Visões
5 V. O mau
Notas iniciais
– Devíamos matá-la. – Murmurou a moça a sua frente.
Lexie a fitou incrédula. Como se já não bastasse ser sequestrada, morrer não era sua segunda opção. A faca nas mãos de Lexie ainda está firme e posicionada, esperando com que aquela mulher saísse para ela continuar seu plano.
– Pena que até aqui a vida é uma burocracia. – Murmurou. – Sabe? Vence quem tem mais votos? – Ela perguntou fitando a garota. – Você é o tipo de pessoa que me dá nojo. – Ela observou a garota e cuspiu no chão provocando-a.
Lexie a encarou mais raivosa. Como aquela magrela ousa provoca-la? Concentrou toda sua raiva no seu plano, sabia que agora não adiantaria brigar. A mulher vira-se de costas e sai da cabana. “Foi tarde”, pensou Alexia.
Lexie começou a cortar as cordas, com movimentos ligeiros, quando percebeu ela tinha soltado a corda que prendia seu tronco na cadeira. Agora, cortava as cordas que amarravam os pulsos, sentiu um líquido quente escorregar em sua mão e uma súbita dor a consumia. Mordeu o pano para não gritar com a dor. Soltou as mãos e trouxe-as para frente de seus olhos, vendo o estrago que havia feito com a faca. Um corte fundo que localizava-se em seu pulso esquerdo. “Os pés, faltam apenas os pés”, pensou encarando-os. Moveu sua coluna para frente num ato rápido e sentiu a mesma estalar. Cortou as cordas que a prendia na cadeira e, depois as que prendiam seus tornozelos.
Finalmente ficou em pé, mal sentia seus pés e também não conseguia andar direito. Pegou o pano que estava em sua boca e o enfiou quase inteiro na boca, mordendo-o. Arrancou uma parte do cobertor já rasgado e amarrou-o no pulso de um jeito forte para evitar o sangramento. Sentiu a dor que a consumira novamente. Depois, tirou o pano de sua boca e o jogou no colchão.
Lexie olhou ao redor, não tinha nenhuma outra saída a não ser pelo vão que há em sua frente, seria muito arriscado sair por ali, todos deviam estar reunidos ali fora neste momento. Então, pegou a faca e fez um grande corte no pano da cabana. Saiu por lá. Agora, precisava arranjar um jeito para sair daquele acampamento, mas por mais que ela tentasse resistir, estava muito cansada para prosseguir, sentia que cairia no chão a qualquer momento. Sacudiu a cabeça para dispersar o sono e, olhou na lateral da cabana. Todos estão em volta de uma fogueira apagada. Correr, talvez, fosse a melhor solução. Deu mais uma espiada e começou a correr. Correu o mais rápido que pôde e, de longe conseguiu ouvir alguém gritando:
– A garota fugiu!
– Merda. – Murmurou para si mesma.
Lexie percebeu que adentrara muito na floresta, pois quanto mais corria, mais distante a casa de seu pai ficava. Ela deu uma olhada para trás, vendo que o homem que a nocauteou já estava a menos de dez metros dela. Tentou aumentar sua velocidade, mas não conseguia, aquele homem corria muito rápido. Então, ele a empurrou direto para o chão e posicionou-se em cima dela.
– Solte-me! – Gritou.
– Por que tentou fugir? – Perguntou com fogo nos olhos.
– Solte-me desgraçado! – Lexie gritou mais uma vez.
O homem segurou sua jaqueta e bateu o corpo da garota contra o chão como provocação.
– Responda-me! – Gritou no mesmo tom que ela.
De repente, Alexia viu os olhos dele transformarem-se num vermelho constante, ele a segurou mais forte e levantava a cabeça, parecia sentir o cheiro de algo. Abruptamente olhou para o pulso esquerdo da garota e levantou a manga de sua jaqueta. Viu o pano do cobertor enrolado ali e manchado de sangue.
– Merda. – Murmurou ele.
Lexie o encarou com curiosidade. Por que ele olhava para seu pulso daquela forma?
– Venha comigo. – Falou.
Ele levantou a garota num ato rápido e a segurou pelo braço, apertando com força. Os olhos da garota enchiam-se de lágrimas, por causa da dor e da angustia de estar sendo levada de volta para sua “prisão”.
– Não quero voltar. – Murmurou.
– Cale a boca. – Respondeu.
Ele começou a andar segurando-a pelo braço e segurando-se para não fazer qualquer coisa que se arrependeria mais tarde.
~
Lion jogou a garota contra o chão, fazendo-a grunhir de dor.
– Ela está aí Darc. – Respondeu raivoso.
Darc aproximou-se e viu seus olhos vermelhos, fez um movimento com a cabeça liberando-o. O mesmo correu para algum outro lugar da floresta. Logo, o velho sentiu um cheiro diferente penetrar suas narinas. Sangue, deduziu ele.
Pegou a garota pelo braço e levou para sua cabana. Todos a encaravam de forma estranha, pareciam estar com fome ou algo assim.
Darc fez ela se sentar numa cadeira de frente à sua mesa e, ele sentou-se do outro lado.
– Por que tentou fugir? – Perguntou sério.
– Porque eu haveria de ficar aqui? – Respondeu com outra pergunta e baixou a cabeça, olhando seu pulso.
Darc assentiu e levantou de sua cadeira, deu a volta na mesa e aproximou-se da garota.
– Cuidarei disso para você. – Afirmou ainda com a voz séria.
– Não quero sua ajuda. – Murmurou sem olhar para ele.
– E o que você quer? – Perguntou encarando-a.
– Quero ir embora daqui! – Falou num tom mais alto, agora olhando nos olhos do velho.
– Isso está fora de alcance. Não deixarei você sair daqui. – Embraveceu.
Lexie ia responde-lo mas, uma dor de cabeça insuportável a atingiu. Ela colocou as mãos na cabeça e murmurou de dor. Parecia a vez em que seu corpo tentara adentrar a floresta pela primeira vez. Tentou manter seus olhos abertos, mas não podia, algo forçava-os a ficarem fechados.
– Garota, você está bem? – Ele perguntou preocupado.
Não houve resposta. A pele da menina começou a ficar mais branca, agora podia ver suas veias por todo o corpo. E a dor piorava cada vez mais.
– Jason, Cate! – Gritou Darc de dentro da cabana.
Os dois adentraram a cabana rapidamente. A garota com cabelos curtos encarava a garota com vitória nos olhos. Jason a fitava preocupado.
– Ajudem-me! – Darc gritou.
Jason pegou a garota no colo e a levou para uma outra cabana, onde curavam as pessoas feridas. Colocou a menina numa mesa coberta com um colchão fino, mais parecia uma maca improvisada.
Lágrimas começaram a sair dos olhos de Lexie, ela gritou com a dor e começou a se debater naquela mesa.
Darc a observava com medo de que fosse algo que, talvez, prejudicasse seu acampamento.
– O que está acontecendo com ela, Darc? – Perguntou Jason.
– Espero que esteja morrendo, seria menos uma preocupação para nós, não acham? – Disse Cate adentrando a cabana.
Darc e Jason a encararam de forma incrédula.
– Acho que vou ajudar Charlott. – Falou saindo da cabana.
– Não sei o que está acontecendo com ela. – murmurou Darc.
De repente, ela parou de se debater.
Lexie está na floresta. Ela está andando quando ouve um barulho de galho seco se quebrando no chão. Ela para e olha ao seu redor.
– Quem está aí? – Pergunta com medo.
– Finalmente. – Uma voz grossa saiu de trás de uma árvore e, rapidamente parou atrás de Lexie.
Aquela figura passa a mão pelo cabelo liso de Lexie, fazendo-a virar para ele abruptamente.
– Quem é você? – Perguntou a menina.
Uma risada sinistra saiu do homem alto e branco que está a sua frente. Seus cabelos negros contrastavam com a floresta e o que mais lhe chamou a atenção, foram os olhos vermelhos sangue intensos que a fitava.
– Alexia, Alexia, Alexia... – Falou balançando a cabeça de um lado para o outro. – Você é tão ingênua, pequena Lexie.
– Quem é você?! – Perguntou demonstrando-lhe raiva.
O mesmo balançou a cabeça negativamente e, seu humor de sorrateiro, passou para seriedade.
– A pergunta correta é: Quem é você? – Perguntou.
De repente, a imagem do homem sumiu, deixando apenas uma poeira negra no ar. A garota percebeu que aquele homem não era do bem, não sabia como mas, sentia que ele faria mal à ela.
(Continua...)
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