Visões

1 I. Como tudo começou


Notas iniciais
Aqui o novo primeiro capítulo! Espero que gostem.

Alexia está em seu pequeno e humilde quarto, observando o reflexo que produzia o espelho. Cabelos negros azulados como o céu durante a noite, olhos claros e azuis como diamantes, lábios pouco carnudos, mas avermelhados comparada à sua pele.
Lexie não consegue tirar da cabeça a ideia de deixar Jannie, isso a deixava com o coração apertado demais. Foi ela quem cuidou de Lexie desde quando se separou de Max. Eles haviam combinado que após Alexia sair do colegial, ela passaria a morar com o pai.

Jannie está sentada numa cadeira na cozinha esperando com que sua filha descesse. Ela nunca se sentiu tão amedrontada em toda sua vida. Deixar a filha que ela cuidou desde os cinco anos ir embora assim. Jannie começou a voltar no passado, lembrando de como era a vida quando ela e Max estavam juntos, como tudo era mais fácil e como seria se ainda estivessem juntos. Ela não teria que ficar longe da filha, assim como Max também estaria ao seu lado. Sim, ela ainda o amava. Mas, no passado ele fez tal coisa que jamais poderia perdoá-lo. A mulher loira com olhos castanhos vira a cabeça abruptamente para o lado, saindo totalmente de seus pensamentos e observando a filha com uma roupa quente, segurando algumas malas na mão. Jennie tentou fazer seu melhor sorriso, para demonstrar confiança à filha.

– Mãe, você não precisa fingir que está bem com tudo isso. – A garota com cabelos lisos azulados falou.

– Sei que não. – Jennie respondeu ainda obrigando-se a sorrir. – Só estou tentando fazer meu papel de mãe.

Lexie abriu um sorriso pequeno e um silêncio desconfortável parou no ar.

– Promete que me visitar? – A mulher perguntou com um nó na garganta, segurando as lágrimas.

– Ah, mamãe... – Lexie solta sua bagagem e envolve a mãe num abraço aconchegante. – Claro que venho.

– Obrigada querida. – Jennie a abraçou mais forte e por um instante sentiu que nunca mais conseguiria soltá-la. Agora lágrimas percorriam seu rosto.

As duas soltaram-se quando ouviram a buzina da caminhonete de Max na porta da casa. Elas se entreolharam, Lexie abriu um sorriso para confortar a mãe, enquanto a mesma enxugava as lágrimas com a palma da mão.

– Vou ajuda-la com as bagagens. – Jennie falou subindo para o quarto da filha, onde havia mais malas.

A campainha toca e Lexie vai abri-la. Lá encontra Max, um sujeito magro com um bigode acima da boca. Olhos castanhos e cabelo escuro. Sua pele parecia estar mais pálida que o normal, devido ao lugar onde mora.

– Está pronta? – Ele perguntou abrindo um sorriso sincero e humilde. Max sente-se feliz por ele, pois agora, sua filha moraria com ele, mas também sentia uma pontada de tristeza por Jennie.

– Só falta pegar umas malas. Pode entrar, pai. – Ela falou apontando um sofá marrom de camurça.

– Obrigado. – Ele disse adentrando, porém não sentou. Ele sabia que Jennie ficaria amarga se o visse abusando tanto assim de sua gentileza.

Jennie desceu as escadas com mais três malas na mão, colocou-as no chão, junto às outras. Seu olhar foi das malas para o rosto de Max, abrindo um ligeiro sorriso para cumprimenta-lo. Max a respondeu da mesma forma.

– Deixe-me ajudar com isso. – Max falou pegando duas malas e levando para sua caminhonete.

Jannie pegou outras duas malas e Lexie pegou a última que sobrou. Um de cada vez colocou a mala onde coubesse, pois o automóvel é um tanto quanto bagunçado, então, praticamente não cabia muitas coisas lá dentro.

Alexia adentrou o automóvel velho de seu pai e colocou o sinto de segurança, observou sua mãe com um olhar triste, tentando descobrir, mentalmente, o que fizera ela e Max se separarem. Jennie a fitou e aproximou-se da caminhonete um sorriso minúsculo no rosto.

– Comporte-se querida. – Jannie falou segurando as lágrimas. – E... E boa viagem.

– Obrigada mãe, promete ficar bem enquanto eu não estiver? – Lexie perguntou querendo chorar, mas beliscando o próprio braço para não demonstrar tal fraqueza, não queria que sua mãe chorasse por causa dela.

– Prometo. – Jannie respondeu já entre soluços.

Max entra na caminhonete sem dar uma única palavra com Jannie. Ele dá a partida na caminhonete quando ouve Jannie tossir duas vezes chamando sua atenção.

– Max cuide bem dela. – E pela primeira vez desde sua chegada, Max ouve a voz de Jannie sair baixa e rouca, num tom preocupado.

– Pode deixar. – Ele respondeu num fio de voz.

Jannie desencostou da caminhonete e observou a caminhonete se distanciar cada vez mais. Só entrou em sua casa quando não via mais nenhuma mancha do automóvel na pista longa e reta.

~

Logo que Alexia viu sua mãe desaparecer no retrovisor da caminhonete, ela fitou seu pai, pensando se deveria tocar novamente naquele assunto. Seria muito ousado de sua parte, mas uma hora ou outra saberia. O que custava tentar?

– Pai... – Ela o fitou séria, vendo Max olhá-la. – Por que você e minha mãe se separaram? – A pergunta escorregou pela sua boca, sem ter uma única pausa para a impedir de fazê-la.

– Lexie, você sabe que eu não gosto de tocar neste assunto. – Ele falou tenso.

– Pai, um dia eu saberei, conte-me, por favor. – Implorou a garota num tom raivoso.

– Sim, um dia você saberá e, esse dia, definitivamente, não é hoje. – Ele respondeu ríspido.

Alexia bufou. Ela sabia que isso aconteceria, mas tentar não foi um erro.

O resto da viagem foi totalmente silencioso. Ambos estavam com raiva. Lexie, pela grosseria do pai e, Max, pela persistência da filha. Finalmente uma placa antiga aparece ao lado esquerdo da estrada, mostrando que haviam chegado numa nova cidade. Logo abaixo do nome da cidade, havia uma frase de efeito que mal dava para ler.

Lexie não deu importância. Depois de ter aquela discussão com seu pai, ela só queria chegar logo em casa e ficar no seu quarto.

– Chegamos. – Murmurou Max.

Lexie soltou o sinto e saiu da caminhonete, pegou duas malas, enquanto seu pai pegava as outras três. Com dificuldade, Max abriu a porta da casa e a adentrou. Lexie fez o mesmo.

– Mostrarei seu novo quarto. – Ele disse subindo uma escadaria, com as malas.

Lexie não respondeu e o seguiu. A parte de cima da casa era tão pequena quanto a parte de baixo, mas isso não importava, desde que tivesse uma cama, um chuveiro e comida, Lexie se instalaria bem ali.

Ela entrou num quarto com paredes num tom bege e com acabamento branco. De frente para a porta tem uma janela. O teto também branco, o piso de madeira cor marfim. Encostada na parede lateral, havia uma cama de solteiro com cobertores branco e cinza. Uma cômoda com um relógio digital e um abajur ao lado da cama. A frente da cama, uma escrivaninha da cor marfim, onde ela poderia deixar seu notebook. Ao lado dela, um armário branco, não muito grande, mas que daria para guardar todas suas roupas. No chão havia um tapete da cor branca para enfeitar.

– Gostou? – Max perguntou.

Lexie assentiu e adentrou o quarto, deixando as malas num canto de seu quarto, Max fez o mesmo.

– Você vai ficar sem falar comigo por quanto tempo? – Ele perguntou encostando-se na abertura da porta.

Lexie o fitou incrédula, mas depois pensou novamente e seu olhar se tornou calmo. Ela não queria ter um mal relacionamento com seu pai, ainda mais agora que ela acabara de se mudar para sua casa. Estalou os lábios e falou:

– Desculpe.

Max abriu um sorriso pequeno e assentiu:

– Eu lhe chamo quando o almoço sair. – Falou saindo do quarto.

Alexia virou-se para as malas e as encarou com preguiça. Começou a arrumar suas coisas. De repente, ouve um barulho vindo da janela e abruptamente leva seu olhar para a mesma, se levanta e aos poucos se aproxima da janela. Abriu a própria para tentar enxergar algo, mas devido a neblina, não viu nada.

– Alexia! – Ouviu alguém chamar.

(Continua...)

Notas finais
Gostaram? Reviews?P.S.: Se você já leu essa fic com a narração da Alexia, tenho que dizer que: 1) Acho que vocês perceberam que a narração mudou, então... ;p2) Sim, praticamente a história toda mudou, principalmente o enredo, ou seja, se quiser ler de novo fique a vontade, se não, continuo te amando.