Visões
24 XXIV. Por um fio
Notas iniciais
Lion tentava andar o mais rápido que podia, mas seu corpo protestava em dor a cada movimento. Jurara a si mesmo que não daria por vencido assim tão fácil, ainda mais por que Alexia estava em perigo. A garota que ele amava estava em perigo. Não poderia simplesmente desistir da vida sabendo que ela estaria completamente próxima à morte.
Escutou um barulho vindo de algum lugar. Olhou ao redor procurando a ameaça, colocando uma de suas mãos no bolso da calça e segurando sua adaga negra firmemente. Não importava o que fosse, lutaria até o fim.
De repente uma adaga prateada passou raspando por seu rosto, fazendo-o olhar para cima. Tinha cinco homens, um em cada galho, formando um círculo e cercando-o. Se tivesse mais sua morte estava perto. Por trás uma adaga o atingiu na cintura. Ele grunhiu e a arrancou com força segurando-a na mão esquerda. Puxou com agilidade a adaga que estava em seu bolso e começou a olhar em volta.
Merda, pensou consigo mesmo. Ele estava completamente encurralado. Só teria uma coisa a fazer para sair dali vivo: desviando dos ataques.
Enquanto pensava, outra adaga fora jogada com grande força. Ele se defendeu com a adaga negra e jogou a prata em um dos homens, que foi atingido no ombro e caiu do galho com o golpe.
Lion correu até o corpo do rapaz e viu seu rosto. Era um darkangel. Mas por que o atacara?
– Lion? – Ele falou confuso.
Lion encarara o rapaz e sem notar movimento algum, sentiu mais três golpes em suas costas e um em seu abdômen. Ele arregalou os olhos e encarou o rapaz que havia acertado. Caiu ajoelhado.
– Não... – Murmurou com a voz fraca. – A... Alexia...
E então caiu de lado, soltando a adaga negra que segurava. O rapaz que fora atacado tirou a adaga do ombro com cuidado e sentou-se olhando a figura de Lion caído. Seu olhar era tenso e quando os outros aproximaram-se junto à Darc, não soube o que falar.
– Você está bem? – Perguntou o velho, sem olhar o suposto inimigo.
Ele não respondeu, apenas apontou o corpo de Lion com a cabeça. Darc levou o olhar até ele e suspirou tenso. A adaga que havia lançado ficara presa em seu abdômen de onde vira, mas de perto, a mesma estava próximo demais do coração. Se não dessem um jeito e rápido, talvez ele não sobreviveria.
– O que faremos? – Perguntou um outro.
– Vamos voltar com ele para o acampamento. Lá temos condições de cuidar desses ferimentos. – Darc murmurou ainda tenso.
O velho tirou as adagas que se prenderam em suas costas e as entregaram para os donos, apoiou Lion em um de seus ombros junto com outro homem. O rapaz que Lion atingira também precisava de ajuda para se movimentar. Por mais que o golpe de Lion tivesse pegado em apenas um lugar, havia acertado no musculo, ficando incapaz de mover o braço direito.
~
Quanto maior o silêncio mais longo parecia o caminho até os undeads. Jason não falara absolutamente nada depois do pequeno interrogatório sobre seu ferimento no braço.
– Como estão todos no acampamento? – Lexie perguntou abruptamente.
– Bem. – Murmurou frio.
– Darc está bem? – Perguntou novamente.
– Estão todos em perfeitas condições. – Falou em tom sarcástico.
Alexia prendeu-se num silêncio súbito. Sentia que Jason não era o mesmo. Tão arrogante e imprevisível... Nem de longe era ele. Podia ter a mesma aparência e a mesma voz, mas realmente não era ele.
– Jason... Eu tenho uma dúvida. – Ela falou.
Ele revirou os olhos e falou num tom baixo e desinteressado:
– E qual é a sua dúvida?
– Por que não me levou de volta à floresta a força, depois que fugi de você e de Lion?
Jason estreitou os olhos e respirou fundo. Não sabia que a menina falava tanto. Estaria ela desconfiando de algo?
– Por que Darc pediu para eu não insistir. – Respondeu dando de ombros.
– Darc pediu para você não insistir em voltar com o oráculo? – Ela perguntou ironicamente. – Acho que ele não seria tão tolo.
– Você está me contradizendo? – Perguntou virando-se para a menina e encarando-a nos olhos.
Jason aproximou-se dela lentamente, vendo a garota ficar com um olhar tenso. Ela deu alguns passos para trás, afastando-se dele e colocou uma das mãos no bolso da jaqueta, procurando por qualquer coisa que pudesse ataca-lo. Nada. Engoliu em seco.
– Você não é tão tola quanto pensei... – Falou abrindo um sorriso maligno.
Demian pronunciou umas palavras em latim e deixou o corpo de Jason. O rapaz caiu no chão, pálido. Mas, se estava morto, por que não envelhecera como os outros? Alexia correu para o corpo do amigo e acariciou seu rosto.
– Ah, Jason... – Murmurou sentindo o coração apertar dentro do peito. – Se eu não tivesse fugido... – Fechou os olhos, apertando-os o máximo que pôde. Não queria chorar, não mais.
– Se serve como consolo... – Demian pronunciou-se atrás dela. – Vocês ainda terão muito tempo juntos. – Terminou a frase com um golpe nas costas da menina, fazendo-a cair desmaiada no chão.
Demian colocou dois dedos no pescoço da menina, ainda estava viva. Depois a pegou no colo e continuou seu caminho à grande mansão dos undeaads.
~
Lion estava ferido e Jason desaparecido. Cate continuava perplexa fora da cabana de medicamentos, andando de um lado para o outro sem parar. Não parava de pensar nas possibilidades de Darc estar certo sobre Jason morto. Mesmo se fosse, não poderia acreditar naquilo. Era quase impossível, Jason não era como ela e Lion. Ele é diferente. Não suga sangue, não tira vidas para saciar-se com o precioso líquido vermelho. Ele realmente estaria morto?
– Cate... – Darc a chamou, saindo da cabana. – Muito obrigado por cuidar de tudo por aqui.
– O senhor é um teimoso. – Murmurou. – Além de me tirar da equipe de busca, quebra minhas regras e vai atrás de alguém que poderia estar morto.
– Esse alguém não está morto, se é o que você queria saber. – Falou vendo a jovem fitar o chão. – Lion vive, não está num bom estado, mas sobreviverá.
– Darc... – Chamou-o encarando seus olhos distantes. – Jason... Ele...
– Eu não sei, não tenho certeza. Confesso que encontrar Lion tão perto do acampamento deu-me esperanças, mas não posso confirmar nada. – Respondeu prevendo a pergunta.
Cate assentiu e voltou para sua cabana.
Darc adentrou a cabana de medicamentos fitando a figura de Lion deitado na maca improvisada. Piscou algumas vezes e aproximou-se do jovem vampiro que cuidava de seus ferimentos.
– Peça para que cassem uma grande quantidade de animais. – Darc falou para o jovem. – Quero que tenha pelo menos quatro litros de sangue nesta cabana.
O rapaz assentiu e saiu de perto da maca, indo em direção a saída da cabana.
– Não quero que ninguém beba um milímetro deste sangue. – Darc murmurou novamente e, então o jovem saiu da cabana.
– A... A... Alexia... – Lion falou com a voz fraca, ainda desacordado.
– Espero que ela seja forte e aguente, onde quer que esteja. – Murmurou o velho para Lion, como se tivessem conversando.
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