Virtualis

1 Bem-vindo ao Virtualis.


Carlos ouviu o barulho da máquina desligando, abriu os olhos lentamente e viu o teto branco, manchado pela umidade. Ao seu lado direito estava uma pequena mesa, com um frasco branco com algum liquido e um pano, ao lado esquerdo tinha uma máquina do tamanho de uma geladeira, era o Virtualis.
Sentou-se na cama, com a visão desfocada, e viu uma pessoa se aproximando.
– Bem vindo de volta Carlos. — falou uma voz feminina, entregando-o seu óculos.
– Ah... Olá Alice.
– Está lá a quanto tempo?
– Não faço ideia, alguns dias, uma semana, talvez.
Ela estava referindo-se ao estado virtual, o estado no qual entram quando usam o Virtualis.
Carlos é um homem experiente, seu cabelo apresenta muitos fios brancos, quase completamente grisalho. É baixo, aproximadamente 1,72, o que não passa muita imponência, mas seu jeito firme de falar e sua perspicácia já são o suficiente para passar confiança.
– Levante, tem alguem te esperando na entrada, o detectore facial não apresentou sinais de o conhecer.
Raramente novas pessoas vão ao Subsolo, apenas com um guia ou um mapa se pode chegar lá. Quando chegou na entrada, viu um adolescente parado, era alguns centímetros maior que Carlos, era magro, cabelos longos e loiros. Estava usando uma camisa de manga longa branca, calça jeans, e tênis branco, nas costas levava uma mochila, que parecia vazia.
– Olá...
– Hm.. O-oi — ele parecia muito nervoso.
– Qual o seu nome?
– Lucas, senhor.
– Senhor? Adoraria, mas não estou no comando aqui, Lucas.
– Quem é você?
– Sou Carlos, bem vindo ao Subsolo V. Quem te falou para vir aqui?
– E-eu não sei... — Sua resposta intrigou o mais velho.
– Como chegou aqui, então?
– Eu acordei no meu apartamento, ou pelo menos eu acho que é, e quando sai do prédio, um homem me entregou um mapa e me disse para vir aqui.
– Você não o conhecia?
– Não.
A única coisa que Lucas tomava como verdade era seu nome, foi como o homem de preto o chamou. Não se lembra onde estuda, quem são seus país ou de seu passado.
O garoto entregou-o mapa, que continha, na parte inferior, um carimbo, que parecia o numero 4 em romano. Carlos logo identificou que era o carimbo da Quarta Província, o que não pareceu um bom sinal.
– Bom, venha, vou te mostrar o lugar.
Andaram por todo o Subsolo, passaram pela Sala de Estratégia, onde tudo o que é feito na Quinta Província é discutido.
– Carlos.
– ...é a... pode falar.
– ...é a... pode falar.
– A Quinta Província pertence ao Subsolo V?
– Sim, todos os seis subsolos têm uma província no Virtualis.
– Seis subsolos?
– Existe um subsolo em cada continente, e os principais ficam nos Estados Unidos, Itália, Nova Zelândia, Rússia e a nossa, Brasil.
– Você falou cinco países.- riu o garoto,discretamente, sem desviar os olhos dos monitores na sala.
– A América Central não conta, esta trabalhando com os Estados Unidos a anos. — Explicou-se, percebendo a satisfação do mais novo por ter corrigido-o sumindo.

Carlos mostrou-o o refeitório, a oficina, e finalmente à sala onde estão os Virtualis.
– Essa é a sala onde ficam os as máquinas que nos permitem ir para o mundo virtual, esse mundo é chamado de Virtualis. Coincidentemente as máquinas que nos permitem ir para esse mundo também são chamadas assim.
– E como exatamente funcionam?
– Não sei detalhes, mas o aparelho é ligado diretamente ao seu sistema nervoso e a todas as parte do cérebro, assim você pode sentir, pensar, e se mover no Virtualis apenas estando conectado.
O olhar de Lucas parecia de uma criança que acabou de descobrir um novo brinquedo, mas seus olhos também mostravam compreensão e criatividade, ele era um garoto esperto. A excursão foi interrompida pela voz da Alice.
– A Primeira Província está chamando todas as outras para uma reunião, agora!
O barulho de um Virtualis ligado é aceitável, mas o barulho de todos era completamente ensurdecedor, a quantidade de pessoas ali era enorme, e como uma reunião não era comum, todos foram comunicados.
– Eu devo ir? — perguntou Lucas.
– Claro que sim, você já está aqui, não está?
Carlos pegou o frasco, colocou o líquido no pano e aproximou da cabeça de Lucas.
– EI, EI! — gritou, empurrando o pano para longe — O que é isso?
– Calma, é só álcool, tenho que passar nas suas têmporas e na sua nuca, apenas por segurança.
Lucas colocou e ligou o aparelho em sua cabeça, o que o fez soltar um grunhido. Entrar no Virtualis não é a coisa mais confortável do mundo, na primeira conexão, a sensação é de que você está recebendo trinta anos de estudo de física quântica, muita informação de uma só.
Lucas viu muitas coisas passando em sua mente. Viu pessoas trabalhando, animais que nunca tinha visto antes puxando máquinas enormes, pessoas discutindo, e outras dezenas de coisas, que passaram como um flash.
Quando abriu os olhos, estava em uma sala, muito parecida com a que estava segundos atrás, a diferença era que, no lugar de paredes de pedra, essas eram de madeira. O cheiro era agradável, o teto não era antigo como o do Subsolo V e a cabeça de Lucas estava latejando como nunca.
Carlos se aproximou de Lucas vindo de seu próprio Virtualis e perguntou.
– Como esta se sentindo?
– Acho que minha cabeça nunca doeu tanto.
– Era o que eu esperava ouvir. Levante-se. Temos que chegar logo na Primeira Província, não podemos nos atrasar.
Os dois começaram a subir as escadas, eram de madeira, igual a grande parte das coisas ali. No final da escada existia um corredor, e no final dele, havia uma porta dupla.
– Quando eu vi isso pela primeira vez quase fiquei louco — Disse Carlos, mais para ele mesmo do que para o garoto ao seu lado, enquanto abria as portas, com dezenas de pessoas as suas costas.
O sol ofuscou a visão de Lucas, mas lentamente pode enxergar. Estavam no topo do prédio, e a aproxidamente 20 metros, estava um dirigível gigantesco, com um balão de lona branca, uma faixa marrom e um numero cinco no meio.
– Esse é o nosso dirigível. Usamos-o apenas em circunstâncias importantes ou quando precisamos levar grande parte das pessoas.
O rosto de Lucas demonstrava claramente a sua surpresa, ele poderia imaginar milhões de coisas, mas um dirigível não seria uma delas.
– Dirigiveis não tinham parado de ser fabricados a muito tempo? — Disse Lucas, sem tirar os olhos da grande maquina, que, agora, estava a poucos metros de distância.
– Lá fora, sim. É um meio de locomoção barato no mundo virtual, não sei por que não são mais usados no real. — Carlos respondeu, parecendo indiferente ao assunto

Notas finais
Espero que tenham gostado desse primeiro capitulo que foi basicamente a introdução ao universo da história com uma pontinha de enredo ali sobre o Lucas. Pretendo fazer uma linha de desenvolvimento pessoal melhof para cada personagem, então deixem nos comentários o que acharam de algum deles, se esta muito bravo ou muito criança, sei lá, mas deixem um comentário com suas opiniões, e o próximo capítulo não vai demorar. o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.