Visões
4 IV. Sequestro
Notas iniciais
– Lexie... – Uma voz delicada veio de trás da garota.
Lexie virou-se lentamente, sabendo que encontraria o rosto daquela voz misteriosa. Quando posicionou seus olhos, para enxergar a face da mulher que veria, a mesma já não estava mais ali.
– Aonde você está? – Lexie sussurrou tentando não chamar a atenção dos vizinhos que estavam há apenas 10 metros de distância da floresta.
Ela não obteve resposta, mas algo naquela floresta fazia com que ela adentrasse ainda mais a floresta. Talvez fosse a curiosidade. Olhou mais a frente, tentando enxergar algo que não podia ver. Então, começou a andar, lentamente. Seus olhos vasculhavam cada detalhe da floresta, admirando-a.
Alexia avistou uma luz mais à frente. Seu olhar passou de admiração para curiosidade. Se aproximou mais dali, percebendo que a luz é uma tocha com fogo.
– Alguém se aproxima! – Gritou um homem vindo do alto.
Lexie, abruptamente, levantou sua cabeça para enxerga-lo, e de repente o homem pula de uma árvore e fica em frente à ela.
A garota ia fazer uma pergunta, mas na hora o homem dá um soco em seu rosto, fazendo-a cair no chão e bater a cabeça com força numa raiz.
~
– Precisamos saber quem é aquela garota, antes de matá-la. – Sugeriu alguém.
– Ela pode ser uma Undead. – Afirmou uma mulher.
– Não sabemos. – Sugeriu outro.
Os olhos de Lexie foram abrindo-se lentamente. Sentiu seu pulso doendo, olhou para os mesmos e cordas grossas marcavam-nos. Sua boca está tampada com um pano úmido e seus pés também estão amarrados com cordas. Abaixo dela, uma cadeira de plástico. “Que merda é essa?”, perguntou a si mesma. Percebeu que sua mochila não estava junto à ela. Observou lentamente o local onde estava. Um pano bege rodeava ela, parecia com uma cabana. Dentro, duas cadeiras de plásticos e uma mesa, um colchão fino no chão e cobertores rasgados, o travesseiro parecia ser roupas dentro de um saco plástico. O chão é terra e haviam roupas dentro de outro saco plástico num canto daquela cabana.
– O que você acha Darc? – Uma voz grossa perguntou do lado de fora da cabana.
O velho coçou o queixo em dúvida do que fazer. A garota que haviam capturado não tinha olhos vermelhos. Poderia não ser uma ameaça, até sair dali, claro.
– Iremos testá-la. – Concluiu Darc.
– Darc, é arriscado. – Disse a garota pequena de cabelos curtos no ombro e castanhos.
– Cate, ela servirá de algo. – Outro homem afirmou.
– Como o que? Chamar a polícia para nos descobrir? Ela é uma ameaça de qualquer jeito, devemos matá-la. É a única solução. – Disse a garota estressando-se.
– Ela pode trazer suprimentos para nós. – Darc falou.
– Na primeira tentativa ela fugiria. Darc. Isso. É. Arriscado. – Argumentou entre os dentes.
– Somos mais rápidos que ela, não poderá fugir. E se acontecer, darei um jeito que não se repita tal ato. – Darc falou estreitando os olhos.
– Eu desisto. – A garota disse saindo do meio daquelas pessoas e adentrando sua cabana.
De repente, um som veio de onde colocaram a menina de olhos azuis intensos. Todos encararam a cabana.
– Deixa comigo. – Disse o homem que deu um soco em Lexie.
Ele foi até a cabana e se deparou com a garota jogada no chão, provavelmente tentando sair. Ele a encarou, estressado.
– O que pensa que está fazendo? – Perguntou o homem alto, com cabelos arrepiados e escuros, e, com olhos cintilantemente dourados.
Lexie o encarou raivosa, parecia um desafio aos olhos do rapaz. Ele deu um sorriso sarcástico e, rapidamente, aproximou da garota amarrada no chão.
– Aposto que você não vai querer brincar comigo. – Ele sorriu, a pegou e colou a garota no ombro direito.
O homem a segurou fortemente no ombro e a colocou sentada numa outra cadeira. A garota o encarou mas, ele nem ligou. Pegou mais cordas e amarrou as pernas da garota junto à cadeira e também passou a corda por sua barriga, terminando atrás da cadeira. Olhos em seus olhos e tirou o pano da boca da garota.
– Solte-me! – Ela disse raivosa.
Ele fez uma careta e hesitou, sua pupila aumentou e seus olhos passaram de dourados para um súbito vermelho. Ele engoliu em seco.
– Cale a boca. – Grunhiu amarrando o pano em sua boca novamente.
O homem saiu abruptamente da cabana e se encontrou com os outros. Todos o encararam.
– Vá. – Murmurou Darc baixando a cabeça.
De repente o rapaz alto começou a andar ferozmente.
– Lion. – Chamou o velho com voz rouca. – Não demore, precisamos de você aqui.
Lion assentiu de costas e correu incrivelmente rápido.
~
Darc, depois da reunião entre o grupo, voltou para sua cabana. É difícil comandar tudo aquilo sem sua esposa. Dianna era uma mulher muito meiga e ao mesmo tempo severa quando devia. Ela o ajudava em tudo, mas por causa de um passo em falso, Darc pôs tudo a perder. Ele não gosta de lembrar desse inexplicável acidente, mas aquela garota que Lion capturou adentrando a floresta, ela tem o brilho que sua esposa tinha e também é um tanto quanto parecida com Dianna.
Ele se levanta do colchão desconfortável e sai da cabana. A garota está alojada na cabana de Lion. O mesmo ainda não voltara. Foi rapidamente ver a pequena menina de olhos vibrantes.
Adentrou a cabana e se deparou com a garota lutando contra o próprio sono. Ela o fitou e seu olhar frio voltou. Darc aproximou-se dela e desamarrou o pano. Quando o fez a garota tossiu algumas vezes, mas sem falar nada. O fitou com ressentimento.
– Qual o seu nome pequena? – Darc perguntou calmo.
– Solte-me! – Falou ríspida.
– Não posso, quero dizer, não podemos soltá-la. Você voltará para a cidade e contará sobre nós. – Ele falou pegando uma cadeira e sentando-se de frente para a garota.
– Isso é sequestro! – Ela provocou.
– De certa forma não, você adentrou nosso território, temos todo o direito de mantê-la como prisioneira. – Darc respondeu analisando o rosto da garota. – Aposto que está com fome.
A garota não fez nem ao menos um gesto sob aquela frase, talvez não sentia-se segura para aceitar qualquer coisa daquelas pessoas.
– Vocês são loucos. – Murmurou ela. Seus olhos vasculhavam os olhos do velho Darc. – Estamos em pleno século XXI e vocês estão brincando de guerrinha? – Ela perguntou enojada.
– Não estamos brincando. – A voz de Darc passou de simpática para séria. – Você não tem ideia da realidade, garota.
– Que realidade? – Ela perguntou sarcástica. – Não existe nada mais além disso, enquanto você é apenas um velho acabado morando numa floresta.
Darc a encarou com fogo nos olhos. Essa garota não tinha noção com quem estava falando. Ela não sabe do que ele e seu grupo são capazes de fazer. Darc levantou-se da cadeira com ressentimento por ela e grunhiu:
– Você é tão ingênua.
Depois amarrou o pano em seus lábios novamente.
~
Lexie não sabia o que está acontecendo. Castigou a si mesma por ter fugido da casa do pai. Piscou duas vezes quando viu o sol adentrar uma fresta da cabana. Ela não dormira e seus olhos estavam inchados por isso. Sentiu sua barriga roncar e ninguém mais entrou naquela estúpida cabana para tentar descobrir quem ela é. Lexie estava acabada. Não sentia as mãos nem os pés e aquele pano imundo em sua boca só lhe trazia enjoos.
Escutou algo lá fora. As pessoas que moram nessa floresta estão conversando sobre algo. Talvez discutindo seu futuro. Ela nem se importou. Enquanto ouvia uns murmúrios procurava ao seu redor algo para se soltar. Nada. A não ser pela faca em cima da mesa. Mas, como a pegaria?
Flexionou os dois joelhos e andou de alado até a mesa, por sorte a faca está na ponta da mesa. Levantou seus braços devagar e com dificuldade, mas em fim, conseguiu pegá-la. Tentou posicioná-la de um modo que cortasse aquelas cordas, mas, antes que o fizesse uma mulher entra na cabana. Seus cabelos são curtos, lisos e castanhos, sua pele tão branca quanto às dos outros. Sua boca meio avermelhada tremia, mas não parecia medo e, seus olhos, dourados.
– Devíamos matá-la. – Murmurou a moça a sua frente.
(Continua...)
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