Virtual Love
8 Revendo Os Familiares
Notas iniciais
Alguns dias se passaram, daqui a dois dias seria Ano Novo e minha mãe, Lia, meu irmão e sua namorada, Antônia com meu sobrinho lindo na barriga chegariam hoje em Londres já que no Natal não vieram. Eu entro no bate-papo todos os dias, mas o William sumiu de lá, mandei mensagens ofline pra ele, mas nada dele responder, estou preocupada. Não tenho falado muito com o James, parece que ele tá conhecendo uma nova garota, me esqueceu, é, acho que foi apenas um beijo mesmo, me precipitei em achar que nos amávamos. A Lottie e o Kung, bom, eles estão namorando, portanto, desde o dia da lanchonete eu não falo mais com a Lottie. Tenho saído bastante com a Bettina e a Mel, a italiana e a espanhacesa, respectivamente, rs, elas são bem legais, de vez em quando a Fátima, a portuguesa sai com a gente, mas tá de rolo com o Haroldo, dos EUA, então é muito raro. Hoje a Bettina vai comigo pegar meus povo no aeroporto, ela vai ficar sozinha, então chamei ela pra passar a virada do ano lá em casa, chamamos a Mel, mas de última hora os familiares dela ligaram avisando que iam passar com ela.
Din Don — minha campainha tocou. Deve ser a Be, "entra" gritei e continuei no banheiro me arrumando. Senti alguém dentro do banheiro comigo e quando me virei pra ver quem era tomei um susto.
– OMG James, o que tá fazendo aqui? — eu estava assustada e corada, eu realmente não esperava a visita dele às seis horas da manhã, e muito menos esperava que ele fosse entrar no banheiro, isso não seria tão assustador se eu não tivesse apenas enrolada em uma toalha.
Seu olhar era amendrontador, não parecia o James que eu conheço, doce, gentil, simpático... Seus olhos estavam vermelhos e seu sorriso de lado era algo safado, algo estava passando pela sua mente e não era algo bom.
– James, o que você está fazendo aqui? — perguntei de novo, com a voz mais firme dessa vez.
– Você está com medo? Não vou te morder — James virou sua cabeça um pouco de lado, o que me fez lembrar de cachorros, quando você fala com eles, eles viram a cabeça de um lado pro outro como se estivessem tentando entender o que você está falando, e isso me fez rir — Você está rindo de mim Laura? — sua voz era baixa e sexy, ele arqueou uma de suas sobrancelhas.
– Err... Não James. E eu não estou com medo, eu só estou assustada, você está tão diferente.
– Eu não estou diferente, eu sou o mesmo James de sempre — disse levantando seus braços para que eu posso observar ele, e meu Deus, suas roupas estavam sujas e rasgadas.
– Não mesmo, você não é o mesmo James, você era doce.
– Estou azedo agora? Ou amargo? — ele riu.
– O que aconteceu com você? — fui chegando mais perto dele, com a mão estendida para que conseguisse tocar em seu rosto, mas ele virou o rosto quando eu cheguei perto.
– Não toca em mim — ele disse, com... raiva?
– O que tá rolando James? — olhei bem para seu rosto e seu nariz tinha um pó branco agarrado — O que é isso? — tentei encostar em seu nariz, mas ele virou o rosto mais uma vez, segurei seu rosto com força e fiz ele olhar pra mim — O que você andou fazendo James? — agora eu estava com raiva.
Seus olhos se encheram de lágrimas, ele foi dando passos para trás até encostar na parede. Ele foi escorregando pela parede aos poucos, se sentando no chão, suas lágrimas caiam como cachoeira. Mas que diabos tá rolando? Uma hora ele tava duro, passou pra bravo e agora está chorando que nem bebê.
– O que tá rolando James? Fala comigo, pelo amor de Deus — e ele não me respondia, só chorava, chorava e chorava. Liguei pra Bettina.
Din Don — a campainha tocou novamente, abri a porta, dessa vez era a Bettina.
– Como ele tá amiga? — Bettina me perguntou, preocupada.
– Ele tá dormindo agora — falei, confusa.
– Meu Deus, você me assustou, sabia?
– Assustada estou eu Be — falei, respirando fundo.
– Me conta isso direito — ela disse, segurando minha mão e me puxando pra sentar com ela na cama, aos pés do James.
– A campainha tocou e eu estava tomando banho, a porta estava aberta então mandei entrar, quando virei pra trás no banheiro ele estava lá, parecia que estava possuído, não era aquele príncipe James que trata todas com doçura, seus olhos estavam vermelhos e quentes, eu nunca vi o James assim — me arrepiei só de lembrar na cena — ele parecia estar drogado.
– Err... ninguém te contou?
– Me contou o que?
– Ele usa muita cocaína amiga, nem parece né, ele é tão forte e saudável. Todas as férias ele vai parar em uma clínica de reabilitação, ai volta saudável, forte, radiante e de repente tem outra recaída, dai chega as férias... Eu moro aqui em Londres tem um tempo já, estudamos na mesma escola nos últimos dois anos. É terrível.
– Ual... não esperava por isso.
– Eu achei que você soubesse, depois que vocês se conheceram andaram se falando bastante.
– Ele não me contou nada, ele disse que todas as férias ele e a família iam sempre pro mesmo lugar e tal... sei la.
– Não, a família vai sempre pra casa da mãe do pai dele, lá que tem essa clínica. Acho que ele não quis te contar.
– E porque será que ele veio pra cá?
– Não tenho noção.
Meu celular começou a tocar, era uma mensagem do meu irmão avisando que já tinha chegado, e como eu não estava lá, eles tinham pegado um táxi e já estavam vindo para cá. Caramba, com essa parada esqueci completamente deles.
– Meu irmão — olhei pro James e depois pra Bettina — eu esqueci deles, eles chegaram e já estão à caminho, pegaram um táxi.
– Eu esqueci deles também — ela riu — O que você vai fazer com o James? — ela me olhou.
– Vou deixar ele ai né, e vou me vestir, não posso receber minha família de toalha.
Não demorou muito pra que minha linda família chegasse.
– Ei filha, que saudade– minha mãe me abraçou com força.
– Muitas mãe– devolvi seu abraço.
– Ei, eu também quero– a Lia veio correndo e nos abraçou.
Conversa vai, conversa vem.
– Amiga, eu quero conhecer seu quarto– Lia disse, se levantando do sofá.
– Er... agora? Pensei que pudéssemos sair pra comer alguma coisa– Não ia ser legal se eu levasse ela lá agora, porque minha mãe iria junto e eu ia ter que me explicar sobre o que um menino drogado faz em cima da minha cama.
– Ok, então vamos que eu estou faminta.
Meu irmão que não é bobo nem nada... — O que tá rolando? — me perguntou, beixinho.
– Sobre? — perguntei, assustada.
– Sobre não poder levar a Lia no seu quarto.
– Não disse que não podia, só achei que deviamos comer antes, estou com muita fome, ela tem muito tempo pra conhecer meu quarto — falei, calma.
– Eu te conheço à 18 anos Laura.
– Ok, o James .... — eu não conseguiria esconder isso do meu irmão por muito tempo.
Mandei uma mensagem pra Bettina que estava no meu quarto com o James e mandei ela tirar ele de lá antes que eu pudesse voltar com a minha família. Eu realmente não queria me explicar pra minha mãe. Ela ia me fazer milhões de perguntas e era capaz de se mudar pra Londres só pra não deixar o James chegar mais perto de mim, e não era isso que eu queria, depois do que descobri eu precisava ajudar ele, sei la.
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