Visões
8 VIII. O oráculo
Notas iniciais
Sábado chegara e Max não sabia o que fazer. É o dia em que Lexie vai para a casa de Janie, mas ainda não a encontrou. Ligou para a polícia e nada. Ninguém ali viu sua filha. Sentia-se culpado, talvez, se não tivessem tido tal discussão, isso não estaria acontecendo. Mas percebera que Alexia fora esperta e levara quase toda a comida. O telefone toca e Max já sente o coração apertar.
– Max? – Era Janie.
– Ja-Janie? – Gaguejou, soando frio.
– Max, por que Lexie ainda não chegou? – Perguntou com indiferença.
– Janie, eu... – Max não aguentou e começou a chorar.
– Max... O que foi que aconteceu? – Janie perguntou angustiada.
– Janie... Me desculpe, a culpa foi minha.
– Max? Alô? – Chamou-o preocupada.
E ele desligou o telefone.
~
Do outro lado da linha Janie está completamente desesperada. Pegou uma mala pequena e enfiou algumas roupas lá dentro. Pegou a chave de seu carro e foi em direção a casa de Max. Depois de um tempo chegara à seu destino. Olhou no celular e acabava de dar quatro horas em ponto da tarde.
– Max! – Gritou já na porta.
O mesmo abriu a porta atordoado e, quando viu a imagem preocupada de sua ex-mulher, a abraçou forte. A mesma retribuiu o abraço consolando-o. Quando se soltaram, ambos entraram na casa. Janie foi buscar um copo d’água para Max, que estava sentado no sofá, e ao chegar na sala perguntou:
– Onde está Lexie?
– Janie, a Lexie fugiu. – Falou temendo a reação da ex-mulher.
– O-o que? – Perguntou.
– Tivemos uma pequena discussão e ela fugiu. – Max disse bebendo o copo d’água num gole, ainda sentindo-se mal.
– Ah, meu Deus! – Janie falou sentando-se no sofá. – Max, nossa filha. – Disse começando a chorar.
– Acalme-se. – Disse tentando seguir o que as palavras abavam de sair de sua boca dizia.
– Você ligou para a polícia? – Jannie perguntou ainda com as mãos no rsoto.
– Liguei. Eles disseram que estão fazendo o possível para encontrá-la.
O silencio pairou no ar. Jannie tentava absorver a mensagem, enquanto Max pensava sobre o que mais poderia fazer para ajudar na busca. De repente Jannie, fita Max e fala:
– Tudo bem se eu passar uns dias aqui?
Max olhou em seus olhos e respondeu:
– Eu não mandaria você embora nessa situação.
– Eu trouxe uma mala e acho que dá para passar pelo menos duas semanas aqui, eu faço questão de ficar no quarto de Lexie. – Murmurou.
– Tudo bem.
Max ajudou Jannie a pegar a mala e a colocou no quarto de Lexie, como exigira.
~
– Você vai ficar por aqui mesmo? – Perguntou Lexie, observando Jason sentado do lado de fora da cabana.
– Sim. – Respondeu.
– Prisioneiros também gostam de privacidade.
– E de fugir. – Falou retrucando-a.
Lexie bufou e respondeu:
– Uma hora ou outra você vai sair daí mesmo. – Falou sem dar importância.
– É o que vamos ver. – Respondeu.
– Já que você não vai sair daqui, me explica o que aconteceu ontem? – Indagou levantando-se e vasculhando as coisas.
– Não vou lhe contar nada, até me contar o que aconteceu com você ontem de manhã. – Murmurou terminando de fazer mais uma flecha de madeira.
Alexia o encarou de um jeito quase mortal enquanto o mesmo pegava outro galho e o transformava em flecha.
– Eu também. – Respondeu a garota. – Você até que é esperto para quem está nesse ramo.
– Que ramo? – Perguntou emoldurando o galho com uma adaga prata.
– Traficante, sequestrador, sabe? Essas coisas. – Ela falou sem dar importância.
– Não somos traficantes e muito menos sequestradores. – Murmurou sem olha-la.
Lexie aproximou-se do rapaz com cabelos despenteados e sentou-se no chão de terra. Mal se importava se sujaria a calça ou não. Na altura do campeonato ela estava toda suja. Olhou o galho sendo emoldurado e perguntou:
– O que eu estou fazendo aqui, então?
– Você é importante para Darc.
– Por que?
Jason vira bruscamente seu rosto para a garota e a encara, finalmente fala:
– Você não para de falar, não?
– Quero respostas. – Indagou.
– Que mundo pequeno, eu também. – Murmurou e voltou a emoldurar o galho.
– Arrogante. – Falou e saiu de perto dele.
– Jason! – Darc o chama de sua cabana.
O mesmo se levanta e faz sinal para Lion. O rapaz aproxima-se dele.
– Agora é sua vez, Darc falou que nós dois dividiríamos alguns turnos para cuidar dela. E também para você se acostumar com certos cheiros. – Jason falou e saiu.
Lion bufou e sentou-se do lado de fora da cabana.
~
– Jason, ontem fiz novas descobertas. – Darc falou.
– Percebi com os gritos da garota. – Falou sarcástico.
– Jason, você não está entendendo, temos, literalmente, um prêmio em nossas mãos. A garota é o oráculo. – Falou.
– O que?! – Perguntou surpreso.
– Ela é o oráculo. O que aconteceu ontem não foi um simples desmaio ou coisa assim, foi uma visão. – Darc falou com um sorriso no rosto e deixando transparecer um pouco de empolgação.
– Ah, Darc. – Jason falou um tanto triste por seu velho amigo. – Você vai... nos deixar? – Falou temendo a resposta.
– Jason, minha alma está cansada há mais 100 anos atrás, eu preciso descansar, não acha? – Perguntou.
– Mas, Darc, quem nos protegerá de invasões dos Undeads? – Perguntou.
– O oráculo. – Murmurou.
Jason engoliu em seco e arregalou os olhos. Darc só podia estar ficando louco! Alexia nunca poderia governar os Darkangels.
– Darc... – Começou.
– Pretendo contar para ela logo. – Interrompeu. – Daí em diante, eu seguirei suas estratégias e o resto do acampamento também.
– Darc, você só pode estar brincando! – Indagou negando com a cabeça. – A primeira chance que ela ter ela vai fugir, sem falar que ela é muito ingênua para acreditar que pessoas como nós existem.
– Por enquanto, deixaremos ela na sua cabana. Mas, por favor, não demonstre inferioridade. Ela pode ser um ser poderoso, mas ainda não sabe disso. – Darc falou calmo. – Talvez eu converse com ela esta noite.
Jason assentiu e saiu da cabana um pouco zonzo. É muita informação para um único dia. Andou em direção de Lion e o encarou. Um assentiu para o outro e Lion saiu, enquanto Jason voltava para seu lugar de vigia.
– O que o velho queria com você? – Murmurou a menina lá de dentro.
Jason engoliu sem seco e não a respondeu. A única coisa que se passava por sua mente é que a garota é o oráculo.
De repente, um vento frio bateu em todo o acampamento apagando as tochas que estavam acesas com fogo.
Todos saíram de suas cabanas para encontrar-se com o inimigo. Darc fez sinal para que Jason entrasse na cabana e a protegesse.
Jason adentrou a cabana rapidamente assustando Lexie, que estava sentada no colchão.
– Shh... Vai ficar tudo bem. – Sussurrou.
– O que está acontecendo? – Perguntou no mesmo tom que ele.
Jason fez com que ela deitasse e a abraçou por trás, deixando-a imobilizada e tampou sua boca com uma das mãos. A mesma se debatia para tentar fugir mas, Jason era muito mais forte que ela.
~
Darc encarou Lion, descobrindo a causa da visita de Demian.
– Darc, meu caro amigo. – Demian falou encarando-o.
– O que devo a sua visita? – Perguntou para conferir suas suspeitas.
– Você tem algo que me pertence. – Falou friamente.
– A escolha não foi dele, foi minha. – Disse Lion encarando Demian.
Demian estreitou os olhos encarando Lion de forma mortal.
– Você se arrependerá, garoto. – Demian falou num fio de voz. – Me pagará com sua vida.
– Não me arrependo das coisas que faço, Demian. – Respondeu furioso.
– Lion, não. – Darc o repreendeu.
Demian o encarou raivosamente e deu as costas, mas algo chamou sua atenção:
– Socorro! – Ouviu uma voz abafada sair de dentro de uma das cabanas.
Darc encarou Demian, o velho estava suando frio. Se Demian descobrisse que estavam com o oráculo, daria um jeito de leva-la com ele, um dia ou outro.
– Você está me escondendo algo, Darc? – Perguntou encarando a cabana.
Demian andou um passo após o outro, caminhando até a cabana. Darc fez sinal para ninguém se mexer.
– O que tem aqui? – Perguntou Demian de frente para a cabana.
“Merda”, pensou Jason. Jason soltou a garota que, por sua vez começou a respirar mais forte, devido ao seu esforço. Jason olhou para ela e fez sinal para ela ficar quieta. Jason pegou a adaga de seu cinto e esperou Demian adentrar.
A garota obedeceu Jason ficando calada, percebera que ao lado de fora, o silencio prevalecia.
Demian adentrou a cabana abruptamente, olhando diretamente para a garota reconhecendo-a. Mas, antes de identifica-la, Jason pulou em sua frente e cortou sua cintura com a adaga. Um líquido negro saia do corte. O mesmo gritou com a dor do corte fundo. Lexie assistia à cena horrorizada.
Demian saiu da cabana e Jason foi andando para frente ameaçando-o com a adaga em sua mão direita.
– Alexia? – Murmurou Demian colocando um braço no corte feito.
– Agora. – Ordenou Darc.
Depois do comando de Darc, todos se posicionaram com suas armas apontando para Demian.
– É melhor você ir, ou a coisa ficará feia para o teu lado. – Murmurou Darc com sua voz rouca.
Demian gargalhou.
– Finalmente. Darc, você achou o oráculo! – Demian falou e sumiu abruptamente.
(Continua...)
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