Notas iniciais
MissLany : Boa noite leitoras queridas ^ ^
To morrendo de sono, mas não poderia deixar de postar, principalmente depois de duas semanas sem postagem. Portanto venho trazer um novo capítulo. *O/* que está bem grandinho, mas é bom pra compensar heheheh!!!
Como expliquei o motivo da demora, só gostaria de agradecer a todos os reviews carinhosos e compreensivos. O marido da Lari já ta bem. Obrigada meninas pelo apoio.
Agora bora ler, sei que estão ansiosas, então apreciem sem moderação! Bjus!
Ao final nos falamos :)

Existem apenas duas tragédias no mundo. Uma é não conseguir o que se quer; a outra é conseguir. (Oscar Wilde)



A saleta era demasiadamente pequena, por isso Elize sentiu que iria sufocar. Elevou a mão ao peito num gesto quase imperceptível e inspirou o ar com força. Corrigiu sua postura, deixando os ombros ainda mais eretos, encarou com altivez o homem destemido bem à sua frente, a quem acabara de dizer sim, e imprimiu um ar de confiança que estava longe de sentir. Evitou, contudo, olhar para a mão esquerda, cuja aliança de ouro brilhava em seu dedo anelar. Demorou a perceber que a cerimônia acabara. Mal teve tempo de se despedir. O pai, o velho Melfin Collin, sempre taciturno, não expressara reação alguma, exceto alívio. Já a mãe, fora acometida por um choro alto, deselegante, mal contido. Apenas a querida amiga Alice a abraçou carinhosamente, sussurrando em seu ouvido “seja feliz”, e os mais sinceros e doces votos de congratulações.


– Vamos. – Elize ouviu a ordem proferida no tom usual de comando e isso a irritou. A jovem beijou o rosto da amiga e encarou de forma fria, por cima do ombro, o então marido Jacob Black. Elize não tinha dúvidas de que aqueles olhos negros irônicos se divertiam, muito embora o rosto másculo continuasse sério. Mas é claro, o típico deboche continuava ali incrustado em suas feições, apunhalando-a vez após vez de forma lenta e torturante.


– Não... Eu não vou. – disse abruptamente, não se importando com as reações que suas palavras poderiam causar. Se fosse assim que a trataria, seria da mesma forma que o retribuiria, com indiferença. O índio se empertigou, e as orbes negras se estreitaram, tornando-se duras, lançando-lhe faíscas impiedosas ante ao atrevimento da jovem.


– Tarde demais para arrependimentos. – frisou com tom ácido. — Você agora é minha esposa, Elize, queira você ou não. — Jacob, com a mão forte, segurou-a pelo braço, fazendo-a parecer mais uma prisioneira do que uma recém casada. E era justamente assim que a jovem si sentia, como uma condenada à prisão perpétua por um crime que não cometera. — Você tem certeza de que quer me ver de mau humor?- ele a inquiriu baixo, observando a figura enervada da noiva que resistia, com uma indubitável expressão de ira.


– Me solte, eu já disse que não vou. – ousou mais uma vez e tentou inutilmente desvencilhar-se da mão, que mais parecia uma garra de ferro a ferir-lhe a pele. Os pais a olhavam de forma imparcial, indiferentes, e não foi difícil notar repreensão no olhar mudo de ambos. A jovem quase os ouvia balbuciar: “contenha-se”.


– Você é minha. – a frase saiu quase como uma grosseria da boca do índio, e não passou despercebido a Elize a forma como escrutinou seu rosto com um desdém furioso. O jovem não se importou com nenhum senso de moral, nem muito menos demonstrou compaixão, desde que arrastasse Elize para a zona sombria de humilhação e rejeição em que viveu nos últimos quatro anos. Para o índio, não havia mais volta. — Você é minha. — repetiu entre dentes.

Você é minha!

Você é minha!

Você é minha!

Você é minha!


A frase ecoava-lhe na mente com vitupério, deixando-a tonta.


– Nãoooooo. – Elize gritou, sacudindo o corpo em inúmeros tremores quando abriu os olhos e fitou o teto do seu quarto de forma assombrosa. Acordou ofegante e suada. Deslizou as mãos pelos cabelos pregados na testa. Sua garganta estava seca e sentia o pulsar violento de sua jugular.


Tinha sido apenas um pesadelo, convenceu-se, mas foi o suficiente para passar o resto da noite em claro. Sua mente era um campo de batalha. Para a jovem, era um prelúdio do que viria. A sensação ruim apertava-lhe o peito, em sinal de mau presságio. Seu casamento seria uma infeliz realidade, uma desgraça, para ser mais justa. Em todos esses dias que antecediam ao enlace, Jacob apenas comprovara sua intenção de humilhá-la, de fazê-la sentir-se tão ínfima e pequena quanto ele um dia se sentiu. Podia até ouvi-lo sibilando o quanto fora hipócrita e covarde. Por dias se questionara se seria capaz de conviver com esse conflito regado a amor e ódio. Chocava-se por não conseguir destingir com claridade nenhum dos dois sentimentos que se digladiavam internamente em seu peito. Amava-o com a mesma intensidade que o odiava. Havia momentos em que a simples menção do nome do índio fazia com que seu coração sobressaltasse, atestando que o amava, como desde o primeiro momento. Em outras situações, entretanto, seria capaz de socar-lhe a face, xingar-lhe e desejar ardentemente nunca tê-lo conhecido.


Os primeiros raios de sol atravessavam a janela do quarto, quando Elize desistiu de lutar contra a própria consciência. Não sentia fome alguma, por isso decidiu ocupar-se com uma atividade que adiara o máximo possível: chegara a hora de fazer as malas, e escolher os pertences que levaria à sua nova casa. Ao contrário do que a moça imaginava, entretanto, não sentiu qualquer tristeza ao embrulhar alguns dos seus objetos de estima. Parecia que estava ligada no botão automático. Aquela não era ela. Não era a sua vida. Não se casaria com um homem que a odiava. Sairia de viajem, quem sabe... Ou passaria uns dias na casa de Alice...


Do mesmo modo inanimado a moça viu as horas de sua manhã esvair-se. Tomou um longo banho, na tentativa de livrar-se do cansaço que a abatia, por isso não se deu conta das batidas da Sra. Collin na porta do quarto. Susan entrou no quarto da filha, e observou a pequena bagagem posta ao lado da porta. Estendeu o vestido que acabara de ser trazido pelo motorista de Jacob sobre a cama da moça. Do mesmo modo depositou os sapatos ao chão e as jóias sobre o criado-mudo.


Ouvindo o barulho do chuveiro, a Sra. Collin não pode conter o suspiro de alívio. Conhecedora que era do temperamento da jovem esperava que Elize tomasse alguma atitude de rebeldia, quando chegasse o momento. Mas não. A moça seguia resoluta ante toda a situação. A sós, a Sra. Collin não precisava fingir satisfação com o destino que seria imposto à filha. Olhou as fotos de Elize expostas sobre a escrivaninha, desde a sua tenra infância até os dias presentes. Calou novamente a culpa que sentia, e saiu do quarto da filha, antes que a moça a flagrasse com as emoções expostas.


Elize encarava-se no espelho, tentando disfarçar com a maquiagem as olheiras dos dias mal dormidos. O pesadelo que assaltara sua mente na última noite a deixara quase esgotada. Não tinha ânimo sequer para olhar-se por muito tempo. Todavia suas feições apáticas e sem vida não se comparavam a como se sentia por dentro. Finalmente chegara o dia do seu casamento e com ele acabara-se a sua esperança de um dia ser feliz. Agora, seu futuro tornava-se incerto. Casaria com um homem que se mostrara um completo desconhecido. Compartilharia um lar com ele que não era o seu. E não queria sequer imaginar o que a convivência com este homem lhe reservaria.


Passou os olhos ao redor do quarto e suspirou. Sozinha. Era exatamente assim que se sentia. Sua mãe estava ocupada com a própria produção, e com infinitas lamentações por se dar conta, finalmente, de que sua filha se casaria sem qualquer festa. Susan não se conformava com tal fato, na opinião da mulher era simplista demais para alguém que sempre sonhou em casar a filha com todo o prestígio que seu sobrenome possibilitaria. No entanto, apenas por isso Elize não lamentava. Não havia motivos para comemoração. Isto por si só a pouparia de mais enganos, mentiras, falsidades e fingimento em todas as vezes que seria obrigada a sorrir sem vontade no ridículo papel da noiva perfeita.


Alice, como madrinha e testemunha do casamento, também se ocupava com seu vestuário, que, segundo Elize desconfiava, seria mais apropriado á alguma passarela em Paris, do que a um casamento em um simples cartório. Não havia palavras para Elize descrever o carinho e apoio da amiga, que mesmo contra a vontade dos pais, ela e o noivo seriam seus padrinhos de casamento. Ao menos teria o conforto da presença dos amigos em momento tão difícil.


Não podia dizer o mesmo de Rosalie e Emmett. Na verdade não culpava Emmett por quase ignorá-la na confeitaria, pois sabia que o rapaz apenas sucumbira a mais uma das vontades de Rose.


As batidas na porta do seu quarto não foram suficientes para que Elize abandonasse seus pensamentos e voltasse sua atenção para a jovem empregada que entrou quase que imperceptivelmente no quarto.


– Senhorita?- chamou a jovenzinha. Elize finalmente a encarou depois de alguns segundos.


– Sim, Mema.


– A senhorita tem uma visita. — anunciou. Elize respirou enfadada, pois não tinha ânimo, nem gostaria de receber ninguém. Estava cansada, já não bastava nutrir esse sentimento de comiseração que sempre lhe atingia quando estava só? Não queria dar explicações a algum curioso, que a encheria de lamentações.


– Diga a quem quer que seja que não estou muito bem, e que, portanto, não poderei receber ninguém. – disse, e voltou-se a se ocupar com a maquiagem. Percebendo que a jovem não arredara o pé, fitou novamente a empregada. – O que foi Mema? Por que ainda está aqui? Não lhe disse que não desejo ver ninguém? — inquiriu quase aborrecida.


– Mas é a Srta. Hale quem deseja vê-la. Disse que é importante... – mencionou a jovem desajeitadamente. A empregada tinha problemas sérios de timidez e quase sempre ficava nervosa quando precisava se justificar para os patrões.


– Rose?- interrogou, arregalando ligeiramente os olhos, surpresa. Cogitou por um minuto se deveria receber Rosalie, depois da forma estúpida e preconceituosa com que foi tratada.


– Devo mandá-la embora? — supôs a empregada ante o lapso silencioso que se seguiu.


– Não. Diga-lhe que a estou esperando. – Elize respondeu. Não estava tão ressentida como deveria. Inexplicavelmente entendia o quanto Rose era preconceituosa, e além do mais estava curiosa. Gostaria de saber o que Rose teria a lhe dizer de tão importante, ao ponto de visitá-la no dia do seu casamento, mesmo parecendo tão contraria a idéia.


Elize virou-se para a porta e encarou o espaço vazio até ver a silhueta esguia da loira aparecer alguns segundos depois. Rose era um misto incrível de beleza, requinte e soberba. E esse último traço de sua personalidade era tão marcante que em várias ocasiões a deixava excessivamente austera, embora parecesse estranhamente mais cálida no momento, se é que era possível dada à sua personalidade forte.


– Pensei que não fosse me receber. – disse a Srta. Hale, depois de alguns segundos fitando Elize. Era óbvia a leve animosidade entre as duas.


– Não pense que não cogitei essa possibilidade. – não fora uma crítica, mas apenas uma exposição sincera da opinião de Elize diante dos últimos acontecimentos.


Rose não pareceu se surpreender, então respirou pausadamente, se esvaindo de toda a prepotência que lhe era peculiar. Sentiu um ligeiro incômodo, mas prosseguiu. Fora difícil convencer a si mesma de que deveria ver Elize. Tinha sido má e por isso Emmett a havia repreendido duramente, mas foram as palavras de Alice que a fizeram retroceder e admitir que estava sendo injusta.


– Gostaria de pedir-lhe desculpas. — disse e Elize a fitou por alguns segundos, que pareceram intermináveis.


– Foi Alice quem mandou você vir aqui?- sabia que a amiga havia recriminado a atitude de Rosalie, e sabia também que Alice não sossegaria até Rosalie pedir-lhe desculpas. Isso era tão previsível...


– Sim... Não... — Rose clareou um pouco a voz, que parecia presa à garganta e acrescentou. – Eu agi errado com você. — disse quase como uma confissão. Quantas vezes Rosalie pedira desculpas por algo em sua vida? Era uma situação oposta à sua índole. — Eu me ressinto de verdade por ter sido tão rude e mal educada com você, Elize. — aproximou-se ao ponto de sentar-se na cama, mesmo sem convite. — Nunca foi minha intenção maltratá-la. Somos amigas! Mas vê-la de braços dados com aquele bugre chocou-me, principalmente depois de ver Rilley tão mal... Sei que irá me jogar em rosto o quanto sou preconceituosa, mas sim, admito que seja. Você sabe que nunca o suportei... – Elize continuava imparcial, observando a forma com que a loira dava vazão à torrente de verdade, da qual nunca fora enganada.


– Me casarei com aquele bugre daqui a algumas horas... – ironizou, interrompendo a loira.


– Gostaria de poder fazer algo a respeito. — a jovem a encarou pesarosa.


– Você não pode. Mas se quer que realmente a desculpe, Rose, apenas trate-o bem. Dispense a Jacob o mesmo tratamento que sempre me dispensou. — Elize pediu.


– Ele não merece... Ele é odioso. Está acabando com a vida de Rilley, e está arrastando você para essa farsa grotesca, para uma vida indigna... Sei que se casará com ele contra a sua vontade. — falou a loira num arroubo dramático, e Elize soube automaticamente que Alice falara mais do que deveria. Não queria que Rose soubesse que Jacob a havia comprado, que seu casamento se daria nesses termos. Isso era o cúmulo da humilhação.


– Eu não estou fazendo isso por ele, Rose, mas por mim. Jacob não me obrigou a casar-me com ele. O farei por livre e espontânea vontade. – inacreditavelmente Elize não se admirou com o que disse, pois internamente, aquelas palavras eram verídicas. Fora opção dela casar-se. Além disso, Elize precisava de seus amigos por perto para que não enlouquecesse. Não agüentaria passar o resto da vida vendo as pessoas a quem devotou tanta afeição virando-lhe o rosto. — Quanto a Rilley... Sinto não poder fazer nada. Tentei conversar com ele, mas está irredutível. Odeia-me. Meu único consolo é que ele possa encontrar uma mulher que o mereça. De fato, eu não o merecia, nunca o mereci, nunca consegui amá-lo como ele merecia. — Rose encarou Elize, tendo a exata compreensão daquilo que sempre percebeu.


– Você o ama... Ama o tal Black?- Rose perguntou após um longo silêncio.


Elize levantou o olhar endurecido.


– Não se trata de amor. – se trata de pagar a divida do meu pai, pensou.


Não seria capaz de amar o homem com quem iria se casar. Não o homem que estava agindo de forma tão torpe. O homem que tinha prazer em humilhá-la, de tratá-la como objeto e ultrajá-la, apresentando-a para sua amante de maneira tão cínica. Definitivamente não amava aquele novo Jacob Black. Entretanto, amava ainda aquele Jacob que conhecera outrora. O Jacob que perdera anos atrás.


Num momento de quase devaneio, cogitou se tudo fosse diferente, se Jacob nunca tivesse deixado de amá-la... Se ao menos demonstrasse que ainda nutria algum sentimento pela jovem. Não. O rapaz a odiava por completo. E levaria o casamento adiante apenas com a intenção de fazê-la pagar por todo o mau que o fizera passar.


Então por que após compartilharem aquele beijo na varanda, subiu ao seu quarto com as pernas trêmulas e a excitação à flor da pele? Por que, no dia seguinte, véspera do seu casamento, ficou ofendida quando o rapaz telefonou, informando à empregada que o atendera que não a visitaria naquela noite? Embora tentasse negar para Rose, não conseguia negar para si mesma que estava ansiosa por vê-lo após o momento mais íntimo que desfrutaram. Recriminava-se por ceder a tão fugaz ilusão. Jacob já tinha demonstrado indiferença. Exigia dela todos os seus passos, mas era incapaz de dizer-lhe o mesmo. Por fim, descobriu que a ausência do noivo no dia anterior, segundo Alice, deu-se por uma “despedida de solteiro” dos rapazes na véspera do casamento, o que causou ainda mais furor em Elize.


– É verdade que ele pagará todas as dividas de sua família em troca do casamento? — Rose quis saber.


Elize piscou um pouco os olhos, voltando à atenção para amiga.


– Fará alguma diferença, se eu disser que sim?- Elize perguntou, se sentindo irritada.


– Elize, eu não vim discutir. Não estou acusando-a de nada. — a loira falou rapidamente. — Talvez seja difícil a princípio. Já estava acostumada a nós seis... Eu, Emmett, Alice, Jasper, você e Rilley. – disse Rose inesperadamente, apertando nervosamente a pequena bolsa pousada sobre o colo.


– Entendo. — Elize respondeu, percebendo que Rose não demoraria a chorar. A loira era tão frágil quanto prepotente. Elize arriscaria dizer que se não fosse Emmett, Rose seria a criatura mais intolerante do mundo. — Está tudo bem, Rose, eu a desculpo. — a jovem loira baixou a cabeça constrangida e Elize acariciou-lhe as longas madeixas ondulosas.


– Não acredito que você esteja se casando primeiro do que eu ou Alice.


– Nem eu. – Elize respondeu, pela primeira vez deixando-se rir. Havia mais um detalhe da longa lista de adjetivos imputados a Rose. A jovem era competitiva.


– Você sabe que todos estão comentando, não sabe?


– Sim. As pessoas não perdem esse tipo de oportunidade. – Elize murmurou. A jovem sabia que todos já deviam comentar sobre o relacionamento dos Black e dos Collin. Afora o fato de ela estar na bancarrota e o noivo ser um índio rico, coisa rara na região, Elize não entendia o que de tão espetacular existia que justificasse a forma com que as pessoas se reportavam a eles. Existia algo de tão perverso no ser humano, que o impulsionava a se divertir sobre a desgraça alheia?


– Isso não a incomoda?- quis saber Rosalie em expectativa.


– Não. — respondeu Elize sinceramente. Não se incomodou quando criança e não se incomodava agora. O que verdadeiramente a incomodava era não ser aquela a ocupar o centro do coração do índio. O que a incomodava eram as reais motivações que levaram à união de ambos.



Uma hora. Era o tempo que faltava para casar-se com Jacob Black. A moça finalizou a maquiagem, apenas com um pouco de rouge nas maçãs do rosto para disfarçar a palidez excessiva. Pôs um batom no mesmo tom de seus lábios, borrifou algumas gotas de perfume em sua pele, e prendeu os cabelos em um coque não muito elaborado.


A Sra. Collin tentara persuadi-la passar o dia em um salão de beleza, se preparando para o futuro marido, mas Elize se negou. Recusara terminantemente. Não queria sentir-se bonita para Jacob. Apenas desejava acabar de uma vez por todas com a expectativa do momento cabal que inevitavelmente chegaria. Preparativos só a deixariam ainda mais nervosa.


Por isso não se importou com a idéia de não recepcionar seus convidados, ou de se ocupar com os preparativos de uma festa de casamento, como qualquer outra noiva faria. Talvez se fingisse que tudo não passava de um pesadelo, e permanecesse apática, a moça pensava, sofresse um pouco menos.


O vestido que usaria estava exposto sobre a cama, que a partir de agora não seria mais sua. Era simples, liso e sem detalhes. Exceto pelo branco do tecido de cetim, mal se percebia que era um vestido de noiva. Estava conformada, não por submissão, mas por puro estoicismo.


Elize passou os dedos sobre o tecido, examinando o vestido que o próprio noivo comprara. Era discreto e elegante. De muito bom gosto, não podia negar. Mas nunca imaginara que se casaria vestida tão sóbria. Elize entendeu que o vestido era mais uma das charadas de Jacob, pois se ele quisesse teria lhe comprado o vestido mais caro, e feito a maior festa da região, para exibi-la como um troféu ante toda a sociedade. Mas não era isso que iria acontecer, por isso estava um pouco surpresa por o noivo não ter usado tal artimanha. Na verdade, todos os aspectos que envolviam seu casamento fugiam à realidade.


Cansada de protelar o momento, vestiu a peça de roupa com certa dificuldade, por não ter a ajuda de ninguém, depois calçou os sapatos de salto alto. Ajustou o vestido mais uma vez, pôs um par de brincos de pérola e encarou-se no espelho. Fechou os olhos e elevou o pensamento numa prece. Estava pronta. Que Deus a ajudasse a partir daquele momento...


Sua pequena bagagem já estava disposta ao lado da porta. Levaria poucos dos seus pertences, o suficiente apenas para encher uma mala e um nécessaire. Aquela era mais uma das exigências do seu noivo, que dissera que em seu novo lar a moça encontraria tudo o que necessitaria. Elize, no entanto, se contrapôs. Exigiu que alguns dos seus mimos lhe acompanhassem, dobrando o futuro marido ao primeiro dos seus caprichos. Ao sair do quarto portando a pequena bagagem, olhou para o cômodo uma última vez antes de fechar a porta e sentiu um nó na garganta.


Desceu as escadas com as malas em mãos, e seus pais já a aguardavam na sala. Um empregado imediatamente prontificou-se a levar a bagagem da moça até o carro, mas ela negou. Com altivez encarou os pais.


– Vamos! O Sr. Black exigiu que não nos atrasássemos um só minuto. – falou com indiferença, enquanto a mãe se aproximava com olhos lacrimejantes. O pai apenas rolou os olhos frente à dramatização da filha.


– Você está linda, filha! – Susan falou, tentando abraçar Elize, que segurava a bagagem de maneira defensiva. Naquele instante Elize culpava seus pais mais do que nunca pelo sofrimento que a imputavam. – Vai ser muito feliz, filha! Garanto-lhe! – a mãe completou.


Elize a fuzilou com os olhos. Como poderia proferir palavras tão falsas naquele momento? A moça não nutria qualquer ilusão quanto ao que a esperava.


– Deixem de drama vocês duas... – Collin as interrompeu, se dirigindo ao carro que os aguardava.


Max foi o único que arrancou da jovem uma expressão sincera. Agachou-se e afagou o cão carinhosamente, afundando seus dedos nos pelos do animal.


– Levante-se, filha. Pode estragar o vestido. — reclamou Susan. Elize ignorou a mãe. Pensou que talvez o pudesse buscá-lo. O levaria para morar com ela assim que soubesse onde residiria.


A família entrou no veículo, um silêncio sepulcral se instaurou enquanto o motorista os conduzia até o cartório. Evitando demonstrar toda a mágoa que sentia, Elize mirou apenas a janela, vendo a mansão onde passara todos os anos da sua vida se distanciar aos poucos. Ali tivera seus momentos mais felizes e também mais tristes. O que o futuro agora lhe reservava?


Jacob andava de um lado para o outro frente à sala do cartório que estava reservada para a realização do seu casamento. Estranhamente sentiu-se vulnerável. Aquela ansiedade brotava no seu coração relembrando os sentimentos ingênuos de menino, quando idealizava que o amor que nutria por Elize era forte o suficiente para levá-la ao altar. Aquiete-se! Ordenou a si mesmo. A vingança é um prato que se come frio! Completou mentalmente.


– Calma Jake. Ela já deve estar chegando. – Sam tentou acalmá-lo diante da notória tensão. O amigo sentou-se ao lado de Emilly, que examinava Jacob quase tendo uma síncope, tamanho o nervosismo. A mulher não conteve o riso, mesmo que discreto, enquanto acariciava o filho no ventre. Sua intuição feminina dizia que a ansiedade de Jacob só delatava seus verdadeiros sentimentos pela noiva, embora ele tentasse a todo o custo camuflá-los.


– Eu os avisei para que não se atrasassem! – o rapaz bufou irritadiço, voltando ao seu habitual tom grosseiro quando se reportava a Elize. Olhou novamente para o corredor que dava acesso à sala onde se encontravam e amaldiçoou-a.


– Noivas sempre se atrasam, Jake. Não se preocupe. O pobre do Sam passou quase uma hora me aguardando, não se lembra? – disse Emilly, na tentativa de amenizar a ansiedade de Jacob, que tinha se tornado por demais taciturno nesses quinze dias que antecederam o casamento.


– Você tinha motivos para se atrasar, Emm. – disse o rapaz seriamente. — Queria ficar bonita para o seu noivo, o amor da sua vida... – olhou para o casal, e não pôde deixar de invejá-los mais uma vez. Invejar aquela cumplicidade de um homem para com sua mulher. Invejar aquele zelo que fazia Emily se sentir tão querida, tão completa. — Definitivamente Elize não tem as mesmas motivações...


– Você pode estar enganado meu amigo, nunca se sabe... – Sam rebateu e Jacob sorriu amargo, balançando a cabeça em negativa. Sabia que a jovem era tão insuportavelmente orgulhosa quanto ele. Elize em momento algum demonstrara que cederia. Exceto pelo último beijo trocado. Ainda assim os olhos da jovem não o enganaram. Ela o desprezava.


– Apenas uma razão plausível para o atraso de Elize passa por minha mente agora. E eu juro Sam... – trincou levemente o maxilar, rangendo os dentes com raiva. — Se ela tiver desistido... Se fugir do compromisso que assumiu comigo...


Jacob interrompeu suas palavras para observar de forma inquieta alguém que se aproximava. E qual não foi sua surpresa, ao ver quem acabava de chegar. Embry vinha sorrindo na frente, sendo acompanhado por Sue e Billy. O rapaz não pôde conter-se, relaxou o corpo automaticamente, permitindo brotar em seus lábios um largo sorriso.


– Então? Chegamos a tempo? – Embry perguntou, aproximando-se e abraçando o irmão carinhosamente. – Achou que eu iria perder o casamento do meu irmão mais velho? – completou sorrindo, e virou-se para cumprimentar Sam e Emilly.


Foi à vez de Sue aproximar-se do noivo nitidamente emocionada.


– Também não poderia perder o seu casamento, filho. – falou, com os olhos marejados, enquanto o rapaz se inclinava para abraçá-la afetuosamente.


– Obrigada! – ele sussurrou em seu ouvido, conotando muito mais sentido à sua fala. Sabia que a senhora era a responsável pela presença do pai naquele momento tão importante, que de alguma forma ela o convencera a comparecer ao cartório, rompendo com sua teimosia em não abençoar o casal.


Virou-se para Billy, que esperava um pouco afastado do grupo. Caminhou devagar em direção ao pai que estava ressabiado, com as mãos nos bolsos e um sorriso de canto de boca.


– O fato de eu estar aqui não significa que concorde com suas atitudes. – Billy apressou-se em dizer, ainda com o semblante sério.


– Sei disso. Significa que o senhor as aceita, e isso basta. – o rapaz respondeu, estendendo a mão para o pai, que foi aceita sem entraves. Billy então acrescentou:


– O que todo pai deseja é que o filho seja feliz. E é o que desejo também, esta é a única razão do meu comparecimento. — concluiu. E Jacob assentiu com respeito.


Billy Black não era tão intransigente ao ponto de não voltar atrás. Todavia, o que dissera era verdade. Não concordava com as atitudes do filho, mas ainda assim era seu filho. Era o que lhe restava de mais precioso na vida. Observaria seus defeitos de perto, alertá-lo-ia, mas não abriria mão dele. Sentiu-se no íntimo um pouco culpado por não atentar a mais tempo que a amargura que Jacob carregava poderia tomar grandes proporções como agora. Gostava de imaginar que o filho tivesse mais de sua mãe, mas enganara-se. O jovem tinha mais dele do que jamais supôs. Esse gênio, essa impetuosidade que vira uma única vez, nele próprio, quando tinha a mesma idade do filho.


Jacob sentiu-se instantaneamente aliviado. Seu pai era a pessoa que mais estimava no mundo. A dor de ver a decepção em seus olhos fora quase insuportável para o índio, a ponto de fazê-lo pensar em desistir dos seus planos, e teria desistido se fosse menos orgulhoso, mas não era. Mas tudo correra bem. Pai e filho faziam as pazes, enquanto aguardavam a chegada da futura esposa de Jacob. Não havia mais óbices à satisfação interna do rapaz. Seus planos caminhavam como articulara.


Sua ansiedade o tornava mais atento a qualquer movimento, passos, vozes, outra pessoa que pudesse adentrar no local, e antes que a conversa se prolongasse, sua atenção foi desviada para um ligeiro murmúrio, e então se virou, imaginando que talvez fosse Elize, mas era apenas Alice e Jasper, padrinhos da jovem, que chegavam. Mesmo diante de uma situação tão contraditória, Alice sorria. Carregava dentro de si a inacreditável certeza de que tudo poderia convergir do status a quo, para aquele de quatro anos atrás, quando Jacob e Elize não se preocupavam com nada, a não ser com o amor que nutriam um pelo outro.


– Sua amiga está atrasada. – Jacob comentou em forma de desabafo, enquanto Alice se aproximava com o noivo. O rapaz tentou parecer menos rancoroso, já que inexplicavelmente gostava da jovem baixinha. Durante o noivado, algumas vezes encontrou a moça na casa de Elize, e não podia deixar de nutrir simpatia por ela. Na verdade seria a única pessoa do mundo de Elize a freqüentar sua casa sem cerimônias.


– Minha culpa. – a jovem afirmou, com a mão no peito e a expressão falsamente culpada. – Não deveria tê-la deixado se arrumando sozinha. O que ela fará sem minhas habilidades?


Todos sorriram diante do comentário, e o ambiente pareceu tornar-se mais leve de repente.


E como se seus instintos o alertassem que ela estava por vir, Jacob cravou seus olhos na entrada e finalmente a família Collin apareceu no fim do corredor. Primeiro Melfin e a esposa, caminhando apressadamente, e logo atrás Elize.


Assim que o rapaz a viu, deixou escapar um suspiro audível. Esforçou-se, contudo, para não liberar os sentimentos que havia deixado no esquecimento. A moça ajeitava as luvas em suas pequeninas mãos, enquanto caminhava com passos firmes em direção ao grupo que os aguardava. Estava linda como ele exigira, as maçãs do rosto levemente rosadas, os lábios carnudos pintados com polidez, os cabelos presos num coque, permitindo que alguns fios descessem pela nuca nua. Estava vestida exatamente como uma dama da alta-sociedade. Não pôde conter o pensamento libidinoso que passou por sua mente, ao imaginar que em breve aquela nobre senhorita seria sua mulher, a possuiria incansavelmente, e a faria se arrepender por tê-lo abandonado. A moça, por sua vez, não pôde evitar por mais tempo, por isso levantou o olhar, encarando o noivo que a aguardava.


Jacob estava incrivelmente bonito, não podia negar. Vestido com um terno de tom claro, apropriado para o casamento realizado à tarde, seus cabelos curtos muito bem penteados não caíam sob seus olhos negros, como antigamente. Para Elize, o rapaz sempre fora encantadoramente bonito. Mesmo sem possuir bem algum, seu porte já era naturalmente elegante, e definitivamente não precisava de roupas de grife que o atestassem. Se o rapaz não a tivesse comprado como a uma mercadoria, talvez a moça ficasse feliz em ostentar um marido tão bem apessoado e menos ignóbil. Tal pensamento trouxe-a de volta à realidade, e os olhos da moça se tornaram tão tristes e sem vida, que permitiram a Jacob sentir uma pontada no peito ao mirá-la. Apesar de tudo, sentia-se internamente feliz. Tentava se convencer de que era apenas devido ao sucesso da sua vingança, mas não podia negar que a idéia de unir-se finalmente a Elize causava-lhe imenso contentamento, embora a moça não demonstrasse sentir o mesmo, muito pelo contrário.


Encararam-se frente a frente, por infindáveis segundos, enquanto todos permaneciam em silencio.


– Disse para não se atrasar. – o rapaz reclamou, sem se preocupar em ocultar o tom contrariado, traduzido não só no timbre rouco, mas no brilho do buraco negro que eram seus olhos sempre que era tão descortês.


– Estou aqui, não estou? – a moça rebateu com ousadia. Se havia algo de admirável em Jacob, seria a capacidade de irritá-la, pensou Elize. – Que tal acabarmos logo com isso? — com uma força interna que não sabia que tinha, tomou a iniciativa, apoiou sua mão no do rapaz, e o encarou. Não conseguiu, entretanto, conter a sensação de formigamento pelo contato quase rude.


O rapaz lançou-lhe um olhar endurecido, e mesmo encolerizado pelo mau comportamento da moça na frente de todos, conteve-se, e então, segurando o braço de Elize entre o seu, guiou-a até a entrada da sala. Não incomodava a Jacob que todos os presentes soubessem exatamente a situação que envolvia o matrimonio, mas o importunava que percebessem o quanto Elize o repugnava, e para tanto a moça já havia sido avisada.


Na sala, apenas um juiz os aguardava. Não havia qualquer decoração especial no ambiente, ou sinal de que um casamento seria celebrado naquele local. Apenas poucas cadeiras estavam enfileiradas, e uma mesa com o livro de registro estava à frente do juiz.


O casal atravessou a sala de braços dados, posicionando-se à frente da autoridade que realizaria o casamento. Os poucos presentes sentaram-se, e deu-se início às formalidades habituais do matrimonio.


O termo de casamento foi lido pelo juiz, enquanto o casal permanecia de braços dados em silencio, como os demais presentes. O fungado da Sra. Collin era audível por todos, que podiam imaginar ser normal o ataque emocional da mulher, principalmente diante do casamento da única filha, mas na verdade a mãe lamentava-se pelo matrimônio não ser o evento social que imaginara, e sim um ato precário. Melfin censurava a mulher, mas estava muito mais entretido fazendo planos para a fortuna que em breve embolsaria, do que ouvindo as lamentações da esposa ou prestando a devida atenção ao casamento da filha. Fora a frieza da família Collin, a apatia de Elize, a insensatez gravada nos olhos de Jacob, todos os demais presentes assistiam à celebração em silêncio, com preces mudas pela felicidade do futuro casal.


A hora do pronunciamento dos noivos fora a mais tensa da celebração. Quando inquirido sobre se era de sua livre e espontânea vontade que se casava, Jacob prontamente respondeu afirmativamente. Mas quando Elize foi alvo da mesma pergunta, não pôde evitar fitar os pais de relance antes de responder melancolicamente. Todos os presentes prenderam o fôlego, frente à sua indecisão. A jovem olhava o casal e não acreditava que aquela era a sua família. Que espécie de pais eram aqueles que haviam sido destinados a criá-la? Como alguém poderia oferecer sua filha em troca do pagamento de suas dívidas, sem demonstrar qualquer escrúpulo ou arrependimento, como faziam?


Naquele instante Elize soube que o caminho que escolhera não teria volta. Pois, caso se negasse a se unir a Jacob, não perderia apenas sua casa, em sentido material, pois já não tinha mais um lugar que pudesse chamar de lar. Parecia que os laços que a prendiam aos Collin haviam sido desfeitos paulatinamente, durante as duas semanas em que assistiram ao sofrimento da filha, incentivando-o em nome de seus interesses escusos.


O mais irônico era perceber que dentro daquela sala, entre todos os seus conhecidos, a única pessoa que demonstrara que Elize lhe era importante fora o homem com quem estava de braços dados. Jacob Black movera céus e terras na intenção de fazer de Elize sua esposa, e não importavam seus motivos, por vingança ou oportunismo, era o único que demonstrava que a queria. Naquele momento isso pareceu bastar-lhe.


A moça encarou o noivo novamente, que aguardava sua resposta com a expressão colérica, e foi acometida por uma estranha sensação de deja vu. Por trás de toda a raiva, a moça pode ler em seus olhos algo que a fez decidir-se de uma vez por todas. Embora turvos pelo rancor, o olhar de Jacob demonstrava que ele ansiava pela resposta de Elize, da mesma maneira que o fizera quando a pediu em casamento no seu aniversário de dezoito anos, na frente de todos os presentes. Naquele momento a moça percebeu que não poderia lhe dar a mesma resposta de antes. Talvez essa fosse uma nova oportunidade que o destino estivesse lhe dando. No momento o pensamento pareceu bobo, posto que o rapaz a comprara e desejava se vingar pelos acontecimentos de outrora, mas quando o fitava agora, podia ler em suas feições uma expectativa camuflada pela mágoa que a fez nutrir um fio de esperança. Se estava correta, ou não, não sabia, mas o sim tardio acabou escapando de seus lábios sem que se desse conta. Todos, então, respiraram aliviados, principalmente o Sr. e a Sra. Collin.


Após a confirmação da aceitação do casal, o nativo cobriu o rosto de Elize com suas mãos quentes, e a puxou de encontro a si, dando-lhe um beijo possessivo e sem constrangimento, selando a união com um ósculo nada inocente. Finalmente Elize pertencia a ele, e podia mostrar o fato a todos, principalmente a Melfin, que assistia à cena enojado. Elize se surpreendeu com o arroubo do rapaz, que deu-lhe mais do que um beijo singelo, inadequado à ocasião. Os lábios macios de Jacob moviam-se sobre os seus de forma deliciosa, porém inapropriada, mas a moça não reagiu. Estava cansada de lutar contra o índio. Não pôde evitar, entretanto, de corar quando o beijo cessou, e deu-se conta de que uma platéia assistia à cena.


Com um sorriso presunçoso, o jovem Black assinou o Livro de Registro, sendo seguido por Elize e pelos padrinhos. Não havia clima para congratulações ou confraternização, como certamente ocorreria em qualquer outro casamento, muito pelo contrário. Satisfeitos com o matrimônio pareciam estar apenas Jacob Black e Melfin Collin. Jacob mirava a noiva, recebendo um abraço da Srta. Brandon, sentindo-se vitorioso. Elize Collin finalmente pertencia a ele, não havia mais como voltar atrás. Melfin, entretanto, arrastou a esposa para o lado de fora da sala, importunado com a presença de tantos nativos juntos em um mesmo ambiente.


– Cuide bem de Elize, Jacob. – suplicou Alice com sua voz melodiosa e então salpicou um beijo estalado no rosto do rapaz. O índio surpreendeu-se, não só com o desprendimento da moça, mas também com o pedido, e antes que pudesse ensaiar uma resposta, viu a jovem Alice voltar-se para Elize. — Seja feliz, minha amiga. – Alice balbuciou, abraçando Elize com lágrimas nos olhos.


– Não creio que seja possível... – Elize respondeu, sem qualquer esperança.


– Às vezes o destino nos reserva gratas surpresas. Espero que o seu caso seja um deles. – refutou a amiga, com um bom pressentimento ao fitar o olhar cheio de sentimentos que Black dirigia à esposa.


– Conte conosco, Elize, para o que precisar. – Jasper completou, apertando a mão da jovem, a quem considerava como cunhada.


– Obrigada, Jasper! Não poderia desejar que minha amiga encontrasse melhor pessoa do que você. – a nova Sra. Black o respondeu.


– Vamos, Elize? – Jacob aproximou-se, pondo uma mão possessivamente na cintura de Elize. Agora, mais do que nunca, ela era dele, o que o enchia de confiança. Elize retraiu-se e automaticamente lembrou-se do sonho. Maldito pesadelo.


– Não roube nossa amiga de nós, ouviu bem?! – Alice ameaçou, em tom de brincadeira, arrancando um pequeno sorriso de todos. Era incrível o seu poder de alegrar o ambiente.


– Não se preocupem. Serão muito bem vindos em nossa casa. – o rapaz respondeu, sinceramente. Gostava realmente da Srta. Brandon, e não era só por isso que estendia o convite ao seu noivo. O fato de aceitarem o convite de Elize para serem testemunhas do seu casamento demonstrava que não eram como os demais aristocratas que o nativo conhecia. Colocaram a amizade por Elize acima de qualquer preconceito, e isso Jacob não poderia ignorar. A moça, por sua vez, surpreendeu-se com as palavras usadas pelo índio. “Nossa casa”. O termo não saía da sua cabeça.


– Parabéns, mano! – Embry aproximou-se, cumprimentando mais uma vez o irmão postiço. – Ganhei uma cunhada muito bonita, hãn? – piscou o olhar matreiro para Jacob, que bagunçou seu cabelo em resposta. Aquele fora um momento tão fraternal, que Elize não conteve o pequeno ar de riso que brotou em seus lábios. – Bem vinda à família! – Embry a cumprimentou, pegando a sua mão e a beijando delicadamente.


– Obrigada! – Elize respondeu e mesmo ante a situação a que fora exposta, conseguiu ser simpática à atitude de Embry. O garoto lhe lembrava, em muito, o seu Jacob de antigamente. Tão espontâneo e cheio de vida... Esperava que ninguém lhe roubasse o viço, a alegria, como ela própria o fizera com seu irmão.


– Bem vinda à nossa família, Elize. — a voz grave de Billy soou, repetindo as palavras de Embry. Elize agradeceu com um aceno de cabeça, em deferência. Billy era uma das pessoas que a moça mais respeitava, e não sabia dizer por que. Sua voz e seu porte indicavam certo tipo de autoridade inata. — Em nossa tribo, quando nosso filho se casa, sua esposa passa a ser tratada como uma filha recém-chegada, e é assim que a vejo a partir de agora. – falou, em tom solene. Jacob voltou os olhos num agradecimento mudo ao pai, aliviado com sua reação ao casamento. Como poderia esperar que o nobre Billy Black tratasse mal a sua esposa? Perguntou-se. Na verdade como ele mesmo próprio poderia fazê-lo? Questionou-se, mas ainda assim o desejo doentio de vingança abalava toda a boa vontade de amar Elize tão deliberadamente.


– Obrigada! – Elize respondeu, constrangida. Sabia que havia feito muito mal no passado ao filho daquele homem que parecia recebê-la de braços abertos, por isso envergonhou-se intimamente.


– Apressem-se queridos, há uma festa os esperando, esqueceu-se? – Sue reclamou.


– Festa? – Elize questionou a Jacob, e uma nesga de confusão vincou a testa da jovem. O sorriso debochado mais uma vez tomou conta das feições do rapaz, enquanto todos se dirigiam para fora do recinto.


– A senhora minha sogra estava curiosa a respeito do casamento religioso, não estava? – o índio começou, e Susan quase sorriu abertamente. Quase. – Pois então... Sua filha se casará comigo, de acordo com as tradições do meu povo, em nossa tribo. Por isso sintam-se convidados. – finalizou a fala destilando sarcasmo. Era óbvio que o Sr. e a Sra. Collin não estavam dispostos a pôr os nobres pés em terras Quileutes. Susan ainda abriu e fechou a boca, com os olhos arregalados, sem saber o que dizer, sendo engessada por uma falta de reação gritante, enquanto Elize se mostrava cada vez mais indiferente às suas emoções.


– Quero saber do meu dinheiro, garoto. O que fará daqui por diante não me interessa, desde que cumpra sua parte no acordo, como eu o fiz. – Collin balbuciou, entre dentes.


Jacob encarou o velho com desprezo, e aproximou-se calmamente. Pretensioso e cheio de si, levou o velho Collin para um lado mais reservado. Prensou o braço másculo no abdômen de Melfin, de forma que ninguém percebesse, e sibilou, deixando o velho pouco a vontade com seu tom ríspido e quase chulo.


– Eu não estou vendo nenhum garoto aqui, seu velho soberbo e canastrão. – o jovem chegou a ouvir o goto, quando o senhor Collin engoliu em seco, movimentando o pomo de adão em seu pescoço enrugado. — O dinheiro será depositado amanhã, pela manhã, como acordado. Ou esqueceu-se de todos os termos do contrato? – Jacob rebateu, num tom endurecido.


Collin nada respondeu, e como um cachorrinho domesticado, pigarreou, tentando desobstruir a garganta, parcialmente fechada pelo susto, e por fim apenas encarou o genro, descendo posteriormente seus olhos para a filha. Elize virou o rosto, sem querer fitar nos olhos do homem que um dia chamara de pai, assim que notou que ele a observava. Surpreendeu-se, entretanto, quando a mãe a abraçou, chorosa.


– Sentirei sua falta, minha filha. – a mãe falava, entre lágrimas. – Me ligará todos os dias, não? – pediu, com dramatização exacerbada. Elize sempre tivera a exata noção do poder de submissão e fraqueza da mãe, mas sua dissimulação lhe era uma novidade. De qualquer forma, lembrar das fraquezas da mãe tornava sua decisão de casar-se com Jacob menos ruim. Era melhor lidar com ele, que não fazia mistério sobre seu ódio, do que com os pais que agiam em surdina.


– Sim, mamãe. – Elize respondeu, sufocada nos braços da mãe, no entanto evitando rechaçá-la. – Se não se importa, preciso pegar minha bagagem...


Inesperadamente um grupo de rapazes, repórteres e fotógrafos do principal jornaleco da cidade, apareceram bruscamente na frente de Elize, e quase sem moldes cercaram a moça, disparando perguntas sobre o recém casamento.


– Sra. Black... Aqui. — chamou um.


– Podemos tirar uma fotografia do casal?- perguntou outro.


Inquieta, Elize tentou se afastar, esbarrando no peito másculo do esposo. Jacob enlaçou seus braços em torno da sua cintura delicada. Por um momento Elize cogitou estar mais segura, mas não era bem assim. Jacob não a estava protegendo, e sim a exibindo como prometera, e sem algo apropriado para falar, não soube o que responder quando os rapazes insistiram em tirar as fotos. Jacob, entretanto, usufruía do status de proprietário.


– Sim, pode. – concordou o índio, cedendo aos apelos efusivos dos rapazes. — Sorria. — ordenou baixo. — Amanhã seremos notícia. – Elize não sorriu, muito pelo contrário, pareceu contrafeita quando um flash ofuscou seus lindos olhos cor de mel.


– Algumas palavras, Sr. Black... — inquiriram.


– Não há muito a dizer, quando se está tão feliz. — respondeu de forma cínica e diplomática.


Os rapazes tumultuavam a saída do cartório, com fotos e perguntas, agora também dirigidas ao Sr. e Sra. Collin. Melfin, que tratou de ignorar a atenção e praticamente arrastou a mulher para dentro do carro, permitiu apenas que o empregado rapidamente deixasse a pequena mala de Elize no Lincoln. Este o fez sem pestanejar, retornando logo em seguida à companhia dos Collin, principalmente da Sra. Collin, que enxugava as lágrimas em um lenço de seda, cuja ponta era bordada com suas iniciais.


Elize observou-a entrar no veículo, acenando para ela, depois o motorista deu a partida e seus pais foram embora. Estranhamente Elize sentiu um alívio repentino. Estava cansada do circo de horrores em que se transformara a sua família.


– Esqueça-os. – Alice reportou-se aos fotógrafos com um sorriso complacente e Elize respirou aliviada. Já estava irritada, mas finalmente pôde voltar sua atenção à amiga, quando Jacob conteve o pequeno tumulto dispensando a todos, agora com menos paciência do que no princípio. Na verdade aquela era apenas alguma das surpresas que estavam por vir.


– Você vai assistir ao... Casamento, na tribo? – a moça perguntou depois de alguns segundos, como se não estivesse se referindo a ela mesma. Não queria enfrentar aquele momento totalmente sozinha, embora soubesse fingir como ninguém uma segurança que não tinha. A presença da amiga na cerimônia civil havia se mostrado por demais importante. Alice e Jasper trocaram um rápido olhar, depois a moça soltou um suspiro.


– Desculpe Lizzie, mas meus pais quase não me deixaram ser sua madrinha no casamento civil... O que dirão se souberem que fui à celebração na Reserva? – concluiu, com tristeza. — Eu iria, se pudesse, acredite. Mas não quero provocar insatisfações na minha casa. Lamento.


– Você tem razão... Já fez muito, Alice... – Elize fragilizou-se ainda mais. A partir dali sua vida seria mais solitária do que de costume. – Obrigada por tudo! — concluiu.


Os noivos se despediram dos padrinhos de Elize, enquanto a família de Jacob partia para a reserva.


Ao entrar no Lincoln, a moça sentiu-se estranhamente vulnerável. Era a primeira vez que estava completamente sozinha em um ambiente com Jacob em anos. O rapaz, por sua vez, dirigia o veículo com um ar presunçoso, e de vez em quando relanceava os olhos sobre a esposa, que mirava a janela, com a expressão ausente.


– O que foi aquilo?- indagou a jovem, finalmente não se contendo face ao apelo público das fotos, já que se permitiu fotografar constrangida.


– O quê? — interrogou o índio, fingindo que não sabia que Elize se referia aos fotógrafos.


– Você sabe perfeitamente do que estou falando. — concluiu a jovem, repugnando o fato de ele usar seu sarcasmo para subestimar sua inteligência.


– Não acha interessante que nosso casamento seja noticiado nos principais jornais da cidade? — Elize prestou atenção ao queixo quadrado, cuja base tinha uma pequena depressão formando um lindo furinho na pele acobreada.


– Acredito que nada do que eu diga fará diferença. – respondeu, virando o rosto para a janela, se recusando a escrutinar novamente qualquer parte do corpo de Jacob. — Por que não me disse que nos casaríamos na reserva? – Elize indagou, de repente, preferindo abstrair.


– Queria fazer-lhe uma surpresa. – respondeu em tom irônico.


– Não. Na verdade achou que eu iria me incomodar com o fato, não foi? – a moça rebateu, e ele nada respondeu. – Pois se enganou Jacob Black. Num cartório, ou na tribo, não importa o tipo de ritual. O que me entristece é saber que o nosso casamento não passa de um negócio, firmado entre você e Melfin... – concluiu melancólica, obrigando-se a não chamar o Sr. Collin de pai.


Jacob permaneceu calado. Apertou o volante e estreitou os olhos, tentando esconder seus próprios sentimentos. Porque se sentia da mesma maneira... Triste por saber que aquela mulher ao seu lado nunca se casaria com ele de outra maneira.


O silêncio que se instaurou no veículo tornou-se incômodo. Por receio de tornar a convivência com Jacob ainda mais difícil, Elize decidiu continuar a conversa. Estava cansada de lutar contra ele, sempre provocando e sendo provocada. Percebeu durante os últimos dias que tal atitude só trazia sofrimento a ambos.


– Sua despedida de solteiro... Como foi? – resolveu inquirir, mesmo sentindo-se um pouco contrariada.


– Como soube? – Jacob questionou surpreso.


– Tenho meus meios de fiscalizá-lo, assim como você... – Elize dissimulou, arrancando uma gargalhada do esposo.


– Digamos que foi muito... Proveitosa. – o rapaz mentiu, deixando a noiva irritada. A moça arrependeu-se por ter tocado no assunto, pois tudo o que passava em sua cabeça eram as diversas hipóteses de “divertimento” que o noivo poderia ter desfrutado. Respirou com dificuldade e repetiu mentalmente que o odiava e repetiria essa palavra durante toda a noite, todo o dia de amanhã e por toda a maldita vida que dispusesse com ele.


Olhando-a de esguelha, Jacob notou a esposa franzir a boca, formando um delicioso bico nos lindos lábios, e o índio permitiu-se sorrir. O gesto era tão típico do temperamento pueril de Elize, tal qual ele se lembrava. A jovem sempre fora muito ciumenta e possessiva em relação a ele, e era bom ver que ao menos aquele aspecto na moça não havia mudado. Outrora pensaria que o fato de incomodar-se tanto com a vida sexual do rapaz demonstrava que se importava de alguma maneira com ele. No entanto hoje a situação era diferente. A irritação de Elize se dava única e exclusivamente porque a jovem não admitia perder. Mesmo que não o amasse, isso era suficiente para provocá-la. E adorou deixá-la com beneficio da dúvida.


No entanto, Elize não tinha razões para se chatear na realidade. Jacob, de fato, fora à casa de Madame Mirna com seus amigos na noite passada. Mas apenas Paul e Embry se divertiram com as Meninas. Era a noite de folga de Emma, por isso não a encontrou, e por mais que se esforçasse nenhuma das outras mulheres da casa despertou o seu interesse. Todas pareciam insípidas demais para que ele desperdiçasse seu tempo em uma noite de prazeres, muito embora fizesse exatos quinze dias que não tivera relações sexuais com mulher alguma, fato quase inacreditável dado à sua fama de amante quente e ardoroso. Para a sorte da moça, os pensamentos de Jacob eram voltados para ela quase como uma devoção. Odiava quando a jovem lhe dominava o espírito, o corpo e a alma desta maneira. Na verdade não fizera uma besteira por causa de Sam, com quem passara a noite, marido fiel que se arrependera amargamente por cometer imprudências em sua própria despedida de solteiro. Ambos voltaram para casa antes das dez da noite.


Paulatinamente o verde das árvores, que predominava em Forks, fora sendo realçado. As árvores tornavam-se cada vez mais frondosas diante dos olhos de Elize, que observava a floresta que ladeava a estrada se tornar ainda mais densa. O intenso cheiro almíscar invadiu suas narinas. A estrada, aos poucos, tornara-se um estreito caminho de barro, o que indicava que a cidade ficara para trás. O cheiro da maresia aos poucos adentrou ao veículo, e Elize respirou fundo. Sempre gostara de La Push, local onde se localizava a pequena reserva Quileute, embora seus pais não permitissem que a garota viesse ao local mais do que duas ou três vezes, o que não a impedia de escapar de vez em quando. O cheiro do mar, de alguma forma, lhe era familiar. Sentia-se assim desde que viera a primeira vez. Parecia que a brisa da praia e da floresta que a ladeavam era muito mais familiar do que as fragrâncias francesas que perfumavam o seu quarto.


Aos poucos pequenas casas de madeira foram apontando durante o caminho, todas muito parecidas, e a moça teve certeza de que já estava dentro dos limites da reserva. O casarão rústico dos Black ficava num ponto central da reserva, destacado não só pela beleza impoluta do imóvel, mas também pelo terreno sob o qual fora construído ser ligeiramente mais alto. O casarão não tinha o refino da sua antiga casa, mas ainda assim era indiscutivelmente belo, ao seu modo.


Jacob adentrou a propriedade e estacionou o Lincoln à frente da casa. Elize, quieta, corria os olhos lembrando-se de que na ultima vez em que estivera ali a casa era simples e pequena. Um susto tomou-lhe de assalto quando Jacob abriu a porta para ela, que não tinha notado que o marido tinha dado a volta no automóvel. Elize viu a mão estendida num gesto claro de cavalheirismo, no entanto a ignorou por puro capricho. Recusou terminantemente a mão que lhe era oferecida e desceu do carro, sentindo-se tensa assim que pôs os pés em solo Quileute. Um vento quase gélido lhe atingiu a pele do rosto, causando-lhe um certo desconforto.Tremeu, supôs que a causa seria o frio inesperado do crepúsculo que tingia o céu cinza, no entanto não fora esse o verdadeiro motivo. A perspectiva de um casamento aos moldes Quileutes lhe causava receio.


– Não seja tão auto-suficiente. – reclamou Jacob, agarrando inesperadamente a mão esquerda da jovem, acariciando-lhe a aliança em seu dedo anelar.


– Qual é o seu problema, afinal?- perguntou a jovem, elevando levemente o queixo para encarar o marido, observando, contudo, os ombros largos e fortes, combinavam perfeitamente com o roso masculo, os cabelos pretos que emodoravam as linhas perfeitas da face morena. — Já não tem o que queria?- indagou petulante e resoluta.


– Não limitaria o que pretendo com você a uma simples assinatura num papel. — respondeu, deixando implícito que suas intenções iriam muito além de exibi-la como um bibelô. Era óbvio que não havia necessidade de verbalizar o desejo, o fogo latente que mais tarde compartilhariam. Sexo . Elize negou-se a imaginar que manteria relações com ele. Não por vergonha, mas porque prometera a si mesma não fraquejar jamais. – Vamos, a tribo nos aguarda.


Foi a última coisa que disse antes de submete-la a tal espetaculo. Caminhou lado a lado com jovem índio ainda que resoluta e de má vontade. A moça respirou forte, sugando o ar frio até preencher totalmente os seus pulmões, na tentativa de acalmar-se. Com a pequena mão envolta seguramente entre os dedos firmes de Jacob, subiu os primeiros degraus da mansão, imaginando os próximos passos que o futuro como esposa de Jacob Black lhe reservava.





Notas finais
MissLany: Bom...O que acharam??? Alguém esperava por essa??? Rose pedindo desculpas? Billy aparecendo no cartório? E uma festa de casamento indígena? O.O
Vamos lá, comentem, indiquem e recomendem...Adoramos saber o que vcs estão achando da estoria.Muitas emoções para o próximo capítulo. Bjus e até a próxima!!!
E ja sabem, se quiserem saber de alguma coisa, pergunte-me
http://www.formspring.me/MissLany