Virtude e Insensatez
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Sei que estão ansiosas pelo casamento dos dois, mas vamos primeiro nos deliciar com o comportamento do nosso Jakelicious como noivo de Elize. Como acham que será?
Boa leitura...
MissLany: Bom dia leitoras queridas...Alguem duvidava que a Lari existia??? Uhauhuhauhuahuahuah O fato é que a Lari adora os bastidores, por isso sempre posto. De qualquer forma viajei esses dias e, portanto, a postagem ficou por conta da Lari, que faria no sabado se o "note" dela não tivesse dado pau ou algo parecido. To super cansada, mas touxe minha notinha apenas para não perder o costume.
Quando eu penso que nada me deixa mais feliz que V&I cheio de coments, vem a Lauther e me faz a 10ª recomendação cheia de elogios, obrigada querida por expressar seu carinho pela fic.
Muitos bjus e boa leitura!!!
“Não existe nobreza sem generosidade, assim como não existe sede de vingança sem vulgaridade”. (Joseph Roth)
Os olhos brilhantes de Alice estavam perplexos, e sem reservas a jovem deixou-se cair sobre a cadeira do quarto de Elize, boquiaberta.
- Como ele ousou? — Alice inquiriu. Sua tez levemente pálida deu a exata precisão de sua expressão de choque, enquanto seus lindos cílios piscavam velozmente.
Como ele ousou. Foi justamente esta frase que permeou a mente de Elize durante todo o jantar, toda a madrugada e toda a manhã do dia seguinte. Como não percebeu que todo o amor de outrora tinha se transformado num sentimento tão faccioso? Quatro anos de distancia eram suficientes para tanto dissabor? Para ela, o rompimento com Jacob não surtira conseqüências tão desastrosas... Não que não tivesse sido dolorido, muito pelo contrário, mas de qualquer forma, manteve-se fora, estudou, ampliou seu círculo de amizades, viajou, e por meses acreditou no que a mãe lhe dissera, imaginou que o sentimento doloroso que sentia pelo índio se esvairia com o tempo, já que era jovem demais, não tinha conhecido outros rapazes para que pudesse compara-los com os arroubos dos primeiros sentimentos apaixonados.
E durante os últimos anos convenceu-se de que era imune ao índio, até vê-lo e constatar que não, de fato nunca o tinha esquecido. É verdade que fez de tudo, afastou-se, o ignorou, agiu com indiferença e até aceitou namorar Rilley, mas ele sempre esteve ali, se fazendo presente, indiretamente, em todos os seus dias. Fora incapaz de esquecer Jacob Black. O problema, agora, consistia no fato de o jovem não ser mais o mesmo. Seus sentimentos haviam mudado, ou melhor, se extinguido. Havia mais frieza, deboche, rancor, ódio e crueldade na forma de tratá-la, de olhá-la, do que jamais supôs a jovem. Sempre imaginou que era forte o suficiente para lidar com suas escolhas do passado, mas agora se perturbava por ser apenas uma boneca a ser manipulada pelo índio. Chocou-se por perceber que Jacob poderia estar traçando um caminho tão desconhecido para ela, quanto inimaginável. De todas as pessoas que poderia merecer seu ódio direto, a pessoa que mais o ostentava no momento chamava-se Jacob Black. Odiava-o, odiava-o em parte. Odiava o Jacob de agora, mas amava o jovem Jake do passado.
- Eu definitivamente não posso acreditar... Eu... — deixou as palavras morrerem, e então segurou a mão da amiga mais uma vez. Correu os olhos inquisitivos sobre o anel cravejado de brilhantes, que reluziam como minúsculos pontos de luz. — Há de ter uma solução, Lizzie. – falou, tentando impor convicção à sua voz melodiosa.
- Não há, Alice. Acredite, não tive opções. — murmurou a Srta. Collin, frustrada, e acima de tudo impotente. Quando perdera o controle de sua vida? Respirou. Já estava cansada com toda a situação rodeando-lhe a mente.
- Ninguém pode te obrigar a se casar com alguém que não queira, Elize... Eu não entendo de leis, mas você já alcançou a maioridade, portanto tem capacidade suficiente para tomar suas próprias decisões. — ela concluiu, estreitando os olhos.
- Eu sei, e talvez isso de alguma forma fosse útil, mas não é. Infelizmente assinei um contrato me comprometendo. – Elize confessou.
- Você o quê?
- Assinei um documento me comprometendo a casar-me com Jacob Black. Em troca ele pagará as dívidas que meu pai insiste em dizer que são da família. — uma máscara de ressentimento tomou conta do belo rosto da moça. – Não passei de uma moeda de troca, Alice, meu próprio pai me vendeu. – constatou com um enorme nó na garganta.
De repente sentiu-se fraca, desgastada, exatamente como no passado. Só havia amargado esse sentimento uma única vez na vida, há quatro anos atrás e agora estava as voltas com o mesmo sentimento.
- E sabe o que é o pior... — mesmo com a voz trêmula tentou emendar. – Mesmo que não houvesse documento algum eu ainda me casaria com ele... — constatou com certa relutância. — Eu não suportaria perder tudo. Porque estamos falidos. Não há dinheiro e nem propriedades suficientes para sanar nossas dívidas. – ela concluiu chorosa. — Meu Deus, como o odeio! – Elize injetou nos lindos olhos cor de mel um sentimento repugnante. Sim, o odiava, já era capaz de enxergar isso. – Que homem se aproveitaria desta situação para propor algo tão indecente? E pior... Apenas por ódio, pelo prazer da vingança. O que há de tão prazeroso em humilhar as pessoas? — sua voz saiu seca, como num desabafo, deixando explícito que a pergunta era mais para si do que para a amiga, que a observava com complacência.
- Lizzie... — Alice começou docemente, imprimindo na voz um alento que só uma verdadeira amiga daria. – Eu lamento tanto... – disse sinceramente, e levantando-se, se aproximou da amiga, envolvendo-a num abraço carinhoso. — Sabe... Foi odioso o que ele fez, mas eu não acredito que Jacob te odeie. Deve estar ressentido, magoado, com raiva até... Mas não com ódio. Nenhum homem faria tanto por uma mulher se não a amasse.
- Entendo que esteja tentando melhorar o meu ânimo, mas, por favor, não me diga isso. Sei exatamente o quanto aquele homem me odeia. Ele deixou isso claro, com todas as letras. Não passo de um capricho, de uma forma vergonhosa de punir minha família. – Elize exasperou-se. – Ele é tão mau caráter... – deixou as palavras saírem com força. — Ou você acha que existe alguma dignidade num homem que compra uma mulher?
- Claro que não, Elize. — foi a vez de Alice contra argumentar, franzindo os lábios. – Além do mais, eu não disse que concordo com os métodos dele. – encarou a amiga seriamente. – Mas não posso crer que um homem que te olhe como Jacob, possa querer o seu mal...
- Você e sua velha mania de sempre ver o melhor nas pessoas! – ponderou, balançando um pouco a cabeça desanimadoramente. – Esqueça, Alice, Jacob Black não é bom e nem quer o meu bem, muito pelo contrário... Não é nem a sombra daquele garoto que conhecemos. – assegurou frustrada.
- Sei que você provavelmente não acreditará no que irei dizer... – Alice pausou por um momento e voltou a fitar Elize. – Sou muito intuitiva, amiga, você bem sabe. Sinto que... Que embora Jacob tenha agido de forma inescrupulosa, ele não é mau... Em sua essência... Ele continua sendo aquele bom garoto que conhecemos!
Elize riu sem vontade.
- Então me diga, Srta. Sensitiva, que nome se dá ao nobre gesto que ele, juntamente com meu pai, estão me obrigando a fazer?
- Certo. – resignou-se Alice. — Não há nada de nobre nos seus últimos atos. E, bom, eu compreendo a sua raiva, até porque entendo que os fins não justificam os meios. Nessas circunstâncias você é o elo mais fraco da corda, não teve opções. Mas acredite, eu vi aqueles olhos... – então Alice tornou-se pensativa. — Existe algo mais, que ele não quer que você saiba.
Elize não se surpreendeu com a opinião da amiga, pois a moça tinha um altruísmo e uma compaixão que destoava do seu modo de vida caro e aristocrático. Era a melhor pessoa que Elize conhecera em toda a vida, incapaz de ser maldosa ou preconceituosa, com qualquer pessoa que fosse.
- Ótima maneira de encarar a situação, se prefere viver em seu mundo cor-de-rosa... – Elize ironizou. – Sei que tenho uma grande parcela de culpa diante dos acontecimentos. Não me orgulho da forma como o tratei durante os últimos anos. Não mesmo! Mas não o fiz por mal... Imaginei que fosse o melhor a ser feito, por nós dois... Somos tão diferentes, Alice!
- É aí que você se engana profundamente, querida. Nunca vi duas pessoas tão orgulhosas, teimosas, autoritárias e cabeça-duras como vocês dois.
Elize estava prestes a argumentar, embora soubesse que era quase impossível desconstituir uma opinião depois que Alice firmasse seu conceito sobre algo.
Mas a Srta. Collin voltou sua atenção para a porta recém-aberta. A jovem Mema trazia em seus braços um enorme arranjo.
- Para a senhorita. – a empregada sorriu, e com entusiasmo entrou no quarto, mostrando o belo ramalhete de rosas vermelhas que trazia em uma das mãos, enquanto a outra segurava uma caixa de bombons finos em formato de coração.
As pupilas de Elize dilataram levemente.
- Quem as mandou?- perguntou, sentindo o coração falhar uma batida pela remota constatação de quem se tratava.
- O senhor de ontem... Sr. Black. – disse a jovenzinha, sorrindo mais do que deveria na opinião de Elize.
A moça nunca pensara que odiaria tanto um lindo ramalhete de rosas vermelhas quanto naquele momento, ou que seu estômago embrulharia só de olhar para uma caixa de bombons.
- Jogue-as fora. – ordenou, de forma tão brusca que a pobre empregada sobressaltou-se com o rompante.
- Mas por quê? – interrompeu a amiga.
- Ora, Alice... Preciso explicar tudo novamente? – Elize fitou a moça com a expressão de poucos amigos. Se Jacob imaginava que Elize se derreteria por um gesto tão simplório, estava muito enganado. Ele poderia ter comprado seu pai, sua mãe, mas não a ela.
- Acalme-se, Elize. As rosas são lindas. E os chocolates provavelmente estão divinos... Sei que são seus doces favoritos. Ademais, as pobres flores não têm culpa das complicações que envolvem as pessoas que as deram ou receberam. — disse Alice, aproximando-se e inalando lentamente uma das rosas que acabara de puxar com a mão. — Não as jogue, Mema. É até um sacrilégio por no lixo algo tão lindo. – pediu Alice, enfeitando os cabelos com o botão da rosa. — E deixe os chocolates... Se Elize não quer, eu os quero.
A empregada continuava parada, segurando o enorme buquê e a caixa de bombons, com a expressão confusa, sem saber se deveria obedecer à patroa ou à amiga. Elize correu as mãos sobre os cabelos soltos e respirou de forma afobada.
- Entregue os bombons para a Srta. Brandon e vá, Mema. Leve as flores para o seu quarto, ou para a cozinha, mas tire-as da minha frente. — disse. A empregada sorriu, satisfeita com a possibilidade de ter algo para enfeitar seu quarto.
- Espere, Mema. – disse Alice, bloqueando a passagem da empregada. – Tem um cartão Lizzie, não gostaria de ler? – inquiriu a amiga de forma curiosa, retirando um envelope branco de entre as rosas. Então se voltou para a empregada dando sinal para que se retirasse.
- Não, Alice. Definitivamente não tenho interesse algum em saber que palavras torpes aquele homem pode ter escrito nesse pedaço de papel. – respondeu, amargando os acontecimentos da noite anterior. O jantar, o anel, que parecia pesar horrores em seu dedo, e o beijo, o maldito beijo. Nunca pensou que teria tanta raiva em beijar Jacob. A única coisa que alentara seu coração fora fazê-lo sentir dor e gosto de sangue.
- Acho que você deve ler o cartão, Elize. – propôs Alice, estendendo a mão que segurava o envelope. A jovem hesitou por alguns segundos até se render à curiosidade. Talvez fosse um pedido de desculpas por tentar beijá-la a força, ou talvez tenha compreendido a loucura que era manter o casamento, e, portanto estivesse desistindo.
Elize segurou o envelope e sentiu a fragrância cítrica impregnada no papel. Vagarosamente abriu o bilhete e depois de um breve hiato, passou a ler.
Cara Elize,
Como mencionei, arcarei com todas as despesas do casamento, e isso inclui o seu enxoval. Dei ordens para que a Maison da Sra. Margaret lhe receba com toda a atenção necessária, e que lhe disponha o que você desejar. Portanto não se faça de rogada. Quero vê-la vestida com as peças mais lindas, finas, lúbricas e caras. Conheço a deliciosa textura de sua pele, e nada me deixaria mais contrariado do que vê-la usando algo que não esteja à sua altura. Advirto-lhe que não é um pedido, minha doce Elize, e sim uma ordem. Comprei o meu presente, portanto posso exigir o embrulho do meu agrado.
J.B
P.s. — A encontrarei ao fim da tarde.
As últimas linhas fizeram Elize corar violentamente. Podia até ouvir a risada sarcástica de Jacob por trás da tinta impressa, e teve ganas de picar em mil pedaços o papel em suas mãos. Gostaria de fazê-lo engolir aquele bilhete, que parecia queimar entre os seus dedos, ou contradizê-lo palavra por palavra. Nada lhe daria mais satisfação do que desobedecer a Jacob Black, de fazê-lo de idiota. No entanto, não adiantaria, sabia que o rapaz arrumaria um jeito de conseguir que ela cedesse por bem ou por mal. Ele tinha habilidades para isso, afinal a comprara. Então, mesmo a contragosto, faria o que ele ordenara, no entanto não compraria nada bonito, muito pelo contrário, cobriria o corpo com peças grandes e feias, capazes de provocá-lo uma síncope pelo atrevimento.
- E então?- ao ouvir a voz de Alice, lembrou-se da presença da amiga. — O que ele quer? — Elize baixou os olhos e pensou se diria o vergonhoso teor do bilhete, embora Alice fosse mais do que uma amiga, fosse como uma irmã.
- Ele quer me envergonhar, apenas isso. – Elize zangou-se, jogando o papel amassado sobre a cama, que Alice cuidadosamente desamassou e leu.
- Oh meu Deus! – Alice exclamou, e Elize notou que a amiga tinha corado levemente, mesmo não sendo pudica, nem dada a falsas lições de moral. — Ou esse homem tem sangue quente nas veias, ou ele adora provocá-la. – acrescentou assim que conseguiu disfarçar a surpresa.
- Ele é um cretino, isso sim. Alice, ele sabia que eu era comprometida e...
- É verdade! – Alice concordou, voltando a surpreender-se. — Como tudo foi imprevisível! Num dia você era a namorada de Rilley, e no outro... Irá se casar com Jacob! Pobre Rilley... — Alice abriu lentamente a boca, sentindo-se horrorizada. – Mas você ainda não me explicou como vocês romperam... Como lhe contou a situação? Deu alguma chance para que ele pensasse em alguma alternativa? – Elize suspirou, com mais uma demonstração de otimismo de Alice. Na situação em que se encontrara não poderia se dar ao luxo de pensar o melhor das pessoas. Pelo contrário, culpava a todos por seu sofrimento.
- Não fui eu, Alice, foi o meu pai. Ele pôs fim ao nosso relacionamento, como quem acaba com uma brincadeira de criança. E eu juro que esperava que Rilley protestasse, enfrentasse o Sr. Collin, mas não... Ele aceitou! — lembrar da cena a deixava tão ressentida, que era difícil de explicar. Nunca o amou, mas ainda assim esperava que Rilley agisse como se fosse o homem de sua vida. Mas definitivamente não foi assim que ocorreu. Além de Rilley evitar confrontar o pai da jovem, sequer a procurou após o incidente.
- Não se ressinta, Lizzie, Rilley, assim como você, não teve opções... E dada a sua personalidade tão pacífica eu duvido muito que ele fosse de encontro ao seu pai.
- Rilley não foi homem o bastante para lutar contra a vontade do meu pai, isso sim. – um riso amargo escapou dos lábios de Elize. — Enquanto em um sobra amor e falta ímpeto, o outro é tão determinado que me terá, mas por puro ódio...
- Tenha esperanças, Elize. Rilley a ama, e talvez esteja pensando em algo que faça seu pai desistir... — Alice mencionou, num tom complacente.
Elize a olhou e encolheu-se na cama em posição fetal. No fundo sabia que, assim como ela, Rilley não merecia o tratamento que recebeu, embora esperasse mais do jovem médico. O grande entrave para que a moça aceitasse tal conclusão era seu orgulho, ferido pela falta de reação do rapaz. A moça imaginava que valia ao menos algum esforço por parte do ex-namorado.
- Tarde demais... Eu só queria dormir e acordar quando tudo isso estivesse acabado. Ou melhor, não queria acordar nunca mais... — o relógio da sala principal soou alto, e por trás da porta a voz agitada da Sra. Collin ecoava, lembrando-a de que esquecer tudo era terrivelmente impossível.
...
Elize observava a tudo quieta e calada. Em sua opinião, a tarde transcorria irritantemente enfadonha. Não queria estar ali. Sentia-se como se sua vida estivesse presa a cabos, Jacob a manipulava como uma verdadeira marionete.
- Que delicadeza, meu Deus! – sorriu Susan, apreciando uma camisola de linho branco. – Me diga se não foi uma gentileza sem tamanho a oferta do Sr. Black em pagar todo o seu enxoval? — com o cotovelo direito a Sra. Collin pressionou o braço de Elize, para que a filha demonstrasse o mínimo entusiasmo.
- Sim, mamãe. – Elize rolou os olhos e se ouviu dizer, não fazendo questão alguma de esconder o desagrado.
- O que me diz, Elize...? — a Sra. Collin indagava, segurando duas peças, uma em cada mão. A primeira era lisa, fina, a segunda era rendada e levemente decotada.
- Qualquer uma. – Elize mencionou, virando o rosto para outra parte da loja. Como prometera, não estava disposta a comprar nada bonito, nada que agradasse Jacob Black, muito pelo contrário, esperava que a mãe escolhesse apenas peças antiquadas e em desuso, mais apropriadas para senhoras de meia idade, como ela.
- Que tal essa? — apontou Elize para uma camisola, mais grossa e larga, insípida e sem atrativos.
- Que horror, Elize. — Susan fez uma enorme careta, puxando a peça da mão da filha. – Não vê que é uma peça inferior? Sem classe?- sussurrou ao ouvido da filha.
- Eu gosto. – a moça rebateu, com um meio sorriso cínico.
- Não, você não gosta. – contradisse Susan, trincando ligeiramente os dentes. — Alice, ajude Elize a escolher algo melhor. Parece-me que hoje, em particular, ela está com um terrível mau gosto. — torceu um pouco o nariz e em seguida afastou-se, disposta a olhar outras mercadorias que a dona da loja acabara de mostrar.
- Tudo isso está me enojando. – Elize comentou. – Desde que Jacob pôs os pés na nossa casa ela age como se ele fosse o homem perfeito... Essa súbita adoração está me dando nos nervos. — a jovem sabia, mais do que ninguém, como sua mãe apreciava as facilidades que o dinheiro poderia comprar. Mas a característica que nunca a incomodou outrora, parecia aborrecê-la desesperadamente agora.
- Escolha algo. Assim, talvez, ela pare de lhe incomodar. — Alice propôs e Elize imaginou que não teria opções.
- Você tem razão. – suspirou resignada.
- Parabéns, Srta. Collin. – Elize virou-se, fitando Margaret. A senhora distinta era dona da loja mais cara voltada para o público feminino de Forks.
Margaret, que herdara a loja com a morte do pai, transformou o estabelecimento em um lugar refinado e de bom gosto. Possuía uma habilidade nata para os negócios, era uma mulher a frente do seu tempo, que enfrentou o preconceito de uma cidade machista para manter sua própria loja, ganhando, com o passar do tempo, o respeito de todos. As poucas vezes que Elize teve a oportunidade de trocar mais do que duas palavras com a senhora admirou-a instantaneamente.
- Sua mãe me deixou a par da novidade. O Sr. Black fez uma excelente escolha. Você é uma jovem encantadora! – Elize se viu obrigada a sorrir. – Bom... Digo que já desconfiava... — a senhora curvou os lábios num sorriso delicado. – O jovem Black me deu as coordenadas sobre o que separar para a compra das senhoritas de hoje à tarde. Imaginei, portanto, que se tratava de um compromisso, afinal nenhum homem custearia tais mercadorias se a jovem a que se destina essas peças, tão delicadas e íntimas, não fosse sua futura esposa. — Elize quase engasgou.
- Então o Sr. Black escolheu todas as peças? — Alice deu um passo à frente, arregalando levemente os olhos quando perguntou com notória curiosidade.
- Sim. Cada uma delas. – Margaret alargou o sorriso, depositando alguns enormes embrulhos sobre o balcão. – Garanto que seu futuro esposo tem muito bom gosto. – dessa vez Elize sentiu, implicitamente, uma pontada de malícia e teve receio de segurar os embrulhos. Na verdade preferiria deixá-los onde estavam.
- Evidente que sim. – disse e dessa vez foi impossível esconder o tom irônico.
- Mas, se as senhoras desejarem adicionar mais alguma escolha às compras, estejam à vontade. O Sr. Black deu-me ordens para atendê-las no que fosse necessário.- disse, e embora estivesse empenhada a tal propósito, mantinha-se extremamente discreta.
O pequeno sino, preso ao umbral da porta principal, soou, anunciando a entrada de mais fregueses. Involuntariamente Elize girou a cabeça, ao ouvir risos femininos ligeiramente mais altos do que era próprio a uma dama quando sorria em público. A moça já vira de longe e reconhecera na hora a mulher e duas jovens conhecidas como as Meninas da Mirna.
- Boa tarde, senhoritas. – cumprimentou a mulher de cabelos longos e pretos, presos numa trança que descia pela lateral do seu ombro, chegando à altura da cintura. Os olhos eram pretos e tinha um rosto incrivelmente belo. As jovens que a acompanhavam balbuciaram seguidamente um “boa tarde”. Elize e Alice demoraram a responder, e foi a voz de Margaret cumprimentando as clientes recém-chegadas que as trouxe de volta dos seus pensamentos.
- São as Meninas da Mirna? — indagou Alice, apreciando a ousadia das roupas das três mulheres e as cores fortes da maquiagem e dos esmaltes. Elize não duvidou nem por um segundo de que a curiosidade de Alice se referia à forma das três se vestirem, e não ao fato de serem prostitutas.
- Sim. Mas não se preocupem... — apressou-se Margaret em falar. — Elas sempre mantiveram a compostura necessária a um ambiente familiar. – respondeu com polidez, e as jovens assentiram.
Elize passou a observar os perfumes, juntamente com Alice, enquanto a mãe, ainda deslumbrada, escolhia peças, que na opinião da jovem eram completamente desnecessárias.
- O que acha desse chapéu, Emma? — Penélope, uma das prostitutas, perguntou. — Não fico bonita com ele?- indagou a jovem, rodopiando em frente ao espelho.
- Deixe-o onde está, Penélope. Não viemos comprar chapéus, e sim roupa de cama, entendeu? — a jovem fez um bico, mas obedeceu.
- Nem um pequeno frasco de perfume, Emma? — quis saber Sabrine, a ruiva cheia de pequenas sardinhas no rosto.
- Não, meninas, hoje não. Apenas lençóis, toalhas e jogos de mesa. — Emma respondeu, caminhando para o lado oposto.
- Você é uma estraga prazeres, Emma. Não temos direito a um único mimo? — queixou-se Penélope.
- Outro dia, meninas.
- Você diz isso porque sempre ganha presentes, não é? Diga-nos... O que tem que nós não temos?- Emma teve vontade de dizer: alguns anos de experiência e maturidade, mas apenas riu.
- É incrível... — continuou a meretriz mais jovem, passando pelas prateleiras. – Jacob Black sempre a procura. Meu sonho é que um dia ele olhe para mim... – Sabrine disse após um longo suspiro. — E acabe em minha cama. – sorriu maliciosamente, arrancando uma gargalhada de Penélope.
Elize estava perto o suficiente para ouvir a conversa das prostitutas. A simples menção do nome de Jacob Black a fez petrificar imediatamente. Pensou que ouvira errado, mas não. As meninas repetiam o nome do jovem índio entre cochichos e risadas. Esgueirou-se pelas prateleiras para ver mais de perto a mulher que as outras acusavam de ser a preferida de Jacob, e odiou admitir que a prostituta era bonita. Imaginá-lo se divertindo na casa da Madame Mirna a fez sentir um gosto amargo na boca. Pensar no que faziam juntos doeu-lhe violentamente o estômago. A decepção debateu-se dentro da jovem com impetuosidade. Era algo que não queria sentir, mas ainda assim sentiu, com tanta intensidade que teve vontade de gritar. Odiou a Jacob Black, odiou a si mesma por se permitir afetar deste modo.
- Vamos embora. – Elize exigiu com expressão contrariada quando se aproximou de Alice, que parecia encantada com as novas fragrâncias de perfumes.
- Já?- então girou o rosto e viu a Sra. Collin, indecisa sobre vários lençóis de cama. – Acho que sua mãe não terminou...
- Você ouviu o que Margaret falou. Jacob já escolheu o meu enxoval. Que noivo exemplar eu tenho, não? – ironizou, com amargura. Cada vez que via a silhueta angulosa da meretriz chamada Emma deslizar pelos corredores da loja, sua raiva interior aumentava, borbulhando como água quente.
- Calma, Lizzie, por que essa pressa repentina? – Alice indagou, no entanto não demorou muito a perceber o que se passava quando seguiu o olhar de Elize, fixo na espanhola. – Não me diga que está incomodada com a presença das Meninas? – questionou, em tom acusatório.
Elize voltou seus olhos rapidamente para a amiga, que a fitava com a expressão de repreensão.
– Não! Claro que não estou incomodada! – não pelos motivos que imagina, acrescentou mentalmente. Alice olhou-a de esguelha e pareceu não acreditar.
- Tudo bem. Vou chamar a Sra Collin... – a amiga afastou-se, deixando Elize sozinha e chocada.
Mesmo contrariada, Elize aproveitou o momento para espionar a prostituta um pouco mais. Seu corpo era bem desenvolvido. Seus seios eram fartos, exatamente como um homem deveria preferir. Seu quadril largo contrastava com sua cintura estreita. Seus lábios cheios tornavam-se ainda mais sensuais quando ela sorria para as amigas. Elize não pôde evitar comparar-se à meretriz. Seu corpo, apesar de bonito, era menos curvilíneo. Respirou pesadamente. Com certeza não possuía o dom da sedução, nem se considerava irresistível, como a espanhola parecia ser. Tão entretida estava em sua inspeção, que não ouviu o sino da loja anunciar a chegada de mais alguém. Nem mesmo se deu conta dos passos que se aproximavam vagarosamente.
- O que minha linda noiva tanto observa? – a voz rouca e baixa de Jacob soou ao pé do seu ouvido, causando-lhe um sobressalto. Sua respiração alterou-se com o susto, e sentiu como se tivesse sido pega em flagrante cometendo algo impróprio.
- N-nada. – titubeou, virando-se rapidamente para o outro lado, com o rosto rubro, de raiva e de vergonha. A jovem deu dois passos para trás, imprimindo um ar altivo, embora seus olhos estivessem vacilantes. Jacob percebeu, assim que entrou, que Elize fitava Emma, enquanto a prostituta acariciava o fino tecido de um lençol de seda, analisando-o minuciosamente, sem se dar conta de que era observada.
- Quer que eu a apresente? – indagou debochadamente, pressentindo a oportunidade de provocá-la uma vez mais. Elize o encarou com expressão chocada. O rapaz imaginara que a moça observava a prostituta por curiosidade e preconceito, alheio aos reais motivos, que até então desconhecia.
- O quê? É claro que não! Ficou louco? – agitou-se Elize, estreitando os olhos, demonstrando claramente seu desagrado. Então o cafajeste queria apresentar-lhe à sua amante? Que situação seria mais humilhante do que aquela?
- Não seja mal-educada... – falou o rapaz em tom sardônico, arrastando-a pelo braço na direção da prostituta. Elize não teve tempo de reagir, simplesmente por se negar a acreditar no que acontecia. Não era possível que Jacob a estivesse puxando pela loja, com o intuito de apresentá-la à mulher responsável por sua raiva.
- Emma! – Jacob a chamou, com um sorriso genuíno nos lábios. A mulher o mirou, virando-se lentamente, e sorriu em resposta.
- Cariño! O que faz numa loja como essa? Não me diga que veio me comprar outro presente? – indagou antes de se dar conta de que Jacob trazia uma moça em seu encalço.
Elize enraiveceu-se ainda mais, e sentiu a palpitação acelerada de sua jugular ante a confirmação das insinuações das prostitutas. A cena era tão romântica que a enojara. Os dois não se importavam em demonstrar que eram íntimos. Mais doloroso ainda para a moça foi vê-lo aproximar-se da espanhola e beijar-lhe ternamente a mão, enquanto a sua outra segurava-a com força, fazendo pressão sobre a delicada pele.
- Na verdade gostaria de apresentá-la a uma pessoa... – mencionou, puxando Elize, que foi obrigada a dar mais um passo a frente, já que Jacob mantinha seus dedos como correntes em volta do seu pulso, impedindo que a jovem fizesse qualquer menção de soltar-se a tempo. – Emma, esta é Elize, minha noiva. – Jacob apresentou a moça, curvando os lábios num sorriso debochado.
Os olhos da espanhola arregalaram-se ligeiramente em surpresa, mas logo um sorriso sincero brotou em seus lábios. Elize estreitou seus olhos e a julgou sem pudores. A mulher, na opinião da jovem, além de prostituta, era uma ótima atriz. Uma verdadeira dissimulada, capaz de mostrar-se confortável com uma situação inadmissível a qualquer outra mulher.
- Muito prazer, Elize. Es una chica muy hermosa. – saudou Emma, estendendo a mão na direção de Elize.
A jovem não demonstrou qualquer ânsia de cumprimentá-la educadamente, por isso, em vez de estender-lhe a mão, olhou gelidamente para a prostituta, e em seguida para Jacob. Embora não entendesse as últimas palavras ditas em espanhol, julgou que ambos se divertiam às suas custas, por isso aproveitou que o rapaz libertara o seu braço, para se virar num rompante e afastar-se com passos firmes. Seguiu até a entrada da loja, abriu a porta e saiu. Sentia-se sufocada, por isso inspirou forte o ar da rua, deixando que a respiração que parecia presa há muito tempo enchesse seus pulmões.
Jacob desculpou-se rapidamente da espanhola, e seguiu no encalço da noiva. Encontrou-a na calçada, com a expressão visivelmente alterada. Era difícil para a jovem definir ou explicar o que estava sentindo naquele momento. Vendo Jacob brincar com seus sentimentos, como se fosse uma peça qualquer de seu jogo, sentiu-se arredia. A jovem imaginava que ele poderia ter mais compaixão, mas enganou-se completamente.
- Você precisa ter mais respeito com as pessoas, garota! – reclamou, aproximando-se firmemente. Quando viu o rosto irado da jovem, conjecturou que talvez tivesse extrapolado os limites do bom senso. Mas por quê?
- Respeito? – Elize virou-se, indagando-o, com as mãos na cintura. – Quem é o senhor para falar de respeito? – provocou, erguendo o queixo desafiadoramente.
- Eu sou o seu noivo, e deve me tratar como tal. – Jacob travou o maxilar e falou entredentes, segurando firme o braço da moça mais uma vez.
- Exatamente! Você é meu noivo, Jacob Black, não por minha livre vontade, mas, já que fez tanta questão por esse arranjo, comporte-se devidamente. – rebateu, desvencilhando-se dele, porém sem recuar um milímetro. Seus olhos o encaravam cheios de rancor.
- Todo esse teatro apenas por que lhe apresentei a uma velha amiga? – o rapaz inquiriu cinicamente, injetando suas lindas orbes negras sobre o olhar raivoso de Elize.
- Velha amiga... – a moça repetiu, balançando a cabeça negativamente. Elize estava com raiva. Raiva do que quer que Jacob houvesse planejado para humilhá-la tão deliberadamente. Ela podia ter sua parcela de culpa, não negava, mas não merecia ser condenada por isso. Não merecia que ele estragasse sua vida.
- Seu preconceito não é novidade para mim, Elize, mas me surpreende uma atitude tão deselegante da sua parte.- acusou-a.
- Quer que eu trate com educação a mulher que se deita com o meu noivo? – disse com ar irônico, deixando o rapaz surpreso, não só com o seu conhecimento, mas também com o seu palavreado. – Por que é isso que ela faz, Jacob, não negue. Eu ouvi as outras... Meninas falando sobre vocês... Não têm vergonha?
- Sim. Tenho vergonha, mas não disso. – aproximou seu rosto minimamente, olhando-a de forma intimidadora. – Eu sou homem, Elize. Tenho desejos e necessidades. Aliás... Você sabe disso muito bem. — a moça enrubesceu e tentou baixar a vista, mas ele levantou o seu rosto com impetuosidade, mantendo seus dedos presos ao queixo da jovem. – O que achou? Que me comportaria como um santo celibatário durante todo esse tempo? Que negaria as minhas vontades a troco de nada? Você não pode exigir nada de mim, Elize. Não pode exigir a lealdade que não me devotou. — Jacob cuspiu as palavras com frieza.
Apesar de não admitir, porque seu orgulho nunca o permitiria, doía no rapaz saber que Elize comprometeu-se emocionalmente com outro enquanto estavam separados. Doía saber que a moça, ao contrário dele, o esquecera completamente, e seguira a sua vida como se ele nunca houvesse existido. Doía pensar que ela construíra planos em comum com outra pessoa, e que só os deixara de lado, por sua intromissão forçada.
Elize encarou-o em silêncio, perplexa, pois sabia que, de certa forma, o índio tinha razão. Não podia exigir satisfação do seu comportamento pelo que passou. Mas por que lhe machucava tão profundamente imaginar que outra mulher entregara-se em seus braços?
- De fato, você não me deve qualquer satisfação por suas atitudes passadas. Mas espero que me trate com o mínimo respeito que exige que eu dispense à sua... Amiga a partir de agora. Temos um compromisso, Jacob. Honre com ele. — exigiu
O rapaz estreitou os olhos, tentando ler na expressão indignada de Elize o que se escondia por trás daquela exigência. Por que ela se importava com quem o índio ia para a cama, se dizia odiá-lo tanto? Alguns segundos foram mais do que suficientes para concluir o que perturbava a jovem altiva, orgulhosa e pretensiosa.
- Você está... Com ciúmes? – indagou em voz alta.
- Não seja estúpido!- ela vociferou. — Eu... Eu apenas receio que você me exponha ainda mais em público. – a moça rebateu, afastando-se, com o rosto corado. Ela sabia que não era apenas isso que a incomodava, mas tentava, em vão, enganar a si mesma e ao rapaz. No entanto ele a conhecia bem demais para reconhecer a mentira em sua atitude esquiva.
- Você está com ciúmes! – o índio repetiu gabando-se, e gargalhou satisfeito em seguida.
- Ora, seu...
A moça parou abruptamente a longa lista de insultos que estava prestes a proferir, quando foi interrompida por Alice, que saíra à sua procura a mando da Sra. Collin. Alice fitou erraticamente a amiga e o jovem índio.
- Elize, sua mãe mandou-me lhe chamar. – a moça falou, relanceando os olhos desconfiados entre o casal, que continuava a se encarar. — Aconteceu alguma coisa? — indagou à Elize, imprimindo uma leve ruga de interrogação.
A Srta. Collin olhou o noivo de esguelha antes de voltar-se para a amiga. Sabia que a tensão entre os dois era quase palpável, embora os olhos negros do jovem índio destilassem um certo ar de divertimento que a enervava.
- Não é nada, Alice...- disse sem vacilar.
- Srta. Brandon! — Jacob iniciou calmamente. – Há quanto tempo! Talvez não esteja lembrada de mim, então permita-me... – o jovem índio estendeu a mão, que foi aceita após uma leve hesitação. — Jacob Black, ao seu dispor.
- Lembro-me muito bem de você, Jacob. Como posso me esquecer do garoto que estragou a maioria dos vestidos das minhas bonecas! – Alice rebateu, com ar contrariado e divertido ao mesmo tempo. Embora não fosse tão próxima do filho dos Black durante a infância quanto Elize, sempre que visitava a amiga o índio participava das brincadeiras. Sua mãe certa vez até queixou-se com a Sra. Collin da “má influência” do menino, mas Susan soube contornar a situação. – A propósito, você sabe o meu nome, Jacob, então me chame apenas por ele. Não gosto do tratamento impessoal de sobrenomes. — completou a pequena sem cerimônias. – Podemos nos dar bem se formos apenas Jacob e Alice... Acho tão absurdo sermos conhecidos por que família pertencemos e não por quem somos! – disse simplesmente, e arrancou um sorriso de cante de boca de Jacob.
- Você tem toda razão, Alice.- o jovem concordou.
- Er... acho melhor entrarmos. – disse Elize repentinamente, sentindo-se incomodada com os moldes educados do índio, já que não parecia ter a mesma deferência consigo. Puxou a amiga pelo braço e entrou na loja, sob o olhar atento do rapaz, que a observou afastar-se, sentindo-se vitorioso. Era bom perceber, que apesar da moça negar, ele ainda a afetava.
Ainda sorrindo, percebeu a porta da loja mais uma vez se abrir, mas dessa vez foram as três prostitutas que passaram por ela. As mais jovens quando o viram sorriram incessantemente, diferentemente de Emma, que embora séria, estava cálida.
- Desculpe-me, Emma. – Jacob aproximou-se da prostituta e imprimiu um tom de voz mais baixo. Pôs-se, como um cavalheiro, a segurar as sacolas que Emma trazia. — Eu não esperava que Elize reagisse daquela maneira. – mentiu, porque a verdade era que só apresentara a prostituta a Elize com o único intuito de provocá-la. Sabia que a jovem era temperamental demais para manter-se inerte à provocação, mas ainda assim achou por bem desculpar-se. Divertir-se às custas de Elize era uma coisa, expor Emma à atitude hipócrita, preconceituosa e mal educada da jovem aristocratazinha era completamente diferente, e apenas nesse aspecto ressentiu-se internamente.
- Não se preocupe, Cariño, — Emma sorriu-lhe meigamente. — Ela reagiu melhor do que faria a maioria das moças dessa cidade.
- O problema é que... Bem... Ela ouviu as meninas comentando sobre nós dois. – ele falou, referindo-se às prostitutas que lhe paqueravam descaradamente às costas de Emma. Ela as fitou duramente, com olhar de repreensão, que fez as meninas entrarem no carro automaticamente, e depois se voltou para o rapaz.
- E por que você me parece mais contente com a situação do que deveria estar? – indagou Emma, demonstrando o quanto lhe conhecia. Jacob apenas deu de ombros, caminhando com as compras em direção ao carro que as esperava, com um sorriso no canto dos lábios. Ainda deliciava-se com a sensação de provocar Elize ao ponto de fazê-la perder o controle. — Você gosta de verdade dessa moça, não é? – a prostituta interrogou, não dando tempo para que o rapaz lhe respondesse, acrescentou carinhosamente. – Não estrague tudo, Cariño. – sua mão tocou levemente o rosto bronzeado do rapaz. — Você, mais do que qualquer pessoa, merece ser feliz.
O jovem índio nada respondeu, apenas assentiu levemente com a cabeça. No entanto guardou as palavras de Emma com deferência, embora não tivesse ilusões românticas acerca da jovem Elize. Muito pelo contrário, imaginara que o grau de animosidade entre ambos poderia alçar vôos ainda mais altos.
Antes de adentrar ao veículo, a prostituta deu um singelo beijo no rosto do rapaz, depois limpou com o dedo o batom escarlate que marcara a sua pele. Olhou-o nos olhos, finalmente entendendo por que sentia como se tivesse se despedido dele na última vez em que estiveram juntos.
Jacob nunca lhe falara sobre aquela moça, a filha dos Collin. Nunca sequer mencionara seu nome. Mas a espanhola sempre soube que o coração do rapaz pertencia a alguém. Sua experiência demonstrava que a mulher sempre deixava uma marca invisível, mas perceptível, no homem que a pertencia.
Percebeu o tom de orgulho por trás do deboche quando o rapaz a apresentou como sua noiva. E sentiu o amor camuflado pelo rancor que manchava a voz do índio quando se referia à moça. Nunca os olhos de Jacob brilharam tanto quanto quando olhavam para Elize. E a prostituta sentiu-se contente, pois sempre desejara que esse momento chegasse à vida do jovem.
Notas finais
Sobre o capítulo anterior, fiquei muito feliz em ver que todas gostaram do flash back. É lindo de mais, não é?! Escrevi com tanto carinho...
Adianto que ainda haverá mais um cap antes do casamento, recheado de emoções...
Mas vcs não perdem por esperar!
Apesar da minha amiga Lany postar os caps semanalmente, e responder a todos os reviews, gostaria que soubessem que leio todos eles, fico muito feliz, me emociono, e sinto-me ainda mais inspirada!
Beijos, leitoras mais lindas do mundo!!!
Comentem, por favor...
;*
MissLany: Tenho que admitir que Jake foi super, mega, ultra abusado neste capítulo!!! Ele está levando a risca o lance do olho por olho e dente por dente. Ja disse que a vingança de Jake beira a insanidade?? Pois então, devemos esperar tudo, mais tudo dele.
Como diria Vishous(IAN) "A vingança é uma cadela" Em falar em Vishous, meninas a Key postou a Fic STORM, deem uma passadinha la e confira a estória tudo de bom... Como não consegui linkar aqui, vcs podem encontrar a estoria se forem nas minhas estorias favoritas e clicar em STORM, ok? Garanto que não se arrependerão.
Muitos bjus e até a proxima. :)
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