Notas iniciais
MissLany: Boa tarde leitoras queridas!!!:))

Primeiramente agradecemos a Nannah, pela nossa primeira recomendação *dancinhadavitoria* Valeu mesmo Nannah pelo carinho e confiança em apostar em V&I, que despertou tanta curiosidade ainda bem no comecinho!!! :D

Aproveitando o horário do almoço para trazer um novo post, como disse todas as segundas!Neste capítulo apresento-lhes Elize, essa moçoila responsavel por despertar o ódio no coração do nosso caramelinho. Bjus e boa leitura!

Conversamos no final :)

“Ele disse: ela era Oblíqua e dissimulada... Oblíqua eu não sabia o que era, mas dissimulada... eu bem sabia...” (Machado de Assis, Dom Casmurro)

Newton’s era um dos poucos restaurantes realmente sofisticados da cidade. Ostentava a grandeza de ser freqüentado pelas famílias mais importantes de Forks, cujos sobrenomes eram sinônimos de riqueza.

Da prataria exposta à mesa, dos cálices de cristais, da excelente comida e das bebidas distintas, tudo era de muito bom gosto. Sem falar na arquitetura refinada do ambiente, dos grandes lustres presos ao teto, que se gabava o proprietário ter sido herança do patrimônio de Napoleão Bonaparte. Ninguém nunca ousou duvidar disso, dado ao prestigio da família Newton.

Em uma das mesas, Elize observava atenta Riley escolher as bebidas no menu do Newton’s. O rapaz descia os olhos pela caligrafia, apertando-os um pouco enquanto não se decidia. Essa era uma das suas características que mais desagradava Elize. Odiava o jeito indeciso do namorado. Preferia que o homem a quem futuramente entregasse sua vida tivesse o pulso firme em suas escolhas. Admitia que na maioria das vezes tal característica lhe favorecia. Sempre conseguia facilmente tudo o que queria dele, manobrando-o conforme as suas vontades. Contudo sabia que sua personalidade forte e criativa requeria desafios constantes para manter-lhe o interesse, no que Riley fracassava mortalmente.

Enquanto Riley se entretinha com a difícil missão de escolher um dos itens do cardápio, Elize se permitiu analisar o namorado por alguns instantes. Ele tinha as linhas do rosto finas e suaves, pele clara, olhos claros e cabelos da mesma tonalidade. Vestia-se com roupas elegantes, que indicavam sua posição social favorecida, no entanto não existia em seu aspecto nada marcante, que não seus moldes educados, sua linguagem culta e sua dedicação à medicina.

Elize conheceu Riley há cerca de um ano, em um baile beneficente na cidade de Seattle. A moça tinha acabado de retornar à Forks para passar as férias de verão – fato este que não ocorria a três anos, desde que iniciara seus estudos em arte moderna, na Inglaterra -, e o rapaz coincidentemente retornava para o seio de sua família em Forks.

Médico recém formado, graduado em uma das melhores universidades do país, gastava horas buscando fundos para a cruz vermelha, o que ela considerou louvável. A princípio o jovem não chamara sua atenção – ao contrário de todas as demais moças solteiras da cidade, que se jogaram instantaneamente em cima do rapaz recém chegado. Elize, porém, não via motivo algum para tanto alvoroço, a não ser a novidade que ele representava. Fora isso, o rapaz era normal demais, de uma beleza comum, e comportamento sem a menor excentricidade. O que o diferenciou dos demais rapazes que conhecia, porém, foi seu desprendimento para causas nobres e interesse pela literatura inglesa, que automaticamente a encantara. Vê-lo recitando versos e trechos dos seus livros favoritos, causava-lhe uma admiração desmedida.

Durante o verão se aproximaram e iniciaram o namoro. Com o fim das férias, entretanto, Elize retornou para a Inglaterra, mas o casal continuou se correspondendo. As cartas românticas e bem escritas de Riley acabaram por despertar os sentimentos da jovem por ele, o que a motivava a retornar a Forks durante as datas festivas. A distância acabou por consolidar a relação do casal. Enfim, ao final de seu curso, que durou quatro longos – e curtos — anos, Elize retornou para Forks definitivamente.

A família de ambos mostrou-se bastante satisfeita com o relacionamento, e diante dos amigos em comum, o noivado já era algo inevitável. O rapaz estava totalmente apaixonado, isso saltava aos olhos de qualquer espectador que os observava. Não apenas a beleza da moça chamava sua atenção, mas também sua personalidade intrigante e seu jeito peculiar de ser. Riley tinha certeza de que nunca conheceria uma moça como Elize, e tê-la como sua noiva era motivo de orgulho e contentamento. A moça, por sua vez, não compartilhava de tais sentimentos.

Gostava do rapaz sinceramente, isso não podia negar, mas começou o relacionamento, mais por impulso e conveniência do que por qualquer outro motivo. Depois que retornou a Forks pôde conviver com o namorado de perto, e com o passar dos meses, as qualidades, que antes tanto admirava, começaram a ser sufocadas pelos defeitos que a irritavam. Mas a jovem sabia que a culpa não era de Riley, e sim da fragilidade dos sentimentos que nutria pelo rapaz. Estava totalmente ciente de que não o amava, longe disso! Já tinha vivido anteriormente um grande amor para saber exatamente que o que sentia por Riley não passava de carinho genuíno. Porém estava certa de que sua chance de compartilhar um amor verdadeiro havia passado apenas uma vez em sua vida, e ela havia a deixado escapar, então se sentia feliz por ter Riley. Afinal, era bom ter alguém!

A verdade é que Riley a fazia lembrar muito de Edward Ferrars, personagem de um de seus romances favoritos, Razão e Sensibilidade, de Jane Austen. Pensava a respeito de Riley exatamente como a personagem do livro fora descrito por Mariane, quando se referiu ao futuro cunhado: “Edward é muito simpático... mas mesmo assim é o tipo de rapaz... falta-lhe alguma coisa... a sua aparência não impressiona, não tem nenhuma das qualidades que esperaria de um homem... Seus olhos carecem de todo aquele espírito, daquele fogo que anuncia ao mesmo tempo a virtude e inteligência...”

- Eles estão demorando. — Elize pareceu levar um leve susto, quando a voz do namorado a trouxe de volta a realidade. Sentiu a mão de Riley tocar a sua, que repousava sobre a mesa, de forma terna e carinhosa. Sorriu e com um aceno de cabeça concordou.

Riley tinha perdido tanto tempo analisando o menu, que nem ao menos percebera que Elize estava ausente. Mas isso era apenas mais uma característica dele que a incomodava. Nunca foi um grande observador pelo menos não no que dizia respeito a pequenos aspectos femininos. Além disso, faltava-lhe um toque de malícia para discernir os complexos sentimentos que Elize escondia sob cada pequeno gesto.

- Alice sempre se atrasa. – respondeu Elize, não dando importância ao fato, já que a amiga nunca fora pontual.

Alice era uma verdadeira adoradora da moda de alta costura. Seu quarto era repleto de revistas, informando a tendência daquilo que ela mais adorava: a cultura parisiense. Nunca imaginou Alice saindo de casa sem verificar cada detalhe de seu figurino arrojado e bem produzido. Seu corpo magro e pequeno, sua pele branca acetinada e seus cabelos curtos e escuros, se encaixavam perfeitamente num belo vestido de seda, num chapéu de Coco Chanel e em uma maquiagem bem trabalhada. Sem falar que era uma criaturinha incrivelmente meiga.

— Se ela se atrasa desse jeito para um simples jantar entre amigos, que dirá no dia de seu casamento... Pobre Jasper! Temo que ele não compreenda todas as excentricidades da noiva e acabe se cansando. – Riley argumentou num tom de lamento quando se referiu ao militar.

Jasper era tenente do exército. O jovem louro e esbelto tinha no sangue o amor pelas forças armadas. Porém não era de se estranhar, já que sua família vinha de uma longa linhagem de militares. Seus antepassados guerrearam com bravura desde a época dos confederados.

Elize fitou mais uma vez o jovem sentado ao seu lado. Lamentavelmente Riley... Era o único que não compreendia o óbvio. Jasper amava demais Alice para não entender que tal “defeito” a deixava mais encantadora ainda. Elize não tinha dúvidas, Jasper esperaria por Alice por toda a vida, se assim precisasse, no entanto preferiu não contradizer ao namorado e deixou sua observação sem resposta.

— No caso de Rose e Emmett, acredito que estejam cuidando dos detalhes do casamento. – afirmou tranqüilamente, mudando de assunto. – Você sabe como Rose sempre sonhou com um casamento perfeito... Ela não vai poupar esforços para que tudo saia exatamente como o planejado. — Elize concluiu, esboçando um ar de riso, quando se lembrou da amiga perfeccionista.

Riley contemplou-a extasiado, fitando a forma como seu rosto ficava ainda mais lindo quando sorria. Elize, de fato, era incrivelmente bela, inteligente, perspicaz, dona de um riso encantador. Lembrou que fora o riso dela, quando recitou Shakespeare, que o inebriara. O som de sua risada ficara ecoando em sua cabeça por vários dias. E agora tinha o privilégio de ouvi-lo ao seu ouvido...

- Se sei! Emmett tem se desdobrado para realizar os caprichos de Rose. — Riley riu, lembrando-se das reclamações do amigo sobre os desejos quase impossíveis de sua futura esposa, que não tinha como negar, era exigente. Mas tinha certeza de que com Elize não seria diferente. Faria de tudo para realizar todas as suas vontades, embora ela nunca se manifestasse sobre o assunto.

Elize realmente não compartilhava seus pensamentos sobre o tema com o namorado, pois era preferível guardá-los para si. Sabia que um dia se casaria com ele, isto era inevitável, mas sempre que pensava no assunto era impossível não ser tomada por certas lembranças, de um momento em que alimentava os mesmos sonhos das amigas — de um casamento baseado no amor verdadeiro.

Tudo passou diante de seus olhos como num flash, e rapidamente os pensamentos foram guardados com cuidado. Sabia que era perigoso alimentar aquelas recordações, pois sempre traziam consigo o sofrimento de sonhos frustrados. Mas era inevitável, principalmente às vésperas do matrimônio de Rosalie, relembrar como seria o seu casamento dos sonhos. Não imaginava uma igreja repleta de rosas, convidados importantes, ou um vestido glamoroso... Não faria questão por uma imponente carruagem, ou de uma elegante recepção na mansão de seus pais. Nada disso se encaixava na imagem que brotava na mente de Elize quando imaginava esse momento. A capela da casa onde crescera. Um vestido de renda branco. Pés descalços e uma rosa em seus cabelos... E ele.

- Logo seremos nós. — Riley sorriu, enquanto beijava o dorso da sua mão.

Um choque passou por Elize. Teve de se esforçar para manter o sorriso nos lábios, enquanto seus olhos marejavam sem que pudesse evitar. Não. Nada daquilo fazia parte da sua vida agora. Riley seria seu futuro marido e o casamento dos dois seguiria as tradições de todos os outros casamentos da alta sociedade. Ainda envergonhada, desviou o olhar de Riley, tentando disfarçar seu incômodo – embora tivesse certeza de que ele nada perceberia, como sempre. Para seu alívio, observou os dois casais adentrarem ao restaurante.

- Eles chegaram. – sussurrou Riley, acenando discretamente para Rosalie e Emmett, Alice e Jasper. — Até que enfim. — falou o jovem médico assim que os casais se acomodaram.

As garotas se cumprimentaram com beijos, abraços, sorrisos e elogios. Quanto aos rapazes, apertos de mãos e fortes batidas nas costas. Alice estava exatamente como Elize previu, e Rosalie não ficara atrás, vestida com um vestido justo preto, que lhe descia às pernas na altura do joelho. Os longos cabelos loiros soltos e apenas uma presilha prata embelezavam suas madeixas. O fato era que Rosalie era linda, na opinião de Elize uma das garotas mais lindas de Forks. Era impossível algo ficar feio em seu corpo escultural ou em seu rosto perfeito. O único defeito da amiga — e isso já lhe dissera muitas vezes — era o gênio.

- Estávamos escolhendo as flores que ornamentarão a igreja e a casa dos meus pais. — Rose falou nitidamente feliz. Um toque de presunção em sua voz denunciou que mais uma vez seu gosto havia sido realizado. As palavras do seu noivo confirmaram tal fato.

- Você escolheu e eu só concordei. — Emmett a corrigiu, se divertindo com o olhar recriminatório que a noiva lançou. — Nunca imaginei que existisse uma variedade tão grande de flores...

Somente uma criatura como Emmett seria capaz de conviver de forma harmoniosa com Rosalie. O rapaz alto e forte podia causar certo receio em quem o fitasse pela primeira vez, mas bastava que ele mostrasse suas lindas covinhas em um sorriso largo, ou proferisse as primeiras bobagens para que percebessem que ele não causava perigo algum. Na verdade seu enorme coração era o músculo mais desenvolvido em seu corpo. O belo moreno era engenheiro formado, e lograva uma pequena fortuna em constante crescimento, fruto da expansão de Forks. Sempre fora apaixonado pela bela loura, e desde a adolescência, quando iniciaram o namoro, não via problema algum em sucumbir aos seus encantos e deixar que comandasse sua vida. Eram intensamente apaixonados – e não faziam questão alguma de esconder suas demonstrações de afeto em público. O casamento coroaria a bela relação de amor.

- Exagerado – corrigiu Rose, dando uma leve batida no ombro de Emmett, que soltou um beijo no ar. – Só quero que nosso casamento seja perfeito. – argumentou.

- Nesse aspecto Rose tem razão. – a voz meiga e afinada de Alice soou. — O casamento é a ocasião mais importante na vida de uma garota, por isso deve ser muito bem produzido. – seus olhos brilharam e ela continuava com um sorriso largo nos lábios delicados. Sua expressão angelical arrancou um suspiro apaixonado do noivo. Jasper era tão diferente de Alice... Ele era introvertido, quieto, de poucas falas. Alice era alegre, viva, tagarela e de uma simpatia incrível. Mesmo assim a diferença de personalidade nunca foi óbice para o amor dos dois, do contrário, parecia que se encaixavam como peças perfeitas de um quebra cabeça. O que faltava em um, sobejava no outro. — Também não pouparei esforços quando for o nosso casamento, amor. – ela voltou-se para o noivo, que retribuiu o sorriso, acenando com um leve gesto de cabeça.

- Advirto desde já, meu caro amigo... – Emmett falou com o tom de voz mais pomposo. – Esta pequena irá lhe enlouquecer! – apontou para Alice, que estirou a língua em resposta. — É isso que nossas amadas futuras esposas fazem durante os preparativos do casamento... Deixam-nos loucos! – ele gargalhou e Rose ralhou fazendo bico nos lábios pintados.

- Não me importo Emmett, Alice terá todo o meu aval. – Jasper respondeu, arrancando um coro de “ohhh” dos amigos. A noiva o agradeceu, beijando-lhe a face carinhosamente.

Elize continuava em silêncio, apenas a observar os amigos. Estava verdadeiramente contente pelos quatro, pois tinha quase certeza de que seriam realmente felizes. Casariam-se com as pessoas que amavam, e nada poderia ser mais perfeito do que isso. Mas uma pontada de inveja afligia o seu coração... Olhou para Riley sentado ao seu lado, e mais uma vez suspirou, com esperanças de que um dia se apaixonasse por ele de verdade. Quem sabe após o casamento... Ou depois do nascimento do primeiro filho... Elize sempre conjecturava a respeito, mas lá no fundo sabia que suas esperanças eram vãs. Jamais olharia para Riley com os olhos cheios de amor como suas amigas fitavam seus noivos.

Alice desviou os olhos de Jasper para Elize, e percebeu o estado de espírito da amiga. De fato, era incomum que permanecesse calada por tanto tempo. Sempre impunha suas opiniões de maneira incisiva, mas desde que se sentaram à mesa não tinha esboçado mais do que duas ou três palavras. Quando Elize tornou a encarar a amiga, Alice a questionou em silêncio, como se perguntasse o que havia com ela, e Elize respondeu com os olhos que não era nada. As duas eram tão cúmplices, que tais conversas sem palavras eram comuns entre ambas. Alice ficou quieta por hora, mas na primeira oportunidade exigiria que a amiga lhe contasse o que se passava.

- Mas e então... — Emmett voltou-se para Riley — Você já fez o pedido?

Por um instante os olhos de Elize arregalaram-se, pensando que o amigo fazia menção do assunto que discutiam anteriormente. Evitava a todo custo o assunto “casamento” com o namorado, numa maneira de adiar seus possíveis planos o máximo possível, pois ainda não se sentia preparada para dar mais esse passo. Mas, para seu alívio, assim que Riley respondeu à pergunta de Emmett, percebeu que este apenas o questionava sobre a refeição que fariam. Num suspiro quase imperceptível, Elize soltou o ar que prendera inconscientemente. Alice mais uma vez especulou o comportamento estranho da amiga, mas esta desviou os olhos.

- Sim... Não, na verdade ainda não decidimos. – Riley respondeu, e Elize teve vontade de dizer que ele não tinha escolhido, porque ela já sabia há muito tempo o que queria.

- Uma água. – Elize balbuciou para Riley, que fez um gesto chamando a atenção do garçom, e este prontamente compareceu à mesa.

- Uh! Gim para mim e água para a senhorita.

- Queremos o mesmo. — apontou Jasper, devolvendo o menu à mesa.

- Para mim, um Bloody Mary. — Emmett falou observando rapidamente o menu, e em seguida colocando-o sobre a mesa, voltou-se para a noiva. — Rose?

- O mesmo que a Srta. Collin. – o garçom anotou os pedidos e retirou-se.

- Hoje estou com um apetite fora do comum. — Emmett mencionou.

- Está sem fome, então? – o militar brincou, referindo-se ao apetite, segundo sua opinião, exagerado do amigo.

- Observe meu tamanho. – Emmett caçoou, mostrando o bíceps, movendo os ombros grossos e delineados em seu terno justo. – E agora o seu! — ele apontou para o jovem Jasper, que tinha um sorriso zombeteiro nos lábios. Emmett, além de o mais musculoso, era genuinamente o mais divertido do grupo.

- Você tem tamanho, Emmett, eu tenho técnica. Não preciso dizer qual das duas qualidades prevalece... – Jasper devolveu, sabendo que uma das coisas que o amigo mais se gabava era da força física.

- Isso eu gostaria de ver. – mencionou, tamborilando os dedos na mesa, enquanto corria os olhos pelo lugar.

- Procurando alguém, Emmett?- Riley observou.

- O prefeito. Ouvi alguém dizer que estaria aqui essa noite. Preciso que ele libere logo a reforma do hospital, caso contrário o Dr. Carlisle não irá me deixar em paz... – suspirou. — Acho que ainda não chegou.

- Dr. Carlisle só está preocupado com a demora. Além de excelente médico, ele tem um bom coração, e se preocupa genuinamente com seus pacientes. — defendeu Rose, que, assim como todos da cidade, adorava o diretor geral do hospital municipal. Emmett só não ficava com ciúme de tantos elogios, porque, em primeiro lugar, tinha confiança nos sentimentos da noiva por ele, e em segundo, porque o médico era casado com a bela Sra. Esme, por quem era declaradamente apaixonado.

- Aqui está. Água para as senhoritas. — o homem que já tinha costume de atendê-los depositou as taças sobre a mesa. — Gim para os cavalheiros Sr. Biers e Sr. Whitlock, e um Bloody Mary para o Sr. McCart.- todos sussurraram um “ obrigado”.

- Peter?- Emmett chamou, se dirigindo ao garçom antes que este saísse para atender outra mesa.

- Sr. McCart. — respondeu prontamente.

- O prefeito virá esta noite?

- O prefeito Swan tem reserva para jantar com seu genro, sua filha e sua neta. — Peter respondeu, referindo-se a Isabella, Edward e Renesmee.

Os Swan eram tipicamente uma das famílias tradicionais de Forks, de sangue nobre, refinados e ricos. Mas nem toda a nobreza e dinheiro impediram que a família fosse objeto de um dos maiores escândalos da cidade. A filha de Charlie, Isabella, engravidou aos quinze anos de Edward, um conhecido boa-vida. O casal foi obrigado a se casar, mas Charlie não escondia até hoje, quatorze anos após o incidente, a decepção que sofrera pelo escândalo que a filha havia provocado. Além disso, quase perdera uma campanha pelo mau comportamento de Isabella. Hoje em dia a família era comentada por outros hábitos escandalosos de seus membros...

- Mais alguma coisa, senhor? – o garçom perguntou, enquanto olhava apreensivo o salão do restaurante cada vez mais cheio.

- Por hora não. – Emmett respondeu, e o garçom, com um gesto de licença, afastou-se.

Depois de uma curta indefinição, todos acordaram que o melhor pedido para a noite seria cordeiro, com batatas e um bom vinho, pedido perfeito para a noite um pouco fria. Enquanto conversavam amenidades, já que sempre se divertiam quando estavam juntos, Emmett observou o prefeito finalmente chegar. Analisando-o, percebeu que Charlie Swan parecia de bom humor, então aproveitou o momento para falar-lhe, levando consigo Riley e Jasper.

Enquanto os três se aproximavam do prefeito e de sua família, as damas que ficaram à mesa observavam de longe o comportamento de Isabella e de sua filha Renesmee. Mesmo que discretamente, ambas pareciam se insinuar para os rapazes, embora o fato fosse mais perceptível aos olhos de mulheres atentas, do que aos dos rapazes, que pareciam sinceramente interessados apenas na conversa com o prefeito. Elize, entretanto, não teve ciúmes, diferentemente das amigas. Não entendia ao certo o porquê – se por excesso de confiança, ou por falta de paixão -, mas o namorado não lhe despertava esse tipo de sentimento. Alice e Rose, por sua vez, não suportavam a filha do prefeito e sua neta. Não era a primeira vez que investiam em seus noivos.

- Alguém além de mim está com vontade de ensinar àquelas duas a terem compostura?- Alice crispou os lindos olhos carismáticos, fazendo uma careta feia enquanto observava o noivo ser praticamente devorado vivo pelas Swan.

- Alice, você é uma verdadeira lady! – Rosalie estreitou os olhos e soltou com aspereza na voz: – O que aquelas duas sem vergonha precisam é de uma boa surra, e isso eu sei fazer muito bem.

- Edward só pode se fazer de cego para não ver a forma barata como elas se comportam. — Alice falou, dando um pequeno gole na sua bebida, mas nitidamente contrariada. Seu rosto de fada estava amuado.

- Talvez ele seja obrigado a se fazer de cego... – Elize acrescentou de forma tranqüila, apreciando a performance do excelente pianista do Newton’s. Todos na cidade sabiam que Edward não passava de uma marionete nas mãos dos Swan, já que tinha ascendido socialmente apenas após o casamento com Isabella, fato este que parecia tirar-lhe o direito de reclamar por qualquer motivo. — Mas o mal comportamento de sua esposa e filha, isso é certo, já deixou de ser segredo perante os olhos da sociedade. – acrescentou de forma distraída, observando a movimentação do lugar.

- Oh! Veja quem resolveu participar da nossa conversa, Rose... Pensei que Elize estivesse aqui apenas de corpo presente. – reclamou Alice.

Elize planejava lhe dar uma resposta desaforada à altura, mas pelo canto do olho percebeu Rose se movimentar nervosa na cadeira. Seus olhos guiaram os de Elize até a entrada do restaurante, e imediatamente a moça sentiu a pulsação acelerar quando percebeu quem acabara de adentrar ao recinto. Era sempre assim.

Era ele chegar e tudo ao redor sumir de forma gradativa, junto com todo o som ambiente. Tudo que via e ouvia era ele. De certa forma nunca havia se acostumado com aquela sensação. A mesma que fazia o seu coração bombear rápido, suas mãos ficarem frias, sua respiração ficar quase ofegante e a estática tomar conta do seu corpo. Só existia uma pessoa que tinha a capacidade de deixar Elize daquela forma. De lhe tirar do eixo. E essa pessoa se chamava Jacob Black.

Rosalie, por baixo da mesa, beliscou a perna da amiga, numa forma de chamá-la de volta à realidade.

- Dá para agir como um ser humano normal? – cochichou, inclinando-se ligeiramente para Elize.

- Er... Eu estou normal. – a moça voltou-se com dificuldade pra encarar a amiga.

- Elize, seja sincera. Você nunca fica normal quando Jacob está por perto. – Alice emendou, demonstrando que tinha acompanhado o que acabara de acontecer.

Elize tentou inutilmente articular seus pensamentos, e negar de alguma forma o que as amigas lhe diziam. Mas foi em vão. O máximo que conseguia era controlar seus olhos para que não buscassem o lindo rapaz que provavelmente já havia se sentado em algum lugar no restaurante. A moça se amaldiçoou internamente, imaginando se seus pensamentos anteriores haviam atraído-o para perto de si.

Suspirou vencida. Rosalie tinha razão. Deixava de ser quem era, ou devia ser, quando estava no mesmo ambiente que Jacob. Voltava a ser aquela garota de coração acelerado, mãos trêmulas, e rosto corado. Era como se ele tivesse o poder de se fazer sentir em cada centímetro de seu corpo, como o sol que espalha seu calor por toda parte. Lembrava-se de que Jacob era assim.

- Os rapazes estão voltando. — Rose falava baixo e rápido – Já que não está em seu estado normal, pelo menos finja.

Então era o momento de mais uma vez começar a representação, o que já fazia há quatro longos anos. Na verdade, não sabia mais diferenciar quando agia de maneira ensaiada ou de maneira natural. Havia se tornado seu hábito premeditar cada gesto e palavra, e controlar cada pensamento.

Inicialmente, fingia que não sentia nada, que não sofria, e que seguira sua vida. Fingia que o passado havia ficado no passado, e que só o futuro lhe importava. Fingia que havia tomado a decisão correta, e que convivia bem com isso. Fingia que cada dia não se arrastava como se fosse anos. Fingia que era feliz. Depois que retornou a Forks, entretanto, o fingimento passou a ser mais difícil.

Fingia que Jacob era só mais uma pessoa. Fingia que sua presença não a afetava. Fingia que não sentia descargas elétricas cada vez que seus olhos se cruzavam. Fingia que não lutava com a sua mente para não viver pensando nele. Fingia que ele não representara nada, quando na verdade ele fora e sempre seria o amor de sua vida.

Fingir, fingir, fingir... Era no que sua vida se resumia nesses últimos anos.

Observou Riley e seus amigos se aproximarem da mesa, mas infelizmente foram interceptados por outro grupo de homens. Dessa vez, Elize nada pôde fazer para desviar o olhar, e tinha o álibi de estar supostamente observando seu namorado. Conhecia os três senhores que haviam se juntado aos amigos: Sam Uley, amigo dos Black, Billy Black, e finalmente Jacob. Permitiu-se analisar o último por um pouco mais de tempo, embora soubesse que sua imagem provavelmente lhe tiraria o sono mais tarde.

O rapaz estava vestido com um terno fino, que delineava perfeitamente seu corpo torneado. Seu porte era elegante e seguro, e seus cabelos, ainda negros e lisos, mas agora curtos, estavam perfeitamente penteados. Seus traços ainda eram os mesmos daquele que conhecera outrora, embora mais amadurecidos pelo passar dos anos, mas seus olhos haviam se tornado duros. Tão diferente do Jacob que conhecera, do seu Jake...

Lado a lado, era impossível não comparar seu namorado ao rapaz de ar altivo que tanto mexia com seus brios. E não eram apenas fisicamente que as diferenças eram gritantes, os dois tinham personalidades exatamente opostas. Enquanto Riley teve uma vida cheia de facilidades, que se refletia em sua personalidade mansa, Jacob havia aprendido da forma mais dura a não baixar a cabeça para ninguém. Sabia muito bem o que queria se podia ver pelo quanto a Tecidos Black havia crescido nos últimos anos. A fábrica era o reflexo de Jacob, Elize bem sabia.

Ambos os grupos se cumprimentaram rapidamente, como se apenas por educação, mas a atenção de Elize estava presa apenas no jovem índio. Por isso notou a fagulha de reconhecimento que brilhou nos olhos do rapaz quando encarou seu namorado.

Surpreso com a presença do médico, Jacob não se conteve, e, como sempre, teve de rastrear a futura ex-namorada do rapaz à sua frente por entre o salão. Algo lhe dizia que a moça havia acompanhado Riley ao restaurante, como se sua presença pudesse ser sentida pelo índio sem que precisasse visualizá-la.

E seus olhos a encontraram. E para seu total contentamento, Elize o estava observando. Assim que a encarou, notou os olhos da jovem se abrirem um pouco mais, como se em surpresa, e suas bochechas corarem levemente. Lembrou-se de que ela sempre fazia essa expressão quando sua mãe a flagrava fazendo alguma travessura. Logo a bela moça desviou os olhos, e retomou a expressão de indiferença que sempre direcionava ao rapaz. Mas dessa vez Jacob não se sentiu atingido, pois sabia que uma bela surpresa a aguardava.

Os rapazes retornaram à mesa, e o outro grupo atravessou o salão em busca de seus lugares. Elize não voltou a olhar para Jacob, e quando Riley sentou-se ao seu lado, já estava recuperada – ao menos superficialmente. Mas não tinha como negar que Jacob perturbava a razão e a serenidade do seu espírito.

- Esse lugar já foi bem melhor freqüentado. – Riley comentou. Embora não tivesse consciência da profundidade do relacionamento entre sua amada e o jovem Black – Elize havia lhe dito uma vez, por alto, que tiveram um namorico de criança – Riley não simpatizava muito com o índio. E não era por preconceito racial, já que o rapaz não nutria este tipo de sentimento mesquinho. Parecia mais algo instintivo. Por muitas vezes Elize fez as amigas inquirirem seus namorados sobre se haviam comentado algo com o rapaz, mas eles sempre negavam veementemente.

- Os Black são a família mais rica de Forks atualmente, Riley. – Emmett o advertiu.

- Mas não suporto a forma impetuosa com que o jovem Black se porta, como se fosse mais importante do que todos nós. – Riley completou.

- Ele tem seus motivos, Riley, acredite... – Alice soltou, de forma quase desinteressada. Elize a chutou por debaixo da mesa, mas a pequena fingiu nem sentir e rolou os olhos, indiferente.

Riley parecia disposto a continuar a discussão, mas o garçom trouxe o pedido dos seis, interrompendo sua intenção. Mais uma vez naquela noite Elize respirou aliviada. Não estava disposta a ouvir as reclamações de seu namorado sobre seu ex-amado. No entanto, mal sabia a jovem que as surpresas que a noite guardava mal haviam começado.

Notas finais
MissLany: O que acharam de Elize??? Embora esse capítulo não tenha sido um POV, como muitas de vcs queriam, acredito que não tenha deixado a desejar no tocante aos sentimentos da moça, bem como serviu para apresentar os personagens que permearão toda a trama.Também acredito que deu pra notar o quanto esse jantar será tenso não é? O.O Jake e Elize no mesmo ambiente...Cenas dos próximos capítulos.Hehe! Bjus e até mais!!! :D