Visões
6 VI. O Ancião
Notas iniciais
Alexia acordou abruptamente, sentindo seu rosto molhado de suor. Passou a palma da mão no rosto e, logo avistou seu pulso enfaixado. “Mas, o que é isto?”, perguntou-se mentalmente. Olhou ao seu redor e viu algumas prateleiras com maletas de vários tamanhos e formatos. Mais ao lado das prateleiras, viu uma mesa com alguns remédios. Pelo o que conseguiu ler, eram para desinfetar machucados.
Ouviu um barulho e, rapidamente olhou para o lado, onde tinha um vão. Dali entrou um homem alto e pálido, cabelo despenteado e castanho claro, seus olhos são iguais aos olhos de todos que ela já vira ali.
– Pelo que vejo, você acordou. – O homem falou abrindo um sorriso.
Lexie não respondeu, estava hipnotizada com aqueles olhos cintilantes.
– Se sente melhor? – Perguntou aproximando-se dela.
– Não chegue perto de mim. – Falou abruptamente, desviando seu olhar do dele.
– Só perguntei se você está melhor. – Falou calmo e parou onde estava.
Ela assentiu com a cabeça.
– Vocês não vão me amarrar novamente? – Perguntou irônica.
O rapaz soltou uma risada baixa e respondeu:
– Se você tentar fugir novamente, talvez sim.
Lexie revirou os olhos, sentindo a raiva consumi-la. Engoliu em seco e respirou fundo, tentando aceitar a realidade. Um dia ou outro, eles teriam que deixa-la ir, por bem... Ou por mal.
– E você é....? – Perguntou sem vontade.
– Jason. – Respondeu.
“Que legal, estou conversando com um cara que tem o nome de um personagem de filme de terror, onde ele é o assassino, muito tranquilizador”, pensou consigo mesma.
– Não vou lhe machucar. – Murmurou.
Alexia virou seu rosto para encontrar o rosto dele, como ele sabia que à pouco estava pensando nele como assassino?
– Co-como você fez isso? – Perguntou a garota, pasma.
– Isso o que? – Perguntou confuso.
– Como você sabia o que eu estava pensando? – Esclareceu.
– Eu não sabia, só falei para lhe deixar menos preocupada. – Afirmou. – Ninguém aqui vai lhe machucar, a não ser que tente algo extremamente evasivo, mas acho que vindo de você isso não acontecerá.
– O que quer dizer com isso? – Perguntou contrariada.
– Quero dizer que somos todos do bem, só mantemos você como prisioneira por defesa. – Respondeu.
Está mais que provado para Alexia que esse cara sabe muito bem desconversar. Ele é muito esperto, mas será que é tanto quanto ela?
Ele se aproximou mais da garota, fazendo-a encolher-se acima do colchão.
– Me explique apenas uma coisa: o que aconteceu com você hoje de manhã? – Perguntou.
– Não falarei absolutamente nada! – Respondeu raivosa com a ousadia do rapaz.
~
Finalmente, Darc chegara com mais suplementos, pelo menos é o que dá para fazer por seus aliados, afinal ele não poderia deixar com que sua raça torna-se uma raça do mal.
Avistou Lion de longe, encostado numa árvore, resolveu aproximar-se dele.
– Lion você já saiu do acampamento duas vezes em menos de dois dias, você precisa aprender a controlar-se. – Esbravejou Darc.
– Não sabia que ao sair dos Undeads teria que abrir mão da melhor coisa que pessoas como nós, temos. – Respondeu arrogante.
– Não quero que se repita, você sabe muito bem que fazemos isso de um em um mês. Não podemos simplesmente saciar-nos e deixar outros com vontade. – Retrucou o velho.
– Se eu não o fizesse, descontaria na garota que tinha em minhas mãos, só não o fiz por que saberia que seria um erro. – Falou cruzando os braços.
– Darc! – Jason o chamou olhando pelo vão da cabana de primeiros socorros.
Darc olhou uma última vez para Lion, com um olhar ameaçador e, depois virou e foi em direção à Jason.
– Darc, a garota acordou já faz um tempo. – Jason afirmou.
– Ela confessou algo? – Perguntou encarando a menina de longe.
– Não.
– Está liberado. – Falou e fez um gesto para que Jason saísse da cabana.
– Já falei que não confessarei nada sobre mim. – Pigarreou a garota em cima da mesa acolchoada e abraçando os joelhos.
– Terei que fazer isso do pior jeito. – Murmurou Darc em voz baixa, para que só ele pudesse ouvir.
– O que? – Ela perguntou e olhou para o velho.
O mesmo não falou absolutamente nada e aproximou-se da garota, decidido sobre o que faria, é a única solução de saber se aquela menina é uma ameaça para o clã ou não.
– Saia de perto de mim! – Aumentou o tom de voz.
– Acalme-se, ficará tudo bem. – Pigarreou aproximando cada vez mais e mais.
Alexia, por sua vez, pulou daquela cama esquisita, deixando apenas o objeto a sua frente para despistá-lo. O velho sem expressar humor nenhum, empurrou a maca improvisada para um canto.
– Pare! – Gritou.
Fora da cabana, todos observavam atentamente a mesma, apenas ouvindo os gritos da garota. Darc dissera uma vez que nunca mais usaria seu dom, mas não fora a última vez. Cate abriu um sorriso, está empolgada para ouvir os gritos da garota ao sentir a mão se Darc sob sua cabeça. Lion observa de longe o andamento das coisas. Jason, um tanto triste por Darc ser forçado a usar seu dom mais uma vez, entrou em sua cabana, indignado.
– Não aproxime-se de mim! – A menina falou com lágrimas no rosto.
Ela começou a andar para trás, esbarrando em tudo o que não podia ver e, mesmo assim o velho não parava de persegui-la.
– O que você quer de mim? – Perguntou num tom suplicante.
– Quero a verdade, menina. – Respondeu indo em sua direção.
– Não responderei nada! – Gritou com medo.
Ela não sabia mas, Darc podia sentir o cheiro do medo e era isso que ele queria, assusta-la ao máximo possível, para que conseguisse efetuar seu plano com sucesso.
– Socorro! – Gritou a pequena garota.
Ninguém ousou entrar na cabana, a essa hora Darc estaria concentrando sua energia. Alexia tropeçou em um objeto qualquer e caiu no chão sentada. Darc aproximou-se rapidamente dela e pôs a mão sob sua cabeça. Os dedos se posicionaram, contornando a cabeça da garota e apertando o crânio da pequena Alexia.
Lexie gritou com aquele ato, como podia um velho ter tanta força assim?
Os olhos dela começaram a fechar, a dor era tanta que não suportava a claridade que saía dos olhos de Darc.
Darc, absorveu todas as lembranças de Alexia, inclusive seu nome. Os gritos de dor da garota eram como se ela mesma estivesse contando seu passado à ele e sem mais nenhum esforço, a soltou, deixando-a cair no chão, desacordada.
Darc descobrira não apenas seu nome, mas sim quem ela realmente era e, arregalou os olhos, abrindo a boca num gesto de surpresa. Ele, literalmente, tinha um prêmio em suas mãos.
(Continua...)
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