Virtual Love.
21 Capítulo 20 – Depois de tudo...
Notas iniciais
Virtual Love
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Capítulo XX – Depois de tudo...
Nat – On.
05/02/2016 – Sexta-feira, 10h32min.
Depois de um ano, eu, Mia e Matt continuamos ótimos e melhores amigos. Ainda me lembro do nosso primeiro encontro, dos três maravilhosos dias que passei lá, com eles. Lembro-me da nossa despedida, que foi ardida, que doeu no coração de nós três, certamente. Eu não queria ir, Mia não queria que eu fosse e Matt queria que eu morasse ali, com eles.
Mas, depois de muita discussão e insistência, eu tive de ir para casa, claro. Mas nós três não paramos de conversar por nenhum instante, tanto que nos encontramos mais vezes, ou melhor, muitas vezes. Digamos que duas vezes por mês eu ia até lá.
Mamãe e papai casaram novamente e agora moram juntos, felizes. Mamãe começou a dar menos atenção ao emprego e mais atenção para os familiares. E aos netos, claro!
Marie teve os gêmeos em setembro, mais precisamente, dia 15. E veja a maravilha, foi um casal. Muito fofos, por sinal. Markus e Kouko. Eles são tão apegados, e olha que têm apenas cinco meses. Aonde Markus vai, Kouko está junto. Se Kouko chora, Markus chora junto. E é assim. Um não desgruda do outro, o que dá certo trabalho á Marie e Victor. Eles adoram passar a noite comigo, dormem em meu quarto, junto á mim, uma vez por semana. Conto vários contos de fadas para Kouko, e várias aventuras para Markus. Apesar de serem gêmeos, e bem apegados, são muito diferentes.
E eu? Bem, estou um ano mais velha, certamente. Na minha “festa”, chamei apenas as pessoas essenciais. Mãe, pai, Marie, Victor, Kouko, Markus e claro, Mia e Matt. Foi a melhor festa que eu já havia tido em toda minha vida, sem contar que Mia e Matt passaram mais dois dias lá em casa.
E eu estou namorando também. E ninguém mais, ninguém menos que o Matt. Estamos namorando faz sete meses. Mia aprovou totalmente o nosso relacionamento, tanto que agora já tem outra pessoa também, se não me engano, é uma moça. Pelo que Mia diz, ela é gentil, amorosa, fofa e legal. Não posso dizer o mesmo, nunca a conheci. Nem mesmo Matt a conheceu.
Sobre o Rafa, eles três continuam melhores amigos também. Eu nunca falei com o Rafa, ele ainda parece não gostar de mim. Como Matt mesmo disse: “Ele está com areia nas partes baixas, está sempre estressado, parece mulher na TPM”, quando ouvi isso, gargalhei o máximo que pude.
Mia também estava com 16 anos e eu também passei o aniversário dela, com ela. E Matt, bem, Matt estava com 18 anos.
Meus pais – principalmente meu pai – e Victor, não aprovaram meu relacionamento com ele. Eu diria que minha mãe não aprovou porque não quer ver sua filha com outra pessoa, ou melhor, dando sua confiança a outra pessoa a não ser sua mãe. Sabe essas coisas de instinto de mãe e tal.
E meu pai e Victor, eu acho mesmo que é por ciúme. Mas no final, depois de muito sufoco – como sempre – eu e Matt ficamos juntos.
Na realidade, pouca coisa mudou nesse um ano inteiro.
Eu posso dizer que eu passei por várias recaídas. Principalmente no começo do namoro com o Matt. Mia ainda gostava de mim, e por isso, no começo não aceitou. Claro, ela fez questão de esconder isso, mas ela se distanciou de mim, o que me deixou muito mal, mesmo tendo o Matt. Era como se a Anne tivesse me enganado novamente, ou como se a Elena tivesse tirado a Mia de mim. Nós ficamos três semanas – que para mim pareciam anos – sem se falar. Mas então Mia percebeu que o que estava fazendo era criancice, e pediu desculpas. Eu também disse que não a abandonaria, e não olharia ela de outro jeito só pelo fato de ela gostar de mim. Mas tudo isso já passou, ela tem outro amor, e eu tenho o Matt.
Lembro-me exatamente como foi quando Matt me pediu em namoro. Fazia duas semanas que eu tinha acabado de sair da cidade deles, e então, na chamada de vídeo, ele começou com um papinho meloso demais.
Flash Back – On.
– Então, Nat, sobre eu gostar de você... – Coçou a cabeça e desviou o olhar.
– O que tem? – Sorri.
– Você... Gosta de mim também? – Seu rosto ficou vermelho, assim como o meu.
– Gosto, sim. – Desviei o olhar também.
– S-sério?
– Sim.
– Eu já esperava receber um “Não Matthias, que horror gostar de um mongol como você”. – Riu.
– Matt como você é babaca – Gargalhei.
– Então, o que acha de aprofundarmos isso? – Dessa vez, ele parecia sério.
– Eu acho que... Tudo bem, mas e Mia? Ela não irá gostar.
– Mas ela já disse que aprova.
– Matt, você é amigo dela faz tanto tempo e não percebe quando ela está fingindo?
– Hã?
– Ela não aprova, claro que não. Ela diz que aprova porque sabe que eu gosto de você, e também percebe que não vale a pena ficar tentando em algo que ela não vai conseguir, ela só está aprovando para se separar desses sentimentos. Mas na verdade ela tá mal.
– Ahn...
– Mas eu converso com ela, prometo. Eu conheço Mia, ela não ficará assim para sempre, espero.
– Ok... – Ele pareceu decepcionado.
– Ei, está tudo bem?
– Ah, sim, sim. – Sorriu. – Então agora nós estamos num relacionamento?
– Claro! – Sorri.
Flash Back – Off.
Na real, foi mais uma afirmação que um pedido. Nem ele sabia direito o que fazer, e olha que ele já teve muito mais gente que eu. Isso é uma das coisas que me deixa feliz, porque parece que sou especial, que mexo com seu coração, o que me faz sentir bem. E isso também deixa a mostra seu lado tímido, que por sinal, é muito fofo.
Eu diria que minha vida continua a mesma coisa. De vez em quando brigo com meus pais, de vez em quando brigo com Victor, de vez em quando brigo com Kouko e Markus e de vez em quando brigo com Matt e Mia. Mas, no fim, a amizade e o amor sempre prevalecem certo? Corretíssimo.
Mas e se essa amizade nunca tivesse existido?
Eu posso dizer com toda a certeza do mundo, eu nunca me imaginei com amigos. Muito menos virtuais.
Nunca me imaginei de mãos dadas com alguém, conversando banalidades do dia-a-dia, rindo juntos, chorando juntos, passando momentos bons e ruins juntos... Essas coisas foram algo que nunca tinham passado pela minha cabeça.
Eu nunca me imaginei social, na verdade.
Eu nunca tentei ser social. Fico imaginando, para quê ser popular, ter várias pessoas te seguindo, te curtindo, se você não pode confiar em nenhuma? Se você não tem intimidade com nenhuma?
Prefiro viver minha vida sozinha, a com um bando de gente falsa ao meu redor. Isso sempre foi fato para mim.
Mas então, Victor apareceu, com suas mini asinhas de anjo, com sua mini auréola na cabeça, me apresentando um maravilhoso e horripilante site de relacionamentos.
Agradeço Victor eternamente por me apresentar essa belezura.
Agradeço Mia eternamente por ter me chamado no chat privado.
Agradeço-a também por ter pegado o celular do Matt e enviado aquela mensagem forçada dele para mim. Se não fosse por ela, nós nunca teríamos nos conhecido.
E, aqui estou eu, deitada em minha cama, abraçada em meu ursinho favorito de pelúcia, pensando nos ótimos e maus momentos que tive durante todo esse tempo que passei no site de relacionamentos.
Lembrei-me de Elena.
Lembrei-me de Sofi.
Lembrei-me da noticia que eu iria ser tia.
Lembrei-me de quando Victor me apresentou o site.
Lembrei-me de quando Mia se declarou para mim.
Lembrei-me de quando Matt se declarou para mim.
Lembrei-me de quando conheci Mia.
Lembrei-me de quando conheci Matt.
Lembrei-me das palhaçadas do Matt, e das bipolaridades da Mia.
Lembrei-me de meus melhores momentos, e de meus piores momentos.
Lembrei-me de meus momentos mais felizes e de meus momentos mais tristes.
E lembrei-me, especialmente, de uma frase. Uma frase que me marcou muito.
“É capaz de existir um amor real, através de um mundo virtual?”
A resposta? Muito simples.
Sim, obviamente sim.
Eu amei. Eu conheci esse mundo virtual e consegui encontrar o amor.
Não apenas o amor sexual, digamos assim. O amor fraternal, o amor de amigos, o amor de gente que se preocupa comigo.
Eu consegui encontrar o amor nesse mundo virtual.
E você? Conseguiu encontrar o amor num mundo paralelo ao da realidade?
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