ele não era mau e nem tentou me recrutar para o exercito dele. Desci as escadas e fui direto para cozinha. Peguei apenas uma maça e fui direto para escola. Eu estudo na Saint Michael uma escola fundada pela igreja de mesmo nome. Minha mãe achou que me faria bem estudar nela, ela se referia aos meus pesadelos é claro. Na minha opinião a St. Michael só me trouxe duas coisas boas: O Rodrigo e a Mabi. Por falar nela eu não há vi no pátio quando cheguei e apesar de sermos vizinhos ela sempre chega na minha frente. O pai do Rodrigo e da Mabi fazia questão de levá-los, quando eu era criança também ia de carro, mas sempre preferi ir andando, assim eu podia refletir sobre cada pesadelo da semana. Assim que cheguei na escola avistei a Jessy e o Rodrigo sentados no pátio. Eu estava indo me encontrar com os dois quando o Farofa apareceu na minha frente

- Será que eu posso conversar com você? – eu não queria falar nada com ele. O Farofa era ate legal, mas ele era namorado da Mabi.

- Se for rápido. Eu estou com um pouco de pressa.

- Vai ser rápido. Eu só quero te dar um aviso: fique bem longe da minha garota!

- Sua garota? – eu perguntei meio sem entender.

- Não se finja de lerdo Thiago. Eu sei muito bem que você a convidou para fazer o trabalho semestral de historia com ela. É o seguinte você vai desconvidá-la assim que ela chegar entendeu – ciúmes. De fato ele tinha ciúmes de mim.

- Eu não vou fazer isso Gustavo. Já parou pra pensar que a Mabi me escolheu porque, ao contrario de você eu estudo? Eu não vou desconvidá-la – eu falei e fui andando, mas ele me segurou forte pelo braço.

Eu ia mandar ele me soltar, mas antes que eu pudesse abrir minha boca ele deu um soco nela. Eu cai pra trás com o impacto. Ele ate que era forte. Me levantei e vi o Rodrigo correndo em nossa direção. Ele deu um soco no Gustavo que ele cambalear, mas não caiu. Gustavo revidou dando um soco no estomago do Rodrigo. Uma onde de fúria e raiva cresceu dentro de mim. Quem ele pensa que é? Ele não tinha o direito de te fazer mal. Ataque-o. Mostre que é mais forte que ele.

Eu não podia me conter. Fui na direção do Gustavo. Peguei um galho de arvore caído no chão.

Isso, isso. Revide. Mate-o!

Eu não sei o que eu teria feito se a Mabi não tivesse chegado e gritado. Eu me sentia em transe, mas foi só ouvir a voz dela que eu acordei. Soltei o galho no chão e fui em direção a ela.

- Thi, você esta bem. – ela estava preocupada comigo? Vi que a Jessy estava do lado dela, provavelmente foi procurá-la.

- Eu estou bem. Não se preocupe.

Mabi se virou para o Gustavo. Eu nunca há vi nervosa antes

- Você é um completo idiota Gustavo. Quem você pensa que é para bater no Thiago e no meu irmão? – ele estava vermelha de raiva, era ate bonitinho, mas assustador também.

- Eu... eu perdi a cabeça. Ontem nos brigamos por causa dele e...

- Por causa dele nada. Foi por causa do seu ciúme doentio. Vem gente – a Mabi se virou, pegou na minha mão e me puxou para longe do Gustavo. Atrás de nos vieram o Rodrigo e a Jessy.

- Me desculpa por isso Thi. O Farofa é meio ciumento. – Que droga. Há pouco tempo atrás era Gustavo e agora volta a ser Farofa?

- Ta tudo bem Mabi. – Eu me soltei da mão dela. Eu estava adorando andar de mão dada com ele, mas tinha uma coisa muito seria me incomodando. Ela me olhou com uma carinha de dar pena, mas foi indo na frente.

- Vocês dois estão bem? – A Jessy preocupada era raridade – Dupla de frouxos! Eram dois contra um e mesmo assim se não fosse a Mabi vocês estariam sem dentes agora. – Eu sabia...

- Eu só não quis bater muito nele é ou não é Thiago. – O Rodrigo falou rindo e olhou pra mim

- Não. Na verdade não

A expressão dos dois ficaram serias.

- Você esta bem guri?

Eu me sentei no chão do corredor e contei que encontrei meu pai. Ao final os dois estavam com uma cara que passava do susto para o medo e do medo para pena.

- Não precisam ficar com pena de mim. Eu não ligo se...

- Se sua alma vou vendida para o diabo? – A Jessy me cortou – Bom porque se você não ligas nos ligamos – e apontou para o Rodrigo. – Thiago se isso for real é uma coisa muito seria. E se Lucem for realmente o diabo? Ele vai ser legal com você para te levar para o lado dele assim como fez com o seu pai.

- Eu não sou o meu pai! Não sou fraco como ele foi. – eu nunca tinha levantado a voz para a Jessy antes

- Jessy, me desculpa, mas eu estou confuso. Não sei o que me deu, mas na hora da briga eu escutei uma voz falando comigo.

- O que ela falou? – O Rodrigo era o mais assustado, eu contei que pela segunda vez a Mabi morria no meu sonho.

- Ela me mandou matar o Farofa.

O silencio que se seguiu foi interrompido pelo primeiro sinal do dia

- Olha – a Jessy pegou na minha mão – Mesmo que você seja destinado a servir no Inferno pela eternidade nos dois, eu e o Rodrigo, vamos ficar do seu lado. Pensa pelo lado bom: O Rock nasceu do inferno.

Só ela pra me fazer rir. A Jessy tinha esse dom. Eu fui pra minha sala sozinho, a Jessy é da sala do Rodrigo. Nos combinamos de conversar sobre tudo na hora do intervalo. Quando entrei na minha sala senti raiva outra vez. A Mabi estava sentada do lado do Gustavo e pelo visto fizeram as pazes.

“Cara de sorte”

Parece que, como o pátio estava vazio, ninguém soube da briga. Assim que eu me sentei a Mary, uma das poucas pessoas que eu gosto na St. Michael me contou que nos teríamos um novo professor de Literatura.

O que será que aconteceu com o padre Lucas? Ele era um ótimo professor e parecia que gostava de dar aula

- Essa foi a coisa mais estranha que eu já ouvi. Minha mãe – a mãe dela é a secretaria-senior da escola – falou que o padre Lucas simplesmente abandonou a escola e falou que ia se mudar para viver na Santa Se.

Tadinha. Essa foi a coisa mais estranha que a Mary já ouviu?

O tempo foi passando e sem professor a turma foi ficando agitada. O Farofa veio me pedir desculpas pelo soco e me chamou para jogar basquete na aula de educação física. Aceitei mais pelo basquete do que pelo pedido de desculpa.

O barulho na sala estava insuportável, eu me levantei para ir ao banheiro com a desculpa de fugir um pouco da confusão. Na minha escola nos temos que pedir uma autorização ao líder de turma para poder ir ao banheiro. Por sorte a líder era a Mary. Eu ia pedir uma autorização pra ela quando a porta da sala se abriu.

- Esse é o novo professor – A Mary falou no meu ouvido.

- Bom dia turma – Eu conhecia essa voz. Era suave e forte quase hipnótica – Eu sou o novo professor de Literatura. Meu nome é...

Eu levantei a cabeça e o vi. Eu sabia bem qual era o seu nome, seu verdadeiro nome.

O nome dele era...

- O meu nome é Lucem. Lucem Ferre. Bom dia.